Prólogo
Marcos Dawson:
6 Anos atrás:
Enquanto me dirigia para o apartamento que dividia com o meu namorado, Edu, permita-me apresentar-me com mais detalhes: meu nome é Marcos Dawson, sou o filho mais novo de Fred Dawson. Nossa genética nos abençoou com a incrível capacidade de manter uma aparência jovem, apesar de já ter atingido a marca dos vinte anos de idade. Afinal, como dizem, os genes da juventude correm na nossa família.
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Agora que já fiz a minha apresentação, gostaria de compartilhar o que aconteceu no meu dia hoje. Saí do hospital público da cidade recentemente e descobri algo verdadeiramente maravilhoso: estou grávido há duas semanas. Essa revelação tem ajudado a esclarecer os enjoos que tenho sentido com certos alimentos e as mudanças de humor que tem me afetado.
Devo admitir que quase acabei jogando um prato no Edu na semana passada. A razão? Ele não estava me dando a atenção devida e ainda fez comentários sobre o tamanho da minha barriga. Considerando tudo, eu diria que ele mereceu a reação.
Ao avistar o prédio onde moro com Edu, fico surpreso com o fato de que esse lugar é tão acessível em termos de aluguel. Os apartamentos são incrivelmente espaçosos, e nossas únicas despesas são a energia e a água. Lembro-me de como meu pai, Fred, ficou surpreso quando encontrei este apartamento, que infelizmente proíbe animais de estimação. No entanto, o que mais surpreendeu meu pai foi que, apesar de estarmos juntos há apenas seis meses, Edu e eu decidimos morar juntos.
Alguns podem considerar essa decisão precipitada, mas eu acredito que seja apenas a tristeza de um pai vendo seu filho sair de casa para construir sua própria família.
Ao chegar em frente ao portão do prédio, abro a janela do carro para me identificar, entro na garagem e percebo que não há elevador na garagem, o que significa que preciso subir as escadas até o térreo, passar pela portaria e, finalmente, pegar o elevador.
No entanto, não estou reclamando, pois isso me proporciona a oportunidade de bater um papo com o porteiro, que tem a mesma idade que eu e se tornou um grande amigo ao longo do tempo.
Faço todo esse percurso e vejo meu amigo escrevendo algo em seu caderno.
— Boa tarde! — Falei com um sorriso para Zack. — Zack, tem algo para mim?
Ele pareceu lembrar de algo e balançou a cabeça positivamente.
— Sim, o Edu chegou cedo... — Ele começou a falar, mas não deixei ele terminar, corri em direção ao elevador. — Ele estava meio estranho e ainda com uma... — Não ouvi o que ele disse.
Assim que as portas do elevador se abriram, entrei rapidamente, dando um tchau alegre da vida, ansioso para contar a Edu que estamos esperando um filho. Apertei o botão do andar treze, transbordando de emoção.
Ainda não entendo por que os elevadores têm música, e o pior é que o dono do prédio escolheu aquelas canções que todo mundo odeia e que sempre ficam grudadas na cabeça.
Agradeci a Deus quando as portas do elevador finalmente se abriram e saí apressadamente em direção ao meu apartamento. Retirei a chave do bolso da calça e, no momento em que a inseri na fechadura e abri a porta, me arrependi imediatamente.
No sofá da sala, encontrei Edu deitado com uma amiga, a tal da Samira, que sempre se insinuou para ele, até mesmo na minha presença, tentando desabotoar a camisa dele. Além disso, percebi um copo de água na mesa de centro.
Minha alegria, que existia segundos atrás, desapareceu rapidamente, sendo substituída por uma intensa onda de ódio e uma forte vontade de chorar. Iniciei um aplauso sarcástico.
— Por favor, continuem! — Disse de forma sarcástica. — Acho que é melhor eu ir embora.
Ambos pareceram surpresos, e Edu se levantou lentamente, fazendo com que Samira caísse no chão. Ele se aproximou devagar de mim, lutando para se manter de pé.
A mulher, Samira, tentou parecer surpresa, mas não conseguiu esconder seu sorriso malicioso.
— Eu posso... — Edu começou a falar lentamente, sua expressão se tornando confusa enquanto tentava se erguer.
Peguei o vaso de flores que costumava ficar ao lado da porta e o arremessei em sua direção. Ele conseguiu desviar a tempo, mas estava se movendo lentamente, e o vaso se espatifou.
— Não há necessidade de explicação, sério. Voltem ao que estavam fazendo, e eu vou embora. — Disse, dando as costas e lutando contra as lágrimas.
Vou me fazer de forte, ele não merece minhas lágrimas de tristeza e nem de ódio.
— Marcos! – Edu falou meu nome e só senti ele puxar meu braço para si.
Ele estava sem camisa e tentou me abraçar, mas percebi que algo estava errado, seus braços estavam fracos. No entanto, o simples toque dele me causava nojo, e ainda mais por trás. Não hesitei em pisar no pé dele, fazendo-o me soltar, e então dei um coice bem forte, ouvindo—o urrar de dor.
Afinal, ninguém mandou ele me trair e ainda tentar me abraçar por trás.
— Edu! – Samira gritou. – Marcos, seu filho da puta!
Revirei os olhos e, antes de sair do apartamento pela última vez, me virei para os dois e falei com firmeza:
— Não me procurem. De você, Edu, sinto nojo e quero distância! — As palavras saíram carregadas de repulsa. Tirei a aliança do dedo e a joguei no chão, pisando em cima dela. — Seus pais devem estar felizes com você agora! Afinal, aqueles dois me odeiam de qualquer maneira. Aposto que vão adorar saber de tudo isso!
Dei as costas para os dois e saí daquele apartamento, completamente devastado e com uma vontade avassaladora de chorar. Lembro-me de passar pela portaria e descer até a garagem, pois precisava ir ao único lugar onde poderia desabar em paz: a casa do meu pai.
Eu sabia que não era aconselhável dirigir em um estado emocional tão abalado, mas respirei fundo e guardei meus sentimentos, tentando me acalmar.
Como ele pôde fazer isso? Ele sempre dizia que me amava!
Balancei a cabeça para tentar afastar esses pensamentos e os empurrei para o fundo da minha mente, pelo menos por enquanto.
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Vinte minutos depois, cheguei em frente à casa do meu pai e estacionei na calçada. Do lado de fora da casa, vi meu irmão gritando com alguém ao telefone. Em seguida, afastou o celular da orelha e assistiu a um vídeo no telefone, dizendo algo como "conversamos depois".
Quando saí do carro, James me notou e correu em minha direção. Não consegui segurar as lágrimas mais e comecei a chorar. James me abraçou imediatamente, preocupado.
— Pai! — Gritou James. — Marcos, o que aconteceu?
Não consegui responder, apenas chorei copiosamente com um aperto no coração. James me puxou para perto, me abraçando, enquanto sua camiseta se molhava com minhas lágrimas.
— O que aconteceu? — James perguntou, claramente preocupado.
— Ele... me... traiu! — Consegui balbuciar entre soluços. — Na... nossa... casa... ele... dizia... me... amar!
Solucei enquanto ouvia passos se aproximando, e sabia que era meu pai, que nos pediu para entrar.
— As fofoqueiras já estão saindo! — Papai comentou para James, embora eu conseguisse ouvir.
— Vamos lá então! — Disse James e começou a me guiar para dentro, me colocando sentado no sofá.
— James, vá fazer um copo de água com açúcar para o seu irmão! — Meu pai pediu, e James seguiu para a cozinha.
Quando meu irmão retornou e me entregou o copo com água e açúcar, bebi o conteúdo com a ajuda do meu pai, já que minhas mãos começaram a tremer.
— O que aconteceu, querido? — Papai perguntou.
Suspirei e comecei a relatar o que vi no meu antigo apartamento, observando a expressão furiosa de James.
— James, se controle — meu pai o repreendeu. — Você ainda precisa ajudar a Daiane.
— O que aconteceu com a Daiane? — Perguntei ao meu irmão.
— O pai do Davi fez os dois ficarem extremamente bêbados e ainda usou uma droga alucinógena e afrodisíaca neles — James explicou. — Ela está no meu apartamento com o Davi, tentando confortá-lo. Antes que você diga qualquer coisa, ela já fez um exame e encontramos evidências da droga no sistema deles.
Daiane era uma amiga tanto minha quanto de James há anos. No entanto, também havia o pai do Davi, um homem repugnante que sempre desaprovou a relação entre meu irmão e seu filho. Ele parecia ser capaz de qualquer coisa para separá-los, inclusive usando a melhor amiga de James, Daiane, uma vez que James e Daiane eram inseparáveis.
Com esse pensamento, minhas mãos foram até minha barriga, que abrigava o segredo que eu não havia revelado.
— Marcos, você está... — Meu pai não terminou a frase e me abraçou.
— Agora ele paga por isso! — James falou com raiva. — Ele sabe?
— Não, e nem vai saber! Ele fez a escolha dele ao me trair, e eu fiz a minha escolha de não contar nada para ele! — Declarei, pensando em uma maneira de nunca mais ter que lidar com aquele canalha. — Pai, você se lembra que falou em se mudar para Los Angeles? — Perguntei.
Ele e James me observavam atentamente. Meu pai havia sugerido que todos nós nos mudássemos para a antiga cidade dele, onde ele conheceu meu outro pai, e onde antes de falecer, ele deixou uma casa para nós.
— Tem certeza? — Meu pai perguntou. — Mudar toda a sua vida por causa disso?
Ele sempre queria o melhor para mim e para meu irmão. Pensei se essa era realmente a decisão certa, mudar toda a minha vida por causa de uma traição. Mas quando pensei no meu futuro filho, soube que era a escolha certa.
— Sim, é o melhor para mim e para o meu filho! — Afirmei com determinação.
— Eu vou com vocês! — Disse James. — É melhor do que ficar sozinho nesta cidade. É bem provável que a Daiane vá conosco, já que o Davi está se mudando por causa do trabalho.
Sorri, pois sabia que estávamos prestes a mudar tudo em nossas vidas e na vida da minha família.
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Demorou alguns dias para conseguir pedir transferência da minha faculdade, e James do Emprego no hospital Griffin o mesmo local em que Davi e Daiane trabalham. E como ele sabia, Daiane e Davi virão junto com a gente para Los Angeles, algo que já estava previsto antes.
Também nunca retornei ao meu antigo apartamento. Foi meu pai quem foi buscar minhas coisas e me contou que a mulher estava lá, juntamente com os pais de Edu. Edu tinha um olho roxo e estava visivelmente desolado ao ver meu pai. Ele tentou dizer alguma coisa, mas o pai odioso dele o impediu.
Soube também que meu amigo, Zayn, o porteiro, foi demitido por brigar com alguém que morava no prédio. E tinha certeza de que esse alguém era Edu. Tentei ligar para o celular dele, mas só caía na caixa postal.
Apenas esperava que ele estivesse bem. Quando chegou o dia de nossa mudança, olhei pela última vez para a casa onde cresci e a cidade que conheci minha vida inteira.
— Agora, é um adeus e um novo começo! — Falei, olhando para aquela casa. — Adeus, antigo Marcos!
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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