12
Um som irritante ecoou pelo quarto. O despertador tocava marcando 5:10 da manhã no relógio. Hyunjin fora o primeiro a acordar e o único que dormiu mal.
Depois que acabou a conversa com a Im, ficou por mais alguns minutos em seu dormitório, refletindo no que iria fazer de agora em diante. Minho e chan chegaram pouco mais das vinte duas horas e logo agarraram no sono. O tempo passou tão rápido, que Hyunjin só se deu conta de que precisava ir até o dormitório do ruivo às meia noite. Quando chegou, felix dormia em sua cama abraçado com Jungmin e Junghee dormia na cama do loiro. Então ele deitou-se junto do gêmeo solitário e o abraçou.
Os outros três ainda dormiam e hwang se levantou com cuidado para não acordar o irmão que ressonava baixinho. Caminhou até o despertador e o desligou. Seus olhos estavam pesados e a cabeça dolorida, tudo o que queria naquele momento era cair na cama outra vez e voltar a dormir. Era sábado afinal. Mas ele não podia, a aula de campo o esperava.
Ainda sonolento, foi até o banheiro, acendendo a luz. Olhou para seu rosto no espelho vendo os olhos inchados e avermelhados. Lavou o rosto com água fria e tentou se manter acordado. O momento da conversa que teve com Soha veio à tona em seus pensamentos.
"— Soha, nós precisamos conversar.
Levantou-se da cama assim que viu a porta ser aberta e por ela, a morena passar.
— Calma, me deixa entrar antes.
Hyunjin concordou.
A garota fechou a porta atrás de si e passou a chave, a trancando. Hwang engoliu em seco. Nunca em sua vida tinha ficado tão nervoso por ficar a sós com ela antes.
— Já entrou, agora eu preciso te falar uma coisa. Urgente. — suas mãos soavam.
Soha o encarou desconfiada, mas sorriu logo em seguida. Ela foi caminhando em sua direção, como uma cobrança peçonhenta, pronta para dar o bote em sua presa.
O tatuado foi pego de surpresa quando sentiu seu corpo ser empurrado com força, caindo de volta na cama. A Im não perdeu tempo em montar nele, acomodando-se nas coxas definidas.
— Soha, sai de cima. — alertou.
— Por que? Vamos só adiantar as coisas, Hyunjinzinho. — ela passou a se mover no colo dele, com reboladas sutis ao que deixava beijos pelo pescoço bronzeado.
Hyunjin ofegou e com muita garra, segurou a cintura dela a fazendo parar com os movimentos. Ela o olhou desentendida.
— Eu pedi pra você sair. — não fraquejou quando disse.
Soha logo ficou irritada. Assim como lhe foi pedido, ela saiu de cima do colo do moreno, ficando parada na frente dele.
— O quê? Não quer mais?
Hwang suspirou.
— Nesse momento eu nunca quis, Soha. Minha intenção ao te chamar aqui não foi essa.
Ela o olhou, incrédula. Soltou um risinho desacreditado.
— Não vamos transar?
— Não. Não vamos.
— Me chamou pra que então? Pra ficar aqui parada olhando pra sua cara de sonso e ficar fazendo papel de trouxa?
Hyunjin suspirou outra vez.
— Eu te chamei pra conversar, já disse.
— Há, e cadê o chá? Se vamos conversar que tenha ao menos uma bebida! — Foi sarcástica.
— Soha, é sério. Para de brincadeira.
A morena revirou os olhos e cruzou os braços.
— Tá legal. Me diz o que você quer então. Se não vamos transar, eu vou embora.
Hyunjin levantou-se e foi até a sua escrivaninha. Pegou a cadeira e a colocou ao lado da garota pedindo que ela sentasse. Quando ela o fez, ele também voltou a se sentar na cama.
— Olha, Soha, eu não sei o que deu na sua cabeça de achar que nós somos namorados-
— Mas você é o meu namorado! — o interrompeu.
O moreno precisou de forças.
— Não, eu não sou. A gente só ficava. Um dia eu tava com você, outro dia tava com outra. Você também é assim.
— É, mas tudo mudou. Você parou de ficar com vários e só estava comigo.
— É verdade. Mas isso nunca significou que nós tínhamos algo a mais. — falou seriamente — Sabe, Soha, nós nunca fomos namorados. Eu sinto muito se você pensou que sim.
Soha sorriu cinicamente. Logo ficou séria ao notar que aquilo não era uma piada.
— Como assim, Hyunjin? O que você quer dizer?
— É a verdade, você que nunca quis aceitar. Eu te disse que não era para alimentar o que nós tínhamos.
— Você disse! Mas era tão bom que eu achei que-
— Era, Soha. Era bom. Não nego que gostei de ficar com você e que entre quatro paredes você é uma ótima pessoa, mas no mundo externo é podre por fora e por dentro — ditou sem medo — O que tivemos foi bom enquanto durou mas já era. Acabou. Não tem mais nada.
— Eu não acredito nisso, Hyunjin.
— Pois acredite. Eu estou até mesmo tendo compaixão em falar com você sobre isso porque nós nunca namoramos então não tem pra que uma comoção dessas. Não é como se fosse um término de algum relacionamento. A gente só se pegava mas acabou.
— Tá, e onde está a piada? — sorriu amargurada.
— Em nenhum lugar. Eu estou sendo sincero com você.
Soha levantou-se da cadeira abruptamente. Olhou para Hyunjin com desgosto.
— Isso é mentira.
— Não, Soha. Não é.
— E por que quer acabar com tudo assim tão de repente?
Hwang a olhou nos olhos, decidindo ser sincero e lhe contar toda a verdade.
— Eu gosto de outra pessoa, Soha. Há muito tempo — sorriu apaixonado ao lembrar do rosto de felix — Não posso continuar com isso, fingindo que não sinto nada. É injusto para nós dois.
Soha sorriu maldosa. Estava furiosa.
— É o Felix, não é? — gritou — A porra desse garoto quer roubar tudo o que é meu! E está conseguindo, mas não por muito tempo.
— Soha, pelo amor de Deus! Não importa quem é, o foco é que eu não quero mais ter nada com você!
Ela voltou a olhá-lo com desprezo.
— Você está brincando comigo? Depois de tudo o que vivemos juntos? Eu não vou aceitar isso, hwang hyunjin!
Hyunjin também se levantou.
— Eu não sei se te magoei, mas essa nunca foi minha intenção, eu só não posso ignorar o que sinto. Preciso ser honesto comigo mesmo.
— Ser honesto consigo mesmo? Você nunca amou, Hyunjin! Não me venha com essa desculpa agora.
— Não, nunca amei. O que significa que também nunca fui apaixonado por você.
Hyunjin perdeu a paciência e disse o que estava entalado. A expressão de Soha vacilou e ela desviou o olhar por alguns segundos, logo voltando a encará-lo. Hwang não se arrependeu do que disse.
— Você vai se arrepender disso, Hyunjin. — ameaçou — Seja lá quem for essa pessoa que você diz amar vai sofrer em minhas mãos. Eu vou fazer de tudo para separá-los. E eu nunca, nunca vou perdoar a sua traição!
Hyunjin explodiu.
— Cacete, Soha! Não é porra de uma traição! Nós nunca tivemos nada para que isso seja um adultério, merda! Eu só estou tentando seguir o meu coração!
— Seguir seu coração? Você está iludido. Se deixou enganar por qualquer puta barata. — gritou de volta — Eu vou destruir tudo o que você tem com essa outra pessoa e a única coisa que vai restar é os cacos dos seus corações malditos!
— Você não sabe o que diz.
Os dois se encaram, a tensão no ar. As luzes do quarto pareceram apagar completamente, deixando-os na penumbra.
— Eu sei que quem acha estar apaixonado é aquele ruivo de merda. Mas eu vou acabar com ele. Vou acabar com os dois!
Hyunjin levou ar para os pulmões.
— Se você tocar em apenas um fio de cabelo dele, eu corto suas mãos fora — ameaçou entredentes.
A morena gargalhou maléfica.
— Está mostrando as garrinhas, Hyun?
Hwang sorriu arteiro.
— Estou aprendendo com meu sogro. O aviso tá dado — tornou a se sentar — E quando quiser saber como anda a nossa relação, não peça para que suas amiguinhas vão importunar meu ruivinho. Tome vergonha na cara e venha você mesma me perguntar.
Soha bufou irritada. Ela marchou até a porta abrindo a mesma. Saiu como um foguete e bateu a porta com força, fazendo a parede estremecer. Hyunjin fechou os olhos, respirando fundo."
Assim que o pensamento foi embora, Hyunjin secou o rosto, virando-se para voltar ao quarto. Seu coração bateu mais rápido ao ver Felix parado em sua frente.
— Oi, bom dia. — falou coçando o olhinho.
— Bom dia.
O ruivo o olhou.
— Está tudo bem? Parece assustado.
Hyunjin confirmou.
— Está. Eu só estou um pouco cansado. Não dormir como eu gostaria de ter dormido.
— Você voltou tarde. Por que demorou tanto? Como foi a conversa?
Hwang desviou o olhar, perdido.
— Não quero falar sobre isso. — murmurou — Os gêmeos já acordaram?
— Ainda não.
Depois que felix o respondeu, o silêncio prevaleceu. O momento se tornou desconfortável para ambos e aqueles poucos minutos pareceu ter se tornado horas. Hyunjin clareou a garganta.
— Eu.. ah.. V-vou levar os meninos até o meu dormitório.
Falou saindo, sem permitir que o ruivo falasse algo. Felix suspirou e foi escovar seus dentes, ouvindo quando Hyunjin disse para acordar os irmãos:
— Irmãozinhos, hora de levantar.
Felix deixou um sorrisinho escapar. Ao terminar de escovar os dentes, tomou um banho para acordar os músculos adormecidos. Como na aula de hoje não era obrigatório o uso do uniforme, o ruivo foi até seu quarto vestindo a roupa que já havia separado.
Tudo o que precisaria levar para o Viva Camping já estava devidamente organizado dentro de sua bolsa. No tempo em em fez tudo isso, se passaram bons minutos e agora o relógio marcava seis e meia da manhã.
A porta foi aberta com um pouco de euforia. Chamando a sua atenção, felix olhou para a mesma vendo Hyunjin passar por ela. Os cabelos estavam encharcados e caiam nos olhos. Ele usava roupas casuais, pretas como sempre. Em seus pés, a mesma bota bonita do dia anterior. Ele carregava a própria mochila em um dos ombros.
— Os gêmeos já foram. — falou assim que entrou.
— Ah, que pena. Não consegui me despedir deles.
Hyunjin assentiu.
— Eles não te deram trabalho, não é?
Felix negou, sorridente.
— Não. O Junghee é um pouco mais difícil, mas também é um bom garoto. Nós jogamos basquete na quadra.
O moreno ficou surpreso.
— Você também? Você sabe jogar?
— Eu diria que sei e não sei, apenas o básico. — sorriu.
— Você é uma caixinha de surpresas, uh? — ele se aproximou do ruivo, tocando o queixo dele — Cada dia me surpreende de uma forma diferente.
Hyunjin beijou os lábios carnudos com carinho, sentindo o gosto do gloss que já os banhava. Abraçou o corpo miúdo, aprofundando o contato. Felix ofegou baixinho, apertando os ombros fortes. Em alguns momentos do beijo, o ruivo precisava ficar nas pontinhas dos pés para conseguir alcançar os lábios finos e tão beijáveis.
Depois de alguns minutos, o beijo foi apartado. Felix sorriu.
— O ônibus vem às sete. É melhor irmos.— Hwang falou.
O ruivo assentiu. Logo os dois já estavam fora do colégio.
Quando entraram dentro do ônibus, felix procurou por um dos amigos para se sentar ao seu lado, mas os dois já estavam acompanhados dos namorados, então procurou por um lugar vago no final, mas antes que fosse, sentiu quando alguém segurou em sua mão.
Hyunjin o levou até um lugar vazio no meio do ônibus e sentou-se na ponta, deixando que ele se sentasse na janela.
...
Assim que o ônibus parou, os alunos afoitos se levantaram com pressa. O professor Lee também se levantou e sorriu para a empolgação dos alunos.
— Queridos, se acalmem e voltem a sentar em seus lugares. Nós vamos sair todos juntos para que ninguém fique para trás — falou olhando para cada um — Eu, a senhora Choi, o coordenador Yang e o inspetor Kim iremos na frente e vocês posteriormente.
Ao terminar de falar o professor virou-se, pronto para descer do veículo. Assim que saiu, os demais adultos também saíram. Os alunos se levantaram novamente e um a um foram descendo do ônibus, restando apenas o motorista. Os jovens que totalizaram 45, ficaram aglomerados em frente a uma grande placa que jazia "Viva Camping - Hora de acampar!". Hyunjin não deixou de revirar os olhos para aquilo.
— Bom dia, pessoal. — A professora Choi Jaemin os saudou. Todos responderam em uníssono — Hoje nessa manhã gratificante, tivemos a oportunidade de trazê-los para uma aula diferente, onde exploraremos a diversidade das matas e dos animais que por aqui vivem. Também faremos uma bela trilha logo depois das informações que serão passadas.
Ao terminar de falar, alguns dos adolescentes sedentários não deixaram de resmungar descontentes pela parte da trilha. O moreno foi um deles.
— Hoje, no sábado, durante essa bela manhã, iremos caminhar pela trilha que tem nas redondezas e ao retornarmos iremos montar as barracas. Vamos acompanhar durante o final de semana e só voltaremos na segunda de manhã. — falou o inspetor Kim.
Os alunos protestaram.
— Se acalmem! Sei que vamos todos retomar cansados, por isso não haverá aula para a turma de vocês na segunda. Vocês poderão descansar durante todo o dia.
Após proferir aquela última parte, os jovens ficaram mais relaxados.
O mesmo professor que os orientou sobre a aula de campo no dia anterior, sorriu grandiosamente e falou:
— Sobre a decisão das barracas que falei ontem, fiquem atentos. — os poucos alunos que ainda sussurravam, calaram-se imediatamente — Como já havia dito, temos no total de 8 barracas que suportam até cinco pessoas, dentre elas, duas grandes e seis médias. As maiores cabem até sete pessoas, mas elas são sorteadas para apenas duas ou três. Como uma forma de estímulo a energia de vocês.
— E como as conseguimos? — A mesma garota perguntou.
— Como são duas barracas, teremos duas provas. A primeira será um sorteio. Vocês se organizarão em um círculo, mas antes irão pegar um papel de dentro de uma pequena panela. Os papéis estão escritos as letras "M" e "G" mas apenas duas têm a inicial "G". Aquele que tirarem as letra "G", ficará com uma barraca grande e aqueles que tiraram "M" ficaram com as barracas médias. — explicou lentamente — A segunda forma de conseguir a outra barraca grande é por meio de uma outra prova a qual explicarei melhor no momento em que ela for realizada.
Uma garota de cabelos rosa com azul ergueu a mão.
— Sim?
— Nós vamos fazer as provas antes de fazermos a trilha?
— Isso mesmo.
Ela assentiu.
Um homem de idade um pouco avançada, trajando roupas típicas de um escoteiro, se aproximou deles.
— Oh, vocês chegaram! — ele disse.
— Estamos todos aqui. — o coordenador sorriu — Alunos, esse é o senhor Yang Jungwon, dono do lugar e a pessoa que nos acolherá durante esse final de semana.
Os alunos se curvaram em uma mesura respeitosa, antes de cumprimentar o mais velho.
— Mais que crianças educadas!
O coordenador sorriu, todo pomposo.
— Obrigado, senhor Yang.
O homem mais velho também sorriu.
— E onde está a senhorita Somin? Não a vejo!
— Ela infelizmente não pode comparecer — falou Sunoo, sorridente — Mas seu filho mais velho está entre nós. É um bom menino.
Alguns riram da bajulação da professora e o moreno que estava abraçado ao ruivo, revirou os olhos para tamanha falsidade da mais velha. Agindo assim, nem parecia a mulher que o obrigou a escrever o nome da mesma duzentas e quarenta vezes. Digo, dez vezes.
— Que esplêndido! — o homem sorriu — Vamos, entrem! Venham conhecer o lugar e sintam-se à vontade!
O velho entrou para dentro da área onde aconteciam os acampamentos, sendo seguido pelos demais.
Dentro, havia cabanas feitas de madeiras rudimentares, onde provavelmente os visitantes que não tinham o costume de dormir em barracas ficavam. A área era totalmente verde, com grama bem cuidada e aparada. Árvores por todos os lados, em suma maioria frutíferas. Pinheiros altos eram vistos de longe e o vento balançava as folhagens volumosas dos salgueiros. Tudo era belo.
Eles só param de andar quando chegaram em uma parte onde possuía várias cadeiras e mesas para piqueniques. Cada um dos jovens foram sentando-se em um assento. Hyunjin, obviamente não largou felix. Não muito longe, minho e chan se abraçavam. Jeongin estava muito próximo a eles.
— Bem, a área interna vocês podem conhecer se quiserem. Quanto à parte da trilha, nosso melhor instrutor irá guiá-los. — o velho dono do lugar disse — Agora preciso resolver alguns afazeres. Sejam bem vindos.
Ditou e depois saiu.
O coordenador tomou a frente.
— Creio que já perceberam que não há mais ninguém além de nós nesse lugar. — falou com a voz firme — Estamos sozinho e a probabilidade de se perdermos é grande, então não se afastem um dos outros. Entenderam?
— Sim, senhor. — falaram em um coro de vozes.
O homem assentiu e se afastou. O professor Lee tomou a fala.
— Agora iremos dar início a nossa primeira dinâmica. Por favor, façam uma fila indiana e um a um peguem um papel de dentro da panela a qual o inspetor Kim está segurando.
Assim como foi dito, os alunos foram se levantando e formando uma fila, um atrás do outro. Sempre que um pegava o seu papel, o inspetor Kim chacoalha os restantes dentro da panela para dificultar a sorte. Depois de alguns minutos, todos já tinham seus papéis em mãos.
— Ótimo, crianças. Agora formem um círculo e não abram os papéis até que eu diga que é o momento.
O círculo foi formado.
— Abram seus papéis e não deixem que quem está do seu lado veja qual foi sua letra.
Os alunos assentiram e começaram a desdobrar os papéis. Hyunjin bufou ao ver que tinha tirado a letra M. Mesmo o professor dizendo para não olhar o colega do lado, o moreno rebelde espiou o papel entre as mãozinhas do ruivo e suspirou fundo ao ver que sua letra era um G. Não gostou nem um pouco.
Não estava incomodado por ter ficado com uma barraca média. Ficou incomodado por saber que não dividiria uma com seu ruivo e que qualquer pessoa daquela roda poderia tirar a sorte em dividir a barraca com felix. Ele fechou os olhos e pediu a qualquer divindade que algum dos dois melhores amigos do ruivo tirasse a letra G. Não podia nem mesmo imaginar seu garoto dividindo espaço com outra pessoa que não fosse ele. Com seungmin por exemplo.
Querendo pensar em outra coisa, olhou para o seu lado esquerdo, onde uma garota alta e bonita estava. Ela terminava de abrir o seu papel. Curioso, Hyunjin acompanhou os movimentos dos dedos dela até que a letra fosse revelada. G. Antes que pensasse no que fazer, tocou seu ombro no da garota que o olhou com uma sobrancelha arqueada.
— O quê? — perguntou.
Ele não respondeu. Em vez disso, mostrou seu papel com a letra M para ela que a princípio não compreendeu o porquê dele mostrá-la sua letra quando o professor disse para não deixar a pessoa do lado ver seu papel. Então, ela olhou para o outro lado do moreno, vendo o presidente do conselho estudantil com um bico pensativo nos lábios. Ela voltou a encarar o capitão.
A fofoca de que eles estavam se envolvendo e tendo algo se espalhou rapidamente pelos corredores da escola e logo todos estavam sabendo que felix e Hyunjin, supostamente se tornaram ficantes depois de dois longos anos de conflitos. Presumindo que o moreno quisesse ficar ao lado do ruivinho, a garota revirou os olhos e puxou o papel das mãos tatuadas com brusquidão, entregando o seu a ele. Não se importava em ficar em uma barraca um pouco menor.
Hyunjin sorriu vitorioso, mostrando seu novo papel a felix. Mingyu, que estava do outro lado da garota e viu toda a cena, gargalhou fraquinho ao ver a empolgação do garoto encrenqueiro mostrando que também havia "conseguido" a letra G.
— Agora que já viram qual letra tiraram, podem mostrar para os colegas ao lado.
Felix mostrou o seu para Hyunjin que fingiu surpresa ao ver. Ele novamente mostrou o seu ao ruivo que não tinha expressão alguma. Assim que todos os alunos já sabiam as letras que cada um havia tirado, o professor voltou a falar.
— Nos digam quem pegou as letras G!
— Eu peguei uma! — felix falou sorrindo.
Hyunjin fez suspense antes de revelar, também sorrindo.
— Peguei a outra.
Ao revelar sua letra, alguns dos alunos ficaram surpresos, outros nem tanto. Já sabiam do que estava rolando entre o presidente do conselho estudantil e o capitão do time de basquete, mas não acreditavam que a sorte estava entre eles para uni-los até nesses momentos.
Do outro lado da roda, chan sorriu cúmplice para o amigo, já suspeitando que ele poderia ter feito alguma barganha para conseguir ficar junto do ruivo. E de fato, fizera.
— Então já que temos nossos primeiros sortudos, vamos para os próximos!
O professor falou animado.
O coordenador Yang já não estava mais entre eles. Provavelmente fora resolver alguns assuntos. A professora Choi estava um pouco mais afastada, completamente alheia a tudo o que acontecia a seu redor e o inspetor Kim já não se importava com o que fazia ali.
— Agora, o restante formarão equipes de três a cinco pessoas. Nem mais, nem menos do que isso. Iremos iniciar a última prova. — explicou — felix e Hyunjin, por favor sentem-se e esperem por um momento.
O ruivo sorriu e obediente, fez como pedido. Hyunjin foi junto dele.
— Para os demais, vocês terão que realizar uma prova de obstáculos. Em equipe. — ressaltou — Nada de duplas ou solitário. Equipes! A barraca será dada para a equipe vencedora, por tanto, nada de meninas e meninos no mesmo lugar!
De acordo com o que o professor falava, as esquipes eram formadas.
— Por que não? — Hansol perguntou.
— Porque isso nunca dá certo!
Kang sorriu maléfico.
— Está insinuando sexo? — arqueou uma sobrancelha — Não se preocupe, sexo todo mundo faz. Até mesmo dois garotos e duas garotas.
O professor sentiu seu rosto esquentar. Os demais gargalharam do que o garoto havia dito. Kyungsoo lançou um olhar travesso para seungmin. Hyunjin franziu o cenho ao ver aquilo.
Minho bufou frustrado ao se dar conta de que não poderia fazer a prova apenas com o namorado. Rolou os olhos pelo acampamento, procurando por jisung, mas ele já tinha sua equipe formada.
Chan notou o descontentamento dele e o puxou um pouco para o lado, o mostrando que um pouco mais a frente, Jeongin estava sozinho. Ambos sorriram.
— Guinho! — o loiro chamou. O mentolado o olhou — Vem para cá!
Sorrindo, Jeongin foi até o casal.
— C-certo, vamos para a prova — o professor falou ainda constrangido — A prova é a seguinte: Cada equipe deve montar um percurso com objetos encontrados na natureza, como galhos, pedras, folhas, etc. Depois, os participantes devem passar pelo percurso o mais rápido possível, sem derrubar ou tocar nos obstáculos. A equipe que fizer o trajeto em menor tempo ganha a prova.
Ao terminar de falar, os alunos ficaram animados, mesmo aqueles que se nomeavam sedentários. Logo, o professor tomou o mesmo rumo que os outros, deixando apenas o inspetor Youngjae responsável pelos jovens afoitos.
Kim distribuiu um mapa de todo acampamento para cada equipe e voltou a sentar. Eles tinham 30 minutos para elaborar e fazer suas ideias. Enquanto as equipes se empenhavam em dar o seu melhor, Youngjae observava o ruivo de longe.
Feliz conversava pouco com Hyunjin e logo prestava atenção nos afazeres dos outros. Já hwang, se mordia de raiva ao ver os olhares nada castos que o inspetor lançava para o ruivinho. Ele então passou a acariciar o queixo e fixar seus olhos no Kim, o olhando com fúria. Já Youngjae não se importava e fingia não ver a encarada mortal que recebia do moreno.
O Kim tinha apenas 23 anos e já havia estudado na Hyunmin hight. Se tornou inspetor há dois anos atrás e desde então seus olhos não saíram de cima do ruivo. Era inegável o quão bonito felix era. O quão inteligente e encantador. Ele sempre teve uma beleza única a qual afetava vários garotos e garotas, até mesmo os heteros. E Youngjae não foi diferente. Até conhecer felix, era heterossexual.
Sem aguentar mais todos aqueles olhares e sem conter seus ciúmes, Hyunjin bateu sua mão com força contra o tampo da mesa, assustando o ruivinho. Youngjae sorriu.
— O que foi, Hyunjin?
— Nada.
Sem dar tempo dele falar outra coisa, hwang levantou-se de onde estava sentado e se afastou. Felix não entendeu, mas também não o questionou.
Enquanto isso, as provas estavam para dar início.
O sol despontava no horizonte, tingindo o acampamento com tons dourados. A turma de adolescentes estava agitada, reunidos cada um em sua equipe, prontos para vencer e conseguirem a segunda barraca maior, aquela que todos cobiçavam para as noites estreladas e histórias ao redor da fogueira.
Na equipe 3, chan ergueu o mapa. As árvores, os riachos e os arbustos estavam marcados, e cada detalhe era crucial para o sucesso da corrida de obstáculos. Os outros membros da equipe se inclinaram, estudando o terreno com seriedade.
Jeongin, que era especialista em estratégia, apontou para um conjunto de galhos retorcidos.
— Aqui, vamos criar uma passagem estreita. Quem for mais ágil vai se dar bem.
Bang analisou.
— Essa será nossa ponte improvisada. Vou testá-la. — saltou sobre o riacho imaginário, equilibrando-se com destreza.
— Precisamos evitar as folhas secas. Elas são traiçoeiras. Vou marcar o caminho seguro.
Minho afirmou e yang concordou.
— Aqui está o desafio real. Quem conseguir passar por essas raízes sem tocar nelas merece um prêmio extra.
— Vamos nos divertir, pessoal! É só uma corrida. E a barraca maior será nossa!
Chan sorriu, largando o mapa e abraçando o loiro por trás.
— E vamos aproveitar bem a noite, uh? — beijou o pescoço sensível — Abafar todos os sons...
Jeongin revirou os olhos.
— Ou, casal, eu ainda estou aqui.
Minho ergueu seus olhinhos de gato.
— Se quiser, pode participar também, Innie. Sempre tem espaço pra mais um — sorriu, se fazendo de inocente.
Jeongin gelou, engolindo em seco. Olhou para chan, pronto para levar um soco no rosto, mas ele também sorria. Entendendo o que aqueles dois insinuavam, Yang se animou.
Com o sinal do instrutor, as equipes se dispersaram. Chan liderava o grupo, seguido de perto pelos outros dois. Eles corriam, pulavam, desviavam e riam. O tempo parecia voar enquanto enfrentavam os obstáculos naturais.
Minho deslizou entre os galhos, Jeongin saltou sobre a pedra e dançou pelas folhas. Chan se contorceu entre as raízes e com sua energia contagiante, incentivava todos a continuarem.
No final do percurso, todas as equipes retornaram para a área principal. Todo o trajeto cronometrado.
— Com todos aqui, irei anunciar os vencedores — Youngjae começou — A equipe vencedora, foi... — fez suspense — minho, jeongin e chan! — sorriu mostrando o cronômetro para eles. — Parabéns!
O cronômetro marcava um tempo impressionante. Eles haviam superado os obstáculos, trabalhado em equipe e conquistado a tão desejada barraca maior.
— Agora vamos nos reunir para a trilha, pessoal!
O professor Lee ressurgiu das cinzas com um enorme sorriso no rosto.
...
O sol do verão brilhava alto no céu, lançando raios dourados através das folhas das árvores. O grupo de estudantes, mochilas nas costas e tênis sujos de terra, seguia pelo caminho estreito que serpenteava pela floresta. Hyunjin, com seus cabelos bagunçados e olhos curiosos, andava mais a frente e Felix caminhava ao seu lado, um pouco mais animado e cauteloso.
A caminhada estava boa, não melhor por conta do sol escaldante que caía sobre suas cabeças, deixando os fios dos cabelos quentes. O suor já começava a pingar pelos corpos e rostos e agoniado, Hyunjin arrancou a blusa do torso com rapidez a colocando no ombro. Felix não queria, mas ofegou.
Ficou tentado a falar com ele, saber o que estava o chateando desde a noite passada, mas não achou uma boa ideia. Andou por mais alguns minutos, e de repente foi surpreendido quando uma mão tatuada passou em sua frente, com algumas margaridas. Confuso, olhou para o moreno.
— Pega. — Hwang incentivou.
Um pouco tímido, pegou as flores.
— Obrigado.
Felix sorriu, olhando para as margaridas.
— Você não está chateado? — perguntou preocupado.
Hyunjin o olhou rapidamente.
— Não. Por que eu estaria?
— Ah, bem, você não quis me contar como foi a conversa com a Soha e está um pouco emburrado. Há alguns minutos atrás socou a mesa com tanta força que eu achei que você tinha até mesmo se machucado.
O moreno suspirou.
— Não é nada. — falou, desviando de duas garotas que passaram na frente — O momento de você saber o que aconteceu durante a conversa vai chegar. Não se preocupe.
Felix assentiu e foi para mais perto dele, girando as margaridas nos dedos.
— E o que deu em você para socar a mesa?
— Ciúmes.
— Anh?
O ruivo o encarou confuso.
— A porra do Youngjae não parava de se engraçar pra você. — mordeu a carninha da bochecha. — Ele tava te olhando.
— Ah. Eu não vi isso.
— Agora não importa mais.
Hyunjin ignorou as pessoas que vinham atrás, e puxou felix pela cintura, grudando os corpos. O ruivo corou ao sentir o calor do tórax despido mesmo por cima do fino tecido de sua camiseta.
Youngjae, que vinha um pouco mais atrás, revirou os olhos ao ver aquela cena. Sem perder tempo, apressou os passos até conseguir alcançar o instrutor do acampamento que explicava as coisas que encontravam durante a caminhada. Hwang sorriu ao ver sua pressa.
As outras pessoas também não davam muita atenção aos dois, estavam focadas na explicação do instrutor.
— Bebê, me dá sua mão.
Felix o olhou.
— Pra quê?
— Só me dê.
Dando de ombros, o ruivo estendeu sua mão direita para ele. Hyunjin pegou uma margarida e encaixou no dedinho dele, como uma aliança. Felix novamente ofegou.
— hyun...
O moreno sorriu e o entregou outra margarida. Entendendo o que era para fazer, felix também colocou a flor no dedo dele.
Eles sorriram um para o outro feito bobos e voltaram a caminhar, abraçados.
De repente, Hyunjin parou, deixando felix em alerta.
— O que foi?
Hwang não respondeu. Seus ouvidos captaram um som suave, quase imperceptível: o murmúrio de água corrente. Seus olhos se iluminaram, e ele se virou para o ruivo que o olhava preocupado.
— Gatinho, você ouviu isso?
— Isso o que?
— Esse barulho. É o som de um rio.
Felix franziu a testa.
— Ah, eu não ouvi. Vamos continuar ou vamos acabar nos afastando dos demais.
Hyunjin negou, apertando seus braços na cintura dele.
— Vamos lá.
O ruivo arregalou os olhos.
— Hyunjin, não devemos nos desviar da trilha. O professor disse para ficarmos juntos e não nos afastarmos.
— Ah, amor, estamos quase lá! Não podemos perder essa oportunidade. — sorriu empolgado — Vamos apenas dar uma olhada. Não vamos nos perder.
— Hyunjin...
— Por favor, ruivinho. — selou os lábios bonitos.
Felix olhou para o rosto animado do moreno e suspirou. Estava com medo de acabar se afastando demais e não saber voltar, mas também estava curioso. A água do rio parecia estar fria, gostosa para se refrescar nesse calor.
— Tudo bem, mas só uma rápida olhada.
Hwang sorriu, deixando uma sequência de selinhos nos lábios dele.
— Obrigado, bebê.
Eles esperaram por um momento, até que os outros se afastassem um pouco mais e não percebessem os breves sumiços. Mesmo arrependido de sua decisão, felix acompanhou o moreno. Eles seguiram o som da água. A trilha ficou mais íngreme, e os galhos das árvores se fecharam sobre suas cabeças.
Hyunjin olhava o mapa do local, vendo um rio desenhado no papel. Foi seguindo a mesma direção mapeada e seus sentidos sonoros. Depois de alguns minutos de caminhada, finalmente eles emergiram em uma clareira. E lá estava ele: o rio.
Águas claras e cristalinas fluíam suavemente entre as pedras. O fundo do rio brilhava com pequenas pedrinhas, como joias escondidas sob a superfície.
— Nossa. Isso é lindo. — o ruivo disse abismado.
— A água parece estar na temperatura perfeita para o dia de hoje.
Felix concordou.
— Deve. Mas não vamos entrar. Precisamos voltar para a trilha.
— Ah, qual é, amor? Vai dizer que essa água não é tentadora?
— Claro que é! Mas não vamos entrar.
Hwang deu de ombros, finalmente largando o ruivo.
— Fale por você, não por mim.
Ele foi até a margem, tirando os sapatos e mergulhando os pés na água fria.
Felix também foi até ele. Tirou seus sapatos e mergulhou os pés na água clara. Um suspiro deixou sua garganta quando sentiu a temperatura boa.
— Ah, agora eu queria mergulhar. Nem que por apenas dois minutinhos. — fechou os olhos.
Hyunjin sorriu.
O ruivo abriu os olhos quando ouviu uma movimentação nas águas. Olhou para a mesma direção, arregalando os luzeiros ao ver Hyunjin apenas de cueca e com água batendo nas coxas. Ele estava indo para o rio.
— hwang!
O moreno olhou para trás, sorrindo.
— O quê?
— Volta! Nós temos que ir!
Hyunjin o ignorou e continuou entrando no rio, até que a água estivesse em sua cintura. Mergulhou, nadando para mais fundo.
Quando emergiu, felix ainda olhava na mesma direção. Balançou os cabelos para tirar o excesso de água e gargalhou animado. Jogou água para cima.
— Vem cá, lixie!
— Eu não vou!
Hwang sorriu.
— Quer que eu vá te buscar como fui na piscina do chan?
Felix arregalou os olhos.
— Se você vir, eu nunca mais falo com você!
— Mas que ameaça infantil.
— Então eu nunca mais te beijo!
Hyunjin parou de sorrir no mesmo instante.
— Isso não vale!
— Vale sim!
Hwang ofegou.
— Vem, amor. Por favor. — pediu mansinho — A água está tão geladinha.
Felix negou, mas no mesmo momento se levantou. Hyunjin o olhava, curioso.
O ruivo começou tirando sua camisa e depois a calça. Sem vergonha alguma de estar se despindo em frente aos olhos atentos em todos os seus movimentos. Quando ficou apenas de cueca, passou a caminhar para dentro do rio, um pouco hesitante.
Pensou em voltar à margem, mas a expressão de alegria no rosto de Hyunjin o convenceu. Ele se aproximou até que a água cobrisse suas coxas. Mergulhou e nadou até onde o moreno estava. Emergiu com um sorriso. A água estava refrescante e revigorante.
Hyunjin o puxou para perto.
— Você sempre me arrasta para suas aventuras malucas — disse rindo. — Mas tenho que admitir que vale a pena.
O moreno sorriu e se inclinou para beijá-lo
— E você me deixa doido, sabia? — o beijou mais uma vez — Amo quando você cede assim.
— Ama é?
— Amo.
Hwang não perdeu tempo e atacou os lábios dele outra vez. Os pés flutuavam, deixando os corpos colados emergidos. O vento soprava e as árvores balançavam fazendo um friozinho bom correr na espinha. Hwang levou a mão até o rosto de Felix, aprofundando o contato. Ao separar as bocas, ambos sorriam com as testas grudadas uma na outra.
— Bem-vindo à nossa ilha particular — Hyunjin disse, sorrindo — Aqui, só existem nós dois.
Felix gargalhou gostosinho.
— É tudo muito lindo aqui. As árvores nos protegem do sol, e o som do rio é tão relaxante.
Hwang selou os lábios dele outra vez. Pegou uma margarida e a colocou atrás da orelha do ruivo. Ele riu.
— Onde encontrou tantas margaridas?
— Por aí. — o beijou — Você é a coisa mais bonita que já vi. Até mais que esse rio.
— Você ultimamente está tão romântico.
— Te incomoda?
— Não, eu gosto. — sorriu — Você me deu flores.
— Quero te dar meu coração.
Voltou a beijá-lo.
A correnteza ficou mais forte e eles se separaram apenas para poderem ir para um lugar mais seguro. Próximos a uma parede de pedra, Hyunjin tornou a sugar os lábios inchados. O beijo se tornou mais quente, mais gostoso.
Hyunjin pegou o ruivo no colo o fazendo entrelaçar as pernas em seu quadril. Os lábios finos desceram um pouco mais. Felix arqueja, ofegante. As mãos pequenas emaranhadas nos fios macios e molhados, a boca do moreno em seu pescoço. As costas escorada na pedra antiga.
— H-Hyuj, já chega...
— Uh?
— É melhor voltarmos.
— Só mais um pouquinho — voltou a atacar os lábios cheinhos.
Felix quebrou o beijo.
— Não. Vamos voltar.
— Cacete, amor! Tava tão bom. — reclamou, descansando o rosto no pescoço arrepiado.
— Nós já passamos tempo demais aqui. Temos que voltar. — fez o moreno erguer a cabeça — Você ainda lembra o caminho, não é?
— Lembro. Se eu me esquecer, tenho o mapa.
Felix assentiu.
A contra gosto, Hyunjin saiu do rio levando o ruivo junto. Hora de voltar a trilha.
...
Quando voltaram, já estava de tarde.
A grande área do acampamento estava rodeada por alunos, instrutores e barracas esperando para serem montadas. Era o finalzinho da tarde de um sábado, e no domingo, seria apenas descanso.
Não muito tempo depois, cada grupo que dividiria uma barraca, se posicionaram para montá-la. Os únicos que ficariam em dupla, foram hyunjin e felix por terem a barraca maior após ganharem o sorteio — e roubar no mesmo — e minho, jeongin e chan por terem ganhado a prova em que definiria quem ficaria com a segunda barraca maior.
Agora, o ruivo e o moreno estavam parados um em frente ao outro sem saber por onde começar. Ambos os garotos se entreolharam confusos. Nenhum dos dois faziam a mínima ideia de como montar uma barraca e, de quebra, ainda tinham a maior. Eles tinham uma lona, algumas varetas e um manual de instruções interinamente em inglês que lhes foi dado pelo instrutor do acampamento.
Suspirando frustrado, felix, como o bom dramático que era, jogou-se na grama verdinha e choramingou.
— Que saco! Isso vai ser horrível de montar! — protestou — Aquele instrutor maluco deveria está aqui nos auxiliando e não conversando com o fodido do Youngjae.
Hwang sorriu fraquinho.
— Calma, gatinho. Reclamar agora não vai adiantar nada e a barraca não vai se erguer sozinha. Anda logo.
— Cala a boca, Coelho lazarento! Isso não deveria estar acontecendo! — fez birra, batendo os pés na grama — Eu queria a minha cama agora.
— Eu também, mas infelizmente estamos no meio do mato por vontade sua e daqui a alguns minutos vai anoitecer e não vamos ter onde ficar. Todos já estão terminando de montar as suas próprias barracas, deveríamos fazer o mesmo.
— Eu não sei montar barracas, hwang. Eu nunca precisei montar uma quando fazia parte dos escoteiros.
Hyunjin pareceu minimamente surpreso com aquela informação.
— Você já foi um escoteiro?
— Já. Quando eu tinha dez anos. Foi horrível.
Negando com a cabeça, o moreno ergueu sua mão para o ruivo que o encarava sem entender.
— Vem, precisamos montar a barraca.
Bufando frustrado, felix aceitou a ajuda mas não deixou de reclamar e bater o pé no chão.
— Mas eu não sei!
— Eu também não — revirou os olhos — Só, vamos olhar essa merda e ver se dá para fazer alguma coisa. Se não, eu chamo o instrutor.
Felix assentiu e sem perder mais tempo pegou a grande lona que estava guardada em um saquinho junto com as varetas e começou a tirá-los e entendê-los no chão.
Percebendo que o moreno não fazia nada além de o encarar de cima, ergueu o rosto para ele.
— O que foi?
Hwang deu de ombros e estendeu o manual para o ruivo.
— Tá tudo em inglês e eu não falo nem coreano direito.
Felix passou a observar o que estava escrito ali e tentar entender algo pelos desenhos, mas eles eram péssimos. Para a sorte de ambos, ele era fluente em inglês.
— Certo, primeiro temos que estender a lona no chão. — traduziu o que lia — Depois temos que montar quatro varetas como uma pecinha de lego até que ela fique apenas uma. Precisamos de duas dessas.
Hyunjin assentiu e começou a fazer como dito.
Ao todo eram oito varetas e precisavam juntar quatro para formar uma só, não parecia difícil. Assim que terminou de fazer aquela parte, encarou o ruivo para que ele pudesse continuar falando.
— Depois temos que passar as varetas por um espaço que tem na parte superior da lona. Depois fincar cada ponta das varetas no chão. E só.
— Apenas isso?
Felix concordou.
— Aqui fala que é uma barraca iglu e que não é muito difícil de montar.
— Então já que isso parece fácil, vamos lá.
Com a lona no chão, eles se apressaram em passar as varetas pelos espaços certos, os quais foram descobertos com muito custo. Porém, nada estava dando certo, e as varetas acabavam se desmontando e se perdendo dentro da lona.
— Essas varetas são muito fracas. Não conseguem nem fazer seu próprio trabalho! Não quero mais montar nada!
Bufou birrento e jogou tudo para os ares.
Hyunjin revirou os olhos já se arrependendo de ter trocado os papéis com a garota ao seu lado. Estava estressado e não queria ter que aturar um ruivo mimado.
— felix, olha, reclamar agora não vai ajudar em nada. — suspirou — Nós temos que montar essa merda de barraca para pelo menos aprender alguma coisa na porra dessa aula idiota. — caminhou na mesma direção que o ruivo, parando bem na sua frente — Eu perdi o caralho do meu final de semana para vir para essa porra com você, então não me estressa mais ou eu te jogo no rio!
O ruivo o olhou incrédulo. Ele não teria coragem de jogá-lo no rio com suas águas geladas. Não tinha mesmo.
— Uh, eu não te chamei para dividir a barraca comigo. — deu de ombros — Veio porque quis. Eu vi quando trocou seu papel com o da Yerin.
Hyunjin engasgou com a saliva. Arregalou os olhos e pensou em uma desculpa rápida.
— Eu só queria mais conforto, por isso troquei os papéis. Mas já estou me arrependendo.
— Que troque de lugar com outra pessoa então.
Felix emburrou-se e saiu de seu encalço.
Hwang suspirou derrotado, voltando a seguir o menino mais baixo, até conseguir segurar em seu braço.
— Olha, Lixie, eu não quero brigar, tá legal? — acariciou o pulso dele — Só que você está ainda mais birrento que o normal e sei que está agindo assim só para me irritar, mas já chega, tá bom? Vamos seguir em união e montar de vez essa barraca que quase deu certo.
Felix deu de ombros, se soltando do aperto dele e voltando até a área onde montariam a barraca. Agachou-se com cuidado e pegou duas varetas em cada mão e encaixou a da direita com a da esquerda. Fez a mesma coisa com as outras duas.
Hyunjin também foi o ajudar e passou a juntar as varetas restantes.
O ruivo estava bicudo e concentrado, tentando passar a vareta pela abertura da lona, mas sem sucesso. Se estressava rápido e sempre quebrava as varetas.
— Quase que aquela vez tinha dado certo — protestou, sentando no chão — Talvez se você empurrasse mais forte...
Hwang o encarou desentendido, mas logo botou um sorriso lânguido nos lábios.
— Não se preocupe, amor, à noite eu empurro com a força que você quiser.
Felix revirou os olhos e se concentrou em tentar passar a maldita vareta pela lona.
Hyunjin também fazia sua parte, mas como as varetas teriam que atravessar a lona em formato de X, tudo se tornava mais difícil.
Em um dado momento, o ruivo já completamente enraivado, empurrou a vareta com raiva, fazendo ela sobressair para cima e perfurar a lona. Com os olhos arregalados ele encarou o tatuado que prendia o riso.
Com medo de ser repreendido pelo instrutor ou pelo inspetor, ele olhou para o moreno e apontou o dedo para si.
— Olha o que você fez! Você rasgou a lona!
Hyunjin explodiu em uma gargalhada alta, levando as mãos até a barriga para conter o som da risada e a dor latente no pé da barriga. Ele olhou para o ruivo com os olhos cheios de lágrimas pela crise recente.
— Eu? Você que estava empurrando como um louco! — falou com dificuldades.
— A culpa maior é sua que não sabe seguir um manual simples! — rebateu certeiro.
—Ah, claro bebê, se eu soubesse inglês eu com certeza já teria montado essa merda.
O ruivo revirou os olhos.
— Certo, hwang. Vamos fazer com calma. — suspirou — Eu coloco desse lado e você do outro.
Hyunjin concordou e agora com mais jeito e paciência, eles finalmente conseguiram colocar as malditas varetas cruzadas, dentro da lona. A parte difícil já estava pronta, agora vinha a outra metade. Precisavam fincar as pontas das varetas no chão.
Ambos entraram em consenso e cada um ficou em uma extremidade. Com cuidado, seguraram na ponta da vareta e fizeram pressão para cima, para que com isso, ela perfurasse a grama. Feito isso, felix arqueou uma sobrancelha ao ver que ela ficou meio pendida para o lado, mas decidiu acreditar no processo.
Sem muito custo, fizeram o mesmo com a outra extremidade e como num passe de mágica, a barraca se ergueu e tomou forma.
Sem acreditar que aquilo realmente foi possível, o ruivo se jogou no chão suspirando aliviado. Ergueu as pernas para o alto e as balançou no ar como uma criança animada.
Hyunjin sorriu como um bobo. Ele poderia passar horas ali, apenas observando aquele sorriso bonito e a alegria iminente do ruivinho. Mas já era noite, todas as outras barracas já estavam montadas e as fogueiras já estavam sendo acesas. Mesmo com o coração errando as batidas, foi até ele.
— Lixie, levanta daí. Daqui a pouco vamos nos reunir em volta da fogueira que está sendo feita e contar histórias de terror.
O ruivo arregalou os olhos.
— Eu não quero. Tenho medo.
Hyunjin sorriu.
— Eu te protejo, amor. — estendeu a mão para ele — Podemos comer marshmallows.
— Isso eu quero.
Aceitou a mão dele e ficou de pé, já sem fazer birra.
— Vamos pra barraca, eu quero ficar agarradinho com você enquanto não vem nos chamar.
Felix assentiu e o seguiu até dentro da barraca. Nela, já havia cobertores macios para que dormissem confortavelmente, travesseiros fofinhos e as bolsas de ambos, com seus itens.
Assim que entraram na barraca grande demais para duas pessoas, o ruivo jogou-se nos lençóis, dramático. Hyunjin fechou o zíper que tinha na lona, deixando a barraca inteiramente escura pela escassez de iluminação.
— Estou tão cansado, nem sei se quero sair daqui. Poderia só fechar os olhos e dormir. — fechou os olhinhos.
Hyunjin sorriu para o jeitinho mimado dele e começou a mexer em suas coisas. De dentro da bolsa retirou uma vela que sua mãe o fez trazer, dizendo que seria necessário caso não houvesse mais luz. Ficou mais um tempinho ali, observando as coisas que tinha lá dentro.
Felix acabou se levantando assustado quando viu uma pequena chama clarear por dentro da lona. Hyunjin tinha um sorriso largo no rosto e um palito de fósforo aceso entre os dedos, pronto para acender a vela.
Com medo do que poderia acontecer, o ruivo tomou o palito das mãos dele e o apagou imediatamente.
— Você tá maluco? Quer incendiar a barraca? — perguntou atônito.
— Não, eu só quero criar um clima.
— Um clima de inferno?
O tom sarcástico em sua voz fez com que o moreno acabasse gargalhando alto.
Hwang levou a mão até a cintura pequena e com delicadeza, deitou o corpo do baixinho novamente, ficando por cima, mas sem depositar todo o peso sob ele.
— Não. Um clima romântico e erótico para nós dois. — arrastou o nariz no pescoço arrepiado — Para podermos comemorar essa conquista que foi montar a barraca.
Hyunjin passou a deixar leves selares no pescoço do ruivo e felix não sabia como e nem quando, os dois desencadearam aquela intimidade toda, ao ponto de discutirem e logo estar aos beijos e amassos. Mas sabia que gostava e queria mais.
O tatuado aumentou a velocidade e o ritmo de seus beijos, deixando o ruivo molinho. Mas, por mais que felix quisesse mais daquele contato, ali não era o lugar e nem o horário para aquilo, por isso com muito pestanejar, conseguiu formular uma frase coerente ainda que fosse arrastada e manhosa. Muito manhosa.
— hyun, para...
Hyunjin sorriu contra seu pescoço o arrepiando ainda mais.
— Parar? Agora que estava ficando bom, amor. — guardou uma mecha ruiva atrás da orelha quentinha — Eu tô louco pra te beijar agora. E continuar o que começamos no rio.
— Agora não é o momento.
— Agora é o momento sim! Eu tô querendo te beijar ha muito tempo.
Levou seus lábios para próximo dos do ruivinho e quando estavam prestes a se tocarem, felix desviou, fazendo o beijo ser depositado em sua bochecha.
— Mas você me beijou hoje. E se quisesse me beijar ontem, não teria ido conversar com a songamonga da Soha. Invés disso, deveria ter ficado com seus irmãos como era para ter sido. — voltou a encará-lo.
— Pra quê esse ciúme todo, amor? Você sabe que meu coração é só teu.
— Conta outra, malandro.
Choramingando, Hyunjin voltou a descansar seu rosto no vão do pescoço do ruivo e agora acariciava os fios de sua cabeleira o fazendo ronronar manhoso pelo carinho que recebia.
— Tô falando a verdade, Cenourinha. — fingiu um chorinho — Eu preciso te beijar ou vou acabar morrendo.
Felix gargalhou fraquinho.
— Você andou bebendo?
— Só o suco do seu amor, ruivinho lindo.
Felix não aguentou e dessa explodiu em uma gargalhada alta e gostosa, arrancando um risinho baixo do moreno.
Encantado com aquele som que tanto amava escutar, o rebelde levantou a cabeça e encarou o rostinho vermelho, que mesmo na escuridão da noite, ainda era possível ver as poucas sardas. Admirado, levou a palma até a bochecha cheinha e acariciou com gentileza. Felix parou de gargalhar e agora encarava o moreno no fundo dos olhos.
Aquela simples troca de olhares fez o coração traiçoeiro do tatuado pular eufórico na caixa torácica e ele não negava mais que estava de quatro para aquele ruivo. A escola inteira já sabia e ele não fazia questão de esconder.
Para ele que sempre foi de se envolver com muitos, era uma grande surpresa sentir que estava apaixonado pelo cara que deveria odiar por ser simplesmente o melhor aluno. Mas não se importava mais. Sem aguentar aquela tensão entre eles, hwang finalmente grudou as bocas e dessa vez felix não protestou.
Os lábios dançavam em harmonia e as línguas brigavam por espaço, querendo sempre sobressair uma à outra. A mão do moreno que em nenhum momento deixou a cintura do ruivo, deslizava com destreza por ali, e sempre que queria ouvir o baixinho suspirar deleitoso, apertava a pele sensível.
Felix levou suas mãos até o corpo do hwang, envolvendo o pescoço dele. O corpo maior em cima do seu não o incomodava e nem interferia no momento deles, apenas deixava tudo mais saboroso. Hyunjin ondulava o quadril aprofundando o beijo e felix arqueava as costas, fazendo os corpos terem um encaixe perfeito.
Em um movimento rápido, o ruivo girou os corpos fazendo com que agora o moreno ficasse por baixo. Tal movimento o pegou de surpresa e ele o olhou desacreditado.
— Caramba, ruivinho.
— Gosto de ficar por cima.
Falou rápido e voltou a beijá-lo.
Hyunjin segurou a cintura pequena com vontade, aprofundando o beijo que tanto amava.
Se beijaram com fome se deixando levar por todo aquele momento bom. Felix se movia em cima do moreno, arrancando gemidos e arfadas dele. O beijo estava tão bom, que eles sequer perceberam que alguém se aproximava, e só notaram quando ouviram:
— Ei casal, já está na hora de irmos para a fogueira.
Era minho que os chamava.
Eles separaram os lábios rapidamente e soltaram alguns risinhos ao verem o estado em que ambos se encontravam; corpos suados, cabelos desgrenhados, roupas amassadas e muito, muito excitados.
Depois que o Lee se afastou da barraca, eles ficaram lá dentro por mais um tempinho, esperando que os corpos se acalmassem um pouco, para só então, se reunir aos demais.
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