Declarações

Helena mal esperou o dia amanhecer. Já pelas 5h da manhã começou a se arrumar. Pensou em deixar um bilhete para Max, mas mudou de ideia, e deixou uma mensagem no whatsapp avisando que estaria na casa do irmão.

Passou na sala na ponta dos pés com os scarpins na mão. Lorenzo balançou o rabo, ainda deitado ao lado de Max em cima do sofá. Ela parou um segundo para admirá-lo. O peito escultural descendo e subindo conforme a respiração lenta acontecia. A expressão serena. Tão lindo. Ela balançou a cabeça, mordeu os lábios e seguiu caminho até a porta.

Aproveitou as ruas vazias e voou para Barra da Tijuca. Colocou o som do carro no último volume. Quando chegou, parou o carro na frente da cabine do segurança, que se sobressaltou com a presença dela.

- Dona Helena?!

- Oi Edvaldo! Como vai?! O homem ajeitou a gravata e os óculos em cima do nariz.

- Ótimo! E a senhora?

- Bem também!

- Dona Helena... – ele ainda parecia abismado. – Quer que eu avise seu irmão?

- Oh, não. Eu gostaria de fazer surpresa. – Ela fez uma cara de malandragem. Edvaldo riu e liberou a passagem.

Helena estacionou e desceu do carro. Ficou parada durante algum tempo, fitando a casa de Marcelo. Ainda que o avô não estivesse mais em vida, era impossível olhar para a estrutura elegante e sinuosa e não se lembrar dele.

Ela caminhou com um pouco de dificuldade pelo caminho de pedra. Os saltos cismavam em afundar entre as pedras ornamentais.

Os olhos dela vasculhavam a procura de alguma alteração, mas tudo estava igual a última vez que estivera ali. E as lembranças não eram nem um pouco boas.

O caminho de pedra deu lugar a grama, e depois, ao corrimão da escada. As duas laterais da escada decoradas com amores-perfeitos. Ela hesitou em frente a porta, pensando em apertar a campainha. Sorriu da sua própria besteira e abriu a porta dupla de madeira branca.

O salto dela ecoou no piso translucido com alguns gominhos de terra caindo e sujando o chão limpíssimo. Helena tirou os saltos e caminhou para sala de estar, sentando-se na grande poltrona bege. Checou o relógio, o irmão não demoraria tanto. A empresa exigia muito, e ela se lembrava de madrugar para cobrir os prazos e reuniões.

Ela olhou a tela do celular. A mão coçando para enviar outra mensagem para Max. Recolheu os dedos e guardou o aparelho. Não iria parecer tão desesperada.

Abriu a bolsa e pegou a agenda. Enquanto fazia algumas anotações do trabalho, um vulto preto passou no corredor. Ela olhou para o hall da sala de estar. O vulto voltou. Leandro a olhava com olhos arregalados vestido com um longo robe negro e uma xicara de café na mão.

O par de olhos xará do dela a fitavam preocupados.

- Helena?! Alguém morreu?!

O irmão dela entrou na sala, as pantufas da cor do robe fazendo um barulho estranhamente fofo.

- Não seja tão dramático, Lê.

- Não, não, não... Pode começar falando tudinho... – se sentou ao lado dela, tentando prever alguma coisa em seu olhar – Sua presença nesta casa é muito rara. Duvido muito que você tenha vindo ver seu irmão amado. - Helena sorriu sem graça. – Sabia! Pode começar, sem rodeios! – ela suspirou. Não era exatamente assim que tinha imaginado o início da conversa.

- Trouxe uma proposta para sua empresa.

Leandro franziu o cenho.

- Aquela lá está muito longe de ser minha empresa, mana. Os acionistas me odeiam... e é reciproco.

- Você é o presidente interino!

- Infelizmente! Não sou como a Beyoncé feita para o Jay-z. Meu coração sempre será do marketing.

Apesar de segurar um riso, o intimo dela se chateou um pouco pela maneira como a presidência da Lirol fora deixada de lado.

- Tudo bem...hum, deixe-me ver. – ela pegou a pasta que Pablo lhe dera no dia da reunião e a colocou na mão do irmão. – A Fernoni e a Tugaz se fundiram, e estão querendo comprar 15% da Lirol, de modo a fazer uma certa fusão com a Lirol também... – A voz dela foi se esvaindo. Os olhos do irmão estavam arregalados e compenetrados em algum lugar que não era aquela conversa. – Leandro?!

- Helena...– Os olhos amendoados do irmão se exaltaram, mas depois caíram amolecidos. - Mas isso é ótimo.

- Então por que não está feliz?

- Aquele lugar não é para mim, Hel! Nem sei o que fazer com essa proposta... – Leandro fitou diretamente os olhos dela e depois o ambiente clássico a volta deles – Estou com saudade do vovô.

Helena pegou a mão do irmão e o puxou para um abraço apertado. Leandro sempre vivera ali na mansão junto com Marcelo, se viam todos os dias. Ela poderia até estar em uma situação ruim, mas com certeza, o irmão estaria pior. De repente, ela se sentiu muito pior por não ter observado o sofrimento do dele.

Ainda dentro de seus braços, ele disse:

- Vou me mudar.

Helena segurou os ombros dele, distanciando-o rapidamente.

- Mas, Lê?! Por que... este sempre foi seu lar.

Uma lágrima grossa desceu de um dos olhos dele.

- Não, Hel. Lar, é onde estão as pessoas que amamos. Aqui... aqui é só uma casa grande e vazia. – Leandro murmurou. Ela utilizou o dedão para afastar a lágrima dele, sua própria garganta fechada.

- Mas olha. – O irmão segurou as duas mãos dela. – Vou ver o que faço com essa proposta, está bem? Raquel mencionou alguma coisa sobre as ações não estarem indo bem...pode ser que seja uma boa saída. – Leandro fungou e deu batidinhas nas maçãs do rosto, tentando evitar que mais lágrimas descessem. – Agora me fale, como teve essa ideia?

- Não foi bem uma ideia minha...

Depois de passar quase a manhã inteira conversando com o irmão sobre as negociações das empresas, e de como surgira aquela ideia, Helena correu atrasada para o escritório.

- Hel, me diz que você trouxe a procuração de Max assinada. – Gabi surgiu na sala dela. Helena abriu a boca e levou a mão a testa.– Que droga, Helena! Hoje é o último dia para juntar a procuração dele. Eu te mandei várias mensagens...

- Eu não vi...

Na verdade, estava com a cabeça tão absorta, que por mais que tivesse pego o celular em suas mãos diversas vezes, não lera as mensagens. Ela pegou o celular dentro da bolsa. Uma mensagem de Max fez com que um sorriso brotasse.

- Saindo de fininho?

- Do que está rindo? A amiga se aprumou mais perto dela para tentar ver. Ela recolheu o celular em direção ao peito – Ah, Max. – Gabi revirou os olhos. – Aproveita e fala com ele que preciso da procuração. – A voz da amiga a seguiu para fora do cômodo. Os dedos dela digitaram rapidamente sobre o teclado touch do celular.

- Não sai de fininho .Fui agilizar a sua parte do contrato.

Helena reprimiu os lábios. Admitia, estava na defensiva. Não importava que justificativa desse, Max não iria acreditar.

- Boa garota

Ela revirou os olhos. Está bom, agora ia a perguntar. Rezaria para que Max não pensasse errado. Nossa, que idade ela tinha? 15?

- Onde você está? Preciso que assine uma procuração.

O visor indicava que Max estava digitando. Ela teve vontade roer as unhas.

- Me encontre na praia de Ipanema. Às 17h.

Ela ergueu uma das sobrancelhas e deu de ombros. Ainda teria algum tempo antes que precisasse encontrá-lo. Então, quando finalmente o último cliente agendado foi embora, ainda sobrava tempo. Não faria mal nenhum chegar um pouco mais cedo, poderia aproveitar o pôr do sol.

A praia estava abafada. Um calor desmedido. Ela respirou o ar quente quando saiu do carro. Difícil aproveitar alguma coisa com um inferno daquele.

Helena colocou os óculos de sol e caminhou até o calçadão. Pessoas de biquínis passavam em volta dela. Já algumas outras corajosas corriam sob o sol quente.

Olhou para própria roupa. Um scarpin preto, saia lápis vermelha até o joelho, uma blusa preta. Nem um pouco vestida a caráter. Mas pelo menos a blusa era sem manga.

Ergueu as mãos e prendeu o cabelo em um coque embolado no alto da cabeça. Alguns fios caíram nas laterais do rosto. Se abanou enquanto olhava em volta. Um quiosque. Sim, pediria água. Urgentemente.

Foi até o quiosque e comprou uma garrafa. Tomou alguns goles, bufou. Jogou um pouco da água gelada na mão depois refrescou o próprio pescoço. Mas ainda não era o bastante. Molhou um pouco do rosto.

Foi até a beirada do calçadão tomando goles da água. Observou o sol que ia abaixando, formando uma linda aquarela vermelho alaranjada no céu. O mar batia forte na praia. Alguns surfistas deslizavam com suas pranchas nas ondas.

Helena se refrescou mais uma vez. Uma gota de água caiu em cima dela. Mas depois dessa, mais duas caíram em cima do ombro. Ela levou a mão até o local e tirou o excesso.

Quando olhou a própria sombra, assustou-se. Outra sombra a acompanhava. Só que diferente dela que estava sentada, aquela esta estava em pé. Virou a cabeça tão rápido que o coque se desfez.

- Max!

Ele estava bem atrás de Helena. A risada dele ecoou nos ouvidos dela.

- Estava me perguntando quando você ia perceber.

Helena tirou os óculos e se levantou, ficando de frente para ele. Logo depois, desejou estar sentada de costas novamente.

Max estava todo molhado. Gotículas de água desciam pelo seu peito nu em direção ao caminho da perdição. Era tão definido que sua virilha fazia um trajeto sinuoso para debaixo da bermuda. Ele segurava uma prancha ao lado.

Ele pigarreou e sorriu de novo.

- Já terminou? – Perguntou. Ela mordeu os lábios e deu um sorriso diminuto. Sua reação fez Max umedecer os lábios.

- Por que não me disse que surfa?

- Você nunca perguntou. – Ele deu de ombros. Ela cruzou os braços sobre o peito.

- Pelo jeito eu não sei nada sobre você.

- Você sabe o que mais interessa, gatinha.

- O quê?

Ele deu um passo para frente, os pés descalços no chão.

- Sabe que eu quero você. – Falou. Os verdes dos seus olhos pareciam ainda mais claros sob a luz solar refletida.

Um arrepiou passou pela espinha dela ao mesmo tempo que sua calcinha começou a umedecer. Meu deus. Soltou um sibilo. Melhor trocar de assunto.

- Max, vamos ao que interessa. – Ele assentiu, rindo dela. – Só um instante, vou pegar a procuração no carro.

Helena foi ao carro estacionado do outro lado da avenida e pegou o documento, seguindo novamente ao encontro de Max. Ele pegou o papel e assinou.

- Não vai ler?

- Confio em você, gatinha. - Ela balançou a cabeça negativamente. Nem ela confiava em si, ainda mais quando se tratava dele. – Por que não fica um pouco aqui comigo?

- Tenho que peticionar isso...

- Vamos ver o pôr do sol. – Insistiu. Era mais uma afirmação que pergunta. Ela suspirou e olhou o céu atrás deles. Já que estava ali, que mal tinha? Iria ver o pôr do sol. Poderia peticionar depois.

- Tudo bem, vou colocar isso no carro e já volto. – ela indicou o papel, o balançando entre os seus dedos.

- Beleza.

Helena guardou o documento e voltou. Max começou a caminhar em direção a areia. Ela hesitou.

- O que foi? Não quer se sujar de areia? - Ele ergueu uma sobrancelha em desafio.

Que se dane, iria até lá.

Max desceu o degrau que dava para areia e estendeu a mão para ela. Helena tirou os saltos e segurou a mão dele, o acompanhando.

Uma brisa soprou os fios dela, lembrando-a que estavam soltos. Max balançou os próprios cabelos espalhando gotinhas de água por todos os lados. Caminharam por um curto tempo ate que chegaram a beira do mar.

Ele colocou a prancha deitada na areia e se sentou ao lado. Logo após, segurou a mão de Helena, indicando a prancha para que se sentasse em cima. Helena se acomodou na prancha, dobrando as pernas ao lado, por causa da saia. Max descansou os braços em cima dos joelhos.

Por algum momento, eles apenas respiraram. Então, se sentindo mais à vontade, ela se deitou na prancha dele. Max a acompanhou, deitando-se na areia ao lado dela.

- Eu amo o barulho e o cheiro do mar – Max murmurou. Os olhos fechados, as mãos sustentando a cabeça. Ela inalou mais ainda a maresia.

- Quando começou a surfar? – Perguntou ela. Ele virou de lado, sustentando uma das mãos na cabeça.

- Eu tinha 19 anos, era o meu sonho. – Começou. Mais interessada, ela também se virou em sua direção. – Vim para o Brasil para surfar, um torneio em Saquarema. – Max murmurava, observando-a atentamente. Helena limpou um grão de areia que estava perto da bochecha dele. – mas tive que voltar, não pude competir.

- Não é mais o seu sonho? – A voz dela transparecia pesar.

- Não sei... acho que não. Gosto de ser empresário também. Hoje o surf é apenas um hobby.

- Qual é o seu sonho agora? – Ela ainda o interrogava. Max sorriu, gostava que ela quisesse saber mais sobre ele.

- Quero estabelecer a Velax Group e depois expandir. Hoje só temos a sede em Los Angeles e uma filial de Hotel aqui no Rio. - Helena deu uma risada. Era uma empresária também. Então por que, com tantos locais maravilhosos e mais rentáveis no mundo, abrir um Hotel/Cassino no Brasil, onde era hipocritamente proibido, pois apesar de ser vedado em lei, muitos jogavam jogos de azar. – Eu sei o que está pensando... Todos perguntam, por que o Brasil... – Ela assentiu, confirmando o comentário dele – porque quando vim surfar, eu me apaixonei por isso aqui. Tinha colocado na minha cabeça que iria morar aqui e ia viver do surf...Mas, meu pai faleceu, e como minha mãe tinha entrado em uma depressão profunda e o Math estava na faculdade, eu era a única pessoa que poderia continuar a levar o negócio da família e nos sustentar.

- Nossa, Max. Sinto muito. - O semblante dela era confuso. Jamais pensaria que Max havia passado por tantas coisas difíceis.

- Obrigado. Mas está tudo bem agora. Apesar de não surfar mais profissionalmente, eu moro no Brasil, então cumpri com a metade do meu antigo sonho. – Ele piscou para ela. – Mas e você, qual seu sonho?

A cabeça dela se tornou um nó.

Quando estava na Lirol e era noiva de Ryan seu sonho era casar e ter filhos. Tudo o que queria era ter a família que não pudera ter. Porém, aquilo que pensava ter havia sido destruído de uma só vez. Ela baixou os olhos. Depois de tudo o que acontecera, parecia que não havia mais pensado nisso. Se surpreendeu por saber que não nutria mais sonhos, apenas objetivos.

- Não sei...

Max pareceu triste e acariciou a bochecha dela com as costas de sua mão. Alguns grãos de areia que estavam nele perpassaram sua pele numa caricia esfoliante.

- Helena, sei que não tenho nada a ver com isso. Mas, por que cumprir a exigência de seu avô para receber a herança se você não gosta dele? Depois de tudo que me disse ontem... acho que não o perdoaria.

- Porque como disse no início, eu não tenho nada a perder. –Entretanto, pensando bem, ela suspirou profundamente. – Mas também é porque... sei lá, é como se eu quisesse a aprovação de meu avô. Ridículo, não é?

- Não, não é ridículo. Isso só mostra que você se importa com ele, apesar de tudo. – Ele pareceu ponderar enquanto olhava para o céu. - Tem um coração bom, Helena.

Certamente não tão bom como ela gostaria. O avô morrera,e por causa de orgulho, não fora capaz de falar com ele. Max observou a expressão dela, demorando-se nos olhos negros. Ela sorriu sem graça.

Mas então, surpreendendo-a. Ele chegou mais perto, levando a boca até a dela. Helena não ofereceu resistência nenhuma. Aliás, se ele soubesse que ela jamais ofereceria resistência a ele... O beijo era doce e quente. Quando se separaram, foi a vez dela depositar um selinho nos lábios dele. Max sorriu devido a sua vingança.

Continuaram assim por mais alguns instantes e ela não conseguia tirar os olhos dele. Os cílios de Max emolduravam os olhos perfeitamente. Seu rosto corado em contraste com o sol era lindo, tão iluminado. As maças um pouco avermelhadas por causa da exposição do sol e do sal. Ela piscou, analisando-o.

Em contrapartida, Max parecia fazer o mesmo. Diversas vezes o olhar dele voltou para os lábios dela, numa súplica silenciosa. Ela precisou morder os próprios lábios para não dar novamente o que ele queria.

Um vento passou por eles, espalhando um pouco da areia pelo corpo de ambos. Seus cabelos caíram por cima dos olhos. Max os afastou, colocando-os atrás da orelha. Depois, o indicador dele traçou o rosto dela, passando por sua bochecha, parando em cima dos lábios.

Helena precisou de toda vontade para não lamber o dedo dele. Então, como se finalmente tivesse despertado daquele momento íntimo e estranho, ela se sentou. Seus olhos, numa tentativa frustrada de fuga, fingiram fitar o mar, e depois, o pôr do sol.

Max se sentou também, e sem permissão, passou o braço sobre os ombros dela. Àquela altura, nem se importava mais se estava repleta de areia ou não. Ele encostou a lateral da cabeça dele na dela, observando o sol em conjunto.

Ela fechou os olhos. Assim ficava tão difícil resistir a ele. Sentiu a mão coçar para tocá-lo, então levantou-a, segurando a mão dele que perpassava pelos seus ombros, entrelaçando os dedos dos dois.

De esguelha, observou Max sorrir, e como em aprovação, ele beijou os cabelos dela. O sol começou a baixar no horizonte, tornando o céu um misto de tons coloridos e resplandecentes.

- Eu já volto, gatinha. – Max murmurou no ouvido dela. Helena franziu o cenho.

Depois de poucos instantes, ele voltou e se sentou no lado dela novamente. Os olhos de Helena viajavam na paisagem e no momento.

- Tenho uma coisa para você.

Ela apertou os olhos e se obrigou a olhar para ele.

- Mas o que é... – Max estava com uma caixinha de veludo vermelha na mão. Com as mãos trêmulas, ela pegou a caixinha, abrindo-a com cuidado. Um anel de noivado com uma linda pedra na ponta solitária a observava. O coração dela quase pulou do peito. Helena levou a mão a boca. – Max... eu, eu não posso...

- Eu não estou pedindo, Helena. – Ele levou a própria mão na bermuda e a chacoalhou no tecido, para libertar a pele dos grãos de areia. Logo após, pegou o anel e a mão dela.

- Eu não acho que seja uma boa ideia. Você não precisava ter feito isso. Eu... – as frases pareciam sair desconexas e atabalhoadas de sua boca.

- Gatinha, leve isso como um presente de amizade. – Max disse, empurrando o anel de ouro no dedo anelar da mão direita dela. – Sei que vai argumentar e dizer que tudo isso é uma mentira... Mas de qualquer jeito, você é a primeira mulher com quem tive algo além de sexo.

Helena suspirou várias vezes enquanto olhava o anel. A luz do sol brilhou na pedra, dando reflexo. Tentou, tentou mesmo não pensar na mínima declaração dele. Soltou um gemido, depois mordeu os lábios, encarando o brilhante.

- Tudo bem... – disse mais para si mesma. Não, não estava nada bem. Meu deus, no que estava se metendo. Os olhos arregalados se ergueram para Max, que a observava, esperando uma resposta, no mínimo sensata. Engoliu em seco. – É tão.... brilhante. Obrigada Max.

- Era da minha avó. – Ele explicou, fato que a fez se sentir mais culpada, fazendo com que jogasse a mão com o anel em cima dele.

- Ai meu deus, Max. Realmente acho melhor não usar... – ela voltou os olhos para o anel – isso daqui, é... hum, o anel...tem valor sentimental. Acho que deve dar a alguém que goste de verdade.

- E quem disse que eu não gosto de verdade de você? 

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