Dentro do seu Coração

- Não desista, Max!

- Helena, vai! – Ele ordenou, lutando para se manter equilibrado.

Ela passou o antebraço pelo rosto, afastando as lágrimas que insistiam em cair. Seu coração descompassado lhe fazia uma pressão sobre o peito, como se estivesse sendo arrancado.

Agora que havia acabado de descobrir o amor, não podia deixá-lo. Max passara todo o tempo que tinham colando os pedaços de seu coração, ainda que tudo o que fizesse fora tentar fechar os olhos, resistindo à grande oportunidade que tinha na frente de si desde que aceitara aquele acordo.

Não poderia ir sem ele. Não poderia dar as costas para o amor. 

- Não vou a lugar nenhum. – murmurou entre lágrimas, caindo de joelhos na grama. – Não posso ir se sei que te deixarei para trás, Max.

- Helena, agora não é hora...

- Eu...Eu estou apaixonada por você. – finalmente admitiu, um peso aliviando o coração.

- Helena... – Max sibilou, caindo um pouco mais para dentro do buraco. Ele ergueu a mão ligeiramente, afagando seu rosto. - Confia em mim? - repetiu. 

Ela olhou dentro dos olhos dele.

- Com a minha vida.

Max piscou, os olhos marejados.

- Não vou desistir de você...Não vou.

Helena mordeu os lábios, preocupada. Esperava que Max fizesse mais força, saísse dali o quão antes para que pudessem fugir.

Mas não.

Os olhos dele a miraram uma última vez quando, finalmente, ele deu um impulso. Porém não para sair da cela, mas para entrar.

O corpo de Max caiu, se estabacando no chão duro junto do homem barbudo que o puxava. Helena levou a mão à boca, abafando o grito agudo que saiu do âmago.

Ela se agachou tentando ver o que acontecia lá dentro. Mas a poeira da palha havia se fundido ao ar, nublando a sucessão de socos, chutes e gemidos que acontecia.Quando a poeira abaixou, conseguiu ver. 

Os olhos de Helena se arregalaram, sentindo o próprio corpo ser chacoalhado por um calafrio.

- MAX!

Ele agora estava de pé,  apontando um revólver para o homem barbudo. O rosto de Max estava sujo, e o olhos verdes furiosos, enquanto um filete de sangue lhe descia do supercílio.

- O que vai fazer, hã?! – O homem perguntou. – Me matar?

Max destravou a pistola, o dedo trêmulo sob o gatilho.

- Me mata, porra! Você já está sentenciando toda a minha família à morte, Sr.Mallone. Então vai, me mata!

Max uniu as sobrancelhas.

- De que merda está falando?! Eu nem sei quem é você, muito menos a sua família!

- Carlos não te contou, não é? – ele riu, os lábios sangrando devido à briga. – Tudo bem...quem sabe um dia você descobre, primo.

As sobrancelhas de Max se arquearam.

- Primo?

- É, Maxwell Mallone. Eu sou seu primo. Seu e de Carlos.

Helena estava boquiaberta, sem saber o que pensar. Que raios aquele homem estava falando? Max começou a menear a cabeça, envolto por pensamentos.

- Para de falar... – Max começou.

Entretanto a voz se tornou um zunido longe, abafado pelo som de freio do carro conhecido que acabara de estacionar às pressas, derrapando na estrada de terra.

Leandro saiu do automóvel a passos rápidos, perpassando as mãos no rosto vermelho. Helena piscou algumas vezes, levando uma mão ao peito.

- Você é um.. – a blasfêmia de Max lhe trouxe de volta à tona.

- Max... – Helena sussurrou do lado de fora, mas ele não ouviu. – MAX!

Os olhos dele se ergueram.

- Leandro está aqui!

- O quê?!

- Meu irmão! – A voz dela subiu uma oitava. – Eu... eu preciso ir... eu...

Helena se viu louca. O irmão era a única coisa que lhe restava, não podia perdê-lo.

- Ele veio como garantia – O barbudo explicou.

- Ga-rantia de quê?

- A garantia de que iremos receber nosso dinheiro... Já que seu maridinho não está querendo liberar a senha, Carlos vai exigir de Leandro, em troca da liberdade de vocês. 

- Quanto? – ousou perguntar, os lábios trêmulos.

- 15... 15 milhões. – As cifras saíram da boca do homem como uma cobra venenosa. – Se soubéssemos que seria assim tão fácil, já teríamos ameaçado seu irmão antes.

Se Leandro desembolsasse aquela quantia, a empresa do avô estaria falida. Porém o irmão não ligaria para essa consequência. Não quando a segurança dela estivesse em jogo. 

Não. Carlos não poderia ter usado seu irmão, não poderia...

Uma vertigem tomou o corpo dela, subindo pelas entranhas. Helena engoliu a ânsia, mas quando respirou novamente, não conseguiu impedir. 

O pão ingerido a pouco tempo voltou pela garganta, inciando uma crise incessante de vômito. Helena levou uma mão à barriga, tentando se conter.

- Filhos da puta! -Max berrou, chutando as palhas que estavam no chão. - Quem vocês acham que são para usar as pessoas dessa forma?! Hein?!

O homem barbudo sorriu, dando de ombros. Max bufou, totalmente alterado.

- O que fará, então? Me matará? – ele provocou novamente.

- Não sou um assassino. - Max respondeu, baixando a mira da pistola gradativamente. - Mas isso não significa que eu não vá atirar em você. 

Helena fechou os olhos com força.

PÁ. PÁ.

O eco dos tiros vibraram nos tímpanos dela, fazendo-a tampar os ouvidos. O homem barbudo caiu no chão. Dois pontos vermelhos em cima do seu joelho esquerdo agora minavam sangue.

Helena levou as mãos à boca novamente, temerosa que outra crise de vômito lhe atingisse.

- Seu filho da... – O homem começou a praguejar, pressionando a ferida.

- Você vai sobreviver. - Max comentou com um sorriso falso. 

Ele abriu o carregador da pistola para retirar as balas, guardando-as no bolso. Logo depois, jogou o revólver descarregado ao lado do homem.

Helena se afastou trêmula, incapaz de acreditar no que tinha acontecido. Max voltou ao buraco de onde ela tinha saído. Ele impulsou o corpo, flexionando os braços para se erguer e levantar rumo a liberdade que o esperava.

Ela não teve tempo de se recuperar, pois Max a segurou forte pelas mãos, saindo correndo pelos campos apinhados de bois e vacas. Helena tentava acompanhar, as pernas moles.

Acima deles, o céu nublado tornava o clima abafado, fazendo mais calor que a própria cela. Uma chuva logo cairia.

Depois de algum tempo correndo sem rumo, ele parou, segurando-a pelos ombros.

- Helena?! Está tudo bem? – em resposta, ela meneou a cabeça negativamente. Ele a puxou para o peitoral, acarinhando seus cabelos.

- O que...o que está acontecendo, Max? E Leandro...

- Eu não sei! – Ele a soltou e passou as mãos nos cabelos, quase os puxando. – Aquele homem me falou coisas...

- Que coisas?!

- Merda!  – Max segurou novamente a mão dela, forçando-a se abaixar.

Pá. Pá.

Eles pararam petrificados por um instante. Tiros. Dois tiros.

- Fiquem parados! – Carlos gritou um pouco distante.

Aquilo foi o mesmo que pedir para que se movessem. Max passou a correr mais rápido, puxando Helena ao seu encalço.

Os animais do pasto começaram a correr destrambelhados e assustados. Max a puxou, evitando que duas vacas quase a atropelasse. Helena piscou assustada. Não estava conseguindo acompanhar os acontecimentos.

Agora Max corria em direção a um pasto de cavalos, localizado ao lado de onde estavam. Uma estrada de terra fazendo a divisa.

Ao longe, casas de pau a pique estavam erguidas, indicando que se encontravam em um lugar muito pobre.Os olhos dela arregalaram-se. Da onde se lembrava daquele lugar? 

Agora talvez fosse inútil descobrir.

Helena olhou pra trás, o medo fazendo suas pernas correrem quase que mecanicamente. Carlos corria pelo campo atrás deles. E estava perto.

- Não olhe pra trás. – Max avisou, a respiração afobada. – Mais rápido, Helena!

Ela tentou, tentou mesmo. Mas o nervosismo passado deixaram as suas pernas quase que inservíveis. 

Os pés dela se embaralharam quando ela tentou se esquivar de um boi que corria em pânico para o outro lado. O animal resvalou em sua lateral, desequilibrando-a. 

Ela soltou um grito, sentindo a queda iminente, que por um triz não aconteceu.

Max enlaçou a cintura dela, sustentando-a com o braço. Por um segundo os olhos deles se encontraram. Max a encarou, atribuindo-lhe força e garra com o olhar.

- Só mais um pouco, gatinha... – suplicou.

Mas era tarde demais.

Carlos estava a poucos metros, mirando o revólver na direção deles. Max a colocou atrás dele, os dedos segurando forte o tecido de sua roupa.

- Não pode fugir, Max!

- O que você quer de mim, Carlos?!  Porque você sabe, não te darei as senhas. 

 Carlos franziu o cenho, em silêncio. 

- Tudo bem... - ele colocou a mão esquerda embaixo da mão direita, dando mais sustentação ao revólver. 

- Vai, atira.

- Não vou atirar em você. - Carlos deslizou a mira da pistola para Helena. Max a protegeu ainda mais com o corpo.

- Seu filho da mãe... deixe-a fora disso!

- Se eu matar a Helena, você e Leandro sentirão a mesma dor que eu vou sentir quando perder a minha família, e além disso, poderei me vingar por ela e o irmão terem me entregado à Interpol anos atrás.

- Eu não faço ideia do que está acontecendo! O quê a sua família tem a ver com isso? - Max abriu os braços. - Além do mais...você vai matá-la por ter feito o certo, Carlos?

- Não foi certo... estava muito longe de ser. – Carlos murmurou, os olhos ficando marejados.

- Se quer matá-la, vai precisar passar por cima de mim primeiro.

- Com prazer, Mallone. 

- Max... – Ela segurou o antebraço dele.

- Não, Helena! Isso tudo é minha culpa! 

Max a olhou por cima do ombro, entrelaçando a mão deles dois atrás do corpo. Helena engoliu em seco.

- Quando ele atirar, você corre. Não olhe pra trás. Só corra, o mais rápido que puder. Eu sempre irei estar com você... dentro do seu coração

Carlos destravou o revólver, posicionando o dedo no gatilho. Eles seguraram a respiração, e então o tiro veio. 


Mais um cap, minha gente. Ai meu Deus! Meu coração já está na mão devido ao próximo acontecimento que virá no capitulo seguinte...

O que vocês acham que vai acontecerrrr?? Me digam!

Obrigado por estarem acompanhando Helena e Max <3 

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