Capítulo Vinte

Marcos Dawson:

Duas semanas depois:

Olho atentamente para o papel que o médico me entregou após realizar o exame de sangue, juntamente com alguns outros exames que ele solicitou que eu fizesse. Nesse momento, examinou minuciosamente cada detalhe do relatório médico.

— Não pode estar errado? — Perguntei, expressando uma leve dose de incerteza. Eu havia tido a oportunidade de tomar a pílula dias antes, mas não consegui seguir até o final por alguma razão.

Claro que não teria como esse exame dar errado; tomei a decisão de não tomá-la duas semanas e meia atrás.

— Não, está tudo certo — respondeu o médico. — O senhor está grávido, com duas semanas e meia de gestação.

— Então, nem mesmo um erro mínimo? — continuei perguntando.

Charles, que é meu médico, revirou os olhos diante da minha pergunta, como se eu fosse um louco por fazê-la, ou como se eu estivesse questionando algo que não deveria ser questionado, dado o cenário.

— Não, os exames de sangue nunca falham — disse Charles. — Vai querer marcar agora para iniciar o pré-natal?

— Possivelmente — respondi, soando um pouco desanimado. — Desculpe pelo meu tom jocoso; muitas coisas aconteceram nos últimos dias na minha vida.

— Vejo que estava hesitante em relação a esta gravidez — comentou Charles, sério.

— Não, é por causa da gravidez e sim pelo que aconteceu com o outro pai — expliquei, recostando-me na cadeira da sala dele. — É uma longa história!

Ele me encarou com ceticismo, algo semelhante ao que seu filho faz às vezes. Isso me faz perceber muita semelhança entre Charles e seu próprio filho, Carlos.

— Deixe-me ver, ficaram juntos apenas por uma noite e você não sabe quem ele é? — Charles tentou adivinhar.

— Temos um filho juntos — expliquei, e ele me encarou antes de continuar.

— Divórcio? — Ele tentou novamente. — Mas não conseguem se distanciar um do outro.

— Não, você lê muita fanfic para um homem adulto e que ainda é médico — retruquei. — E é pai de um cara de vinte e cinco anos! Para responder à sua pergunta, ele é meu ex-namorado, mas estamos nos entendendo no momento, e ainda não contei nada sobre isso para ele.

Comecei a explicar a ele tudo o que aconteceu comigo, incluindo o retorno de Edu à minha vida, e também a audácia da vaca da Samira de tentar ir até a escola de Matthew. Felizmente, as professoras foram sensatas e souberam cuidar dos alunos. Também contei a ele quem são os membros da minha família. Saí da empresa desesperado, e Edu me encontrou na escolinha. Ele estava segurando Matthew nos braços, que chorava com marcas de unhas nas mãozinhas dele, chame a polícia para aquela maluca na hora, mathhew não quis se afastar do Edu e deixei que ambos passassem o dia juntos.

E para piorar, a vadia da Lisa entrou na justiça para tentar ver meu filho, e Edu está lutando com todas as forças para impedir isso. Ela estava indo com tudo para cima da gente e teve a audácia de dar um tapa no rosto de Edu e xingá-lo com todos os nomes possíveis.

— Essa sim é uma história de fanfic! — Charles falou. — O que vai fazer em relação aos Robinsons?

— Esperarei a ajuda de uma amiga nova que fiz! — Falei. — Aquela é uma família cheia de cobras, e a única pessoa que se salvou foi o Edu. Enquanto eu puder, vou tentar esconder ao máximo que estou grávido.

— Menos do seu irmão e pai, e das suas amigas; meu filho também deve saber — Charles falou. — Já que ambos sabem sobre essa consulta, sei que seu irmão deve estar ocupado por causa da adoção do Zack.

— Sim, na semana passada, o advogado entrou em contato com ambos — Falei. — E possivelmente hoje toda a papelada ficará pronta, e o Zack irá para a casa do meu irmão.

— A vida da sua família é bem agitada — Charles comentou. — Bem que o Carlos falou que cada dia com os Dawson é uma diversão sem igual.

Não discordei, afinal, a nossa família só tem uma vida agitada a cada dia, e sou a prova viva disso. Minha vida é mais agitada do que a de qualquer um.

— Melhor eu ir — Falei. — A consulta já deve está acabando e ainda tem outros pacientes.

— Melhor mesmo — Charles respondeu. — Se vir o seu irmão, diga que estou esperando ele para a consulta de amanhã e o seu pai daqui a dois dias.

É isso aí, Charles atende toda a minha família; isso é uma família unida, até o médico é o mesmo.

Sempre unidos!

— Vou falar para o meu pai — Falei, levantando da cadeira. — Até, Charles!

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Sai da sala de Charles e encontrei meu irmão no corredor.

— Não, tem trabalho, não — falei para ele. — Não precisava ter vindo até aqui.

James revirou os olhos, a segunda vez que isso aconteceu no meu dia.

— Estou procurando o Carlos — James falou. — Ele viu algo no celular e saiu correndo pelo corredor, e vim atrás dele. Sorte que não temos nenhuma consulta agora, só no período da tarde. Mas até agora não o encontrei nos andares em que ele geralmente fica no hospital!

— Quer ajuda para encontrá-lo? — Perguntei. — Estou quase sem nada para fazer!

James me encarou por alguns segundos e balançou a cabeça.

— Não precisa! — James falou. — Você tem problemas maiores do que me ajudar a encontrar o Carlos. Brian me contou o que aconteceu na escola esses dias!

Que orgulho do meu sobrinho fofocando sobre a minha vida, assim como o resto da família faz. Só meu filho que não faz esse tipo de coisa. Só falei do que aconteceu no parque, omitindo o que contei para Gisele. Isso seria o suficiente para a minha família saber por enquanto. Fui atrás do psicólogo, e ele tem sido de grande ajuda até agora. No entanto, era inevitável que, em algum momento, meu irmão descobrisse as coisas. Além disso, ele estava desenvolvendo um ódio profundo pela Lisa e por tudo o que ela já havia feito comigo no passado. No momento, não podíamos nos dar ao luxo de um confronto real por causa daquela mulher entrando na justiça para obter a guarda do meu filho.

— É verdade, tenho — Falei, e ele ficou me encarando como se eu estivesse escondendo algo.

— Deu positivo ou negativo? — James perguntou, apontando para o papel em minhas mãos. — Nem adianta mentir, vou acabar descobrindo..

Suspirei e sabia que isso realmente iria acontecer, afinal, todos à minha volta são um pouco fofoqueiros.

— Positivo! — Falei. — Estou grávido do Edu novamente, e ainda não sei como contar a ele, especialmente com tudo o que estamos passando.

Meu irmão apenas ouviu, não disse nada, e sabia que não havia palavras para me confortar. Afinal, eu tinha engravidado por causa de uma mulher que me odiava sem motivo aparente. Agora, teria que cuidar de um garoto de cinco anos e de mais um bebê que estava a caminho nos próximos nove meses. A única diferença é que tenho a certeza de que o Edu estará ao meu lado desta vez.

Esse pensamento acalmou meu coração por alguns instantes.

Nos últimos dias, pude ver como o Edu realmente pode ser um bom pai para o Matthew, e tenho a certeza de que ele é uma pessoa boa para o nosso filho.

— Ei, calma lá — James falou. — Você vai ter o bebê ou... — Ele nem precisou concluir a frase, pois sabia perfeitamente o que ele ia me perguntar.

— Claro que vou, mesmo que tenha sido concebido por motivos errados! — Falei, e vi meu irmão assentir. — Vou ter esse bebê, as coisas que estão acontecendo não vão me impedir disso.

Não deixei meu irmão falar mais nada e passei por ele, indo embora. Sabia que James me conhecia tão bem que ele não viria atrás de mim para me convencer do contrário, porque ele sabia que isso resultaria em uma discussão acalorada. Mas o que eu poderia fazer? Era minha culpa, afinal. Deveria ter desconfiado daquele sorriso perverso do barman quando trouxe o segundo drinque para mim, mas não o fiz, a única coisa boa é que ambos estão pagando pelo que fizeram.

Caminhei pelo corredor em direção ao elevador, que se abriu, e fiquei surpreso com quem estava lá na minha frente.

— Carlos, o que faz aqui? O James estava preocupado com você, pois você saiu correndo sem motivo? — Perguntei.

— Não era nada — Carlos falou. — Mas eu preciso de algumas roupas e do meu pai!

— O que aconteceu? — Perguntei rapidamente.

— Eu estava em frente ao hospital e vi dois rapazes caminhando lentamente. Um deles tinha cabelos negros e estava quase caindo de fraqueza, e o outro de cabelos loiros escuros também estava à beira do colapso. Eu e um cara que passou por ali ajudamos a tempo, pois ambos caíram no chão de fraqueza. Dava para perceber que eles estavam sem comer por dias, as roupas estavam sujas e fedendo.

— Se quiser, posso buscar roupas para eles? — Ofereci.

— Obrigado, Marcos! — Carlos respondeu. — Leva o cara que me ajudou! Ele disse que vai ajudar no que for preciso, mas pediu a minha ajuda, pois não sabe escolher roupas para outra pessoa. Pelo visto, o tamanho será igual ao seu para o de cabelos negros, e o loiro de cabelos escuros tem o mesmo tamanho que eu, com ombros largos.

Assenti e fiquei curioso sobre como esse cara que ajudou o Carlos não sabia escolher roupas.

— Onde está esse cara? — Perguntei.

— Mandei ele esperar na recepção do térreo! — Carlos explicou, saindo em direção à sala do pai, onde provavelmente encontraria o James. — Ele está vestindo uma camiseta azul-clara e calça jeans.

Apertei o botão do elevador e, quando as portas se abriram, desci até o térreo.

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Quando as portas do elevador se abriram no térreo, saí e comecei a procurar pelo homem que Carlos havia descrito. Logo o encontrei sentado, com a cabeça baixa, aguardando. Me aproximei dele.

— Olá, sou Marcos, um amigo do cara que você ajudou com os garotos. Vamos comprar roupas para eles!

Ele levantou a cabeça, e para minha surpresa, ali estava Edu à minha frente. Sua expressão transformou-se de surpresa para pavor.

— Aconteceu alguma coisa para que você viesse ao hospital? Foi com você ou com o Mathhew? — Edu falou de primeira pulando do assento e analisando meu rosto e corpo a procura de alguma machucado.

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Até a próxima 😘

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