05

O dia mais esperado por todos os jogadores dos Devils, finalmente havia chegado. Era o momento em que disputariam um jogo árduo contra o time visitante da Seul High School; Os Demons.

O time visitante acabara de chegar em Busan, depois de 2 horas e 15 minutos viajando em um ônibus escolar, mas não pareciam cansados. Uma das desvantagens que um time visitante tinha, era a viagem longa e cansativa de seu lugar de conforto, até o lugar do outro time, o que os deixava mais indispostos no jogo. Mas os Demons não. Eles estavam afoitos e empolgados.

A maioria dos alunos de ambas as instituições se encontravam na quadra da Hyunmin, animados para o jogo. Já os jogadores, se trocavam nos vestiários.

Hyunjin havia acabado de tomar banho e estava prestes a vestir o uniforme do time, quando trombou com Choi San, o capitão dos Demons. Os times já haviam se enfrentado algumas vezes e mesmo com toda a rivalidade na hora do jogo, podiam-se considerar bons amigos.

— Choi San, a quanto tempo! — hwang o cumprimentou com um aperto de mãos.

San sorriu mostrando seus dentes brancos.

—hwang hyunjin, digo o mesmo. — deram um curto abraço — O que aconteceu no seu rosto, mano?

Hyunjin fez uma caretinha.

— Meio que eu fiz uma merda ontem a qual eu me arrependo.

— Entendo, é normal fazermos cagada e depois se arrepender.

Eles continuaram conversando mais um pouco até o capitão do Demons ser chamado por alguém.

— Vamos, amor.

Hwang ergueu uma sobrancelha.

Aquele era Jung Wooyoung e se não lhe falha a memória, um dos armadores do time adversário. Não sabia que eles namoravam.

— Vamos sim, neném. — sorriu para o namorado — Até mais, hwang! Boa sorte!

Hyunjin assentiu e foi se vestir.

Antes do início do jogo, as líderes de torcida dos Devils e dos Demons se posicionam na quadra, cada uma em um lado. As garotas dos Devils vestiam uniformes vermelho e branco, combinando com o uniforme dos garotos. Carregavam pompons brilhantes da mesma cor com alguns detalhes em dourado. Já as garotas dos Demons, usavam os uniformes na cor azul e preto, também combinando com o dos jogadores, e seus pompons eram prateados, e sem brilho algum.

As meninas do lado esquerdo, onde se encontrava a torcida dos Demons, estavam um pouco acanhadas e nervosas, enquanto as meninas do lado esquerdo sorriam e acenavam para a sua torcida, que as aplaudiam e as incentivavam.

Soha caminhou um passo à frente com um grande sorriso no rosto, e mandou beijinhos para todos os lados, era o seu momento de brilhar e representar todas as garotas vermelhinhas. Ela curvou-se e voltou para seu lugar, ficando, claro, um passo mais à frente que as demais garotas

A música começou a tocar e as líderes de torcida iniciaram a sua apresentação. Elas faziam coreografias sincronizadas e acrobacias impressionantes, mostrando a sua habilidade e a sua graça. Mesmo que fossem de times diferentes, elas dançavam em harmonia e sincronia, nunca retirando o sorriso bonitos dos lábios pintados por batom.

Elas cantam e gritam palavras de ordem, animando a torcida e motivando os seus times.

As líderes de torcida dos Demons, agora sem mais nervosismo ou medo, davam o seu melhor, fazendo pirâmides humanas e saltos mortais, demonstrando a sua força e a sua coragem. Elas cantam e gritam:

"Demons é o nosso nome, o time mais forte. Ninguém pode nos parar, nem mesmo a sorte!
Jogamos com raça, com garra e com paixão. Vencemos qualquer desafio, somos a sensação!
Demos, Demons, Demons, é o nosso lema.
Demons, Demons, Demons, é o nosso tema.
Vaaaai, Demons!"

Logo voltam a dançar e pular.

Soha sempre que ouvia o grito de guerra do time adversário, revirava seus olhos invejosos. Aquilo era péssimo! Não havia um pingo de coerência. Clareando a garganta, a morena voltou a se concentrar em seu próprio espetáculo.

As líderes de torcida dos Devils estavam mais confiantes, afinal, estavam em casa. Mas toda essa confiança também era sensação de superioridade, era sempre assim. Elas faziam rodas e espacates, exibindo a sua flexibilidade e a sua elegância. Davam piruetas agonizantes para que via de fora e jogavam os corpos das garotas menores, sobre as maiores, como uma torre. Não diferente das garotas do time adversário, elas também cantavam e gritavam a plenos pulmões:

"Nós somos os Devils!
Avançamos antes da arbitragem. Nós temos a velocidade, a força e a coragem!
Somos invencíveis, não há quem nos detenha. Conquistamos a vitória, seja na quadra ou na arena!
Devils, Devils, Devils, é o nosso rugido!
Devils, Devils, Devils, é o nosso sentido!
Vaaaai, Devils!"

Voltaram a fazer suas piruetas e acrobacias.

A apresentação das líderes de torcida duraram cerca de 10 minutos, e ao final, elas se juntam no centro da quadra e se cumprimentam, mostrando o seu respeito ao seu esporte, mesmo que a maioria das garotas da Hyunmin não ligassem para tal gesto. Logo saem da quadra e vão para as arquibancadas, onde continuam a torcer pelos seus times.

A torcida aplaude e vibra com a apresentação das líderes de torcida, que foi esplendorosa e emocionante. Elas, assim como todos os outros alunos, se preparam para assistir ao jogo, que promete ser disputado e eletrizante.

Os jogadores dos Devils e dos Demons entram na quadra, cada um em seu respectivo lado. Eles vestem camisas e calções com os números, cores e os nomes dos seus times. Antes do início da primeira partida, se aquecem e se alongam, se preparando para o jogo. Eles se cumprimentam e desejam boa sorte, mostrando o seu fair play e o seu espírito esportivo.

Os jogadores dos Devils são mais altos e mais fortes, e confiam na sua potência e na sua defesa. Eles têm como destaque o seu capitão, que era o mais alto e o líder do time. E mesmo que fosse apenas um jogo intercolegial, eles tinham como objetivo manter a sua invencibilidade e sustentar o título de campeões.

Os jogadores dos Demons apesar do físico, são mais rápidos e mais habilidosos, e apostam na sua velocidade e no seu ataque. Eles têm como destaque o seu armador, que é o melhor driblador e o cérebro do time e como objetivo, surpreender os Devils e levar o troféu.

Os jogadores dos dois times se posicionam na quadra, uns vão para o embate e os outros para o banco. Eles se concentram e se motivam, sabendo que esse é só mais um jogo escolar, mas orgulhosos e sedentos como todos eram, não queriam perder.

O árbitro apita e o jogo começa.

O jogo começa com o salto inicial entre os pivôs dos dois times. Hyunjin, como o novo pivô dos Devils, salta mais alto e toca a bola para o seu armador, Jeongin, que parte em velocidade para o ataque. O mentolado dribla pelo meio da quadra e passa a bola para o ala mais próximo, que está na zona morta. Hansol recebe a bola e arremessa de três pontos, mas erra. O rebote fica com o ala-pivô dos Demons, que passa a bola para o seu armador.

Wooyoung, o armador dos Demons conduz a bola com calma e organiza a jogada. Ele aciona o ala, que corta para o garrafão. Seonghwa recebe a bola e faz um giro sobre o seu marcador, mas é bloqueado pelo pivô dos Devils, que recupera a bola e a passa novamente para o seu armador.

Jeongin acelera o ritmo e lança a bola para seungmin, o ala-pivô, que está livre na frente. O também co-capitão, pega a bola e enterra com força, levantando a torcida dos Devils. Os Devils abriram o placar com 2 a 0.

O armador dos Demons pede a bola e reinicia o jogo. Jung dribla pela esquerda e faz uma finta sobre o seu marcador, que cai no chão. Ele avança até a cesta e faz uma bandeja, mas é atingido pelo capitão dos Devils, que faz uma falta intencional sobre ele. O árbitro apita e marca dois lances livres e a posse de bola para os Demons.

Irritado, Hyunjin se afasta, recebendo um olhar mortal do capitão dos Demons. Não queria machucar o armador e também namorado dele, mas nunca conseguia se concentrar ao ver que poderia estar perdendo. Secando o suor que escorria pelo rosto, lançou um olhar para a arquibancada, procurando por alguém. Logo a cabeleira ruiva, a que mais se destacava dentre todas as outras, foi avistada por si.

Felix também o encarava, e tinha um olhar preocupado e aflito. Deixou um sorrisinho maroto escapar e logo piscou o olho que não estava todo ferrado para ele. Mas logo saiu de seu transe quando sentiu seu corpo ser empurrado com força, o fazendo cair com tudo no chão.

Ainda zonzo, tentou clarear a visão para ver seu agressor e ele era um dos alas dos Demons, que não estava nada contente por ele ter interferido o armador. Tudo bem, isso ele mereceu.

Chan estendeu a mão o ajuntando a se erguer.

— Tá tudo bem? — perguntou preocupado.

— Sim.

— Seu rosto não dói?

— Não, eu tô bem. — mentiu.

Bang concordou, parecendo aceitar a desculpa.

— Vamos voltar.

Hyunjin assentiu e logo eles se posicionaram para continuar o jogo. Mas antes, Hwang olhou outra vez para a arquibancada, vendo que o ruivo ainda o olhava fixamente e com os olhos arregalados. Voltou sua atenção à quadra.

Em uma velocidade absurda, o armador dos Demons vai para a linha do lance livre e converte os dois. O placar mostra 2 a 2. Ele recebe a bola novamente e faz o arremesso lateral. passa a bola para o ala-pivô, que está na cabeça do garrafão. Minjae finge um arremesso e dribla para o lado, mas é interceptado por Minseok, o outro ala dos Devils, que rouba a bola e sai em contra-ataque.

O ala dos Devils corre pela direita e passa a bola para o capitão, que estava atento na esquerda. Hyunjin recebe a bola e arremessa de três pontos, mas por conta do olho inchado e com apenas um "funcionando", acerta a tabela. Frustrado, ele solta um grito estridente e se afasta.

O rebote fica com o pivô dos Demons, que passa a bola para o seu outro armador.

Yoonseok muda de direção e passa a bola para o ala, que está na linha dos três pontos. Park recebe a bola e arremessa de três pontos, mas erra. O rebote fica com o ala-pivô dos Devils, que passa a bola para o seu ala-armador.

Chan faz um passe longo para o segundo pivô, que está sozinho debaixo da cesta. Youngmin pega a bola e enterra com facilidade, ampliando a vantagem dos Devils para 4 a 2.

O jogo segue nesse ritmo, com os Devils dominando as ações e os Demons tentando reagir. O árbitro apita, anunciando o fim do primeiro quarto com o placar de 22 a 11 para os Devils.

Com o jogo parado, os jogadores se sentam para descansar. Hyunjin bebe duas garrafas de água de uma só vez, parando para regular a respiração. Enquanto limpava o suor do pescoço com uma toalha de rosto, o treinador os incentivava.

— Muito bem, garotos! Vocês estão jogando demais! Estou orgulhoso de vocês.

— Obrigado, treinador! — todos os jogadores falaram em uníssono, em um coro de vozes.

— Estão indo bem, mas não se acomodem, ainda temos três quartos pela frente. Os Demons não vão desistir tão fácil. Eles têm jogadores rápidos, habilidosos e estrategistas. Eles vão tentar nos pressionar, nos desestabilizar, nos provocar.

— Nós sabemos, treinador. — Jeongin respondeu, bebendo mais água.

— Então vamos manter o foco, a disciplina e a confiança. Vamos continuar com a nossa estratégia ofensiva, que está funcionando muito bem. Vamos explorar as fraquezas deles na defesa, usando cortes, passes e telas. Vamos procurar os arremessos abertos, mas sem precipitação. Vamos rodar a bola, envolver todos os jogadores, fazer o tempo passar.

— Sim, senhor! — responderam novamente em uníssono.

— E na defesa, vamos continuar com a nossa marcação individual, mas com ajuda coletiva. Vamos fechar os espaços, contestar os arremessos, forçar os erros. Vamos pegar os rebotes, iniciar os contra-ataques, aproveitar as oportunidades. — brandou — E o mais importante, vamos jogar com espírito de equipe, com respeito, com fair play. Vamos nos apoiar, nos incentivar, nos comunicar. Vamos jogar com alegria, com paixão, com amor pelo basquete.

Os jogadores assentiram.

— Agora vamos lá, pessoal! Vamos mostrar quem são os verdadeiros Devils. Vamos dar o nosso melhor, vamos lutar até o fim, vamos vencer esse jogo!

— Vamos, Devils!

Os jogadores se levantam, e alguns continuaram sentados para serem substituídos pelos que não jogaram no primeiro quarto. Todos se abraçam e voltam para a quadra, motivados e determinados. O treinador os acompanha, satisfeito e confiante.

Hyunjin continua sentado, com uma dor latejante na cabeça, mas sem se importar muito. Ao seu lado, chan limpava o próprio suor, lançando olhadelas desconfiadas para o melhor amigo.

O segundo quarto começa com os Demons pressionando a saída de bola dos Devils. Eles conseguem forçar alguns erros e diminuir a diferença para 27 a 20. Os Demons pedem um tempo e ajustam a sua estratégia. Logo voltam a jogar com mais intensidade e precisão, abrindo uma vantagem de 10 pontos. O segundo quarto terminou com o placar de 44 a 34 para os Devils.

O terceiro quarto começou com os Devils mantendo o controle do jogo. Eles exploram as falhas da defesa dos Demons e fazem cestas fáceis. Os Demons tentam reagir, mas não conseguem parar o ataque dos Devils. O terceiro quarto terminou com o placar de 66 a 54 para os Devils.

O quarto quarto começa com os Demons jogando com mais garra e determinação. Eles aumentam a agressividade na defesa e no ataque, e conseguem reduzir a diferença para 6 pontos. Os Devils sentem a pressão e começam a errar mais, mas não se desanimam. Os Demons aproveitam e encostaram no placar, faltando apenas 2 minutos para o fim do jogo. O placar mostra 76 a 74 para os Devils.

Os Devils pedem um tempo e tentam se acalmar. Eles voltam a jogar com mais confiança e conseguem fazer mais 3 pontos, faltando apenas 1 minuto para o fim do jogo. O placar mostra 79 a 74 para os Devils.

Os Demons têm a posse de bola e tentam armar uma jogada rápida para empatar ou virar o jogo.

A torcida está em polvorosa no ginásio da hyunmin High School, onde os Devils e os Demons disputam o título do campeonato de basquete escolar. O placar mostra 80 a 76 para os Devils, faltando apenas 10 segundos para o fim do jogo. Os Demons novamente têm a posse de bola e tentam armar uma jogada rápida para empatar o jogo que virar era quase impossível.

O armador dos Demons dribla pela lateral da quadra, mas encontra a forte marcação do capitão dos Devils, que não dá espaço para ele avançar. Ele passa a bola para o ala, que está livre na linha dos três pontos. O ala recebe a bola e se prepara para arremessar, mas é surpreendido pelo pivô dos Devils, que salta para bloquear o seu chute.

O ala dos Demons hesita por um instante e decide passar a bola para o ala-pivô, que está no garrafão. O ala-pivô pega a bola e tenta fazer uma bandeja, mas é impedido pelo pivô dos Devils, que faz uma falta dura sobre ele. O árbitro apita e marca dois lances livres para o ala-pivô dos Demons.

A torcida dos Devils vaia e protesta contra a marcação, enquanto a dos Demons comemora e incentiva os seus jogadores. O ala-pivô dos Demons respira fundo e se concentra para cobrar os lances livres. Ele precisa acertar os dois para empatar o jogo e levar a decisão para a prorrogação.

Ele arremessa o primeiro lance livre e acerta. O placar mostra 80 a 79 para os Devils, faltando apenas 3 segundos para o fim do jogo. Ele arremessa o segundo lance livre e erra. A bola bate no aro e sai pela lateral. O árbitro apita e dá a posse de bola para os Devils.

O capitão dos Devils pediu um tempo, o que foi protestado pelos torcedores do time adversário, já que faltavam apenas 3 segundos de jogo. Com o tempo concedido, ele chama os seus companheiros para uma conversa rápida. Hwang diz para eles se posicionarem na defesa e não deixarem os Demons pegar o rebote. Eles estão a um passo de conquistar o título e não podem vacilar agora.

O tempo acaba e o jogo recomeça. O ala dos Devils faz o arremesso lateral e passa a bola para o armador, que segura a bola e espera o tempo acabar. O armador dos Demons tenta roubar a bola, mas não consegue. O cronômetro zera e o árbitro apita o fim do jogo, com a vitória do time da casa.

Os torcedores dos Devils vibraram com mais uma conquista e comemoraram entre si. Já os jogadores se abraçam, enquanto os Demons se lamentam e se consolam. Alguns amigos próximos, e até mesmo ficantes dos jogadores do time da casa, invadem a quadra e celebram com os jogadores. Os Devils são os campeões do campeonato de basquete intercolegial.

O capitão dos Devils pega o troféu e ergue para o alto, sendo ovacionado pela torcida. Os outros jogadores do time se revezam para segurar o troféu. Eles expressam a sua felicidade e a sua emoção por terem conquistado o título.

Os Devils fazem uma volta olímpica pela quadra, carregando o troféu e acenando para a torcida. Eles cantam e dançam, mostrando a sua alegria e a sua satisfação. Eles tiram fotos e vídeos, registrando a sua glória e a sua história.

Alguns abraçam e beijam os seus namorados e namoradas. Eles celebram a vitória com todos os que amam os Devils.

Os Devils saem da quadra e vão para o vestiário, onde continuam a festa. Eles jogam água e espumante uns nos outros, rindo e gritando. Fazem brincadeiras e piadas, divertindo-se e relaxando. Eles trocam elogios e cumprimentos, valorizando-se e respeitando-se. Eles compartilham sentimentos e emoções, unindo-se e fortalecendo-se. Eles festejam a vitória com todos os que são os Devils.

Depois que a algazarra já estava um pouco mais contida, Hyunjin deixa o vestuário e segue de volta para a quadra até as arquibancadas. Não tinha motivos para ir até lá, só queria ir porque um certo ruivinho ainda estava sentado naquele lugar. Seu melhor amigo também estava, com o loiro em seu colo, o enchendo de beijos. Do outro lado do ruivo, o outro amigo dele, também beijava seu namorado do clube de matemática e felix apenas revirava os olhos.

Hyunjin sorriu um pouco ao ver o bico irritado que ele tinha. Quando o ruivo percebeu o tatuado vindo em sua direção, levantou-se num pulo e sem ao menos perceber, seus pés já o levavam até ele. Mas antes que pudesse chegar em sua frente, sentiu quando uma pessoas passou por si correndo, esbarrando em seu ombro em meio toda correria. O vento causado do corpo afoito bagunçou seus cabelos.

O moreno se assustou quando foi abraçado com força.

— Parabéns, Hyunjin! Você foi perfeito, meu amor! — a garota o apertou com mais força.

Mesmo sendo abraçado pela morena, Hyunjin não deixou de encarar o ruivo que estancou no lugar. Ele parecia incerto e um pouco constrangido.

Viu quando ele desviou o olhar e abaixou a cabeça, mas não teve tempo de fazer muita coisa porque foi surpreendido quando sentiu os lábios da garota nos seus, os apertando.

Imediatamente seus olhos se arregalaram e sem pensar duas vezes a empurrou, sentindo uma dor irritante no corte dos lábios.

— Porra, Soha!

Levou os dedos até a boca, choramingando baixinho.

— Eu te machuquei? — ele concordou — Nossa, desculpa. Eu não sabia que ainda estava doendo.

Ele revirou os olhos por tamanha lerdeza da garota.

— Esquece.

— Seu rosto ainda dói? — Soha falava mansa, mas em um tom de voz mais alto para que alguém ouvisse.

— Pra cacete.

Ela olhou em seus olhos e bufou, como se aquilo fosse óbvio.

— Mas também, não é, Hyun? Olha como você fez esses curativos, eles soltaram todos com o suor e com toda aquela correria. Deve ter entrado sujeira nos machucados por isso estar doendo tanto. — falou quase indignada — Olha como colou os band-aids. Isso está péssimo!

Ela continuou falando enquanto Hyunjin olhava para o ruivo. Ele tinha os olhos arregalados como se tivesse ouvido parte da conversa e por algum motivo ele se sentia mal por aquilo. Os curativos não estavam ruins, só haviam sido feitos no início da manhã. Sim, Felix fez questão de refazê-los antes do jogo.

— Se eu soubesse fazer curativos, já teria feito um bem melhor em você, Hyun — continuou falando — Não acha melhor ir ao hospital?

Ele não respondeu. Em vez disso, saiu correndo atrás do ruivo que em um dado momento, havia saído dali sem que ele o visse, deixando a garota tagarelando sozinha.

Ao sair da quadra, viu apenas a sombra da cabeleira ruiva dobrar um corredor e seguir até o banheiro. Fez o mesmo.

Quando chegou em seu destino, viu que Felix tinha as duas mãos segurando a borda da pia com força, e sua cabeça estava abaixada, não vendo quando ele chegou. Confuso, mas ao mesmo tempo certo do que queria fazer, envolveu o corpo dele com os braços fortes e tatuados, o fazendo dar um pulinho pelo susto.

— Hwang, me larga. — falou convicto, ainda com a cabeça baixa.

— Como sabe que sou eu? — Hwang murmurou nas costas dele.

— Eu conheço o seu cheiro. Agora me larga.

Ainda relutante, Hyunjin o soltou e se afastou minimamente. Com os dois separados, Felix rodou sobre os pés e encarou o moreno, bicudo.

— O que foi agora?

Felix nada respondeu. Apenas olhou para seus ferimentos, onde os band-aids já se desgrudaram e o sangue que escorria começa a secar.

— Me desculpa se não sei fazer curativos, Hyun — foi irônico.

Hyunjin gargalhou fraquinho e voltou a se aproximar dele.

— Então é isso? — sorriu — Não fique chateado, amor. Eu não disse isso.

Ele deu de ombros.

— Mas sua namorada disse.

Hwang revirou os olhos.

— Ela não é minha namorada, Felix.

— Não é isso o que ela acha. — cruzou os braços.

— Foda-se o que ela acha. Eu também estou envolvido nisso. Acha que minha opinião não importa? — ele não respondeu — Está com ciúmes?

Felix arregalou os olhos e se afastou dele.

— Claro que não! Por que eu teria ciúmes de você? — se fez de durão — E sua namorada deveria ao menos aprender a fazer um bom curativo para cuidar do moreninho rebelde dela, não acha? Eu também não sou ótimo com cuidados, mas dei o meu melhor!

Hyunjin estalou a língua no céu da boca e conteve um risinho. Não iria discutir com o ruivo sobre Soha ser ou não a sua namorada, porque de fato, ela não era. A garota poderia até achar isso e sair fofocando com as amigas que namorava o capitão, porque ele não se importava.

Já em frente ao ruivo, segurou a cintura dele com ambas as mãos e as manteve lá, fazendo uma leve pressão e vez ou outra, um singelo carinho.

— Não altere sua voz, ruivo. Não fazem nem mesmo 24 horas desde que prometemos nunca mais brigar.

Felix bufou irritado, mas não falou nada. Olhou para os band-aids descolando e quando foi retirar o da sobrancelha, Hyunjin se esgueirou para trás.

— Fica quieto!

Obedecendo ao que lhe foi ordenado, Hwang voltou a parar no lugar e relaxou os músculos. Voltou o rosto para o mesmo lugar, mais próximo do rosto rechonchudo e emburrado. Felix com a pontinha dos dedos e muito cuidado, retirou os dois band-aids que ainda restavam. Caminhou até uma das cabines e descartou-os no cesto de lixo.

Hyunjin observou todo seu trajeto e em um dado momento, se encostou na bancada da pia, apenas esperando que o ruivo voltasse para iniciarem algo como uma conversa. Mas para sua surpresa, não foi isso o que aconteceu.

O ruivo parou ao seu lado e o encarou por alguns minutos, logo depois enfiou as mãos pequenas nos bolsos da calça e retirou de lá um pouco de algodão, band-aids novos e o mesmo tubinho de líquido transparente. Colocou tudo em cima da pia.

Hwang sorriu.

— Então já veio preparado, ruivinho?

O som de sua voz repentina assustou o menino que saltou para frente.

— Cale a boca, Hwang.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Por quê?

Felix tirou um pedacinho do algodão e o molhou com o líquido que até agora ele não sabia o que era, mas também não perguntaria. Depois, voltou-se até o moreno com a mão erguida. Parecia nervoso.

— Porque se você falar vai piorar o estado da sua boca. — falou e pareceu analisá-lo — Seu maxilar ainda está um pouquinho inchado. O corte da bochecha já está melhor, o lábio ainda está roxo e o olho nem se fala. Acho que o Mingyu quis fazer picadinho dele.

— Quanto vai me custar pelo check-up completo? — ironizou — Posso pagar em beijos e dividir as parcelas em 10 vezes com juros?

Felix revirou os olhos.

— Você pode pagar calando a sua boca. — rebateu certeiro.

Hyunjin sorriu de canto e fez um movimento com os dedos passando pela boca, como um zíper sendo fechado. Felix suspirou começando a passar o algodão pelo sangue seco do machucado da sobrancelha, passou um pouquinho de pomada e colocou mais um band-aid.

Depois passou a pomada no corte da bochecha que já estava bem melhor. Quando foi limpar o ferimento do lábio, Hyunjin xingou pela dor e levou novamente as mãos até a cintura fina, descontando a dor que sentia na carne macia. Felix soltou um gritinho.

— Não me toque, Hyunjin! — brandou ríspido.

— Ontem, quando... uh, quando eu apertei suas coxas você.. ai... não reclamou. — tentou falar, com dificuldades em meio a dor que sentia. Felix passou o algodão em seu lábio com mais força — Ai, gatinho!

— Bem feito! Eu mandei ficar quieto e você não me ouviu.

— Mas eu nem fiz nada...

— Calado!

O moreno se calou e Felix soltou um risinho. Com cuidado, colocou o band-aid em seu lábio.

Com os olhos atentos do capitão sobre si, o ruivo tirou uma gaze e um pedaço de esparadrapo do bolso. Molhou mais um pedaço de algodão com o líquido transparente e quando estava prestes a limpar o olho inchado dele, Hyunjin foi mais rápido ao segurar sua mão.

— O que é isso, ruivinho?

— Isso o quê?

— Essa água que você molha o algodão.

— É soro fisiológico, Hwang.

Ele assentiu e soltou o pulso dele, o permitindo cuidar de seu olho. Felix passou o algodão com o soro em cima do olho fechado pelo inchaço, com delicadeza. Depois de higienizar a região, abriu a embalagem da gaze, a retirando. Pressionou a gaze sobre o olho dele.

— Segure com cuidado — ordenou.

Hyunjin levou seus dedos até a gaze sobre seu olho e a segurou assim como lhe foi dito. Logo, o ruivo pegou o pedaço de esparadrapo e removeu a película que protegia sua cola. Ao que ia colando o esparadrapo na gaze, hwang ia tirando seus dedos aos poucos.

— Pronto. Isso vai ajudar a não entrar sujeira e acredito que vá diminuir o inchaço.

Hyunjin assentiu, ainda com as mãos em sua cintura. Ele passou a acariciar com leveza a pele do outro, deixando um sorrisinho aparecer. Agora com um olho tapado ele só conseguia ver o ruivo pelo o único olho bom.

Mas isso não o impediu de apreciar a beleza de lee felix. Os cabelos ruivos, ironicamente nesse dia em específico, estavam mais laranjas, as saradas mais aparentes, as bochechas e a pontinha do nariz avermelhados e os lábios... ah, os lábios. Eles estavam ainda mais atraentes e beijáveis.

Suas mãos apertaram a carne da cintura dele com um pouquinho mais de força, causando um ofegar necessitado da parte do ruivo. Constrangido, felix desviou o olhar, encarando seus pés.

— Obrigado, gatinho.

Felix não respondeu. Ele levou suas mãos pequenas até as tatuadas, as retirando de sua cintura. Ainda de cabeça baixa, se afastou.

Hyunjin notou um possível desconforto em seu olhar, e por isso, achou que o motivo de sua expressão foi o seu toque e para tentar aliviar o clima, disse a primeira coisa que veio em sua mente:

— Eu e os caras vamos comemorar a nossa vitória. — começou, incerto. Felix ergueu uma sobrancelha — Então, eu meio que... sabe...

— O quê...?

Hyunjin pareceu paralisar e empalidecer. Ele ficou calado, tendo surtos internos sobre o olhar dos olhos âmbar. Suando frio, não enrolou mais quando colocou pra fora:

— Você não quer ir também? Nós vamos em um bar que tem carnes para grelhar.

Felix, a princípio, não entendeu aquele convite inesperado. Ele esperou por mais alguns minutos, achando se tratar de mais uma brincadeira daquele rebelde, mas o negócio parecia sério.

— Ir a um bar? Em plena terça feira? — indagou, não muito convencido.

— É, a minha mãe deixou já que ganhamos. Não acha que nós merecemos, ruivinho?

Felix sorriu de canto, dando de ombros.

— Merecem, claro que merecem. — concordou — Tudo bem, eu vou.

Hwang não demonstrou, mas ele comemorou internamente, segurando um sorriso bobo que queria escapar.

— Bem, eu já vou indo — felix falou. — Caso precise de ajuda com os machucados, me chame.

Hyunjin assentiu ainda hiperventilando e não se deu conta quando o ruivo virou as costas para ele e já estava prestes a deixar o banheiro.

Antes que ele saísse, o tatuado foi mais rápido e segurou em seu braço, o fazendo o encarar confuso.

— O que foi? — ergueu uma sobrancelha.

O moreno clareou a garganta e suspirando fundo, falou:

— Lembra da nossa briga no corredor? Sabe, que você saiu e eu falei da sua bunda. — pareceu nervoso. Felix não compreendeu, mas concordou — Me desculpa por dizer aquilo, eu fui um babaca.

— Sim. Você foi muito babaca, hwang.

O rebelde abaixou a cabeça, assentindo.

— Eu sei, eu sei. Fui um idiota do caralho, mas estou arrependido, tá legal? — voltou a encará-lo — Você me perdoa...?

Felix gargalhou fraquinho e quase não pôde controlar ao ver a feição desgostosa estampada na expressão do rebelde.

— Vou pensar no seu caso.

Dito isso, retirou a mão tatuada do seu braço, dando as costas novamente, e dessa vez sem ser impedido, deixou o banheiro e um Hyunjin confuso para trás.

Parece que o jogo finalmente virou.

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