27

O dia seguinte foi completamente produtivo e cansativo. Os alunos ficaram livres para fazerem o quisessem durante sua viagem de férias e eles aproveitaram bem. O casal fizeram tantas coisas produtivas que mal se deram conta do tempo passando.

Ao retornarem para o resort já estava anoitecendo. Felix se apressou em tomar um banho rápido e se empenhou em se arrumar correndo contra o tempo para não se atrasar. A praia provavelmente estaria bonita e toda decorada para as festividades.

Hyunjin já estava pronto há muito tempo, deitado na cama enquanto mexia em seu celular esperando o namorado terminar de se arrumar. Em um dado momento, o moreno se cansou e desligou o aparelho, encarando o menor. Ele não entendia como uma pessoa poderia demorar tanto para arrumar um cabelo.

Ele observou o namorado com uma mistura de impaciência e carinho. O ruivo estava concentrado, os dedos ágeis penteando os fios laranjas em um movimento lento e repetitivo.

— Gatinho, você é a única pessoa que conheço depois da minha mãe que leva mais tempo para arrumar o cabelo do que para escolher a própria roupa. — brincou, fazendo o outro rir.

Felix revirou os olhos, mas não parou de pentear os cabelos.

— Eu só quero estar apresentável para a festa. Você sabe que não gosto de sair de qualquer jeito.

Hwang se levantou, indo até o ruivinho. Se aproximou, envolvendo-o em um abraço por trás.

— Você fica lindo de qualquer jeito, sabia? — sussurrou, beijando o pescoço do namorado.

Felix corou, se arrepiando.

Hyunjin voltou a beijar o pescoço branquinho do namorado, passando a língua no lugar mais sensível. De alguma forma ele conseguiu grudar os lábios e beijava o menor com afinco e fome.

— Para de me beijar, Hyunjin. — Felix quebrou o beijo. — Ou eu nunca irei terminar. E nós já estamos atrasados!

— Tá legal, ruivinho. Tô me afastando.

Negando com a cabeça, o moreno se afastou.

Tempos depois, o ruivo finalmente estava pronto. O casal deixou o quarto, mãos entrelaçadas e a brisa quente da noite acariciando seus rostos. As luzes amarelas do resort piscavam ao que andavam pelos corredores, criando um cenário bonito. Logo estavam pisando na areia macia.

A praia estava iluminada e chamativa. A lua espiava as coisas que se moviam pelo vento fraco e as pessoas transitavam animadas. Postes com luzes coloridas estavam espalhadas por todos os lados, contrastando perfeitamente com a água do mar. As ondas suaves beijavam a areia, deixando um rastro de espuma brilhante.

Os risos e conversas das pessoas se misturavam ao som da música suave, criando uma sinfonia alegre. À medida que a noite avançava, as luzes dos postes dançavam sobre a superfície da água, como estrelas caídas.

A brisa noturna trazia consigo o aroma salgado do mar, envolvendo os casais que caminhavam de mãos dadas pela orla. À medida que a lua subia no céu, sua luz prateada delineava as silhuetas das palmeiras, criando sombras alongadas na areia. As crianças, com os pés descalços, corriam atrás das conchas e estrelas-do-mar que a maré havia deixado para trás.

Algumas delas construíam castelos de areia, enquanto outras apenas se deitavam na areia macia, olhando para o céu estrelado. Os cachorros, sempre animados, brincavam na beira da água, perseguindo as ondas e latindo para a lua como se quisessem alcançá-la.

Os bares e quiosques à beira-mar estavam movimentados, com mesas ocupadas por turistas e moradores locais. O som de música ao vivo flutuava pelo ar, misturando-se ao murmúrio das ondas. Alguns dançavam, outros apenas apreciavam a vista, com copos de soju ou cerveja gelada nas mãos.

Felix respirou fundo, sugando toda aquela brisa refrescante. Ao seu lado, Hyunjin tomava posse de sua cintura, fazendo carinhos suaves. Eles observavam as festividades à sua frente, maravilhados com tudo o que viam.

As luzes coloridas dos postes pareciam dançar ao redor de todos presentes, criando um halo mágico ao redor. O som da música se misturava ao murmúrio das ondas, e os dois se deixavam levar pela atmosfera encantadora da praia.

Felix inclinou a cabeça para trás, olhando para o céu estrelado. Ele sentia a presença de seu namorado tão próxima, o calor do corpo do outro se fundindo ao seu. Os dedos de Hyunjin traçavam padrões invisíveis em sua pele, e ele suspirava, sentindo-se completamente envolvido.

— Eu amo observar as estrelas. — sussurrou, seus olhos ainda fixos nos pontinhos brilhantes.  — Elas são tão lindas.

Hyunjin assentiu, seus lábios roçando o pescoço do ruivo.

— São realmente lindas.

Ambos permaneceram ali por mais algum tempo, abraçados, observando as luzes, as pessoas e o mar. O tempo parecia ter parado, e eles sabiam que nunca esqueceriam aquele momento.

Hyunjin suspirou, beijando a pintinha adorável que o menor tinha em sua clavícula.

— Quer comer alguma coisa? Beber? — perguntou ao desgrudar os lábios da pele pálida.

Felix franziu o cenho, pensando em algo.

— Não sei. Eu não quero beber álcool hoje. O que tem disponível para comer?

— Quer ir olhar? Eu também não sei.

O ruivinho assentiu e eles seguiram juntos até a área onde ficavam as barracas com comidas.

As barracas estavam decoradas com luzinhas coloridas, criando um ambiente acolhedor. O aroma de comidas típicas daquela região flutuava no ar, e o casal passeava entre as opções.

— Tem espetinhos de camarão ali — o moreno apontou. — E mochi também. Eles parecem com você, amor.

Felix sorriu.

— Por que parecem comigo?

— Por conta das suas bochechas cheinhas e rosadas. — sorriu, o puxando para mais perto. Sussurrou ao pé do ouvido dele: — E lembra sua bunda também. É redondinha e macia. Além de ser uma delícia.

O ruivo arregalou os olhos, empurrando o mais alto para longe ao processar a fala dele.

— Hwang Hyunjin!

O moreno explodiu em uma gargalhada alta, curvando-se pela crise recente. As pessoas voltaram seus olhares curiosos para o casal, sem entender o motivo das risadas.

Felix não sabia onde enfiar a cara, estava extremamente envergonhado. Com as bochechas coradas, ele puxou o mais velho pelo braço e o arrastou para próximo da barraca, pisando forte no chão. Hyunjin entendeu prontamente.

— Queremos dois espetinhos de camarão. — fez o pedido, olhando para o namorado. — Podemos comprar o mochi depois?

O ruivinho assentiu, ainda envergonhado.

Enquanto esperavam, Felix observou as pessoas ao redor. Casais riam juntos, crianças corriam com algodão-doce nas mãos e o som da música continuava a embalar a noite.

Quando receberam os palitos com o petisco macio e dourado, eles encontraram um banco próximo à areia, sentaram-se lado a lado, compartilhando o sabor e conversando baixinho.

— Você gostou dos camarões? — Hyunjin perguntou, olhando para o namorado.

— Uhum, a carne tá muito macia e suculenta.

O moreno comeu um camarão, entrelaçando os dedos com os do menor.

— Realmente. — concordo com ele. — Aqui também tem frutos do mar. Quer?

— Talvez depois.

Hyunjin sorriu, sentindo a brisa do mar bater em seu rosto. Ele comeu outro camarão e olhou para o ruivinho.

— Você quer comer mochi, não quer?

O mais novo assentiu, sorridente.

— Eles pareciam estar tão deliciosos.

Hyunjin sorriu, não podendo deixar a oportunidade se fazer piada com o namorado de lado.

— Igual você. — sussurrou.

O ruivo o encarou confuso, levando alguns segundos para entender o duplo sentido. Quando enfim entendeu, se engasgou com o camarão.

— Hyunjin!

— O que foi, gatinho? — se fez de cínico.

— Você é muito pervertido!

Depois disso o moreno ainda o provocou mais vezes, mas fora ignorado. Agora os dois seguiam lado a lado para um quiosque terminando de comer os mochis. No caminho da barraca onde vendia os doces encontraram com os amigos e seguiram juntos.

Minho tinha a cintura envolvida por Chan e segurava a mão de Jeongin, esbanjando os dois namorados. Felix também segurava a mão do moreno, meio relutante por conta de duas provocações. Nenhum dos dois sabiam onde Jisung andava, mas desconfiavam que ele deveria estar em algum lugar isolado, aos beijos com Changbin.

A entrada do quiosque não estava tão longe e quando entraram foram em busca de uma mesa vazia para ficarem. Não demorou para Hyunjin avistar uma um pouco mais afastada das demais, próxima a uma enorme janela que mostrava a linda vastidão do mar.

Os amigos se acomodaram na mesa próxima à janela, com a vista deslumbrante à sua frente. As ondas quebravam suavemente na praia, criando uma melodia relaxante. Os cardápios em cima da mesa mostravam o que o pequeno restaurante à beira-mar tinha a oferecer e os garotos se empolgaram.

O ruivinho com seu olhar sempre tão curioso, fora o primeiro a folhear o cardápio. As opções variam desde frutos do mar frescos até pratos vegetarianos, Minho, Jeongin e Chan também examinaram as opções, discutindo animadamente o que pediram.

O quiosque estava iluminado por luzes suaves, criando uma atmosfera acolhedora. As mesas de madeira estavam decoradas com pequenos arranjos de flores silvestres, e o som da música ao vivo penetrava os ouvidos.

— O que gostariam de pedir? — um garçom se aproximou da mesa, sorridente.

Hyunjin folheou o cardápio, seus olhos percorrendo as opções.

— Hmm, camarões grelhados com molho de alho e ervas, talvez. — murmurou para si mesmo, ainda sendo possível o garçom ouvir e anotar o pedido.

O garoto loirinho ao seu lado, já estava decidido:

— Lula à provençal, com certeza!

Jeongin e Chan trocaram olhares, não se agradando pela escolha do namorado.

— Para nós uma porção de tempurá de legumes e tempurá de lula. — Chan ditou enquanto Jeongin assentiu.

— Para mim apenas uma piña colada, por favor. — disse Felix, com um sorriso travesso.

— E para beber? — o garçom perguntou, terminando de anotar os pedidos.

Os cinco amigos se entreolharam confusos, sem saber o que pedir para beber. Minho tomou a frente, com um enorme sorriso.

— Vinho branco gelado, por favor.

O garçom assentiu e se retirou.

— Vinho gelado, amor? — Yang encarou o namorado. — Estamos em um quiosque à beira mar.

— E o que tem a ver? Vocês pareciam indecisos e eu quis apenas ajudar.

— Acho que o vinho não vai combinar com o que pedimos. — Hyunjin ressaltou.

— Claro que vai! Há bebida melhor que um belo vinho branco?

Ninguém respondeu.

Nesse momento, Jisung e Changbin se aproximaram, de mãos entrelaçadas. Jisung piscou para os amigos e Changbin sorriu.

— Onde vocês estavam? — o ruivo perguntou, franzindo o cenho ao ver o olhar malicioso que o casal trocou. — Já entendi.

— Quando eu falei que a gente vinha para cá, era para ser todos juntos. — Minho revirou os olhos, com uma falsa chateação.

— Desculpe a demora — disse Jisung, olhando para o namorado. — Estávamos aproveitando a vista lá fora.

— Aproveitando a vista, sei.

Jisung piscou para os amigos, indicando que estavam bem e aproveitando o momento a sós. O casal recém chegado se acomodou na mesa.

— Nós já pedimos. Vocês irão esperar o garçom voltar? — Felix perguntou.

— Pode ser.

Os sete engataram em uma conversa descontraída, rindo a toa por qualquer besteira. O garçom não demorou a voltar trazendo consigo todos os pedidos.

Os pratos chegaram à mesa, e o aroma delicioso fez todos se inclinarem para frente. O camarão grelhado estava perfeitamente temperado, e a lula à provençal exibia uma crosta dourada e crocante. Felix ergueu sua piña colada, brindando com os amigos.

— À nossa amizade e a mais noites como esta — disse ele, e todos concordaram, brindando e rindo.

Jisung e Changbin aproveitaram para fazer seus pedidos também, optando pelo mesmo prato que o loiro. A conversa que se estendeu entre eles estava tão interessante que eles sequer notaram quando o pedido deles também chegou.

A todo momento Hyunjin flertava com o ruivo de uma forma ou de outra, beijando os lábios, as bochechas ou o pescoço perfumado dele. Chan deixou uma risada sincera escapar ao ver o melhor amigo alimentar o namorado. Nunca em todos os anos de amizade, imaginou ver Hyunjin fazer aquilo.

Minho fez uma careta provocadora para Felix, revirando os olhos para tudo aquilo.

— Vocês dois são insuportavelmente fofos. — falou, agora sorrindo. — Eu sempre shippei vocês. Sabia que tudo aquilo de rivalidade era muito tesão acumulado.

— Lee Know! — Felix o repreendeu, ficando vermelho.

— O que? Vai ficar tímido agora? Sei muito bem que você é um safadinho. — sorriu maliciosamente. — Não é, Hyunjin?

O moreno soltou uma risadinha rouca.

— Ele é.

Nesse momento Felix já não sabia mais onde enfiar a cabeça e se concentrou no prato do moreno, comendo em silêncio.

Chan desfrutava de sua porção de legumes tempurá e jeongin de sua lula tempurá. Ambos sorriram quando um pedaço de cenoura escapou do hashi do Bang e caiu no colo do Yang.

— Porra, Channie. — reclamou, não verdadeiramente incomodado.

— Foi mal, bebê.

Minho se emburrou.

— Ei! Eu também sou namorado de vocês! Por que estão me excluindo?

— Ninguém tá te excluindo, loirinho. — o mentolado sorriu pra ele.

— Vocês dois são horríveis!

Jisung observou a cena que se passava em sua frente de forma curiosa.

— Acho que estamos sobrando aqui, Binnie. — brincou e o mais velho concordou.

Minho se virou pra ele.

— Que sobrando o que, antes de chegarem vocês estavam se pegando.

O casal sorriu, mas não negaram.

O silêncio novamente caiu sobre eles e todos continuaram comendo, desfrutando de suas refeições. A brisa suave do ambiente envolveu o grupo.

O som das ondas era uma melodia suave ao longe, e a luz da lua dançava sobre a mesa, refletida pelo vidro da janela. Tudo estava calmo, e o ambiente se tornou ainda mais silencioso quando o cara que cantava, parou de repente. Chan observou o palco, depois focou no rosto sereno de Hyunjin.

— Ei, Hwang.

O moreno ergueu os olhos.

— Fala.

— Por que não vai cantar? Faz tempo que ouvi sua voz.

Felix olhou o namorado com surpresa. Todos ali estavam igualmente surpresos, menos Chan.

— Você canta, meu bem? — o ruivinho perguntou, extremamente curioso.

Hyunjin sorriu para ele.

— Apenas um pouco, mas sou péssimo.

— Menos, Hyunjin. Você manda muito bem. — Chan ditou.

— Também não é pra tanto, hyung. Faz tempo desde a última vez que tentei cantar, minha voz deve estar desafinada.

— Duvido. Isso é desculpa para não arrebentar lá em cima e deixar o último cara no chinelo.

Hyunjin deu de ombros.

— Eu só não estou tão bom quanto antes.

— Mas o que custa tentar? — Jisung perguntou. — Agora estou curioso.

— Eu também estou. — o ruivo concordou. — Você nunca me falou que cantava, Hyun.

Hyunjin coçou a nuca, constrangido.

— É que não tinha necessidade.

— E por que não?

— Sei lá, eu estava mais focado em te conquistar. Seria uma perda de tempo falar isso.

Felix negou.

— Se você tivesse cantando alguma coisa pra mim, eu teria me rendido facilmente.

— Você tá brincando, né?

— Claro que não, Hyunjin.

— Então está me dizendo que os três anos em que ouvi seu "não", teria se tornado um "sim" se eu tivesse cantado?

— Basicamente.

— Não acredito nisso, Lee. — se indignou.

— Você está me devendo uma música.

— Quem disse? Eu não canto mais.

Chan revirou os olhos.

— Você canta sim. Só está se fazendo se difícil. E sua voz é muito bonita, parece com a de um anjo de tão docinha.

Hyunjin tapou o rosto com a mão tatuada. Não pegava bem o amigo dizer algo assim.

— Ah, que fofo! — o ruivo se animou.

— Não sou fofo. Eu sou tatuado, Felix.

Ele deu de ombros.

— Continua sendo fofo. Agora levanta daí e vai lá cantar!

O olhar de todos se voltou para Hyunjin, curiosos e ansiosos. O moreno coçou a nuca, sentindo-se pressionado.

Ele costumava cantar quando estava sozinho e já fazia muito tempo que não o fazia, provavelmente a última vez foi quando tinha 16 anos. Todos queriam ouvi-lo cantar, mas compartilhar sua voz com os amigos parecia uma exposição desnecessária.

— Vai lá, amor! — Felix voltou a incentivá-lo, empurrando-o levemente na direção do pequeno palco improvisado no canto do quiosque. — Anda!

Minho assentiu, sorrindo.

— Eu quero ouvir essa voz misteriosa que você escondeu de nós por tanto tempo. Se o meu amorzinho disse que você canta bem, é porque você realmente canta muito bem!

— Não seja tímido, cara. Não combina com você. — Jeongin se pronunciou.

Changbin decidiu encorajá-lo também.

— Sua voz pode estar um pouco falha por não usá-la mais, mas tenho certeza que ainda assim é bem bonita.

Jisung concordou com o namorado, tocando no ombro do moreno ao seu lado.

— E se você for realmente ruim, pelo menos teremos uma história engraçada para contar depois.

Todos riram com a fala do garoto e Hyunjin respirou fundo, finalmente se levantando.

— Não me responsabilizo depois pelo sangue em seus ouvidos. A culpa é do Chan hyung.

Sorrindo torto, Hwang seguiu até a o pequeno palco ali, ainda que incerto. Sentados na mesa, os amigos e namorado do garoto torciam por ele, animados para ouvirem a voz misteriosa que tinha.

Ao se aproximar do palco, Hyunjin segurou o microfone com firmeza entre as mãos e soltou um longo suspiro. Ele gostava de cantar e se sentia leve ao fazer, mas fazia tanto tempo que não soltava a voz que agora era como se tivesse um enorme caroço preso em sua garganta.

Seus olhos se fecharam sem que ele pudesse conter e quando os abriu, piscou lentamente. A primeira coisa que viu foi o sorriso belo do ruivinho que tanto fazia seu coração palpitar. Ele imediatamente relaxou ao ver Felix lhe passar conforto mesmo que indiretamente.

Ele respirou fundo mais uma vez, sentindo o nervosismo se dissipar aos poucos. Com um último olhar para Felix, ele sorriu de volta, sentindo-se mais confiante. A música começou a tocar, e Hyunjin deixou-se levar pelo ritmo. Sua voz, inicialmente tímida, foi ganhando força e confiança a cada verso.

Os olhos do ruivo brilhavam de orgulho, e isso só fazia com que ele se entregasse ainda mais à performance. As notas saíam calmas por sua garganta, em tons suaves e melódicos. Sua voz era tão doce que se assemelhava a um anjo querubim sussurrando notas apaixonadas. Assim como Chan havia dito.

— Se eu te ligo por telefone.

A frase escorregou por seus lábios como a seiva de uma fruta madura, encantando os presentes que o ouviam cantar.

— Preciso de você do outro lado.

Cada som que saia de sua boca era acompanhado de um suspiro que saia da boca do ruivo. Felix mais do que ninguém, estava completamente fascinado pela voz doce do namorado, a qual nunca ouvira em tom de melodia.

— Então, quando suas lágrimas rolarem em seu travesseiro como um rio — fechou os olhos, sentindo a profundeza das palavras. — Eu estarei lá por você.

— Eu estarei lá por você. — a repetição do verso soou como um calmante.

Seus olhos foram abertos e focados unicamente no ruivo que o encarava, lacrimejando. A voz suave do moreno em uma pronúncia estonteante e o acalentava. Hwang sorriu pra ele, sem se perder no ritmo da música.

— Quando você está gritando, mas só escutam você sussurrar...

Felix arregalou os olhos, compreendendo a mensagem que o mais velho queria dizer.

— Eu serei barulhento por você.

Mas um verso irrompeu de sua garganta.

— Mas você tem de estar lá pra mim também.

Hyunjin continuava a cantar, cada frase da canção um soco no estômago do ruivo, que apesar da realidade, não deixava de sorrir.

Quando a parte final da música chegou, Hyunjin agarrou o microfone com ambas as mãos e pesou a voz, mas ainda assim, em um tom suave.

— Garoto, eu estou me perdendo em algo. Não me soltarei de você por nada. Estou correndo, correndo apenas para manter minhas mãos em você. — mesmo contando, hwang jogava seus sentimentos sob a mesa, sorrindo. — Houve um tempo em que eu estava tão triste. O que tenho que fazer para te mostrar? Estou correndo, correndo apenas para manter minhas mãos em você.

Ao finalizar a música, seus dedos tremiam e a cabeça girava, perturbando seus sentidos por alguns segundos. Ele apenas tornou de seus devaneios ao ser bombardeado por palmas calorosas e alguns gritinhos animados vindo da sua mesa de amigos.

O moreno respirou fundo, tentando acalmar os nervos enquanto os aplausos e os gritos de seus amigos ecoavam ao seu redor. Ele levantou a cabeça, encontrando o olhar choroso do ruivinho que em nenhum momento deixou de olhá-lo.

Ao retornar à mesa, chan sorriu.

— Uau, hwang! Isso foi incrível! — exclamou, levantando-se para dar um abraço nele. — Você realmente colocou seu coração nessa música.

Hyunjin sorriu timidamente, ainda sentindo o coração acelerado.

— Obrigado. Eu estava realmente nervoso.

— Você deveria se apresentar mais vezes. Tem um talento incrível! — changbin pontuou.

Hwang riu, balançando a cabeça.

— Talvez eu deva. Quem sabe?

Enquanto a conversa continuava, Hyunjin sentiu um olhar sobre si. Ele sorriu, vendo a pessoa que mais importava para ele, com um sorriso orgulhoso no rosto.

— Você foi incrível, Hyun. — Felix sussurrou, olhando unicamente para ele. — Sua voz é muito bonita. Estou chateado por nunca ter me dito que cantava.

O moreno sentiu uma onda de calor no peito e, sem pensar duas vezes, puxou o namorado para um abraço apertado.

— Agora você sabe, uh? — sorriu, beijando a testa dele. — Eu te amo, gatinho.

Felix concordou, dizendo de uma forma diferente que também o amava.

...

Ao saírem do quiosque, os amigos voltaram para a praia e permaneceram lá até tarde. O casal e o trisal retornaram para o resort após a meia-noite, mas Felix e Hyunjin decidiram ficar. O tempo passou em um sopro tão grande que ambos os garotos não perceberam. O clima estava agradável, estava um friozinho bom.

De repente, Felix se assustou quando o moreno ao seu lado levantou-se de uma vez e começou a se despir. Atordoado, ele olhou ao redor à procura de mais pessoas. Quando voltou a prestar atenção no namorado, ele só estava de cueca.

— O que você está fazendo, Hyunjin? — perguntou baixinho, com medo de atrair olhares. — Não estamos sozinhos, alguém pode te ver.

Hwang deu ombros, sorrindo pelo ciúmes disfarçado de preocupação do ruivinho.

— Vou dar um mergulho.

— A essa hora?

— Qual o problema com o horário?

— Está frio.

— A água tá quentinha.

O ruivo arqueou uma sobrancelha.

— Isso é um convite? — cruzou os braços.

Hyunjin gargalhou, caminhando pela areia gelada.

— Não sei. É?

— Se for desista. Eu não vou entrar na água às duas da manhã.

— Qual é, bebê, a água tá uma delícia.

— Então vá sozinho.

— Mas eu quero ir contigo.

O moreno fora se aproximando dele sorrateiramente, segurando o rostinho vermelho pelo frio entre as mãos. Um biquinho adorável se formou em seus lábios, o qual fora prontamente beijado pelo tatuado rebelde que não podia se controlar ao ver aquela cena.

— Vamos lá, amor. — o beijou novamente. — Vai ser legal.

— Eu estou com frio, Hyun.

— A água vai te esquentar.

Felix pensou por um momento se deveria ir ou não. Em razão do seu frio, a água do mar realmente iria esquentá-lo, já que naquele horário ela estaria quentinha. Mas havia os contras e assim que saísse do mar iria tremer ainda mais. Porém, não precisou pensar muito. Ele sempre se rendia aos pedidos do mais velho.

Um sorrisinho surgiu em seus lábios e Hyunjin soube que havia conseguido o que queria.

— Tudo bem. Eu só vou tirar a aliança.

Hyunjin franziu o cenho.

— Tirar a aliança pra que?

— Para não ficar escura na água.

— Ela não vai ficar escura.

— É bom prevenir, não é? Ela também está um pouquinho folgada em meu dedo. E se eu acabar perdendo na água? É melhor deixar aqui.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Então deixe em um lugar que você lembre.

O ruivinho assentiu.

— Vou deixar em cima dessa pedra. — sorriu, retirando a joia e a deixando ali.

Hyunjin o ajudou a levantar e em menos de dois minutos o menor também já estava apenas de cueca. Eles seguraram forte na mão um do outro e como duas crianças que iam a primeira vez na praia, correram em direção ao mar.

A água espirrou para todos os lados ao que os corpos colidiram com ela. Ambos mergulharam e emergiram em questão de segundos, sorridentes. Felix chacoalhou a cabeça como um cachorrinho que acabou de tomar banho.

A lua brilhava alto no céu, lançando reflexos celestes na superfície do mar. As ondas acariciavam a pele do casal enquanto eles ficavam lado a lado. O ar salgado e fresco enchia seus pulmões, e a sensação de liberdade era intoxicante.

Felix riu, os olhos brilhando com alegria.

— Nunca vi algo tão lindo quanto isso.

Hyunjin sorriu, os cabelos molhados grudando na testa.

— Tao lindo quanto o seu namorado? Realmente é difícil encontrar.

O ruivinho gargalhou fraquinho, se abraçando. A água realmente estava quentinha mas ainda sentia frio.

— Confesso que foi mesmo difícil encontrar uma praia tão linda quanto meu namorado. — brincou.

Ambos riram.

Eles nadaram mais para o fundo, as mãos ainda entrelaçadas. O ruivo mergulhou, desaparecendo sob a água por um momento antes de emergir, os cabelos de fogo colados ao rosto. Hyunjin o seguiu, os dedos roçando a pele da mão pequena enquanto nadavam juntos.

Ao se afastarem um pouco mais da costa, o casal decidiu ficar ali mesmo, flutuando de mãos dadas enquanto observavam a enorme lua cheia que brilhava acima deles.

— Eu poderia ficar aqui para sempre — Felix confessou, os olhos ainda fixos no horizonte. — Com você. — agora encarou o namorado.

Hyunjin assentiu, o coração batendo forte no peito.

— Eu também, gatinho.

Os olhos do menor se fecharam em duas linhas quando ele abriu um sorriso gigante. Flutuando sob as águas calmas, ele aproximou-se um pouco mais do moreno e soltou o aperto das mãos, somente para conseguir pressionar ambos os ombros tensos do namorado.

Seus lábios estavam secos, mesmo que tivesse acabado de mergulhar. Suas mãos tremiam, mas ele tentava passar confiança ao garoto a sua frente a todo custo. O sorriso continuava esbelto e brilhante.

— Eu te amo. — os fonemas saíram de sua boca sem que ele pudesse conter. — Eu te amo tanto, Hwang Hyunjin.

Hyunjin sentiu como se estivesse flutuando. Literalmente. Mas não sob as águas quentes e azuis escuras do mar. Era como se estivesse perdido em uma dimensão completamente diferente, inerte a toda vastidão. Sentia-se como um flutuante no espaço, ansiando por liberdade.

Sua boca se abriu mas nada dela saiu. Sons mudos escapavam como uma melodia calma e intensa ao mesmo tempo. Era como se estivesse em uma realidade completamente diferente, rodeado por palavras que ainda não conhecia.

Eu te amo.

Aquelas três palavras, com seus 6 curtos fonemas e melodia romântica, rodeavam por sua mente, sem rumo algum. Parecia um sonho finalmente poder ouvir tais palavras belas dos lábios do amado. Tantos anos, tantos meses, dias e horas esperando escutar aquele som melódico, agora não parecia real.

Ele piscou lentamente por várias vezes, deixando o ruivinho confuso. Suas mãos começaram a tremer e automaticamente foram descansar na cintura afinada e livre de roupas. Seus dedos batucavam a pele do ruivo, em pura ansiedade.

Seu coração batia descompassado, como se estivesse tentando acompanhar a velocidade da luz. Mesmo que quisesse não conseguia desviar o olhar dos lábios de Felix, que pareciam esculpidos por algum deus antigo. Aquele momento era tão intenso que o ar parecia rarefeito, como se o universo inteiro estivesse suspenso, esperando pela sua reação.

Finalmente, ele encontrou voz, e ainda perdido em meio aos seus pensamentos turbulentos, sussurrou:

— Parece um sonho finalmente escutar isso. — sorriu desacreditado. — Eu também te amo, príncipe.

Felix também sorriu.

— Me perdoe por te fazer esperar tanto tempo para finalmente dizer. Eu ainda estava confuso.

Hwang negou com a cabeça, tocando os lábios dele com a ponta do dedo.

— Shh, está tudo bem. — sussurrou.

Seus dedos continuaram a traçar padrões invisíveis na pele do ruivo, como se quisessem gravar aquele momento na memória para sempre. Aquele e mais outros que estariam por vir.

Felix ainda sorria, um sorriso que iluminou todo o espaço do coração do moreno.

— Acho que você foi a melhor escolha que já fiz. — confessou.

— Acha?

— Não. Tenho certeza.

Hyunjin sorriu e se aproximou ainda mais dele, selando seus lábios em um beijo suave e apaixonado. Era como se o tempo se dobrasse sobre si mesmo, criando um espaço onde só existiam eles dois. O mundo exterior desapareceu, e tudo o que importava naquele momento, aquele amor que transcendia qualquer obstáculo.

Para eles não existia mais nada além deles mesmos. As pessoas na praia não interferiram no momento único de ambos. Envolvidos na doçura daquele beijo, os corações batiam em uníssono. Cada toque, cada suspiro, era como uma melodia que só eles podiam ouvir.

Felix sentiu a textura dos lábios do tatuado, o calor da sua pele, e soube que estava exatamente onde deveria estar. Suas dores do passado não iriam mais interferir em seu presente e futuro, porque ambos pertenceriam à sua felicidade. E sua felicidade era Hwang Hyunjin.

...

A madrugada já se tornava mais fria, com a maré alta. O vento soprava de forma branda, bagunçando os fios de cabelos das poucas pessoas que ainda restavam ali.

Hyunjin firmou o aperto na mão pequena do namorado, o guiando de volta para o resort. A camisa descansava em seu ombro e Felix reclamava do frio nos braços, aumentando a necessidade do mais velho de levá-lo para dentro logo.

Os passos eram calmos, marcando os pés descalços na areia úmida e gelada. O ruivo tentava a todo custo se auto abraçar em prol de dissipar um pouco do frio. Seu queixo tremia.

— Estamos quase chegando, amor. Aguenta só mais um pouquinho. — disse o moreno, tirando a camisa do ombro para tentar inutilmente cobrir os braços do namorado.

— O-obrigado. — tremelicou.

Hyunjin o apertou mais em seus braços para o esquentar melhor. O resort estava a poucos passos deles. De repente, Felix parou bruscamente.

— O que foi? — Hwang perguntou preocupado ao ver a feição assustada dele.

— A minha aliança. Eu deixei a minha aliança lá na pedra, Hyun. — se desesperou.

— Está tudo bem, amor. É só uma aliança.

— Não é só uma aliança. Você me deu ela! É o que simboliza nosso relacionamento, Hyunjin!

— Ei, relaxa. Vamos lá buscar.

Felix se desprendeu dele, puxando os cabelos.

— Eu vou. Me espera aqui.

— Vou com você.

— Não precisa, vou sozinho.

Hyunjin franziu o cenho.

— Mas você tá tremendo de frio, gatinho. Volta para o resort que eu pego sua aliança.

Ele negou.

— Não. Eu vou. Foi eu que deixei ela lá. — falou convicto, beijando os lábios finos. — Me espera aqui. Não demoro.

Hwang pegou em seu braço, o fazendo parar.

— Então me dá mais um beijinho.

O ruivo assentiu e grudou os lábios. O beijo se transformou rapidamente em um mais intenso, cheio de língua e mãos bobas.

Hyunjin envolveu a cintura do namorado de uma forma possessiva como sempre fazia. Gostava de deixar o ruivinho molinho em seus braços, suspirando apaixonado enquanto era envolvido com carinho e um toque de brutalidade. Felix amava, hwang mais ainda.

O contato se intensificava cada vez mais e as mãos afoitas do moreno não paravam quietas. Elas subiam pelo corpo do menor por dentro do tecido fino da camisa dele e acariciavam os mamilos durinhos pelo frio.

Agora o beijo tinha ainda mais urgência. Hwang sentiu o coração apertar e uma sensação ruim o acometer ao se pegar imaginando que aquele era de fato, o último beijo deles. Sempre que se beijavam, Hyunjin tinha aquele sentimento e apertava mais o ósculo, depois sorria por pensar em algo do tipo. Mas agora parecia ainda mais forte.

Antes que ele sequer pudesse aproveitar mais do beijo bom que tinha com o ruivinho, Felix quebrou o contato e o encarou nos olhos, sorrindo largamente.

— Preciso ir agora, amor. Eu não demoro.

Ele deixou mais um selinho rápido nos lábios do moreno e deu as costas, voltando pela mesma direção que vieram.

Sem ter o que fazer agora, Hyunjin encostou na pequena cerca que tinha ali, cruzando os braços. Alguns minutos se passaram e Felix ainda não havia voltado. Provavelmente não se recordava da pedra que havia deixado a aliança antes de entrar na água.

Enquanto esperava pelo namorado, o moreno passou a observar ao seu redor, arrependendo-se instantaneamente ao dar de cara com Soha. Ela se aproximava, vindo em sua direção acompanhada por mais duas garotas. Ela parou em sua frente.

— O que faz aqui sozinho? Onde está seu namorado? — perguntou desdenhosa.

— Não te interessa.

— Nossa, como você é infantil. — revirou os olhos. — Eu só te fiz uma pergunta.

— A qual não preciso responder, pois não é da sua conta.

A garota se aproximou ainda mais dele. As outras duas deram um passo para trás. Hyunjin também.

— Depois que você começou a namorar ficou muito chato. Você não era assim.

— Chato como? Agora estou chato porque não estou mais seguindo minha vida de merda de antes? — revirou os olhos. — Se toca, Soha, eu não vou mais da moral pra ninguém muito menos pra você. Porra, você é cega e não vê a aliança em meu dedo?

A garota voltou a se aproximar, fazendo-se de sonsa e avançou mais um passo, agora tocando os ombros do moreno com ambas as mãos macias.

— Mais uma aliança não significa nada, Hyun... Você pode só retirá-la e colocar no bolso. — sorriu.

Hyunjin respirou fundo, tentando manter a calma enquanto ela lançava olhares suaves e provocadores.

— Se está sugerindo que eu seja infiel com o Felix, pode esquecer essa ideia maluca. Vá procurar alguém que esteja livre e que te valorize, por favor.

Ela bufou, batendo os pés no chão. O moreno tirou suas mãos de seus ombros.

— Mas eu quero você, Hwang! É tão difícil entender?

— Eu que te pergunto, Soha! É tão difícil entender que não sou mais solteiro?

Soha se afastou minimamente, fingindo tristeza.

— Até mesmo quando você estava solteiro não me queria ao seu lado. — abaixou a cabeça.

Hyunjin quase se sentiu mal por ela. E teria sentido se não a conhecesse bem o suficiente para saber que ali era somente mais uma de suas cenas.

— Vou te falar pela última vez, Im Soha. Quando nos envolvemos eu deixei bem claro que seria apenas uma vez.

A garota ergueu a cabeça e sorriu cinicamente.

— E você gostou tanto da primeira vez que veio me procurar uma segunda e uma terceira.

— Eu jamais deveria ter feito isso. Olha agora o que essa merda se tornou. — suspirou fundo. — Você realmente deveria ver o seu valor, Soha.

A garota pareceu extremamente irritada. Ela voltou a dar mais um passo em direção a ele, o fuzilando com o olhar.

— Só está dizendo isso porque agora você tem um novo brinquedinho. — riu, olhando de esguelha para as amigas. — Cadê a aliança dele? Ou será que vocês já estão cansados um do outro?

Hyunjin arregalou os olhos.

— Você estava nos perseguindo, Soha?

As garotas que acompanhavam a morena riram, ecoando o deboche. Hyunjin sentiu o sangue ferver. Suas mãos se fecharam em punhos antes que ele pudesse contê-las.

— Não diria perseguindo. Apenas observando. — voltou a proferir, agora tão mais próxima do garoto.

— Estamos muito bem juntos e isso não é da sua conta. — manteve a voz firme, olhando-a nos olhos.

Soha arqueou a sobrancelha, desafiadora.

— E onde ele está agora? Não sabia que ele era do tipo que deixava o namorado plantado.

— Por que você simplesmente não some?

Ela o ignorou completamente.

— Ah, já sei onde o príncipe ruivinho está. Ele foi buscar a aliança, não foi? Que romântico! — ela fez uma careta.

— Escuta, Soha, eu estou cansado. A noite foi legal e agitada, agora só quero o meu namorado para podermos descansar juntos. Só diz logo o que quer aqui.

Ele respirou fundo, tentando controlar a raiva e manter a calma. Soha já estava testando seus limites.

— Eu não quero nada aqui. Quero você.

— Chega. Vá embora antes que o Felix volte e pense coisa errada.

As amigas da líder de torcida trocaram olhares cúmplices. Ela, por sua vez, cruzou os braços. Deu mais um passo na direção do mais velho. Hyunjin não teve nenhuma reação, permaneceu onde estava.

— Ele não vai voltar agora. E eu quero muito te beijar outra vez. — voltou a tocar em seus ombros, sussurrando. — Afinal, você sabe que eu sempre consigo o que quero.

Tão sorrateira quanto havia chegado, Soha inclinou-se, e antes que Hyunjin pudesse se afastar, seus lábios se encontraram. Na cabeça da garota o beijo era suave, calmo e tão necessitado. Mas o moreno sentiu como se tivesse sido atingido com um forte soco no estômago. Ele não queria aquele beijo.

Seus pensamentos se agitaram. Sua vontade era de empurrá-la para longe. Mas, em vez disso, ele permaneceu imóvel, sua mente uma tempestade turbulenta de emoções. A raiva crescia dentro dele, e seu corpo não reagia ao momento, o deixando cada vez mais irritado.

No entanto, Soha não parecia satisfeita com a falta de reação do moreno. Ela grudou ainda mais as bocas, seus lábios roçando nos dele. Hyunjin sentiu o gosto do batom dela, doce e amargo ao mesmo tempo. Seu coração acelerou, se perguntando como havia chegado a essa situação.

Ele parecia petrificado ali. Tentava sair daquela armadilha, mas não sabia como. Sua mente o mandava se mover, sair dali o quanto antes, mas seu corpo não obedecia. Seus pés pareciam colados ao chão e quanto mais ele tentava afastar a garota faminta de si, mas suas forças iam embora.

O seu fim chegou quando ele pode visualizar nitidamente o rosto de Felix. O sorriso sempre tão grande e contagiante, os olhinhos se transformando em duas linhas adoráveis e as bochechas tingidas de rosa que contrastavam com o nariz arrebitado de botão vermelhinho, fizeram seu coração bater mais forte.

Soha estava realmente disposta a acabar com seu relacionamento de vez, e aquele beijo era a prova viva disso. Se ela não fosse sua namorada, então ninguém mais seria. Era o que ela pensava. As mãos cheias de unhas grandes e afiadas continuavam fazendo pressão nos ombros largos enquanto Hyunjin estava aéreo.

Sua mente conturbada mostrava-lhe o rosto do namorado, sempre tão feliz e honesto. O coração puro que tinha se destacava. Felix não merecia passar por tudo aquilo novamente. Mas enquanto todos os pensamentos embaralhados o assombravam, a memória também estava esbranquiçada.

Hyunjin estava tão sem reação, que os braços descansavam longe do corpo da morena. Ele lutava contra a espécie de paralisia que o dominava. Soha, com seus lábios ainda pressionados contra os dele, parecia não perceber a tormenta interna que o invadia. O beijo o qual ele nunca quis naquele momento, era uma âncora que o prendia à culpa e ao medo.

O rosto do ruivo, com seus olhos gentis e sorriso sincero, era uma imagem que se entrelaçava com a que acontecia. Hwang estava se sentido patético por não ter tido uma reação imediata sobre aquilo. Ele não queria perder o namorado, não por algo que ele não havia escolhido.

Mas, somente quando sentiu a língua da garota se atrever a encontrar a sua, ouviu risadas cínicas e um fungando baixinho, fora que conseguiu mover os braços. Ele empurrou Soha com firmeza, rompendo o beijo com fúria.

Seus olhos estavam perdidos, nublados na escuridão. Mais um fungado o fez desviar o olhar, sentindo o coração bater mais forte ao ver Felix parado a menos de três metros de distância. Seu rosto estava vermelho e as lágrimas rolavam soltas sem fazer barulho.

O ruivo não podia acreditar. Seu namorado estava parado ali, atordoado, enquanto sua "ex" o beijava. Somente agora Felix estava começando a confiar nele completamente. Mas naquele momento, tudo parecia desmoronar. Suas lágrimas caíam como uma cascata.

Soha finalmente se afastou de Hyunjin, sorrindo maliciosamente.

— Senti sua falta, Hyun... — sussurrou, passando os dedos pelos cabelos negros de propósito.

Ele se afastou.

— Felix... — as palavras saíram de forma dolorosa.

Soha sorriu soberba, fingindo notar o ruivo somente agora.

— Felixinho! Você chegou na hora perfeita! O seu namoradinho beija muito bem.

As amigas da garota que ainda permaneciam ali, riam baixinho do que estava prestes a acontecer.

— F-felix, amor... — Hyunjin tornou a dizer, a voz trêmula. — Não é isso...

Agora as lágrimas que caiam dos olhos clarinhos eram nitidamente de puro ódio.

— Eu só te deixei sozinho por alguns minutos. — sussurrou de forma falhada.

— N-não é o que está pensando, amor! Me deixe explicar!

Felix o encarou com raiva e tristeza. Um risinho sarcástico escapou-lhe dos lábios.

— Você quer explicar? Explicar o que, Hwang Hyunjin? — gritou alto, sentindo o peito doer. — Você estava beijando a sua ex! Como posso acreditar em qualquer explicação que você tenha?

Hyunjin sentiu o mundo girar ao redor dele.

Soha continuava ali, com os lábios vermelhos e o olhar desafiador, enquanto Felix encarava o garoto que amava com uma mistura de choque e tristeza. Hwang precisava dizer algo, mas as palavras pareciam ter fugido.

Aproveitando o momento fragilizado do casal, Soha lançou um olhar cúmplice para as amigas e tentou se aproximar novamente do moreno, mas ele se afastou, mantendo os olhos fixos em Felix. As lágrimas do ruivo eram como punhais em seu peito.

— Gatinho... — ele voltou a falar..— Eu... Eu não queria isso. Não é o que parece.

Felix balançou a cabeça, as lágrimas escorrendo por suas bochechas.

— Eu confiei em você.

As suas palavras atingiram o tatuado como um soco certeiro. Ele nunca quis magoar o mais novo, mas havia feito aquilo.

Tremendo e soluçando, ele se aproximou do ruivo, desesperado para explicar. Felix recuou, o deixando ainda mais afetado e transtornado. Ele voltou a se aproximar.

— Eu não queria isso, príncipe. Eu amo você. — se desesperou, segurando o rosto do menor entre as mãos, implorando por compreensão. — Por favor, acredite em mim.

Felix olhou para ele, seus olhos vermelhos e inchados.

— Você beija a garota que é completamente obcecada por você, a qual já teve algo e me pede para acreditar que você não queria? — sorriu nasalado, se afastando dele. — Você é patético, Hyunjin.

O moreno sentiu o coração se partir ao ver seu garoto tão frágil em sua frente e ele era o único culpado.

O ruivinho lançou um último olhar de ódio e tristeza. Seus olhos estavam vermelhos pelas lágrimas, e ele não conseguia mais falar. Felix apenas correu, ignorando os gritos do moreno chamando seu nome.

— É tão engraçado te ver assim. Nunca pensei que algum dia fosse ver Hwang Hyunjin, o maior galinha da Hyunmin high, implorar perdão a um garoto tão mesquinho.

Hyunjin sentou ódio ao ouvir a voz irritante de Soha. Ele voltou-se para ela com o olhar quente de raiva. A raiva fervia dentro dele, perturbando seus sentidos.

— Cala a boca. — brandou, sua voz baixa e surpreendentemente controlada.

A garota riu, uma risada cortante.

— Por que eu deveria? Você está sofrendo por aquilo? — sua feição se contorceu em nojo. — Ele é só um garoto frágil que você quer proteger já que o bebezinho não sabe se defender sozinho.

— Eu mandei calar a boca. — sussurrou, perdendo a paciência.

— Só calo com seus lábios colados nos meus.

Já sem nenhuma nuance de calma, Hyunjin se aproximou dela, seus olhos faiscando. As mãos tremiam e suavam em demasia. Seu rosto estava vermelho, quase explodindo.

— Se ele não me perdoar, vou fazer de sua vida um inferno. Igual você está fazendo a minha agora.

Soha o encarou, desafiadora.

— E quem você quer enganar com esse papinho? — cruzou os braços, dando de ombros. — Todo mundo sabe que você sempre irá me escolher, Hyunjin. E eu vou garantir isso.

Sentindo os lábios tremerem, o moreno a ignorou. Deu as costas para as três garotas e quando se deu conta, já estava se afastando, correndo na mesma direção que viu o ruivinho sair completamente machucado.

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