Capítulo 11 | baile.

Dia seguinte.

Acabo de acordar, assustada ao ver aquele movimento de pessoas no harém. Desde que Samir mandou matar quase todos por motivos de rebelião, nunca mais teve o movimento que está tendo agora. Levanto passando a mão no meu rosto e indo em direçao à cozinha para comer algo. O Jardim de Inverno, onde eu gosto de ficar, está cheio de homens com trajes de gala. Eu sei que a festa é hoje, mas ainda não caiu a ficha.

Eu vou passando encolhida do lado de alguns que me encaram, nos longos corredores que dão acesso a diversos lugares da casa.

Dá vontade de perguntar se eles perderam algo em mim, já não basta acordar a flor da pele quase todos os dias. Ao colocar o pé na cozinha, eu pisco duas vezes para ver se tudo aquilo que estou vendo é verdade, respiro fudo e entro. Observo o chefe colocar pressão nos seus assistentes de cozinha. Quando ele me vê, vem em minha direção dizendo:

- Desculpa, mas aqui não é o lugar para você ficar agora.

- Eu estou com fome, não tomei café ainda. - respondo tentando manter a paciência.

Ele coloca suas duas mãos no nariz, pois eu estou com mau hálito, nem fiz minha higiene ainda, e diz:

- Vou mandar preparar seu café, e peço que levem no harém.

Como estava encostada no balcão, pego o canivete que está sob ele sem que ninguém perceba. Balanço a cabeça para me despedir e me viro, escondendo o canivete no meio dos meus seios. Vou em direção ao harém e os convidados de Samir, que já tinham chegado e estão andando pela casa, me encaram.

Já no harém, eu estou na frente da penteadeira, já incomodada com aquele monte de homem que está aqui no harém. Pelo reflexo do espelho, vejo um que não para de olhar para mim. Pelo seu olhar, parece que consigo sentir que ele é do mesmo jeito que Samir, um homem possessivo.

Como não estou gostando do jeito que me olha, pego a escova, bato sobre a penteadeira e me levanto, fazendo com que eu vire o alvo das atenções.

Um homem já com aparência de senhor, com uma taça de vinho e bêbado, entra na minha frente para dar em cima de mim. Ele tenta trocar olhar comigo e começa a passar sua mão sobre meu rosto no exato momento que estou com muita raiva e nojo, então, dou um tapa em seu braço. O harém parece que vira uma orquestra e todos dão um passo para trás com o desrespeito com os homens, os únicos que têm poder. Mas eles estão enganados, eu irei fazer a minha história e incentivar as mulheres que sofrem, pois temos potencial sim, e até demais, os homens que não sabem.

Encontro Nayara e vamos nos arrumar para a festa que começará em breve. Aproveito e falo o que eu vou fazer para Samir pensar que o bebê que espero é filho dele.

Depois de longas conversas e de nos arrumarmos, o grande momento chega. Não param de chegar pessoas, um mais bonito que o outro, com roupas de grife e acessórios de ouro. Os carros de luxo que estão estacionando na porta do salão, não sei como conseguiram atravessar o deserto e estarem ali.

Eu e Nayara estamos sentadas em uma das inúmeras mesas redondas de vidro que ficam ao redor do salão, deixando apenas o meio livre e, no centro de cada mesa, há um narguile. O salão está com um cheiro forte de incenso de Hortelã, devido as pessoas estarem fumando. Nunca tinha fumado, vejo Nayara dando uma tragada e me dá vontade, pego a ponta do narguile e dou uma tragada, fazendo com que eu tossisse muito. Nayara levanta e vai até minhas costas dando leve tapas.

- Por aonde anda o Omar?! - pergunta Nayara voltando para ao seu lugar.

- Não sei. Já não vejo ele há tempo.

                            ...

Catar - capital Doha.

- Quando o relógio zerar, você já tem que estar fora daqui, pois iremos soltar os mísseis. - diz Omar com um copo de bebida na mão, e olhando a cidade pela parede de vidro.

- O arranha céu mais requintado, vai virar uma cratera. - diz o ministro da segurança.

O celular de Omar que está em cima da mesa vibra e ele coloca seu copo na cadeira e atende.

- Como está o andamento? - Samir me pergunta do outro lado da linha.

- Está sim. Só precisamos esperar o momento certo para entrarmos em ação.

- Tudo bem, já pode voltar.

...

Em algum lugar do deserto - Oásis de Samir.

A porta do salão se abre e o anfitrião da festa, Samir, entra recebendo os aplausos de todos que estão ali.

Mesmo tento nojo e achando ele um machista, pensando que mulher não pode fazer nada, ele é um homem lindo. A única coisa que destrói ele e as outras pessoas é a crueldade. Ao chegar no meio do salão, ele começa a fazer seu discuro.

- Hoje estamos aquu para celebrar uma grande vitória que ainda não aconteceu. Quando o relógio zerar, vamos fazer um brinde coletivo. E, não poderia deixar de esquecer, curtir as melhores mulheres da Arábia.

Samir aponta para a porta e ela se abre, com homens tocando instrumentos, e indo para o meio do salão, enquanto ele senta em uma cadeira no ponta do salão, parecida com as cadeiras de rei.

Logo em seguida, entram dançarinas fazendo coleografia, todas sincronizadas, até chegarem ao centro do salão. Logo em seguida, elas se espalham pelo salão para dançar para os convidados. Os homens que ali estão começam a dar em cima das dançarinas e outras indo até mesmo para o quarto.

- Se algum homem encostar um dedo em mim hoje, eu irei fazer maldade. Posso morrer, mas vou morrer lutando a favor do direito das mulheres.

- Safira, se acalma, vai dar tudo certo. Não revela que você está grávida desse jeito que você está falando, pois ele vai perceber que o filho não é dele. - diz Nayara.

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