Sofrer

"As vezes sofremos por coisas bestas,sofremos juntos ou por alguém, mas as vezes o que precisamos é algo que remova nossa dor."

Camila Jantsch

       Spoleto 1923, o inverno já estava a querer ir embora,as árvores com seus galhos secos balançavam e a luz invadia o lugar.

      A visão de Annabell começou a voltar ao normal. Tentava  se lembrar do que aconteceu, quando um vulto em sua frente , estreitou olhos para ver melhor e percebeu que se tratava de Giovanni que estava sentado no chão e parecia dormir. Ela tentou se mexer mas estava amarrada, foi então que notou estava em um galpão  abandonado e afastado da cidade , " Ótimo, poucos lembram desse lugar,vou morrer aqui e meu corpo vai virar pó em solidão." pensou a pobre jovem.

       Ela olhou o homem dormindo em sua frente,como ela conseguiu amá-lo ,não que seu amor tenha sumido ,mas a chama que queimava em amor agora está abalada pelo vento da dor.  Afastando esses pensamentos Annabell cutucou Giovanni com pé , ele abriu os olhos lentamente e sorriu carinhosamente.

- Sinto muito em amarrá-la desse jeito,mas você me deu muito trabalho ontem.- Disse ele esfregando a cabeça. Se levantou e começou a andar.-Eu particularmente acho desnecessário amarrá-la, mas tu não és tão inocente quanto " ela" era , na verdade tu és bem perigosa quando queres.

- Você que provocou!-Argumentou Annabell enquanto Giovanni a desamordaçava .- E não me compare com alguém que nem se quer conheço!

- Tens razão, mesmo assim vocês são muito parecidas.- Giovanni se sentou, olhou para o teto e soltou um longo suspiro.

-Não me importo de ser parecida com ,quem quer que seja, ela . Vamos anda logo e me solte , sabes que não vou fugir e muito menos te matar, a não ser que queira.- Annabell sorriu ao ver a expressão de espanto no rosto do jovem.

- Acha que sou idiota?- Ele sorriu para ela.

-Eu diria que sim, você confiou em uma mulher que faz o que pensa, diferente de outras  garotas de nossa cidade que são como cães seguindo o mestre, você se apaixonou por ela e ela tirou  tudo de você , você a sequestrou e ela está bem na sua frente, acha mesmo que se eu não quisesse já não teria o matado? !- Ela olhou para  ele com um olhar obscuro.- Sinto lhe informar mas você é o idiota aqui!

    ele se levantou e saiu do campo de visão por um bom tempo, Annabell se mexeu e sentiu que o frasco que ela precisava estava preso em sua cintura ainda. Logo Ele voltou com uma faca em mãos .

-Se tentar algo eu te mato.- Ele apontou a faca para ela . 

    Quando as amarras foram foram soltas o corpo de Annabell sentiu se livre, ela esfregou os pulso machucados e sentou na frente dele. Os dois se encararam por um longo tempo, até que ela falou.

-Você me comparou a uma garota , quem era?- A pergunta atingiu Giovanni como uma bala.

- Uma das poucas mulheres que roubaram meu coração.  Serafina. Você é muito parecida com ela mas tão diferente. Ela era tão inocente e calma, você é empoderada e firme. Se tinha uma coisa em que ambas eram boas era me tirar do sério.- Ele sorriu com a lembrança de um tempo distante.

- Eu nem sou tão firme assim.-Ambos riram .- Sabe eu realmente te amo, mas há coisas que não posso perdoar , então eu te faço um último pedido, me conte tudo , sem mentiras ,sem esconder coisas apenas a verdade, por favor Giovanni. - Os olhos dela estavam lacrimejando esperando a resposta.

-Certo não posso te negar isso. Eu conheci Serafina um ano antes de  ser preso, ela estava em uma praça de roma praticando lira, foi a coisa mais lindo que ouvi em toda minha vida. Se apaixonamos e até planejamos o casamento mas ela tinha a saúde muito frágil , eu prometi que eu a protegeria de qualquer que fosse a situação. - Giovanni fez uma pausa e suspirou, a jovem em sua frente o observava com cautela.- Era uma noite sombria, estávamos em uma taverna, esperando o dia nascer quando arrobaram a porta  e atiraram. Era para ter me acertado o tiro era para ser em mim, mas erraram. Ela morreu lá. Eu não compri minha promessa , cacei e matei o desgraçado e ai fui preso.

- Situação complicada. Sinto muito por ela.Mas quando chegou aqui ,por que me escolheu? - Annabell suplicava em seus olhos por uma resposta.

- Você não entende,não é ?! Eu não te escolhi, você me escolheu no momento em que entrou naquela igreja pela primeira vez.  Você me chamou e eu fiquei obcecado em você, Annabell Pazzonni.- Seus olhos traziam a verdade , o coração de Annabell estava prestes a explodir.- Parecia que todos a queriam cada maldito homem daquela cidade. Primeiro sua mãe , você sofria por ela então tirei seu sofrimento. Você vai me odiar eternamente mas você ficou livre depois que ela se foi.

    O coração de Annabell acelerou o ódio tomou conta dela,mas ela apenas manteve a cabeça erguida deixando que as lágrimas falassem por si.

- E então aquele frei, ele queria você então eu o tirei do caminho. Aquele seu querido amigo me surpreendeu em descobrir primeiro que o Di Angelis ,ele é esperto. Droga ,eu fui muito idiota em pensar que ele era burro e que sumiria e nos deixaria em paz...

- O Breno tem essa tendência a descobrir as coisas, ele só se negou a ver uma assassina bem em sua frente. Ele quis ma acolher , me tornou sua família . Acho que  não é justo ele sofrer ao me ver morta.

- Não disse que  ia matá-la...

-Convenhamos , se não pode me ter ninguém terá... Eu obviamente  sei como essa história acaba Giovanni, já ferimos pessoas o suficiente, me perdoe mas não sairemos vivos no final.- Annabell passou a mão em seus cabelos, e se deitou no chão.- Preciso beber algo!

- Eu vou buscar água e nem tente fugir...- Giovanni se levantou e andou em direção a porta ,olhou para trás e saiu.

     Annabell conferiu se ele já tinha saído e pegou o frasco em sua cintura,abriu e colocou na agulha preparada para aquele momento. Seria a cartada final, o belo fim ao conto de um amor obsessivo. Guardou a agulha em sua manga e esperaria pacientemente até a hora certa.

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