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— Lisa?! Tá aí? — acordei dos meus pensamentos com a voz irritante do meu melhor amigo me chamando.
— Que é?
— Você vai fazer alguma coisa hoje a tarde?
— Por que, Jungkook?
— Quero sair com você. Faz um tempão que não vamos naquele parque games.
— Não quero — respondi, seca e fria como sempre, fixando meu olhar em Jennie novamente.
— Para de ser psicopata e deixa a garota comer em paz. Ela vai chamar a polícia se você continuar encarando ela desse jeito.
— Por que você não vai dar o seu cu, Jeon? — perguntei com a voz firme enquanto encarava o garoto com o meu olhar frio.
***
Após almoçar, fui até o banheiro lavar as minhas mãos, pois havia sujado elas com a comida.
Enquanto a água escorria pelas minhas mãos, eu me via refletindo no espelho do banheiro da escola. O eco das memórias do olhar psicótico que lancei a Jennie durante o horário do lanche, rondava a minha mente. Cada minuto daquele horário, meus olhos se fixavam nela, alimentando a obscura determinação que crescia dentro de mim.
No silêncio tenso do banheiro, a porta de uma cabine rangeu ao se abrir, revelando Jennie, alheia à tempestade que se formava nos recantos da minha mente. A garota, tentando ignorar a minha presença, se aproximou da pia e começou a lavar as próprias mãos, me dando rápidas encaradas de canto de olho.
— Lalisa, eu não pude deixar de notar que você estava me encarando de uma maneira... intensa, no lanche. Algum motivo específico pra isso? — ela perguntou enquanto secava suas mãos com papel.
Eu mantive o meu sorriso enigmático e olhei nos olhos de Jennie com a expressão de quem esconde algo sinistro.
— Oh, Jennie, você é realmente observadora. Sabe, algumas pessoas simplesmente têm algo intrigante, algo que me fascina pra caralho — apoiei minhas mãos no mármore e inclinei o meu tronco.
Jennie, agora visivelmente nervosa, tentou entender o significado por trás das minhas palavras. Não deixei de sorrir em nenhum momento. Receio que a garota me achará uma psicopata maluca.
Não que eu não seja.
— Intrigante? Eu sou só uma estudante normal como todos os outros — ela deu de ombros e virou todo o seu corpo para mim, apoiando seu braço direito no mármore da pia. — Não entendo por que você estaria tão interessada em mim.
Sem perder a intensidade no olhar, respondi de maneira fria:
— Normalidade é relativa, Jennie. Às vezes, é aquilo que está por baixo da superfície que realmente me cativa. E você... você tem algo especial — olhei para ela, lentamente, virando meu olhar logo após a minha cabeça.
O silêncio pairou por um momento pesado com uma tensão palpável. Jennie, sentindo-se cada vez mais desconfortável, tentou mudar o foco da conversa.
— Bem, acho que tenho que ir. Tenho um compromisso.
Ainda sorrindo, observei Jennie se afastar, deixando uma atmosfera de inquietação no banheiro. A minha obsessão parecia ser um segredo sombrio que nem eu conseguia desvendar.
Saí do banheiro com as mãos no bolso do meu sobretudo e fui em direção à sala de matemática, para mais uma aula idiota de cálculos.
Encontrei Jennie sentada em uma das cadeiras enquanto mantinha sua atenção nas suas amigas. Aproximei-me da cadeira vaga que tinha atrás da mesma, e me acomodei no lugar, recebendo o olhar curioso de vários alunos, inclusive do trio de amigas que estava em minha frente.
— Perderam alguma coisa em mim? — perguntei para Jennie e suas amigas. Todas negaram com a cabeça e voltaram seus olhares umas para as outras.
Confesso que troquei todos os meus horários de aulas para ficar perto da Jennie. Optei por trocá-los, pois antes disso, eu quase não encontrava com a garota. Era bem dificil de acontecer um encontro nosso.
Agora, estudando ao lado dela todos os dias, eu consigo me aproximar dela e vê-la a manhã inteira.
Hoje é segunda e, segundo aos meus cálculos, hoje a Jennie tem treino de líder de torcida. Ela é a capitã, inclusive. Nunca vi a garota vestida naquele vestido justo que todas usam. Eu não costumo vir em festas ou jogos escolares. Odeio multidão e barulho.
A professora chegou e todos os alunos ficaram quietos.
Enquanto a aula transcorria, minha atenção era tomada pela a garota em minha frente. Ela mexia em uma mecha do seu cabelo, enrolando-a em seu dedo indicador enquanto fazia as anotações da aula. Sua postura completamente correta, sua cabeça reta quando olhava para a professora ou para o quadro. Jennie, por ser a capitã das líderes de torcida, tinha que manter uma postura impecável. Portanto, diferente dos outros alunos que escreviam com a cara no caderno, Jennie escrevia com postura, sem aproximar seu rosto do caderno em momento algum.
Eu juro que tento não ficar dura, mas é impossível. Toda vez que eu penso nela, vem a imagem da garota completamente nua em minha frente. Isso é errado? É. Mas eu não ligo para isso. Tenho sorte de conseguir me controlar em público, porém, em casa, infelizmente eu não resisto e tenho que me masturbar. Normalmente, eu faço isso vendo alguma foto sensual da Kim. Isso é muito nojento, mas é mais forte que eu.
— Qual é o valor de X, senhorita Kim?
Despertei-me ao escutar a professora perguntar para Jennie algo sobre o que estávamos aprendendo, o qual eu não estava prestando atenção.
— O valor de X é trinta e nove, senhora Gardner — a garota respondeu com a sua voz firme e um pouco mais fina do que o normal.
— Muito bem, Kim — a professora escreveu o que Jennie respondeu, no quadro negro. — Algum de vocês pode me dizer como ela chegou nessa conclusão? — ela obteve um silêncio como resposta. Um som foi ecoado pela a escola, indicando que era a hora do intervalo. Todos levantaram e começaram a sair da sala — Salvos pelo o gongo.
Levantei-me da cadeira após guardar as minhas coisas, e direcionei-me até o lado de fora da escola, indo para onde eu e Kookie passávamos o intervalo.
Atravessei o corredor lotado de gente, trombando em algumas pessoas a cada passo que eu dava. A maioria das pessoas tinham seus corpos suados e grudentos, provavelmente estavam na Educação Física. Eu só não entendo o por que não tomam banho, sendo que a escola disponibiliza chuveiro quente de graça.
Assim que consegui chegar até a saída, passei por ela rapidamente, libertando o meu corpo daquela multidão que me apertava fortemente no meio deles.
Caminhei calmamente em direção à um banco debaixo de uma árvore grande e com várias folhas cobertas por alguns flocos de neve, avistando Jungkook sentado e comendo algo de sua lancheira, que sua mãe preparou — a senhora Jeon faz a lancheira dele desde que ele começou a estudar. É capaz de ela fazer até quando ele estiver na faculdade.
Aproximei-me do garoto, recebendo seu sorriso aberto que sempre dava quando me via. Ele semicerrou os olhos automaticamente ao olhar para mim e ter o contato sensível com o céu que estava nublado, porém claro.
Jungkook é um garoto muito carismático e gentil. Ele ama usar roupas largas, jaquetas, entre outras roupas coloridas e bem simples. Hoje, seu corpo está vestindo: uma calça jeans clara e bem larga, um moletom branco da Calvin Klein, uma jaqueta preta e larga também, e para contemplar seu visual, o garoto veio com um Air Jordan 5 branco, junto com uma toca na cor preta para prender seu cabelo grande.
O corpo do menino é cheio de tatuagens, e seu lábio tem um piercing que o deixa mais bonito e seduzente. Seu abdômen também é bem definido, assim com o meu. Nós dois fazemos academia juntos, no mesmo horário e três vezes por semana.
— Como foi a aula de matemática? — ele perguntou assim que eu me sentei ao seu lado.
— Horrível.
— Quer um pouco? — ele me ofereceu um pedaço de seu sanduíche que, bem provavelmente, tinha picles.
— Tem picles?
— Sim. Minha mãe só faz sanduíche com picles. Ela diz que me faz ficar mais forte — ele sorriu e voltou a comer o seu sanduíche.
— Você sabe que eu odeio picles.
— Desculpa, eu tinha me esquecido — ele falou de boca cheia, fazendo-me revirar os olhos.
Às vezes eu esqueço que convivo com uma criança de 18 anos.
Observei Jennie, suas amigas e seu namorado acomodarem-se em uma mesa de concreto no chão, onde tinha cinco bancos construidos com o mesmo material da mesa redonda.
— Agora que eu vi a Jennie, tenho que te falar algo que descobri recentemente — olhei para ele com um olhar curioso.
Jungkook me ajudava a descobrir quem machucava ou fazia mal para a Jennie.
Ele é hacker, portanto, essa tarefa se torna simples para ele.
— O que descobriu?
— Existem boatos que o pai da Jennie estupra ela toda vez que ele chega em casa bêbado — encarei o garoto com as sobrancelhas arqueadas.
— Você tentou descobrir se isso acontece frequentemente?
— Provavelmente. Eu vejo ele todos os dias no bar do meu pai, então, sim. Deve acontecer frequentemente.
Desviei meu olhar do garoto para a Jennie, que estava sorridente com suas amigas e seu namorado.
— Descobriu mais alguma coisa?
— Por enquanto não. Mas, eu já estou a procura de mais informações — ele deu uma última mordida no seu lanche.
— Ótimo. Você é o melhor, Kookie. Já te falei isso? — levei minha mão para o seu ombro e ele sorriu de orelha a orelha.
— É a primeira vez.
Acabei rindo do garoto retardado que estava ao meu lado.
— Dá um gole desse suco aí — ele assentiu e me entregou uma garrafinha térmica e com suco de laranja.
Levei-a até a minha boca e deixei que o líquido escorresse por ela até chegar em minha garganta.
— Ele não tem açúcar, é natural.
Cuspi o suco por conta do gosto ruim e fiz uma careta.
— Laranja natural é boa, mas o que diabos a sua mãe colocou nesse suco? — perguntei enquanto fazia uma careta e limpava meus lábios que estavam molhados com o suco.
— Eu não sei — ele deu de ombros e bebeu o suco. — Eu acho ele bom.
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