Investigações

"Queremos buscar a verdade, não importa aonde ela nos leve. Mas para encontrá-la, precisaremos tanto de imaginação quanto de ceticismo.
Não teremos medo de fazer especulações, mas teremos o cuidado de distinguir a especulação do fato."

Carl Sagan

     Spoleto 1923, dia vira noite e noite vira dia é assim que e ninguém pode mudar e o fato de Lourenço ter desaparecido também não . Pietro lia e relia as cartas, seu irmão sofria cada segundo escrevendo aquilo e é totalmente compreensível já que ele perdeu a mulher mas tinha algo a mais e ele não sabia o que exatamente nunca foi bom em adivinhação ,  só se tornou detetive porque seu pai o obrigou , não podia deixar o negócio da família ir por terra. Precisava de auxílio e era obvio mas deixar Breno ler aquilo era totalmente fora de cogitação. O mais incrível era que uma cidade fofoqueira como aquela ninguém saber o paradeiro do jovem desaparecido e mais incrível ainda é que com o desaparecimento de Lourenço o assassino havia desaparecido, bem era uma hipótese ( e horrível por sinal, pois Pietro queria com todas as forças acreditar na inocência do irmão, mas cada vez se tornava mais difícil ), mas agora o principal eram as buscas pelo seu irmão.

    Até que para mais um dia triste , o céu estava bonito e azul os campos estavam cobertos por uma camada fina de neve,o inverno estava chegando, e o medo da perca com ele. Ao chegar na delegacia de polícia ,Pietro logo falou com o capitão, um homem alto rebusto e até mesmo arrogante.

- Preciso de um grupo de buscas nas florestas é o único lugar possível de ser arrastado sem ser visto!- Pietro estava impaciente aquela manhã .

- Deixe-me ver... Não! Não vou mandar meus homens em uma busca suicida pelo seu irmão.- O fio de paciência que restava se foi, Pietro sentiu o rosto ficar quente, provavelmente vermelho, a cabeça latejar e o corpo tremer, ele já não  estava no controle. Pegou o capitão pelo colarinho da camisa e ergue o mais de cem quilos do chão.

-Escuta aqui seu capitãozinho de merda, ou manda a droga da patrulha ou perde a merda do posto!-Disse baixo mas alto e sério o suficiente para o capitão ouvir.- Eu quero essa patrulha agora por que senão essa merda vai feder, e pelo que parece vai ser bem rápido, imagina o alto escalão saber de OITO mortes não resolvidas de um assassino que a polícia não faz questão de prender.

    Pietro jogou o policial no chão e esperou a ordem, e como esperado foi dita e comprida as buscas na floresta iam começar só faltava mais uma coisa.

    A cabeça de Breno pulsava de tanto questionamento, era incrível a capacidade de perguntas que fazia a si mesmo , estava tão intrigado que não se conteve , foi até o quarto de Annabell pegou papel e a tinta e escreveu uma carta para Annabell. Desceu as escadas fez uma pequena mala , juntou o pouco de dinheiro que lhe restava e mais um pouco da jovem enfermeira ( tudo por um bem maior), roupas e obvio as ervas de seu chá e saiu rumo ao seu destino.

    Annabell chegou em casa após o serviço ,mas estava tudo muito quieto , mesmo assim subiu as escadas e adentrou em seu quarto e percebeu uma folha de papel sobre sua cama. Pegou e percebeu ser uma carta de Breno que dizia:

"Querida Annabell,

sabes que meu coração não me deixa passar por algo suspeito sem fazer nada e por acaso, ou não, ele me leva para longe nesse momento, mas calma, não a deixarei com esse desconhecido. Mais uma coisa ,obrigado por tudo que me fez e por me fazer bem , peguei seu dinheiro mas juro devolver, diga a Pietro que eu o amo.

Com amor,mas nem tanto, Breno."

  O surto dela fez o quarto vibrar , como podia ele deixa-la depois de tudo, sua revolta só a deixava cada vez mais irritada e triste ele era o único que sabia pelo que ela estava passando e mesmo assim a abandonou. Ingratidão, era a palavra que ela iria dizer para aquele pilantra de uma figa. As lágrimas teimosas persistiam em cair e a jovem garota não podia fazer nada, caiu sobre o chão frio ,tirou a bota de seus pés e jogou longe, seu casaco pesado cobria o chão e sua pele nua exposta , morrer. É o que ela queria talvez congelar naquele espaço frio e vazio, sozinha sem amigos, sem amores ,só morrer, mas a vida não é e nunca foi justa,então com a cabeça no lugar ela se veste . " Que idiotice estou a fazer? Eu não sou fraca , e não passei por tudo atoa ."

    Ela desce as escadas e da de cara com Miguel, ou melhor, desconhecido e com Pietro, bom , muito bom era só isso que ela precisava nesse momento , sem paciência ela anda até a sala e olha para os dois . "Que cena bonita, um detetive e um possível assassino , ah vida safada poderias me servir um vinho agora também não é?"

- Breno foi embora!- Disse a garota sem rodeios. A cara de espanto era um alívio para ela por não ser a única decepcionada .- E pediu avisar que te ama.

     Agora a melhor expressão era do Miguel(falso) , estava escrito na testa dele "não acredito que você gosta de homens", e Pietro vermelho. Acho que talvez o peso daquelas palavras tenha feito o detetive se perguntar o porque mais uma pessoa importante para ele tenha o deixado e porque agora? Sua boca se abria e fechava em busca da frase certa mas em vez disso ele  só entregou as cartas a Annabell.

-Me ajude a descifrar isso, você é a única que o conhecia tão bem...

  E saiu pela porta , deixando Annabell mais intrigada ainda , bom o que ela podia fazer além de ajudar? Breno logo voltaria,não é?

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