Capítulo Um

Marcos Dawson:

6 Anos depois:

Realmente, como o tempo passou rápido...

Meu filho já tem cinco anos e em breve fará seis, assim como meu sobrinho Brian, que é só alegria para toda a nossa família, especialmente para meu pai e meu padrasto Caleb, que todos os netos adoram.

Bem, deixe-me contar o que aconteceu durante esse tempo. Como você pode perceber, meu irmão entendeu a situação do Davi e da Daiane, e também o pedido inusitado feito pelo pai do Davi antes do nascimento de Brian: criar Brian como filho do Davi e do James. Confesso que fiquei surpreso, assim como toda a família, mas compreendi o lado deles. Desde que éramos crianças, a Daiane sempre quis ser mãe, mas desejava ter um filho com o rapaz que ela realmente amasse.

Meu irmão aceitou, com uma condição: que a Daiane fosse madrinha do Brian. Ela aceitou, e um mês após o nascimento de Brian, ambos se casaram, comigo e a Daiane como padrinhos, em uma cerimônia linda. O próximo casamento foi o do meu pai, que, ao chegarmos aqui, reencontrou um amigo do meu falecido pai, Marlon, chamado Caleb. Eles começaram a sair e, seis meses depois, meu pai foi morar com Caleb em seu apartamento, que ficava perto da casa onde moro. Dois meses depois, eles se casaram.

A casa em que morávamos quando nos mudamos ficou para mim, já que James havia se mudado para uma casa que o Davi comprou para eles morarem, ao lado da minha.

Quanto a mim, nada mudou muito. Consegui entrar na faculdade de Los Angeles e me formar. Tive meu filho, e minha família me ajudou a criá-lo. Além disso, fiz uma grande amiga, a Daphne, que me ajudou a superar o que aconteceu comigo em Nova York. Ela também compartilhou algo de seu passado que me fez odiar os pais dela, mas não posso entrar em detalhes, pois é um assunto pessoal dela.

Depois de nos formarmos na faculdade de engenharia civil, conseguimos entrar na empresa Engineering Jenkins, a empresa do meu padrasto. Com esforço, tornei-me um sócio da empresa e diretor de vendas e contratos. Daphne tornou-se diretora administrativa. Na minha vida pessoal, tento ao máximo cuidar do Mathhew da melhor forma possível. Sempre tiro um tempo para ele e para o nosso cachorro, Zeus. Quanto a relacionamentos amorosos, não sinto mais a necessidade de tê-los.

***************

Saí dos meus devaneios ao ver a porta do meu escritório ser aberta com força, e Daphne entrou usando calças jeans e a blusa da empresa com as iniciais EJ. Minha roupa não estava muito diferente.

— Cheguei, meu maravilhoso amigo — Daphne gritou, segurando uma pasta nas mãos. — Aqui está o contrato para trabalharmos na construção da ala nova daquela clínica requisitada

Ela colocou a pasta em cima da minha mesa, e isso me intrigou, já que ela nunca trazia esse tipo de coisa para mim. Quando estávamos juntos e ela queria brincar comigo, costuma tentar fazer uma frase de efeito.

— O que foi? — Daphne perguntou, sentando— se no sofá em frente à minha mesa.

— Não combinamos de entrar dizendo isso todas as vezes, e você definitivamente não combina com frases de efeito — falei seriamente. — E o que te traz à minha humilde sala?

Ela revirou os olhos, bufou irritada e se encostou no sofá, cruzando as pernas.

—  Quero saber sobre o reencontro com aquele tal Zayn —  Daphne perguntou. —  A Daiane me contou que você o viu no shopping com ela e o Steven

Steven era o namorado da Daiane, que também trabalhava aqui e conseguia ser igualmente irritante. Era um verdadeiro fofoqueiro, exatamente como a Daiane. Revirei os olhos para Daphne, que sorriu inocentemente. Só a Daiane seria capaz de espalhar minha vida para todos.

Ignorei o comentário, o que a deixou visivelmente irritada, e comecei a analisar os papéis que estavam dentro da pasta. Tudo estava correto, exceto pelo nome da pessoa que desejava contratar nossos serviços para a construção da ala.

—  Está tudo certo —  Declarei, e Daphne comemorou. —  Exceto pelo nome do sujeito que quer contratar nossa ajuda para construir essa ala. Ainda hoje, vou ligar para o gerente da clínica e discutir isso. Caso não possa ser resolvido, precisamos cancelar o contrato rapidamente. Depois, é só esperar Caleb voltar dessa viagem de negócios e entregá-lo para que ele assine.

Daphne me encarou com uma sobrancelha arqueada e mudou do assunto profissional para o pessoal.

—  Seu pai já contou para ele? —  Daphne perguntou. —  Ou você pretende seguir o clichê dos livros, esperando que ele volte de viagem para jantar e contar?

Ri um pouco, pois só a minha amiga faria uma referência clichê de livro na vida real.

—  Ainda não —  Respondi. —  Vou esperar que ele volte esta noite e contar na frente de toda a família. Você vai à noite de jogos em família?

—  Claro que vou —  Daphne respondeu com entusiasmo. —  Preciso rever minha família. Para mim, você, James, Daiane e Davi são como irmãos, e seu pai e padrasto também são minha família. Além disso, estou morrendo de saudades do Matthew e do Brian.

Sorri quando ela mencionou o nome do meu filho e do meu sobrinho, que eram o amor da minha vida.

—  Eles também sentem saudades de você —  afirmei, e ela sorriu.

Enquanto ela se preparava para se levantar, meu celular vibrou em cima da mesa, indicando que uma mensagem havia chegado. Daphne foi mais rápida do que eu e pegou o celular.

—  Maldita agilidade —  resmunguei.

—  Você quer sair comigo? —  Daphne leu a mensagem e me encarou. —  Zayn está perguntando qual é a sua resposta. Diga sim, amigo. Segundo Daiane, ele é uma delícia

Fiquei vermelho tanto pelo modo como ela falou de meu amigo quanto pelo fato de ela estar com meu celular nas mãos e poder ver minha troca de mensagens com Zayn.

—  Primeiro: que nojo —  Fiz uma careta para ela e pedi meu celular de volta. —  Segundo: Devolva meu celular Não tem nada aí para você Terceiro: Não preciso compartilhar meus planos amorosos com ninguém

—  Você precisa viver um pouco mais —  Daphne falou. —  Viver pelo seu filho é ótimo, mas você também precisa sair com alguém Aproveite essa aparência de garotinho, Marcos. Ninguém gosta de ser traído, mas precisamos seguir em frente.

Olhei para ela, querendo acreditar no que estava dizendo, mas era um trauma muito profundo. Sofri muito com a traição e não conseguia deixar de sofrer.

—  Você sabe que, um dia, terá que decidir se quer viver no passado ou se permitir uma aventura amorosa —  ela se levantou do sofá e sorriu para mim. —  Vou indo, até à noite Pense no que eu disse, viva um pouco

Ela saiu da sala, deixando-me sozinho com uma série de pensamentos que começaram a me deixar nervoso. Abri o computador para tentar distrair minha mente e comecei a revisar alguns contratos e planilhas.

*************

A manhã voou e a tarde também, e quando deu 14:00, saí da empresa para buscar meu bebê e seu primo na escolinha. O percurso da empresa até a escola não levava mais de meia hora.

No caminho, as palavras de Daphne continuavam a ecoar na minha mente, e eu tentava afastá-las. Liguei o rádio, deixando a música eletrônica me envolver e me ajudar a esquecer tudo o que minha amiga havia me dito de manhã e repetido no horário do almoço.

Cheguei à escola junto com as vans escolares e alguns pais. Devido à minha aparência mais jovem do que minha idade real, todos sempre ficavam surpresos ao descobrir que eu tinha um filho e que o buscava na escola todos os dias. Esse é o meu cotidiano e o do meu irmão. De manhã, James leva o filho e o Matthew para a escola, e eu os busco à tarde, assim como meu pai, Caleb, e até mesmo o Davi busca o filho.

Desembarquei do carro e me aproximei do portão da escola, onde a professora da classe do meu filho estava conversando com uma mãe. Meu filho estava ao lado, segurando a mão de Brian, seu primo. A relação deles como melhores amigos era adorável, embora Matthew parecesse ser mais introvertido, enquanto Brian era mais tranquilo.

— Papai — Mathhew Gritou a me ver e veio correndo pra mim puxando o primo. É assim todos os dias quando busco eles na escola.

  E não trocaria isso por nada

Me agachei no momento em que os dois garotinhos quase caíram no chão. Afinal, Matthew não sabia correr sem levar alguém junto. Abracei meu filho e meu sobrinho, peguei as mochilas deles e fui em direção ao carro, sentindo os olhares curiosos de alguns pais e mães sobre mim.

Eu já havia mencionado que isso costumava surpreender as pessoas

—  Tio —  Brian chamou. —  E o meu papai?

Admirei como ele e James haviam desenvolvido uma ligação tão forte, assim como eu e Matthew.

—  Seu papai está ajudando várias crianças fofas, assim como você e seu primo —  respondi, sorrindo para Brian. —  Assim como sua madrinha

—  Sim, tio James está ajudando várias crianças —  Matthew disse, erguendo os bracinhos para demonstrar. —  Não se preocupe com isso, você tem a mim

Eram realmente dois fofos

Abri a porta do carro e agradeci por ter comprado um veículo bem grande que tinha espaço para dois assentos de elevação. Ajudei Brian a subir primeiro, pois, segundo Matthew, ele era o "cavaleiro" e Brian sempre era o primeiro. Em seguida, coloquei o cinto de segurança em cada um, deixando as mochilas no chão.

Dei a volta e entrei no carro, colocando o cinto e dei partida. Segui o caminho, ouvindo as músicas infantis que ambos adoravam.

—  Como foi a escola? —  perguntei em determinado momento.

É bom perguntar sobre o dia deles.

—  Brinquei e desenhei um pouco com a tia Giovana —  Matthew disse.

—  Fiz o mesmo, mas fiquei no desenho —  Brian falou baixinho.

Ainda não entendo a timidez dele, ninguém da família é tão tímido assim.

—  E o que mais? —  perguntei, olhando para a rua.

—  Só brinquei, e ela leu um livro para a gente no final —  Matthew falou. —  E nos ensinou a contar até... —  Vi pelo retrovisor que ele fazia uma carinha para tentar lembrar algo.

—  Ela nos ensinou a contar até trinta —  Brian falou, e meu filho assentiu rapidamente, concordando.

—  Foi isso mesmo —  Matthew confirmou. —  E você, papai, o que fez?

Sorri com isso. Ele adora que eu conte sobre o meu dia na empresa, especialmente quando descrevo desenhos de prédios e outras coisas que faço lá.

—  Bem, fiz um monte de coisas —  comecei a contar o meu dia, excluindo a parte sobre Daphne e a mensagem do Zayn, que eu sequer respondi.

Matthew ouvia tudo atentamente, e Brian fazia o mesmo. No entanto, ao contrário do primo, Brian preferia apenas desenhar prédios e roupas, mas ambos estavam prestando atenção.

*********************************************

Cheguei em frente à minha casa de dois andares, pintada de branco e marrom, com uma garagem para dois carros. Abri o portão e entrei.

—  Papai/Tio —  chamaram meu filho e sobrinho quando parei o carro e fechei o portão da garagem.

—  Oi, meus amores —  disse, tirando o meu cinto e me virando para olhar para eles.

—  Vovô Caleb já voltou? —  perguntaram juntos, fazendo carinhas fofas e expressando saudade ao mesmo tempo.

—  Não, ele ainda não voltou —  expliquei, e ambos ficaram tristes.

Caleb e esses dois são inseparáveis, assim como são com meu pai, meu irmão e outros membros da família.

—  Sinto saudades dele —  disse Matthew.

—  Também sinto saudades dele —  acrescentou Brian.

É fácil ver que eles são muito próximos, mesmo que tenham se passado apenas dois meses desde a viagem de Caleb.

—  Ele também sente saudades de vocês —  disse, abrindo a porta do carro. Desci e fui abrir a porta do banco de trás, tirando os dois dos assentos e colocando— os no chão ao meu lado enquanto pegava suas mochilas.

—  Será que o vovô vai brincar conosco depois de hoje? —  perguntou Matthew. —  Ou será que ele vai ficar sem tempo?

Fiquei confuso com isso e olhei para ele.

—  Por que ele não faria isso? —  perguntei.

Ele me olhou e falou algo que me deixou pasmo.

—  É segredo do vovô para o vovô Caleb —  disse Brian. —  Ele vai dar um presentão.

Não pude acreditar que meu filho e sobrinho sabiam do segredo do meu pai para Caleb.

—  Como vocês... —  comecei a perguntar, mas ambos fizeram um sinal de silêncio.

—  Xiu, papai —  disse Matthew, e Brian imitou o gesto sem dizer uma palavra. —  É segredo dos vovôs, o vovô Fred nos disse que ninguém pode saber que ele vai... —  ele colocou as mãos na boca.

Não pude evitar rir baixinho.

—  Vocês dois são pequenos gênios —  falei, divertindo-me com a situação.

********************

Fui até a cozinha e comecei a preparar sanduíches para nós três, pensando no que faria de lanche para o pessoal na parte da tarde. Meu irmão, Davi, Daiane, e o amigo do James, Carlos, comem bastante, enquanto Matthew não fica atrás deles.

Quem come como pessoas civilizadas são eu, meu pai, Caleb e Brian, que não comem muito.

Enquanto fazia os sanduíches, peguei um pouco de frios, uma pasta de alho que meu pai faz, e uma jarra de suco de maçã, que Matthew e Brian adoram.

James nem liga, toma todos os sucos.

Com os sanduíches prontos, fui chamar meus pequenos. Subi para o quarto de Matthew, que fica ao lado do meu. Ele tem seu próprio espaço, já que os quartos da casa são enormes.

Antes de chamá-lo, troquei minha roupa por uma calça de moletom e uma camisa cinza, suja de saliva. Estou em casa, então posso usar o que quiser.

Abri a porta do quarto de Matthew e os encontrei desenhando. Brian usava uma camiseta e shorts do primo, enquanto meu filho usava um short jeans e uma camiseta vermelha.

Aproximei-me lentamente para ver o que eles estavam desenhando, e meu coração apertou. Três bonequinhos de mãos dadas, com uma casinha ao fundo.

— Oi, meus amores —  disse quando ambos levantaram a cabeça e sorriram para mim. —  Vamos comer?

Matthew me olhou e perguntou algo que me deixou triste por dentro.

— Papai, eu atrapalho sua vida? —  ele perguntou com a cabeça baixa, enquanto Brian estava ao seu lado, como se estivesse dando apoio ao primo.

Eu abaixei para ficar da mesma altura deles, ergui o queixo do meu filhote para que ele olhasse para mim e disse com toda sinceridade:

— Você jamais vai me atrapalhar em nada na minha vida, você é a melhor coisa para mim, me dá forças para continuar de pé —  falei e o puxei para um abraço. —  Quem disse isso?

— Uma menina disse que ouviu dos pais dela —  Brian explicou. —  Disseram que os pais dela falaram que o pai do Mat devia ser menos ligado a ele.

É horrível saber que adultos falam coisas assim e fazem as crianças ficarem com isso na cabeça.

— Você nunca vai me atrapalhar — falei sorrindo para ele, que sorriu de volta. —  Nunca acredite nisso, você promete?

Ele ergueu o dedo mindinho e prometeu, apontando para Brian também.

— Que bom. Agora vamos —  falei sorrindo e me levantei, vendo os dois saírem correndo.

Saí do quarto e fiquei sozinho, aproveitando para observar o desenho que tinha algumas palavras escritas. O primeiro boneco dizia "Papai Marcos", o do meio "ele", e o terceiro era um bonequinho com a palavra "pai" escrita em cima.

Isso apertou meu coração, já que sei que toda criança deseja ter os dois pais ao lado, e um só tentando fazer o papel dos dois não é a mesma coisa.

— Papai, vem! —  gritou Matthew, tirando— me de meus devaneios. Fui atrás deles para ajudar com os sanduíches, mas, pela última vez, olhei para o desenho.

Deixei o quarto com um grande aperto no coração.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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