Pôquer, bebidas e ciúmes.
Max colocou a mão na cintura dela, indicando para que entrasse em sua frente. O som do saxofone preencheu os ouvidos deles juntamente com cheiro de baunilha e chocolate.
O grande salão do hotel estava lotado. Ao meio, um homem tocava saxofone, acompanhando o ritmo da música Besame Mucho. O recepcionista parado ao lado da porta serviu champanhe para os dois.
- Ei, patrão - Ele cumprimentou Max com um tapinha nas costas – Madame – se dirigiu a ela. Helena sorriu em resposta.
- Fala Roger!!
Roger, um homem alto e extremamente musculoso, começou uma conversa animada com Max. Sem saber muito o que fazer, ela tirou o celular da bolsa e enviou uma mensagem para o irmão e Gabi avisando da sua chegada, depois, pediu licença e se retirou.
Era possível sentir os olhos de Max cravado em suas costas. Helena rebolou ainda mais até a sua chegada no salão de pôquer.
Ah, estava como saudades! Mulheres lindas com vestidos longos estavam por todos os lugares. As mesas de pôquer integrada por homens de terno com expressões sérias.
Esse era um padrão que sempre quebrava. Sempre que chegava perto das mesas, pareciam não acreditar que ela estava ali para jogar, e sim para acompanhar os homens.
Avisou que entraria na próxima rodada, com um valor de 100 mil em fichas. Um dos velhos a encarou com os olhos tão arregalados que parecia ver um fantasma. Ela levantou a taça, cumprimentando-o.
Depois de três rodadas e um montante de 400 mil reais à sua frente, alguns homens já se levantavam da mesa lamuriando-se pelo perdido. Quando um dos velhos se levantou, um homem se sentou em seu lugar.
Sua cor de pele era de um tom brilhante de caramelo, os cabelos longos repicados até os ombros.
- 200 mil – murmurou ele em alto e bom som, colocando as fichas no meio da mesa.
Sua camisa social preta estava dobrada até o cotovelo, revelando uma tatuagem maori. Sua mão tinha um grande anel no dedo indicador, com a face de um leão.
Acompanhando-o, ela colocou os seus 200mil. O último jogador que tinha sobrado desistiu da rodada. Ele olhou para Helena e depois para as próprias cartas. Os olhos dele eram de um intenso ônix. Ela deixou uma risadinha escapar. O parceiro pareceu gostar, tanto que sorriu de volta.
Odiava admitir para si mesma que estava comparando o homem ao Max. E advinha? Ele não era Max.
- Cartas na mesa. – O dealer que conduzia o jogo disse. O parceiro colocou as suas. Um flush de paus, sendo a maior carta uma dama.
Helena fez beicinho. Olhou suas cartas antes de colocar o seu flush de copas, com um rei. Então sorriu abertamente, puxando todas as fichas para si. A plateia que se formou atrás deles urrou.
-Porca miséria! – A voz do homem era recheada de indignação. Um italiano, interessante.
Ela se levantou, arrumando o tecido vermelho que vestia. O homem se levantou também e sem vergonha alguma, a comeu com o olhar.
Quando ia se distanciar, ele estendeu a mão para ela. Os olhos femininos se apertaram um pouco, mas ainda assim, apertou a mão dele.
- Foi um prazer, Bambina. - Ele levantou sua mão, e a tocou delicadamente com seus lábios molhados. Um sorriso grande foi estampado nos lábios delas, e quando ia responder, alguém pigarreou ao seu lado. Ela olhou para o autor do pigarro. Max. E pela sua expressão, não parecia nada feliz. Mas ainda assim, não se intimidou.
- Obrigado, Sr...
- Barbieri, Pablo Barbieri. – Pablo nem havia notado Max. Os olhos negros estavam cravados nos olhos de Helena.
- Vejo que já conheceu o Sr. Barbieri... – Max se intrometeu, com a voz um tanto arrastada. – Esta é...
- Eu sou Helena Lirol Mureb.
Pablo levantou uma de suas sobrancelhas. Helena somente sorriu.
- Da Lirol Entermaint? – Pablo indagou a pergunta que ela já esperava.
- Na verdade não, a Lirol era do meu avô.
- Trabalhando juntos? Ele se referiu a ela e Max, que estava com as mãos fechadas ao lado do corpo.
- Não – Helena disse rápido.
- Sim – Max engajou. Pablo deu uma risada nervosa.
- Queridos, sim ou não?
- Somos noivos, Sr. Barbieri. – Era Max a falar. – Acho que podemos dizer que noivos trabalham juntos.
Foi impossível segurar o suspiro de raiva dentro dela. Pablo pareceu a analisar por alguns segundos. Ela deu um sorriso diminuto. Max segurou a cintura de Helena.
- De qualquer modo, pode me chamar somente de Pablo, Bambina. - A irritação de Max pareceu aumentar ainda mais. Seu rosto vermelho como um pimentão. Helena apertou a mão de Max em aviso.
- Foi um imenso prazer, Pablo.
Ela sorriu abertamente e Pablo assentiu com uma piscadela rápida. Logo depois, ela segurou a mão de Max, o conduzindo para um lado distante do salão.
- O que foi que deu em você?
- Eu é quem deveria pergunta. Essa é a sua estratégia? Seduzir os homens na mesa de pôquer?
- E se for? Estou tentando me divertir, Max. Coisa que você também deveria fazer.
Max pigarreou e colocou a taça tulipa de champanhe em cima de uma mesa que estava ao lado deles.
- Entendo, Helena. Mas estamos fingindo que somos casados, não? - A expressão dela suavizou um pouco. Ela enrolou uma mexa dos cachos que caiam pelos seus ombros, ponderando. Max pegou a mão dela, segurando-a.
- Então era somente uma encenação? - Indagou ela.
- Vou deixar que você descubra. – Ele tentou sorrir enquanto na verdade parecia reprimir os lábios.
Os dois andaram em meio as pessoas. Max fez questão de ter a mão dela entre as suas o tempo todo. Em outros momentos, quando andavam lado a lado, Helena poderia jurar que a mão dele acolhia seus ombros e a apertava junto a ele.
Chegando próximo ao bar, com luzes avermelhadas salpicando o piso enegrecido, Helena observou Leandro e Gabi.
Gabi conversava animada com Carlos, que a olhava sério. A roupa da amiga era um tanto ousada. Um vestido preto tubinho com arabescos roxos, exibindo algo caótico, mas formal e estiloso.
Leandro comia uma azeitona com a ponta do guarda-chuva de seu Martini, meio alheio. Atrás deles, uma dúzia de bartenders chacoalhavam garrafas fazendo drinks adornados com guardas chuvas, limões e azeitonas.
O bar estava lotado. Muitas pessoas chegavam e se agrupavam no balcão pedindo suas bebidas. Ainda assim, os três estavam ao meio, um tanto relaxados que nem os viram chegando.
- Até que enfim, mana. – Leandro berrou entre o som do blues quando a percebeu – Esta festa está um tanto capenga. – Max apertou as sobrancelhas, simulando irritamento. – Desculpa cunhado.
- Também estou feliz de ver você. – Helena respondeu cinicamente, quase correndo para o lado do irmão.
Era difícil ficar de mãos dadas com Max por tanto tempo, ela sentia uma vontade imensa de coçar a palma. Max ficou ao lado dela, e pediu uma coronita para o bartender.
As luzes vermelhas o deixavam ainda mais brilhante, e ainda adicionavam um tom erótico a imagem dele. Algumas mulheres que passavam praticamente o assediava com olhares maliciosos. Max parecia não ligar. Mas talvez, um homem com a aparência dele, tivesse sempre a mulher que queria na hora que bem entendesse.
Helena não queria ser mais uma. Sabia bem o que homens lindos e poderosos costumavam fazer com mulheres, tratando-as como objetos passíveis de trocas constantes. Tinha sido vítima uma vez. E por mais que seu corpo se desfalecesse na presença de Max, agora estava imbuída de uma cabeça bem dura, difícil de amolecer.
Algumas coisas na vida são assim. Só aprendemos após tomar um tombo bem dado. Capaz de rasgar nossa testa e nos deixar com cicatrizes permanentes.
E o seu coração estava com uma cicatriz das grandes. Tinha jurada para si mesma que não se deixaria levar pelo coração. E mesmo que o sentimento fosse verdadeiro e reciproco, daria seu amor aos poucos, em pedaços.
Max a puxou para ele, de modo que a lateral do corpo dela ficasse presa. A mão dele descia e subia de seu antebraço, num carinho reconfortante e sensual.
Gabi e Carlos estavam um pouco mais distantes, ainda conversando em particular.
- Esses dois nem me dão atenção, pareceu que aconteceu um Match instantâneo – Leandro sussurrou para a irmã.
Max agora brincava com a alça do vestido, descendo e a subindo em seu ombro. Ele parou por um momento e beijou sua pele. Ela deu um suspiro trôpego.
- Relaxa, gatinha... – Max murmurou bem no ouvido dela. O hálito quente distribuiu correntes elétricas pelo corpo dela.
A amiga pediu licença da conversa por um momento para cumprimentá-la. O cenho de Gabi enrugou-se.
- Helena, você está pálida! – Gabi disse chegando mais perto dela, Leandro e Max. Cumprimentando o último com um apertar de mãos. Ela já falara tanto de Max para a amiga que sentia que os dois nem precisavam de uma apresentação mais formal.
- Isso é porque ela insiste em lutar contra a própria vontade, Gabriela. – Max falou em alto. Helena quase se engasgou com a bebida.
- Concordo plenamente, porque eu, na condição de minha irmã, iria aproveitaria ao máximo esse boy. – Leandro completou. Max já parecia tão acostumado a Leandro que até riu do comentário dele.
- Galera, eu estou aqui, ok?
- Helena, essa estratégia do casamento só vai dar certo se você cooperar. Todo o universo está conspirando a favor disso, mas você parece lutar contra. – Gabi continuava a dar um sermão nela.
Max estendeu a mão em direção a Gabi, dando-lhe razão. Leandro assentia balançando a cabeça efusivamente, sua franja se movia conforme o gesto.
- Está bom, já chega disso. Eu definitivamente não preciso do sermão de vocês. Já sou bem grandinha e sei fazer minhas próprias escolhas. – Foi arrogante. Em seguida, se livrou dos braços de Max e caminhou entre as pessoas para longe deles.
- Deixa, Max. Acho que ela precisa espairecer e colocar a cabeça no lugar. – Conseguiu ouvir a voz de Leandro ao fundo.
Depois de alguns minutos, Helena se deu conta de que andava em círculos, sem pensar em nada aparentemente. Só passeando, vendo o movimento das pessoas, cumprimentando algumas de maneira automática.
- Helena.
Talvez não fosse ela quem chamavam. Então continuou andando. Uma mão se fechou em torno de seu antebraço, fazendo-a parar. Tão logo viu quem a chamava, fez uma cara de desgosto.
- Me solte! Quem você pensa que é?!
Ryan sorriu. Os dentes alinhados perfeitamente podiam até serem lindos, mas ela ainda os via como um tubarão.
Ele vestia um terno acinzentado, e a gravata azul celestial combinava perfeitamente com os olhos nebulosos dele. Ryan colocou as duas mãos nos bolsos da calça e a encarou.
- Como você está? – Ele chegou um pouco mais perto dela. O perfume vagamente conhecido a encontrou. Ryan sempre gostou de toques de tabaco e almíscar. Os fios claros dele estavam cortados em um estilo militar. Helena cruzou os braços sobre o peito, sustentando o olhar dele.
- Muito bem, obrigado. – Ela deu um passo para trás, fazendo menção de virar-se, dando-lhe as costas.
- Helena, espera! – Ele segurou o braço dela novamente.
- Ryan, não me toque!
- Certo, desculpe... Mas então, ouvi dizer que está noiva.
- Ouviu bem.
Os olhos dele a analisavam, desceram pelo corpo dela. Helena sentiu a pele pinicar, um nojo absurdo crescendo dentro de si.
- Helena, precisamos conversar...
- Eu não tenho nada para falar com você.
Então, para surpresa dela, ele mudou o foco do diálogo. E a próxima pergunta fez as entranhas dela se apertarem.
- É verdadeiro? – Falou bem perto dela, um pouco alto, para que sua voz pudesse sobressair em meio ao som . – É mais verdadeiro do que foi comigo?
A boca dela abriu e tão logo fechou. E quando finalmente abriu novamente, um par de braços musculosos passou por sua cintura, a abraçando por trás. Ryan deu um passo para longe dela.
- Ryan, não é?
A rouquidão da voz de Max estava latente. Não precisava olhá-lo para saber que estava com raiva. Na verdade, a respiração dele estava tão alterada que vinham lufadas de ar no pescoço dela.
- Sim. – Ryan pareceu fazer uma careta.
- A resposta para sua pergunta é sim. Eu e Helena nos amamos profundamente. Estou fazendo aquilo que você não conseguiu, estou fazendo-a mais feliz.
A narina de Ryan se dilatou.
- Você não sabe nada sobre nós dois! – Ryan ralhou.
- Nós dois?! - Ela perguntou perplexa pela audácia dele. – Não há nós dois desde que você decidiu que era melhor sermos três.
- Helena, eu errei.
- Eu também errei, nunca devia ter ficado com um homem feito você.
- Colega, não existe vocês dois. Existe nós dois. – O dedo indicador de Max fez referência a ele e Helena. – E na próxima vez que tiver a ousadia de dirigir a palavra a minha noiva...
Ryan deu uma risada seca. Estava claramente ironizando Max.
- E o que vai fazer, me bater? Faria isso no seu estabelecimento?
- Não, eu deixaria os meus próprios seguranças fazerem por mim... porque se eu colocar as mãos em você... – a respiração de Max estava mais alterada. Helena apertou a mão dele que estava segurando a cintura dela de forma protetora. – Se comporte, Ryan. Você não é bem-vindo aqui.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top