Ainda te devo um sim, Sr.Mallone.

Maxwel Mallone - part 3

- Pelas expressões de vocês creio que ainda não sabiam. – o médico murmurou envergonhado.

Eles continuaram em silêncio por mais alguns segundos até que Leandro soltou um berro, sobressaltando todos:

- Eu não estou pronto para ser tio, Helena! – Ele levou uma das mãos ao peito.

- E você acha que estou pronta para ser mãe?!

O médico olhou para os três, a expressão receosa. Max ainda não tinha palavras.

- Isso é real? – Helena perguntou novamente para o médico, os olhos suplicando uma notícia contrária. A confirmação veio através de um acenar contido de cabeça - Mas como pode... 

Ela ainda não aceitava. Nem Max. Antes do sequestro Helena sempre tomara anticoncepcional com todos os regramentos que poderia haver.  

Max levou uma das mãos na testa, sentindo uma gota de suor descer. 

– O anticoncepcional não garante 100% de eficácia, e tem outras atenuantes, como antibióticos e....

- Antibióticos! – Helena e Max exclamaram em uníssono. A preocupação com Gabriela a levou se automedicar com alguns antibióticos pesados para que conseguisse dormir.- Meu deus! Como pude ter sido tão idiota?! Me esqueci totalmente disso...

Helena parecia prestes a arrancar os cabelos. Max suspirou profundamente e foi até ela.

 - Está tudo bem, gatinha. – Tentou diminuir suas lamentações, mas parecia que tinha colocado mais lenha na fogueira.

- Não está nada bem! – Ela explodiu. E o medidor de pressão a acompanhou. O médico pousou a mão no ombro dela pedindo calma. Helena olhou para Max, desesperada. – Olha, se você não quiser... eu vou entender. –Começou a se explicar. – De qualquer forma, o erro foi meu. Só não me peça para...

- Helena, não vou te pedir para tirar nosso filho. – Sua voz subiu uma oitava. Não podia acreditar que Helena pensava que ele ousaria sequer pensar naquela possibilidade. – Além disso, você não tem culpa. E eu...eu quero eu essa criança. 

Leandro ainda continuava com uma expressão chocada. Já a do médico havia se suavizado um pouco.

- Você q-quer?

Leandro os observava atentamente, parecendo acompanhar uma novela dramática. O médico resolveu intervir: 

-Bom, é por esse motivo que vim aconselhar o repouso para Helena. Pelo menos, por mais uma semana. Mas agora acredito que devam ficar um pouco sozinhos pra digerir essa informação... - a atenção do médico foi para Leandro – Vamos? 

Leandro bufou, analisando-o com certa irritação. 

- Lê, eu não vou sumir desse quarto! - Helena avisou ao irmão, que meneou a cabeça antes de se levantar e seguir o médico. 

Quando as portas do quarto se selaram, deixando-os sozinho, os olhos dela se cruzaram com Max. 

- Você quer esse filho? 

Ele inspirou fundo o ar frio do quarto e o exalou quente de seus pulmões.

- Max... 

- Helena. – Max devolveu sério enquanto se sentava ao lado dela, perpassando o braço sem gesso por cima dos ombros. 

Aquela era uma questão nova e complicada para ele. Apesar de ter certeza que jamais pensaria em uma possibilidade tão desumana, pois tinham todas as condições necessárias para criar uma criança. 

Ele coçou a barba por fazer e inclinou a cabeça olhando para o teto. Max conseguia sentir o olhar de Helena sobre ele, estudando-o.

Ele a queria. E isso incluía tudo o que poderia vir dela.

Mas esse não era o motivo que fazia com que sua mente vagasse longe. Ainda se lembrava do péssimo pai que tivera, o que lhe dava certo receio de ser um. 

- Max, está me matando de ansiedade... 

- Lembra quando te contei que meu pai faleceu e eu precisei voltar para os Estados Unidos para administrar a herança? - Ela assentiu, então Max continuou. - O que faltou dizer foi que o surfe não foi o único motivo que me fez querer seguir meu sonho indo para bem longe. A outra razão foi meu pai. Ele podia ser um ótimo empresário, mas dentro de casa era um péssimo pai e marido... As preocupações com a empresa o fez buscar consolo no álcool, e sempre quando chegava fazia do nosso lar um inferno. 

Helena apertou a mão dele em solidariedade. 

- Eu sinto muito. 

- Tudo bem. Isso é passado. Te contei porque preciso que você saiba que eu não sei nada sobre ser pai, já que apesar de ter tido um, ele só estava presente para lembrar o quanto era difícil tê-lo por perto. 

Ela balançava a cabeça afirmativamente, ponderando sobre o que ele havia dito. 

- Bem, então acho que preciso ser franca e também admitir que não sei nada sobre ser mãe, mas...

- Helena, eu quero. – Ele a interrompeu. - Quero ser para o meu filho o que meu pai nunca foi pra mim. - Apesar disso, Max sabia sobre a história de vida dela. Porém, sobre ela ser mãe, ele não tinha a mínima dúvida de que quão bem se sairia. No entanto, a pergunta talvez devesse ser redirecionada. – Você quer?

Helena desviou os olhos e fitou o próprio ventre por cima da coberta. Depois, tornou a olhá-lo, os olhos brilhantes e confusos.

- Eu já tinha perdido as esperanças de que algum dia pudesse vir a ser mãe. Já estava convencida de que seria o meu irmão a me presentear com um sobrinho, mas sim... Eu quero. Vou tentar ser a mãe que talvez a minha fosse se estivesse vivido para me ver crescer. 

Os olhos dela marejaram. Max afagou o rosto dela, apertando-a dentro do abraço. 

Aquela mulher em suas mãos era a própria força da natureza. Os cabelos negros como nanquim estavam mais longos e quase tocavam o umbigo, onde a semente deles crescia. Os olhos como águia, levemente puxados agora o observavam. 

Max mergulhou no olhar percebendo a íris salpicados por pontinhos de luz, exatamente como estrelas. Helena era como um lindo céu estrelado, que não resistia a ser tornar nebuloso ou tempestuoso.

Desde a primeira vez que a vira percebera como o olhar dela não obedecia ao cérebro, somente ao coração, transparecendo todas as emoções e sentimentos. De repente ele se sentiu um tolo. Como não pudera perceber quão fácil poderia ter sido confiar nela? Ele balançou a cabeça, afugentando os arrependimentos. 

A única coisa que importava era que estavam juntos, e que ele jamais incorreria no mesmo erro. 

- Nós dois não sabemos ao certo como fazer isso, gatinha. – Ele disse, colocando uma das mechas dela atrás da orelha. – Mas faremos nosso melhor.

Com certeza dariam todo o melhor. E ele já podia imaginá-la ditando ordens, enfurecendo-se com bagunça, e sendo impaciente com demoras. Porém não podia resistir ao desejo de vê-la com o filho dele crescendo na barriga.

Estava ansioso pelos novos contornos. Novos gostos. Novos sentimentos. 

Seria uma nova vida.

Ele colocou a mão no ventre dela. Helena se remexeu desconfortável com aquela nova sensação, mas enfim colocou a sua pequena mão por cima. Eles se entreolharam, cientes do novo mundo de possibilidades a frente deles.

Então Max se lembrou, unindo as sobrancelhas. 

- Helena. - nem sabia como começar a dizer. - Começamos tudo isso por causa de um acordo. Você cumpriu a sua parte, mas eu ainda não cumpri a minha... 

- Max, acredito que a gente deva esquecer esse acordo. 

Ele franziu o cenho. 

- Como assim?! 

- Acho que está na hora de admitir que estamos... apaixonados de verdade. - o rosto dela queimou. - Não quero casar com você como se estivesse cumprindo um acordo que não faz mais o mínimo sentido. 

- Mas você ainda precisa ganhar a herança. 

- Sabe, estava conversando com meu irmão, perguntando como está a empresa nesse momento tão conturbado, e sei lá. Me dei conta que não quero conseguir a presidência sendo alguém que não sou somente para satisfazer os ideias tradicionais e hipócritas dos acionistas. Não vou me sujeitar a isso. Já passamos por muito nesses últimos dias, Ryan está em coma, a empresa está afundando nesse meio tempo, e... - Ela suspirou. - Enfim, não vou me casar para conseguir ser a presidente da Lirol. Se eu ganhar a votação, vai ser sendo eu mesma. 

Max sorriu. Orgulho e medo brincando dentro dele. 

- Você tem razão. - anuiu. - Esse acordo não faz mais nenhum sentido. 

- Por que então você parece tão triste?

- Porque...merda, Helena. Ainda te quero como minha mulher. Quero acordar todos os dias ao seu lado. - o olhar deixou baixou, mirando o anel de noivado que dera a ela. - Quero te ver todos os dias com nosso anel... Por outro lado você está certa. Esse casamento não faz mais sentido algum se for para cumprir com o desejo tradicionalista dos acionistas. Mas faz sentido se for pela razão certa. E eu te amo. Casaria agora mesmo com você se pudesse. 

Helena piscou, observando-o sem reação. Ele continuou: 

- Você ainda casaria comigo, em nome do nosso amor? 

Uma lágrima rolou pela bochecha dela. 

- Quando eu disse que não me casaria para cumprir o acordo, não quis dizer que tinha voltado atrás com você. - Ela espalmou a mão no rosto, afastando a lágrima com um sorriso. - Em nome do nosso amor eu ainda te devo um sim, Sr. Mallone. 


Ah, esse cap é um xodozinho!

O que acharam, amores?! Espero que estejam com o coração quentinho que nem eu. 

Obrigada por acompanhar esses dois! Estamos na iminência de terminar! Ainda estou na dúvida se será em um, dois ou três capítulos... Continuem comigo <3  

Não se esqueçam da estrelinha hehe

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