comunicação - 03
Felix mastigava o seu café da manhã lentamente, tentando prestar atenção no que a sua mãe dizia, mas falhando. A senhora Lee, ao ver que seu filho estava mais quieto do que o normal, sentou-se na frente dele para conversar.
── O que está acontecendo, Felix? - perguntou, calma, esperando uma resposta do filho. Felix saltou da cadeira, assustado com a pergunta repentina de sua mãe.
── Não é nada.
── Filho... você sabe que pode contar comigo pra tudo, não é?
── Uhm, eu sei. Mas eu só acho que não é um "problema" tão relevante assim pra te falar.
── Se está te incomodando, sim, ele é relevante.
── Ah... E coisa com o Hyunjin, mãe.
── O que exatamente está acontecendo?
── A gente tava bem a uns tempos atrás, mas do nada ele começou a se afastar, mudar o comportamento... já tentei perguntar para o Jisung o porquê o Hwang estava assim, mas pelo visto ele só está estranho comigo.
── Vocês brigaram?
── Não! Não... ele só está diferente. - limpou uma lágrima que caiu sem o consentimento do loiro. ── Eu sinto falta dele, mãe, muita falta. Tenho saudades de estudar na casa dele, sentar do lado dele no sofá e jogar videogame, passar horas fazendo nada enquanto a gente conversa sobre o assunto mais bobo possível... - sorriu ao lembrar disso. ── Eu tenho saudades dele.
── Não entendo esse sentimento, mas eu acho que consigo te ajudar. Você quer ajuda para se resolver com ele?
── Vá em frente e diga, por favor.
── Eu já perdi o seu pai por causa da falta de comunicação. Sei que é uma situação diferente, vocês são amigos... mas, tenta conversar com ele sobre os seus sentimentos. - ela mordeu os lábios, tentando não chorar ao lembrar do passado. A senhora o horário, se levantando da mesa apressadamente. ── Você vai se atrasar para a aula, querido. - o abraçou de lado, dando um beijo no topo da cabeça do loiro.
Felix apenas agradeceu pelo conselho e seguiu em direção a porta de saída, andando em direção a sua escola em seguida.
[...]
Era uma manhã qualquer na escola quando Felix começou a perceber que algo estava diferente, de novo. O comportamento de Hyunjin, que costumava ser tranquilo e até mesmo um pouco despreocupado, agora estava marcado por algo mais. Era um olhar distante, uma leve tensão nos ombros, um silêncio estranho entre eles. Felix não conseguiu ignorar, algo estava acontecendo.
Na aula de história, quando Hyunjin desviava o olhar a cada vez que ele tentava falar, Felix se sentiu incomodado. Não foi por falta de tentativa: ele tentou puxar conversa sobre o trabalho de casa, sobre o que fariam no final de semana, mas Hyunjin parecia estar em outro mundo, perdido em seus próprios pensamentos.
─── Ei, Hyunjin, tá tudo bem? — Felix perguntou, seu tom preocupado, mas também tentando esconder a frustração que crescia dentro dele.
Hyunjin só o olhou por um momento, depois desviou rapidamente o olhar para a janela. O silêncio era pesado.
─── Tô bem — respondeu, com uma voz baixa e sem emoção, antes de se virar para o lado, focando sua atenção no professor.
Felix ficou em silêncio por um tempo, olhando para Hyunjin, tentando entender o que estava acontecendo, mas não conseguiu encontrar respostas. O resto da manhã passou de forma tensa, com Hyunjin evitando qualquer tipo de interação direta com Felix. Ele parecia distante, e Felix se sentia completamente desconcertado.
Quando o sol começou a se pôr e a noite chegou, a ansiedade de Felix aumentou. O convite para a noite do pijama de Chan parecia ser a única oportunidade de falar com Hyunjin. O clima estava descontraído, os amigos conversavam, riam e jogavam videogame, mas havia algo no ar. Chan, com sua natureza observadora e irreverente, percebeu a tensão imediatamente.
─── O que está rolando entre vocês dois? — Chan perguntou de forma incisiva, enquanto observava Felix e Hyunjin, que se encaravam de um jeito estranho.
Felix tentou desviar a conversa, rindo de forma forçada.
─── Ah, nada, Channie. Você é só maluco mesmo.
Mas Hyunjin não parecia tão confortável com a situação. Ele desceu os olhos e se levantou rapidamente do sofá, pegando uma bebida na mesa.
─── Vou lá fora pegar um ar — disse, tentando evitar mais perguntas.
Chan olhou para Felix, arqueando uma sobrancelha.
─── Você sabe que todo mundo percebeu, né? Que tem alguma coisa acontecendo. Só você que não viu isso.
Felix não soube o que responder. O comentário de Chan só o deixou mais confuso. Afinal, o que estava acontecendo? O que ele estava sentindo? Enquanto o grupo continuava com o jogo, Hyunjin, que havia se afastado um pouco, voltou para onde Felix estava, já mais calmo, mas ainda com a mesma expressão distante.
─── Podemos conversar agora? — Hyunjin perguntou em um tom mais baixo, quase hesitante. Felix se levantou e, em um gesto quase automático, seguiu Hyunjin até o jardim. O vento frio da noite parecia acentuar o desconforto entre eles.
Quando se afastaram o suficiente para ficarem sozinhos, Hyunjin parecia perdido. Ele mexia nas mãos, olhava para o chão e demorou alguns segundos antes de começar a falar.
─── Eu... — Hyunjin respirou fundo, tentando encontrar palavras. ─── Eu não sei o que está acontecendo, Felix. Está tudo diferente e eu não sei o que fazer com isso.
─── Você está... evitando falar comigo. Tem algo que eu fiz? Se fiz algo errado, me fala, Hyunjin. E-eu posso mudar por você e... — Felix hesitou, sem saber como continuar. A confusão tomava conta de seus pensamentos.
Hyunjin olhou para ele com um olhar vazio, mas a dor por trás dos olhos era clara. Ele balançou a cabeça lentamente, como se estivesse se recusando a admitir o que sentia.
─── Não, Felix. Não é isso. Não tem nada a ver com você. Tem a ver comigo. Eu... não sei como lidar com isso. Esses sentimentos, essas sensações... Eu não sei mais onde termina a nossa amizade e onde começa outra coisa. E isso me assusta. Eu não quero perder você, entende?
A última frase fez o peito de Felix apertar.
Ele não sabia o que responder. O medo de perder a amizade de Hyunjin, de perder tudo o que sempre tiveram, era algo que também o atormentava. Mas ao mesmo tempo, a ideia de que algo mais poderia existir entre eles não parecia ser tão simples.
─── Eu também não quero te perder, Hyun — Felix disse, mais sincero do que imaginava. ─── Mas o que estamos sentindo? Como isso vai acabar? Eu não sei, cara... E, sinceramente, estou com medo também.
Hyunjin se calou por um momento, a mão esfregando a nuca de forma nervosa.
─── Eu não sei o que fazer, Felix. Eu só não sei o que fazer com tudo isso... — Hyunjin murmurou, mais para si mesmo do que para Lee.
Felix sentiu uma angústia crescente dentro de si. Não havia respostas fáceis, não havia um caminho claro para seguir. Só havia essa sensação de que algo estava mudando entre eles, mas nenhum dos dois estava pronto para dar o próximo passo. Por fim, Hyunjin levantou-se rapidamente, quase como se estivesse fugindo da conversa. Ele não olhou para trás enquanto se afastava.
─── Eu preciso ir embora — disse de forma ríspida. ─── Não consigo ficar aqui agora.
Felix o observou sair da casa de Chan, uma dor no peito que parecia intransponível. Ele ficou parado ali, olhando para o vazio da noite, pensando no que estava acontecendo. O som dos risos e da conversa no interior da casa parecia distante agora, como se estivesse em outro mundo.
A noite passou lentamente para Felix.
Quando finalmente se recolheu à sua casa, desistindo da ideia de dormir na casa de seu amigo. O seu corpo estava cansado, mas sua mente não conseguia descansar. Ele se deitou na cama, os olhos fixos no teto, pensando em Hyunjin, em como tudo parecia tão confuso. A imagem de seu rosto, de seus olhos perdidos e vulneráveis, pairava sobre ele.
O sono chegou de forma pesada, mas o sonho que o acompanhou não foi reconfortante.
Ele sonhou com Hyunjin.
Mas, no sonho, as palavras que não haviam sido ditas ainda ficavam rodando por sua mente, a sensação de algo prestes a acontecer, mas sem saber o que seria. E no fim do sonho, quando Felix acordou no meio da madrugada, ele se sentiu mais cansado do que nunca, sem saber para onde tudo aquilo os levaria.
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