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— Jennie, a gente precisa conversar — Rosé disse, assim que entrou dentro do quarto.
— Sobre o quê?
— Sobre a Lisa.
— O que tem ela? Eu mandei você ir buscar ela, por que não a trouxe? — olhei para Jisoo, que baixou a cabeça na hora.
— Então... Eu vou direto ao assunto. A Lisa foi presa junto com os irmãos dela e o Jungkook — meus olhos lacrimejaram, não consegui expressar nenhuma reação. — Descobriram tudo. Parece que tinham um espião lá. Eu ouvi a conversa deles com os polícias.
— Amiga, você tá bem?
— Quantos anos? Ela pegou quantos anos de cadeia?
— Eu não sei. Não escutei isso porque um policial me expulsou de lá.
E agora? Eu volto pro apartamento dela e cuido dos cachorros ou vou procurar algum lugar para morar e deixo o Love com algum familiar dela?
***
Alguns meses depois
— E aí, Jen! Sabe que dia é hoje? — Rosé perguntou, enquanto me acompanhava até a entrada da escola.
— Quarta-feira dia 27 de março.
Caminhamos até o meu armário.
— E... — ela contemplou, animada e sorrindo.
— E o dia da prova de matemática.
— Não, tonta. Hoje é aniversário da Lisa. Ela tá fazendo 21 anos. Espera. Prova de matemática?
— Como você sabe? Quem te contou? Puta merda! Eu esqueci o aniversário dela. Eu acho que ela nunca me falou a data de aniversário. Será que eu vou visitar ela? — falei sem pausas para respirar.
— Óbvio que sim, sua trouxa. E o Facebook me avisou que hoje é aniversário dela.
— Quem usa Facebook? — perguntei, rindo e olhando para ela.
— Eu!? Por quê? Tem algum preconceito com quem usa Facebook?
— Facebook é coisa de velho — abri a porta do meu armário.
— Tá me chamando de velha, Nini? — Jisoo perguntou, me dando um susto.
— Da onde cê saiu?
— De um buraco lá embaixo. E eu não sou velha, porra! — ela disse, estressada. — Vamos, amor, não se misture com a Jennie. Ela é do mal — não aguentei e comecei a rir, enquanto observava elas se afastarem.
— Que idiotice da porra — fechei o armário.
***
— Jennie? — seus olhos lacrimejaram ao me ver. Logo ela se sentou e pegou o telefone do outro lado do vidro. — O que está fazendo aqui?
— Eu trouxe isso... — entreguei a capivara que ela tinha me dado de presente. — Feliz aniversário, Lili... — segurei o choro e suspirei enquanto observava ela mexer na capivara. — Eu passei meu perfume nela. Quando sentir minha falta, por favor, abrace ela como se fosse eu.
— Você... o Kuma 2.0 é seu, não meu.
— Lisa, eu estou deixando ele com você pra aliviar o seu choro...
Ela piscou lentamente, deixando uma lágrima escapar. Segurei o choro e tentei olhar firmemente para ela.
— A Rosé te contou, né? — assenti. — Eu sabia que ela iria contar. Boca de sacola do caralho.
— Ela me contou porque eu insisti. Não fique brava com ela.
— Aquela vagabunda me acordou cinco da manhã.
— Por quê?
— Porque era o único horário que ela tinha livre pra vir me desejar parabéns — soltei uma risada baixa. — Como anda a vida? O Kuma e o Love estão bem? Está namorando? A Jisoo continua viciada em Hello Kitty?
— Quantas perguntas. Kuma e Love estão bem, com saudades de você, eu confesso. Não estou namorando. E sim, a Jisoo ainda é viciada na Hello Kitty — rimos.
— Por que não está namorando? Muitos caras querem ficar com você.
— A única pessoa que eu quero namorar, está separada de mim por uma vidro — olhei nos olhos dela, percebendo suas pupilas dilatando. — Se eu não vim te visitar antes, foi porquê eu não queria chorar na sua frente.
— Mas você não precisa segurar o choro.
— Eu seguro porque sei que se você me ver chorar, vai pular daí e vim correndo me abraçar.
— Você tem um ponto — sorri.
— Lili — mexi na minha bolsa —, eu convenci o delegado Woods a deixar eu te entregar isso — entreguei um Walkman. — Faça bom uso disso. Eu demorei pra fazer a playlist. Também trouxe esses livros. Eu sei que você não curte muito ler, mas acho que vai te ajudar a sair do tédio.
— O Woods deixou você me entregar tudo? — assenti. — Como?
— Quem resiste quando eu faço beicinho? — ela sorriu, olhando para tudo o que eu tinha levado.
— Quando eu sair daqui, você promete que vai ser a minha namorada pra sempre?
— Se eu for ser a sua namorada pra sempre, a gente não vai poder casar.
— Aí você vai ser a minha namorada esposa. Entendeu?
— Acho que sim... Mas quando vai sair daqui?
— Logo, logo. Eu acho que não vou conseguir me formar. Você já passou?
— Sim. Na verdade, eu não sei. Mas acho que sim. E não se preocupa, podemos esperar você se formar.
— Negativo. Eu vou me formar na Coreia do Sul. Não quero mais saber de Canadá nem se for o último assunto do mundo. País traumatizante da porra — ela disse e eu ri enquanto assentia.
— Você realmente se arrepende de tudo o que fez?
— Sim. Na verdade, eu nunca gostei. Eu tenho pavor de sangue, mas mesmo assim, eu me forçava a ver. Era tão nojento. Eu me obriguei a ser alguém que eu não era, e isso acabou comigo.
— Eu sei. Eu sei porque a Lili é totalmente diferente da Lisa.
— Aí, tá vendo? — rimos e ficamos nos olhando por algum tempo, até uma lágrima escorrer de seu olho e ela desviar o olhar. — Eu sinto sua falta — sua voz estava embargada e suas lágrimas caindo sem parar. — Eu te amo, Mandu...
Abri a boca para responder, porém um policial puxou a Lisa, indicando que o tempo havia acabado. Observei eles levarem ela para uma sala, enquanto ainda tinha o telefone na minha orelha. Após ela sumir completamente da minha visão, eu deixei as minhas lágrimas caírem, enquanto colocava o telefone no lugar, lentamente.
— Eu também te amo, Lili...
Curtinho 🤧
Gnt, tá acabando e vcs n tem ideia do que eu estou preparando 😃🥺😭🤧
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