Revelações
"Às vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor".
Clarice Lispector
Spoleto 1923, Miguel nem se quer tentou dormir. Quando olhou o relógio era 2:36 da madrugada, saiu em direção ao ponto de encontro.
As luzes já haviam sido apagadas as únicas que sobravam eram as das tavernas. Miguel se apressava apesar de ser cedo. " Espero não estar sendo enganado por ela."
Miguel conferia o relógio de bolso, que sempre carregava consigo, estava ansioso esperando pela moça. Tudo que ele mais queria era que ela realmente não tivesse nada há ver com à história dos assassinatos. De cinco em cinco minutos ele conferia o relógio.
Quando marcou três hora em ponto uma silhueta curvilínea apareceu, ele logo reconheceu. A garota passou por um freixo de luz e seu rosto iluminou, chegando perto ela olhou para o padre que a observava com cuidado, ela usava um vestido branco de alças e um casaco branco de pele, pode ser que Miguel não tenha percebido duas coisas. A primeira é que estava frio naquela noite e a segunda é que Annabell não era uma garota e sim uma linda mulher.
-Então vamos direto ao assunto. Como você disse, eu estava nos assassinatos ou melhor nas duas cenas, mas eu não fiz nada!
-Como posso acreditar?
- Tudo bem eu explico cada detalhe.
- Annabell não quero jogos, quero a verdade.
- Padre, no assassinato do padre Joseph eu tinha ido sim a Catedral. Precisava que ele abençoasse a água, porque só assim minha mãe toma o chá de ervas que ajudam com a doença dela, ele abençoou e eu estava saindo quando ele quis me acompanhar, porém conheço aquele homem a minha vida toda e conheço o tipo dele... - Ela fez uma pausa , tempo suficiente para Miguel perceber os hematomas no pescoço e ombros da garota. Ela percebeu o olhar e levantou o casaco. - Como eu disse, conheço esse tipo de homem, então disse que iria orar um pouco e falei que ele podia ir, ele saiu. Fiquei lá por ,sei lá... Vinte minutos talvez, mas quando sair ouvi o barulho da porta abrindo e alguma coisa sendo arrastada, então corri até o armário que vocês guarda a óstia e o vinho. Eu sei que é estranho, ouvi ele falar com alguém e depois os gritos e ruídos, eu... Eu... Eu não podia sair, eu não queria morrer,quando parei de ouvir os barulhos espiei e sai , havia sangue e membros para todos os lados. Corri até o escritório do Sr. Di Angelis e deixei um bilhete anônimo, eu não podia ser vista lá, entende. Seu fosse vista, meu pai ía... Você sabe padre a vida de mulher não é fácil.
- Eu sinto muito Annabell, eu não sabia.
- Tudo bem.
Miguel a abraçou, o cheiro dela era doce como lavanda e bala de caramelo, ele já não sabia o que fazer no meio de todo aquele cenário. Foi quando afastaram que Annabell colocou a mão em seu rosto e o beijou. Foi uma surpresa, mas o padre não se afastou, ela tinha um beijo doce, suave, lento e calmo, e fez com que ele á quisesse mais.
Assim que se separam o padre olhou nos olhos dela e viu que algo obscuro no olhar, mas passou em um relance. Miguel sentiu um conforto na escuridão daqueles olhos azuis.
- Vamos sair daqui, conheço um lugar, porém tenho que voltar antes das seis. - Annabell começou a andar a seguiu.
Chegaram em uma taverna na rua abaixo da Catedral. Conseguiram um quarto, quando entraram Annabell foi logo se despindo, cada peça que tirava, Miguel observava guardando cada detalhe . Ela tinha belos seios avantajados , uma cintura fina e uma belo quadril. Seus olhos sedutores observavam Miguel, conforme se aproximava Miguel ficava mais excitado.
Annabell despiu-o e viu o membro duro e grosso, Miguel estava vermelho de vergonha então a garota em um gesto de gentileza ela cobriu os olhos dele e tocou os pontos sensíveis, por fim passou a mão em seu membro, fazendo o movimento de subir e descer, mas ela queria sentir algo novo, então se ajoelhou na frente dele e o abocanhou . A sensação era um calor e uma satisfação em ver a expressão de Miguel e para ambos isso era novo.
O homem finalmente aceitou os carinhos da moça. Então ela o olhou e o beijou, mas não era o mesmo beijo de minutos atrás , esse era quente e sedutor. Mesmo tão jovem ela sabia o que fazia, ela sentou em seu colorida começou a mover o quadril. Miguel estava ficando louco, ele a queria , não só sua boca mas como seu corpo também.
Ele percorreu a mão nos cabelos da garota até seus seios , pegou um com a mão e o outro com a boca, o gemido que escapou entre os lábios dela, fez Miguel querer estar dentro dela, ele virou-a para a cama, as costas dela estavam apoiada na cama e as pernas encaixadas no quadril dele.
Ele a penetrou devagar, a garota virou o rosto com dor, Miguel percebeu que era a primeira vez dela, então segurou seu rosto e a beijou enquanto a penetrava. Começou a se mexer e a cada movimento a dor dela ia se esvaindo. Em segundos a jovem virou-se ficando por cima enquanto movia o quadril, estavam no clímax quando sentiu que estava prestes a gozar, o padre ejaculou fora. Depois de se limparem deitaram e ficaram juntos até a hora de Annabell ir embora.
Pietro examinava as provas e pelo que parecia havia um padrão, todas as pessoas eram membros da igreja.
Se voltasse a duas semanas atrás ninguém jamais imaginaria que naquele vilarejo calmo aconteceriam uma série de assassinatos. As folhas caindo indicavam o outono, o clima fresco também era um sinal. O detetive precisava ver o corpo da Madre novamente para ter certeza e confirmar que não estava deixando algo passar, por isso foi para o hospital.
O hospital ficava 10 minutos do seu escritório, ele passou pelas ruas estreitas, no lado do hospital tinha uma floricultura, Pietro entrou na pequena casa onde uma senhora o atendeu.
-Bongiorno, como posso lhe ajudar hoje sr. Di Angelis? - Disse a senhora abrindo um sorriso largo e amarelo, seus cabelos grisalhos estavam amarrados em um coque baixo.
-Bongiorno dona Julieta, sabe acho que hoje eu estava pensando em lírios o que me diz?
- É uma boa escolha meu senhor, desculpe ser intrometida, mas está indo ao hospital certo? Essa moça deve ser muito especial pro senhor!?
Pietro sentiu seu rosto ficar vermelho, apenas soltou um sorriso de lado.
- É dona Julieta, essa pessoa é sim !
Após pagar pelas flores ele seguiu ao hospital. Na recepção uma enfermeira velha e rabugenta o atendeu. "Coitados pacientes dessa mulher " pensou o detetive. Quando ela o liberou ele passou no quarto 105 , naquele quarto haviam três leitos, porém só um estava ocupado. Ele se sentou ao lado do homem que dormia graças a morfina, ele deixou as flores do lado da cama.
Pietro vinha a esse leito a 3 anos e nunca tinha falado diretamente com o homem. Ele tinha 25 anos e Pietro 30, seus cabelos era Petros, sua pele era um pouco quando Pietro o conheceu mas agora estava pálida. Ele se chamava Breno, e o detetive o conheceu quando passou por ali,por engano, mas se apaixonou imediatamente. Sempre deixava cartas e quando Breno acordava escrevia de volta para Pietro.
O detetive olhou ao redor não havia ninguém próximo então se aproximou e beijou o moço no canto da boca, se levantou e saiu. Ele passou por vários setores antes do necrotério. O detetive parou no setor onde eram feito os curativos. E ali estava o soldado com o pé infeccionado.
-Não andas te cuidando, não é? -Pietro disse com deboche ao soldado que alargou o sorriso. - Ainda acredita que homem não sente dor?
- Bom ,acho que tenho que repensar esse assunto, à uma semana , uma enfermeira desinfeccionou meu pé cheguei a desmaiar, acreditas meu irmão?!
- Claro que acredito Lourenço, podes ter ido para guerra mas ainda és o caçula!
- Lá vem tu com esta história de caçula. Já sou até casado e tu ainda nem namorada tens!
"É porque não é de mulher que gosto! " Era o que Pietro quis dizer mas não podia.
-Eu sou muito novo para essas coisas e além do mais, ainda não achei a moça certa...
-Desculpe incomodar, mas está na hora do curativo Sr. Di Angelis. - Os dois se viraram para Annabell que trazia uma pomada e o bisturi em mãos.
-Boa sorte ,meu irmão! - Pietro saiu rindo da expressão do irmão ao ver Annabell se aproximar com uma pomada e o bisturi em mãos.
Indo ao necrotério Pietro analisava os fatos mentalmente.
Fato 1: os dois eram membros da igreja.
Fato 2: os dois exerciam cargos de poder.
Fato 3 : A arma usada era uma arma branca, especificamente uma lâmina muito bem afiada.
Chegando lá ele encontrou lá uma coisa na qual despadronizava todos os assassinatos anteriores. O Doutor Philip caído no chão ao lado do corpo da madre. Na sua boca havia espuma e os olhos estavam brancos, ele havia sido envenenado. E não tinha acontecido a muito tempo. O assassino estava mais perto que todos imaginavam.
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