Capítulo Dez

Marcos Dawson:

Achei que teria calma ao chegar em casa, após Oliver e Zayn me deixarem ali. Mas estava enganado, pois esqueci que minha família é repleta de loucos. Além disso, tive que contar tudo para Daphne, afinal, Oliver contou para ela, e de bônus meu irmão e Daiane ouviram.

Pela primeira vez em seis anos, soltei todas as minhas lágrimas, pois nunca chorei uma vez sequer e sempre ocultei minha dor dentro de mim. Acredito que o que me aconteceu e o que Edu me contou, junto com a descoberta das peças na minha mente, tenha sido o gatilho para a barreira que construí contra as lágrimas e a tristeza se romper.

Após esse momento de compartilhar tudo com eles, foi a hora de trocar de roupa e buscar conforto para descansar a mente do que me aconteceu.

Mas, como a vida é implacável, quando deitei na cama e estava prestes a fechar os olhos, Daiane soltou um grito que me fez despertar na hora.

— Vocês o quê? —  Daiane gritou espantada do andar de baixo.

Olhei para o teto do meu quarto, e mesmo não querendo saber o que aconteceu, levantei da cama e fui para o andar de baixo, mas com uma enorme vontade de me bater por ter permitido que essas pessoas entrassem na minha casa.

***************

Na escada, percebi que Daiane parecia em choque, enquanto Daphne e eu só queríamos entender o que estava acontecendo ali.

Fiquei surpreso por não encontrar os meninos na sala, afinal, com o grito que Daiane deu, eu esperaria ver várias pessoas lá.

— O que aconteceu? — perguntei. — Deve ser algo urgente para Daiane ter gritado daquele jeito.

— Eu gritei porque parece que você vai ter outro sobrinho — Daiane respondeu.

— Eu sei disso, James está grávido! — respondi a ela. — Todo mundo já sabe disso.

— Não é isso — Daiane explicou. — James, conte a eles o que você acabou de me contar.

— Bem, um senhor que é avô de um paciente meu acabou de falecer e pediu para Davi cuidar de seu neto. — James falou. — O nome dele é Zack Levidis. Foi isso que contei para Daiane, junto com a informação de que o advogado do senhor Levidis entrará em contato em breve para organizar a situação de Zack, incluindo a possibilidade de ele se tornar parte do conselho juvenil da cidade até que isso seja resolvido.

Olhei para o meu irmão, surpreso, afinal, não é todo dia que você se vê responsável por um garoto quando o avô dele acaba de falecer.

— Ele não tem outros membros da família? — Daphne perguntou. — Seria mais justo para vocês dois se houvesse alguém mais próximo?

James balançou a cabeça negativamente, e Daiane respondeu.

— A mulher faleceu três meses após o filho deles casar — Daiane explicou. — Quando o neto estava prestes a completar dois anos, o filho e a nora sofreram um acidente que tirou suas vidas! Desde então, era só o avô e o neto.

Não vou mentir e dizer que fiquei surpreso por Daiane saber disso, afinal, ela conversa muito e faz várias amizades, e enfermeiras como ela precisam criar alguma conexão com os pacientes. Elas acabam sabendo toda a vida deles. No entanto, também sei como será difícil para esse Zack ficar sem ninguém da família ao seu lado. Eles nunca vão poder ver quem Zack se tornará no futuro e quem estará ao lado dele. Mas tudo isso ficou nas mãos do meu irmão e do meu cunhado.

— Isso deve ter sido bem complicado para você — comentei, olhando para James. — Cuidar de um garoto que você mal conhece.

— Eu o conheço um pouquinho, ele fala bastante nas consultas sobre seus gostos — James respondeu. — Mas não tenho ideia de como lidar com um garoto de sete anos que fará aniversário daqui a vinte dias.

— Você vai aprender — Daphne afirmou. — Exceto pela parte do aniversário, que provavelmente terá que ser cancelada. E você tem a gente para ajudar no que for preciso, exceto na parte de cuidar dele, essa tarefa fica com a Daiane e o Carlos!

Quando quer, Daphne consegue ser prestativa e se esquivar de responsabilidades.

— É, você terá todos nós ao seu lado — Daiane acrescentou. — Todos nós também na parte de cuidar dele.

Daphne mostrou a língua para Daiane, demonstrando como minha amiga é bastante descontraída em situações desse tipo.

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Depois disso, continuei conversando com eles, sabendo que não me deixariam descansar um segundo sequer. No entanto, eu sabia que em breve James teria que partir para preparar as coisas para receber esse tal Zack, quer dizer, seu futuro filho adotivo.

Ainda é estranho pensar que serei tio de um garoto de quase oito anos! Consigo imaginar a reação do meu pai ao ouvir essa notícia! Provavelmente, ele vai surtar e tentar mimar bastante o garoto para que ele se sinta parte da nossa família.

Saí dos meus devaneios e me vi sozinho na sala com Zeus, meu fiel companheiro canino, que estava lambendo meu rosto. Ouvi risadas animadas vindo da cozinha e sabia que os outros três estavam preparando algum lanche e cuidando dos meninos. Eles não me chamaram porque sabiam que eu tinha muito na cabeça.

—  Zeus, sai pra lá! —  Falei empurrando ele. —  Também pode descer do meu sofá! 

Ele me ignorou completamente e continuou lambendo meu rosto, ele sempre fica assim quando Daphne fica de babá do Mathhew.

—  Já que não vai me obedecer —  Falei. —  Vai ficar sem seus biscoitinhos.

Ele parou de me lamber e me olhou com um olhar triste. A que ponto estou chegando, estou tentando chantagear o cachorro do meu filho. Desisti de continuar com isso e, em vez disso, fiz um carinho nele, e ele se deitou no meu colo.

— Sabe, estou pensando em tomar uma pílula, para ver onde estaríamos se eu engravidasse novamente — falei para ele. — Só eu, você e Mat nesta casa já é perfeito, mas tenho tantas coisas na cabeça que algo está me impedindo de tomar essas pílulas.

Ele não respondeu, apenas ficou ali comigo.

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No dia seguinte:

Correria é o que me define nesta segunda-feira, após um domingo à tarde relaxante com os malucos da minha família.

À noite, eles foram embora, e fui preparar Mat para o banho, pois ele estava exausto depois de brincar tanto com Brian. Finalmente, quando ele dormiu, me permiti cair no sono. Acordei no meu horário normal e vi que havia recebido um e-mail de Caleb dizendo que hoje teríamos uma reunião de última hora com um cara que deseja construir uma sede da empresa aqui em Los Angeles.

Vocês não podem imaginar o quão ocupado estou, correndo de um lado para o outro organizando papéis, preparando a sala de reuniões e pesquisando os investimentos da empresa.

Não tive a chance de me despedir de Mat, pois entrei na empresa muito cedo para organizar essa maldita reunião. Esse cara que marcou isso de última hora merece ser esganado, não consegui me organizar adequadamente.

Ao chegar na empresa, fui diretamente arrumar tudo da melhor forma possível. No caminho, cruzei com Vânia, que me lançou um olhar debochado e vitorioso. Como se o plano dela tivesse sido um sucesso estrondoso.

Pelo visto ela não sabe que foi descoberta, vou resolver isso antes que ela faça algo pior.

Parei e a conversa que tive com Edu veio à tona, e como aquilo me fez querer chorar, lembrando como a mãe dele tramou tudo isso para nos separar.

— Vânia, a partir de hoje você está fora da minha empresa — disse, olhando para ela. — Não preciso de alguém sem caráter e que não consegue agir corretamente. Pode passar no RH imediatamente!

Ela me olhou com raiva.

— Seja grata, pois posso tornar isso muito pior se quiser tentar alguma coisa. Tenho várias provas contra você. Portanto, até depois da minha reunião, quero você fora daqui! — disse e me virei para sair dali.

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Levou uma hora para preparar a sala de reuniões e vinte minutos para reunir toda a papelada. No entanto, o cara ainda não havia chegado no horário marcado, que era nove e meia.

— Onde ele está? — Caleb me perguntou, olhando para o relógio. — São nove e quarenta e cinco, ele está quinze minutos atrasado!

— É melhor que ele tenha um bom motivo para estar atrasado! — comentei. — Ele pediu essa reunião de última hora e ainda chega atrasado! Aliás, quem é esse cara? Você não me explicou no e-mail!

Caleb abriu a boca no exato momento em que a porta foi aberta com força.

Isso só pode ser brincadeira comigo!

O homem estava vestindo um terno preto de marca italiana.

— Desculpa pelo atraso! — Edu falou. — Tive um problema com o carro, e minha mãe quis vir comigo, já que meu pai autorizou. — Ele acrescentou a última parte com certo nojo na direção da mãe dele.

Edu nem percebeu que eu estava na sala, mas quando seu olhar finalmente pousou sobre mim, ele ficou chocado e seus olhos brilharam com tanta intensidade que fiquei envergonhado.

— Desculpem pelo atraso do meu filho! — Lisa falou, surgindo atrás do filho. Ela usava um terninho branco, e seu olhar também se fixou em mim.

— Marcos? — ambos disseram, e meu padrasto me olhou com curiosidade.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

  

  
  

 
 

  

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