Capítulo Dezoito
Edu Robinson:
Nesse momento, uma onda de ansiedade tomou conta de mim. A presença inesperada de Samira e Lisa me deixou inquieto, e meu coração começou a bater mais rápido. Eu estava despreparado com as lembranças ameaçando vir para cima de mim só de olhar para o sorriso predatório de Samira em cima de mim, e a tensão da minha mente e coração voltado com força total por todo meu corpo.
Marcos percebeu minha mudança de expressão e colocou a mão em meu ombro, preocupado.
— Edu, você está bem? — Ele perguntou em tom de preocupação.
— Eu... estou tendo uma crise de ansiedade, Marcos. Não esperava encontrá-las aqui. Preciso de um momento, por favor — respondi, lutando para controlar minha respiração.
Marcos assentiu compreensivamente e me deu espaço para respirar e recuperar a calma. A presença de amigos solidários era um alívio, mas a ansiedade ainda era uma força poderosa que precisava ser domada. Eu me concentrei na respiração profunda e lenta, tentando afastar os pensamentos angustiantes que me atormentavam.
Marcos e Daphne, que pareciam entender a situação, conseguiram gradualmente controlar a crise de ansiedade. Eles mantiveram uma conversa leve e agradável para me distrair, enquanto eu me esforçava para recuperar a compostura.
Enquanto isso, Samira e Lisa se aproximaram da mesa, ainda com sorrisos no rosto. A tensão no ar era palpável, mas eu estava determinado a enfrentar a situação com calma e dignidade.
— Edu, que surpresa agradável encontrá-lo aqui! — Samira disse, tentando manter o tom amigável. — Marcos, vejo que já faz um tempo?
— Olá, meu filho, faz um tempo que a gente não se via. Como você tem passado? — Lisa acrescentou.
Respirei fundo, tentando não deixar que a ansiedade dominasse novamente. Era importante manter a compostura e responder de maneira educada.
— Olá, Samira, Lisa. Faz algum tempo, de fato. Estou bem, obrigado. E vocês? Como estão? — Respondi, forçando um sorriso.
A conversa continuou, embora eu ainda sentisse uma certa tensão no ar. A presença de Marcos e Daphne ao meu lado era um grande apoio, e com o tempo, a ansiedade começou a ceder. Eu estava determinado a lidar com a situação da melhor forma possível, mesmo que minha mente ainda estivesse repleta de preocupações.
— Por que, ao invés de fazerem uma falsa simpatia, não vão direto ao assunto do que vieram fazer? E aposto que já estavam seguindo o Edu e colocaram algum rastreador no carro que ele está alugando — Marcos disse secamente.
Durante o tenso silêncio que se seguiu, Samira e Lisa trocaram olhares nervosos. Pareciam desconfortáveis com a forma como a situação estava se desenrolando. Finalmente, Samira tomou a palavra.
— Marcos, entendo que esteja chateado, mas realmente viemos apenas para... — Ela começou, mas foi interrompida por Marcos.
— Samira, seja honesta. Por que vocês estão aqui? — Marcos insistiu, com um olhar firme.
Samira suspirou e decidiu ser mais direta.
— Estávamos preocupadas com o Edu. Queríamos saber como ele está e se tudo está bem. Não era nossa intenção causar problemas. — Ela parecia genuinamente arrependida para as pessoas ao redor, mas conhecia o demônio que estava por debaixo daquela máscara.
— Corta esse papo, aqui você não engana ninguém — Marcos disse estalando a língua.
A rápida transformação da expressão de Samira para um olhar de puro ódio na direção de Marcos criou um momento de tensão ainda mais palpável na mesa. O silêncio pesado pairou no ar enquanto todos presentes observaram a súbita mudança de emoção.
A hostilidade de Samira estava sendo notada por todos, e Marcos olhou com a mesma intensidade. Eu percebi que ele entrelaçou os nossos dedos, e todos notaram isso perfeitamente. Isso fez os olhos da maluca da Samira brilharem ainda mais perigosos. Lisa notou o que estava prestes a acontecer e se posicionou na frente de sua amiguinha. Realmente, eram duas colegas cujos rostos transmitiam tanta hostilidade que meu estômago começou a ficar enjoado só de olhar para elas.
— Meu cartão está dando recusado — disse Lisa, e já percebi que ela estava prestes a iniciar uma cena.
— Sim, fui eu que mandei cancelar — falei, tentando acalmar minha mente. — Afinal, é o cartão da empresa. Lembro-me de que você tem o seu próprio.
— Está querendo tirar o dinheiro que é meu por direito — Lisa disse. Dessa vez, notei sua expressão de descontrole. — Esse dinheiro é meu por direito desde que me casei com seu pai.
— Esse é o seu equívoco. O dinheiro que meu pai depositou para você é seu — falei. — O da empresa pertence apenas à empresa, para seus assuntos, e nada além disso. Não adianta dizer o contrário. Meu pai sabe disso, assim como você, que assinou um acordo com ele sobre o uso do cartão da empresa, que só deveria ser para ajudar nas finanças de um projeto. Pelo que soube, esse cartão estava sendo usado indevidamente.
Meus olhos caíram em cima de Samira, e Lisa olhou para a garota ao seu lado, que tentou disfarçar.
— Eu vou fazer seu pai me dar outro. Acha mesmo que isso vai me impedir? Você sabe que seu pai faz de tudo por mim — disse Lisa, mas isso só me fez revirar os olhos.
— Presumo que você se lembra que ele só vai aceitar uma ligação sua depois de muito tempo. Afinal, se o conheço muito bem, ele só fala com a família dele três vezes em um certo período, até recusar o restante das ligações, até que ele simplesmente queira aceitar — falei. Notei que Marcos e Daphne prenderam a risada.
— Isso não vai ficar assim! — Lisa gritou, e todos no restaurante olharam na nossa direção, incrédulos. — Acha que vai conseguir me impedir de fazer algo neste instante por quanto tempo.
Sorri amplamente.
— Pelo menos por alguns dias — respondi.
— Se já terminaram, podem sair. Afinal, não temos muito o que conversar — Daphne disse, levantando a cabeça para as duas mulheres com um olhar cético.
— Quem você pensa que é para falar assim com a gente? — Samira rosnou.
— Sou a pessoa que pode acabar com a sua raça em segundos. Sei muito bem o que fez para magoar meu amigo anos atrás, e posso me vingar por tudo o que ele e o Edu passaram nos últimos tempos — Daphne disse, estalando os dedos. — Estou com vontade de lidar com algumas pessoas nos últimos tempos.
Samira ameaçou avançar; Lisa a segurou pelo cotovelo com força.
— Vamos embora, Lisa. Não vale a pena continuar isso aqui — Lisa disse. — Mas não pense que acabou.
Lisa lançou um último olhar furioso e saiu com Samira. O restaurante finalmente voltou ao seu estado normal, e as conversas recomeçaram.
— Obrigado, Daphne. Você foi incrível — agradeci a ela, aliviado.
Daphne deu de ombros, parecendo indiferente.
— Não precisava agradecer. Afinal, quem são essas vagabundas acham que são? Fazendo o que bem entendem por qualquer lugar.
— Longa história. Vamos apenas esquecer isso por agora e aproveitar a refeição.
Enquanto continuávamos a conversar e a desfrutar do almoço, percebi que a amizade de Daphne e seu jeito destemido poderiam ser recursos valiosos no futuro.
— Esqueci essas duas, mas estou incrédulo que você cancelou o cartão de crédito da sua mãe — Marcos disse. — Aquela mulher, pelo que me lembro, não conseguia ficar sem gastar nada.
— Bem, fiz o possível. Samira estava usando o cartão e retirando dinheiro da empresa aos poucos — respondi e olhei para o lado de fora. — Elas vão discutir um pouco, mas sei que aquelas duas cobras não vão se desgrudar tão facilmente. São sogra e nora perfeitas.
Fiz uma expressão de nojo. Marcos, que ainda segurava meus dedos, fez uma expressão pesarosa por um momento, mas logo voltou ao normal. Assim como eu, ele havia sido afetado pelos esquemas da Lisa anos antes, e aposto que algumas palavras o feriram profundamente, deixando uma marca gigante em seu coração que ele tenta esconder, assim como eu estava querendo esconder.
Apertei seus dedos com delicadeza, querendo mostrar que estou ao seu lado.
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Saímos do restaurante, mas Marcos estava em completo silêncio, afastando-se de mim e de Daphne, que ficou para trabalhar ao meu lado.
— Ele pode não aparecer mais. Ele está se culpando muito nos últimos tempos pelo que você disse a ele, Edu. Ele está se culpando por não ter visto antes — Daphne disse.
— Mas eu não estou culpando, nem muito menos quis contar a ele apenas para colocar algo desse tipo em sua cabeça — falei.
— Eu sei, mas ele não está agindo assim por causa do que você contou. Ele está apenas escondendo o que está dentro dele — Daphne disse, cruzando os braços. — Ele vai começar a falar com uma psicóloga a partir de amanhã. Conheço essa pessoa, e ela pode ajudá-lo se ele se permitir. — Ela soltou um suspiro. — Mas para isso, devemos mostrar que estamos ao lado, apoiando. Por isso, vou perguntar, está preparado para lutar pelo Marcos, mesmo que ele não queira nada com você?
Engoli em seco, mas sabia que era o certo as coisas serem assim. Antes de ter qualquer coisa com Marcos, preciso pelo menos ser um verdadeiro amigo dele.
— Estou disposto a apoiá-lo, mesmo que seja apenas como amigo. Não quero que ele se sinta sozinho neste momento difícil — respondi a Daphne com sinceridade.
Ela assentiu, parecendo satisfeita com minha resposta.
— É o que ele precisa agora, Edu. Vamos estar ao lado dele, não importa o que aconteça. Ele precisa saber que não está sozinho em momento algum.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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