Capítulo Vinte e Seis
Marcos Dawson:
Você pode me dar um irmãozinho?
Essa palavra ecoou na minha mente, e eu ainda encarei meu filho em choque. Agradeço por ser apenas eu a ouvir a pergunta dele, já que os outros estavam focados na cena protagonizada por Zack e Brian.
— — Por que você quer um irmãozinho? — Perguntei a ele.
Ele apontou para Brian e Zack, depois para James e eu.
— Todo mundo tem um irmão, só eu que não tenho! — Mat falou, fazendo biquinho. — Me dá um, por favor, papai!
Prendi os lábios entre os dentes. Afinal, em alguns meses, ele terá praticamente um irmão. Mas, ouvir esse pedido agora me faz perceber como meu filho está se sentindo sozinho. Afinal, Brian terá seus irmãos e eu tenho James, mas o que Mat terá?
Suspirei e sorri para ele.
— Vamos, ver — Falei. — Papai, vai ver.
Mat sorriu de orelha a orelha, e percebi que meu filho ficará feliz em ser o irmão mais velho do meu futuro bebê.
— Pode ser um com o Tio Edu — Mat disse, desta vez me fazendo engasgar.
Espero poder contar em breve a ele que o irmãozinho ou a irmãzinha está a caminho!
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Conforme percebi que isso estava prestes a acontecer, Daphne passou a maior parte do tempo conversando com William, o que ela vinha fazendo nas últimas semanas desde que se conheceram naquele passeio no shopping em busca de uma roupa.
Brian puxou Zack para irem brincar no quintal, e Mat foi atrás com Zeus a seu lado. Caleb, meu pai e Davi ficaram conversando. Aproveitei e puxei James para o andar de cima, contando a ele como nosso pai estava e mencionando que algo havia sido tirado dele no passado.
—— Isso parece com o que o pai Marlon me disse uma vez quando eu tinha treze anos, e estávamos jogando videogame! — James falou, lembrando-se. — Você e papai saíram de casa para irem ao seu dentista, e eu perguntei por que papai às vezes sorria do nada.
— Ele me deu a mesma explicação — Falei, e James assentiu. — Ele mencionou o que foi roubado?
— Não, só disse que se ele tivesse sido mais forte, nada disso teria acontecido! — James falou. — Nosso pai falou que é tudo culpa de uma tal moça chamada Oliva!
Travei com isso. Seria possível que a mãe de Oliva fosse a pessoa errada que se envolveu com meus pais?
Se for verdade, o que uma mulher super rica roubaria de duas pessoas que não tinham muito dinheiro?
— Você insistiu no assunto? — Perguntei a James, que balançou a cabeça.
— Perguntei, mas ele só disse para esquecer! — James falou. — Que um dia ele e o papai contariam tudo para nós dois quando fôssemos mais velhos, e que eu deveria sempre ficar ao lado de vocês e do papai!
Pai Marlon sempre estava preocupado com nossa segurança.
— Agora, isso me intriga, o que ambos dizem! — Falei para James. — O estranho é que nosso pai diz que fica assim toda vez que fala do Oliver!
James pensou por um segundo e pareceu ter uma ideia, mas a descartou imediatamente.
— No que você estava pensando? — Perguntei, curioso. — James, me conta!
— Seria uma ideia louca! — James falou. — Mas se o Oliver e você forem irmãos gêmeos.
— Isso seria uma ideia bem maluca de se pensar! — Falei, rindo. — Afinal, eu e Oliver só temos o rosto igual, ele tem uma personalidade bem doidinha, e os cabelos mais claros também!
— — Não, me fale sobre a história das sete pessoas quase idênticas no mundo! — James falou sério. — Mas isso explicaria por que o Oliver é quase igual a você, Marcos. O pai Marlon era muito parecido na personalidade, se você se lembra, e os cabelos dele também eram claros!
— Então você está sugerindo que o Oliver seria meu gêmeo! — falei. — Isso significaria que a pessoa errada com quem nossos pais se envolveram foi a Oliva, a mãe do Oliver! James, isso seria um absurdo!
— NÃO, É POSSÍVEL! — Ouvi um grito vindo do andar de baixo, e reconheci a voz do meu pai. — NÃO, É!
— Vamos ver o que está acontecendo! — James falou, correndo para o andar de baixo.
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Chegando às escadas, vimos todos lá embaixo, incluindo Oliver e Zayn, que estavam confusos e olhavam para meu pai. Daphne e William também estavam parados. Agradeci por estarem apenas os adultos ali e que as crianças não estavam presentes.
Oliver usava um short de moletom e uma camiseta, enquanto Zayn estava de calça jeans e blusa branca.
Caleb segurava meu pai, que parecia à beira de desmaiar. Meu pai olhava para um ponto específico da panturrilha de Oliver. Olhei na mesma direção e vi uma marca de nascença em formato de coração, com um número oito abaixo. O estranho é que eu só vi essa marca em duas pessoas na minha vida: no meu pai Marlon e na minha própria panturrilha.
A teoria de James era verdadeira!
— Senhor Dawson, tudo bem? — Zayn perguntou.
Meu pai se desvinculou de Caleb e foi lentamente até Oliver, abraçando-o como se tivesse medo de que ele desaparecesse.
— Você finalmente voltou! — Papai falou. — Você voltou para a nossa família! Meu bebê!
— Senhor Dawson — Oliver começou. — Acho que está me confundindo com alguém.
— Não, eu sei que é você! — Papai falou. — Meu pequeno bebê, meu segundo gêmeo!
— Gêmeo? — Caleb perguntou. — Fred, amor, do que está falando? Você só tem o James e o Marcos como filhos!
Quando meu pai estava prestes a falar, uma voz falou atrás dele, e eu a reconheci. O mais estranho é que a voz estava soando esnobe agora.
— — Isso mesmo, você está abraçando meu filho, Fred! — Oliva falou, vindo do lado de fora.
— Sua vagabunda de quinta! — Papai falou, puxando Oliver para mais perto. — Como ousou roubar meu filho de mim!
Agora as peças começaram a se encaixar, e a teoria de James fazia sentido.
Oliver é meu irmão gêmeo!
Oliva sorriu, e aquele sorriso me deu um sentimento ruim. O pior é que já tinha visto um sorriso nojento como aquele em Samira.
Será que as duas são parentes?
— Eu não fiz nada, só precisava de um bebê para enganar o idiota do Antônio, para me ver longe da minha família — Oliva falou. — Então foi quando os vi, os Dawson, que já tinham um filho de dois anos e teriam gêmeos em alguns meses! Então foi fácil virar amiga de vocês, e quando os bebês nasceram, só precisei da ajuda de um médico para falsificar um exame de DNA e enganar o Antônio. Tudo pronto! Fácil, não é?
Oliva olhou para mim, sorrindo, e ali eu vi a cobra que ela era. O nervosismo dela era porque Oliver e eu éramos próximos, e o plano dela estava prestes a desmoronar.
— Mãe? — Oliver a chamou e parecia estranhar sua própria mãe. — O que você está dizendo?
Oliva revirou os olhos, e sua máscara finalmente caiu. Seu rosto exibia um desprezo por Oliver, muito diferente da mulher que vi pela manhã, que parecia apenas nervosa.
— Infelizmente, é a verdade — Oliva falou. — Seu pai descobriu, pois o médico maldito que paguei, contou a ele hoje pela manhã e pediu o divórcio. Então, não preciso mais fingir que tenho orgulho de você, sua bicha nojenta! Você me dá desgosto só de ter que ver a sua cara imunda! Por que você não podia ter sido mais homem, mas vejo que é de família ser uma aberração! Ainda bem que não preciso mais ir nessas coisas de caridade com você ou com o idiota do seu pai! E nem sei o que o mesmo vai fazer com você!
No momento seguinte, Daphne estava em cima de Oliva, socando-a e puxando seus cabelos, arrastando-a para fora de casa.
— Me solta, sua vaca! — Oliva se debatia e tentava se livrar das mãos de Daphne, que ora puxava os cabelos, ora desferiu tapas e um pontapé. — Me solta!
Agradeço por ser amigo dela, não um inimigo.
— Você ofendeu meu amigo, vagabunda! — Daphne falou e jogou Oliva na calçada, cuspindo em seu rosto. — Tem sorte de não acabar com você agora, mas se voltar a incomodar meu amigo ou até mesmo a minha família, acabo com esses cabelos quebradiços e ainda essa cara cheia de plásticas!
Os vizinhos já observavam tudo do lado de fora.
— Você vai... — Oliva começou, mas Daphne a cortou.
— Ver? — Daphne falou. — Querida, várias pessoas me falam isso, você é só mais uma na fila do pão! Agora, vaza daqui, vadia hipócrita! E só lembrando, se eu tiver que intervir de novo, acabou para você!
Oliva se levantou meio torta e saiu dali de cabeça baixa.
Ouvi um choro e sabia que era Oliver, afinal, a "mãe" dele acabou de admitir que só fingia gostar dele. Hoje foi um dia intenso para mim e possivelmente para todos, meu pai deu um abraço reconfortante em oliver.
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Gostaram?
No próximo capítulo um pouco do Edu!
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