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Seis meses depois

Finalmente chegamos em Busan, depois de bastante tempo de viagem, posso respirar o ar fresco que esta cidade trás.

Optamos em alugar um apartamento por enquanto, até decidirmos se iremos comprar alguma casa com quintal para os nossos futuros filhos, ou não.

Eu estava procurando a ração do Kuma e do Love, escutando qualquer música romântica que tocava na rádio. Bom, eu conhecia muito bem aquela melodia calma e suave, portanto, eu também estava cantando junto com o cantor coreano.

— Amor, você já deu uma olhadinha na vista que tem do nosso quarto? — Lisa perguntou, colocando algumas compras na geladeira.

Eu mandei ela ir ao supermercado comprar apenas o necessário para esta semana, já que aqui na Coreia não adianta armazenar comida, pois elas estragam muito rápido aqui no país.

— Ainda não — respondi, colocando ração para os cachorros.

— Tem uma vendinha ali na esquina. Virei best friend da dona — ela sorriu, começando a lavar algumas frutas e verduras que ela tinha comprado.

— Se a vendinha é ali na esquina, por que você demorou quase uma hora pra voltar? — coloquei minhas mãos na cintura e a encarei.

— Porque eu me distrai fofocando com a dona. Ela tava me explicando como são os vizinhos e essas coisas.

— Hum — fui até o balcão pegar os ingredientes para fazer o almoço.

— O que foi que fechou a cara do nada? — ela perguntou, olhando para mim enquanto ainda lavava as frutas.

— Nada — fechei a porta do armário assim que peguei a panela, me direcionando até o fogão para começar a cozinhar.

Escutei sua risada, percebendo que ela estava se aproximando de mim. Surpreendi-me quando ela me abraçou por trás, começando a dançar conforme a melodia tocava, forçando-me a dançar também.

— Me solta!

— Não precisa ficar com ciúmes, querida — ela parou de dançar e encostou seus lábios na minha bochecha com bastante força, fazendo-me inclinar um pouco o meu tronco para o lado. Eu acabei sorrindo sem querer, e quando ela percebeu, deu um fim naquele beijo carinhoso, fazendo o barulho do estalo com a própria boca quando a separou de minha bochecha. — Eu te amo, princesa Kim. Ah, e pra sua informação, a dona da vendinha tem quatro filhos, um cachorro, um marido e sessenta e oito anos nas costas. O nome dela é Hari, então deixa de ciúminho besta porque eu só tenho olhos pra você, meu amor — ela deu ênfase na últimos duas palavras, fazendo o meu sorriso aumentar. — Eu vou tomar um banho agora e depois vou tirar o lixo.

— Tá bom — respondi e ela deixou mais um selar na minha bochecha, se afastando de mim logo em seguida.

— Na verdade, eu acho que vou tirar o lixo primeiro e depois tomar banho — sorri vendo-a voltar até mim e dar um selinho em meus lábios.

— Você só voltou pra me beijar, né? — semicerrei meus olhos, a encarando com malícia.

— Óbvio que não. Agora eu vou pegar o lixo que está atrás de você. Aquela ali é a razão pela qual eu voltei — ela disse, fazendo-me rir e voltar a atenção para o que eu estava fazendo.

— Lisa, não se esqueça de fechar a porta quando sair. Você deixou aberta da última vez e um bicho entrou aqui dentro — ela riu.

— Tá bom, tá bom — ouvi seus passos em minha direção. — Na verdade, eu também voltei aqui pra fazer isso — após sua fala, um som estalado foi escutado pelo local, e uma dor imediata me atingiu depois de receber um tapa forte em minha bunda.

— Filha da puta! — a xinguei, e quando virei para bater nela, apenas olhei para porta e vi a garota correndo para o lado de fora.

Sorri enquanto balançava a cabeça, olhando para os nossos cachorros que já estavam no meu pé novamente.

— Viram como é safada a mãe de vocês? — eu ri enquanto ligava o fogão.

Eu estava cortando carne quando escutei eles chorarem baixo, querendo o alimento que eu tinha em mãos.

— Eu acabei de colocar ração pra vocês, véi. Saí do meu pé! Vaza! — expulsei os dois da cozinha, vendo-os deitarem perto da entrada, a espera de Lisa. — A mãe de vocês não vai me convencer a dar carne pra vocês, não.

***

Após o almoço, eu e Lisa decidimos ir em um parque junto com os cachorros. Preparamos coisas para fazer um piquenique e fomos para o local de carro, já que era meio longe — Kuma e Love foram em cima de uma toalha que estava em cima do banco de trás.

Assim que chegamos, observamos algumas crianças correndo, alguns adolescentes andando de skate ou gravando alguma dança de Kpop para publicar em suas redes sociais.

Procuramos um lugar que tinha sombra para nos sentarmos, e assim que encontramos, Lisa prendeu Kuma e Love em uma árvore, e me ajudou a organizar a toalha na grama.

— O dia está lindo, né? — perguntei, sentindo a brisa fria atingir o meu rosto.

— Não mais do que você.

— Para, Lisa — empurrei de leve o seu ombro, fazendo-a rir enquanto me observava corar.

— Você fica tão fofinha quando está envergonhada. É sério, suas bochechas ficam vermelhinhas — meus lábios se formaram em um sorriso singelo enquanto olhava para ela. — Dá vontade de apertar elas assim ó — ela levou suas mãos até as minhas bochechas, apertando-as fortemente. Fiz beicinho e um semblante bravo, enquanto cruzava os braços e observava ela sorrir de orelha a orelha, como uma boba apaixonada.

Quando menos esperei, ela selou nossos lábios várias vezes seguidas, enquanto apertava as maçãs do meu rosto.

— Own, que casal lindo, gente — uma voz masculina foi escutada, fazendo-nos olhar para o lado e ver um homem bem alto.

— Não creio — me levantei, pulando nos braços do homem. — Jinnnnnn!! — nos abraçamos enquanto ele acariciava minhas costas.

— Senti saudades, maninha postiça!

— Eu também senti muita saudade!! — saí do abraço dele, pois lembrei que Lisa ainda é louca e provavelmente o mataria. Tive certeza disso quando vi o seu olhar encarando o rapaz, era o mesmo olhar que ela encarava o Kai ou o Suga.

— Quem é ele? — ela perguntou, fria e seca.

— Ele é filho adotivo da minha tia. Ela é infértil, então adotou ele. Nós brincávamos juntos quando eu vinha pra cá e ele me ajudava bastante também. Nos tratamos como irmãos, então pode ficar tranquila — fiquei ao seu lado, ainda vendo-a encarar o Jin.

— Prazer — ele estendeu a mão, porém ela não fez o mesmo. Dei-lhe um beliscão e logo ela retribuiu a gentileza do garoto. — Você deve ser a Lalisa, né — ela assentiu. — Jennie me falou muito de você.

— Interessante. Ela deve ter falado que eu sou a namorada dela também, né? — ela cruzou os braços e perguntou com um semblante desconfiado, fazendo nós dois rir da garota.

— Namorada? A Jennie disse que você é a mulher da vida dela, que quer ter uma família com você, casar e blá, blá, blá — ele disse, sorrindo e animado.

— Disse?

— Sim, garota. Não sei o que você está esperando pra pedir ela em casamento.

— Verdade. Por que o pedido ainda não saiu, Lalisa Manobal — cruzei meus braços e encarei a garota, que deu de ombros.

— Não achei o anel perfeito ainda.

— Uhum, sei.

— Jennie, o Tae tá ali junto a minha mãe. Vai lá ver eles.

— O meu bebê tá aqui? — ele assentiu e eu dei mini pulinhos de alegria. — Amor, eu já volto. Te amo! — deixei um selar em seus lábios e saí, torcendo para encontrar o Seokjin vivo.

Corri até a minha tia, vendo a criança brincando com com um patinho. Aproximei-me devagar, tentando fazer o máximo de silêncio para não atrapalhar sua brincadeira.

— Jennie?

— Tia! — choraminguei e ri logo em seguida. — Eu queria assutar o Taehyung.

— NINI!!!! — ele correu até mim e me abraçou, e foi assim que eu percebi que sua cabeça estava alinhada com a minha cintura.

— Cresce devagar, meu amor — disse com a voz embargada, logo ouvindo a risada da minha tia.

— Você tá linda, prima — ele disse e eu me agachei, encarando seu rostinho lindo e foto.

— Você também tá lindão, TaeTae — ele sorriu enquanto corava, logo voltando a brincar com o pato.

Aproximei-me da minha tia, abraçando ela bem apertado logo em seguida, matando toda saudade que tínhamos uma da outra.

— Você cresceu tanto, meu amor — observei seu rosto e percebi uma lágrima escorrendo.

— Não chora, não, tia. Já descobri quem foi que eu puxei — disse, chorando junto com ela.

— Meu Deus — exclamou o meu tio. — E aí, Ruby Jane — ele bagunçou meu cabelo, logo me puxando para um abraço, entrelaçando seus braços pelo meu pescoço.

— Tá gordinho, hein, tio — apertei as gorduras que se concentrava em sua cintura, fazendo ele se afastar, pois sentiu cosquinha.

— Aí não, Jendeukie — eu e minha tia rimos, olhando o rapaz se sentar no banco de madeira.

Eu e minha tia fomos nos sentar logo em seguida, observando meu priminho brincar.

— Aquela que está com o Seokjin é a Lalisa? — ela perguntou, olhando para os dois. 

— Uhum. Linda, né?

— Sim. Dessa vez você teve um bom gosto, Jennie.

— Verdade. Nunca gostei daquele rapaz. Qual era o nome dele mesmo? Yag?

— Kai, tio. Era Kai — eu ri. — Bom, mas vocês não vão mais ouvir falar dele. Fiquem tranquilos.

— Você viu que o que aconteceu em Toronto tá em todos os sites de fofocas, né? — minha tia falou.

— Como assim?

— Todos nós sabemos o que a Lisa fez. Ela e os amigos. Confesso que fiquei feliz por ela ter matado aqueles desgraçados. Jen, não me leve a mal, mas os seus pais eram uns pau no cu do caralho.

— Concordo, viu. Inclusive, a Lisa me salvou da morte várias vezes. Se não fosse por ela, eu já estaria morta.

— Fico feliz que ela tenha trazido a minha JenJen de volta — ela me abraçou.

— Eu também, tia. Eu também — disse, enquanto encarava Lisa e Jin rindo de algo, indicando que eles estavam se dando bem.

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