Prólogo


Rafael


Acordo sabendo bem onde estou.

A sombra que vivia passeando pela minha cabeça e consumindo minha vida, deixou de existir. Depois de tudo que aconteceu, o melhor a fazer foi ficar longe de todos. Não vejo ou falo com Amanda há quase cinco meses, Leticia tentou entrar em contato comigo, umas quatros vezes na primeira semana.

Cada um seguiu sua vida, estão todos livres. Menos eu e Alice.

Sei o peso da minha decisão, e estou disposta a pagar o preço por ela.

As mídias estão em chamas com o laudo da polícia informando o desaparecimento dos matriarcas da família Martins, Amalia, Fernanda e Daniel. A chuva de comentários nas redes sociais pedindo explicações, lamentando o ocorrido e ameaças de mortes foram o suficiente para afastar todos das redes sociais. A única pessoa que teve coragem de dar uma entrevista foi Erick. Ninguém mais falou no assunto, cada um sabe a história que precisa ser contada. Repassamos tantas vezes que acabou se tornando a verdade.

Marcos desapareceu, nunca mais tivemos notícias dele. Não sabemos se ele chegou a sair de Fernando de Noronha.

Acho melhor assim.

Levanto da cama e me vejo no espelho. Minha pele está em perfeito estado, não existem marcas ou manchas no meu corpo, meu cabelo brilha com a vitalidade correndo nas minhas veias e me sinto mais forte que nunca. Meu corpo parece que foi esculpido em mármore de tão resistente e sem imperfeições.

A mídia está enlouquecida tentando descobrir que tipo de procedimento estético foi realizado no meu corpo e o que aconteceu com os membros da minha família.

Sem comentários. Essa foi minha resposta para tudo.

Fiz uma promessa a todos da minha família; estão livres para aproveitar a vida sem está preso ao medo. Sem está preso a mim.

Tomo banho e termino de me ajeitar quando Alice bate na minha porta. Estamos buscando uma forma de quebrar esse pacto, sem expor nossa família ao caos. E ela é a única que pode me ajudar nisso.

Alice bate na porta com mais força. Ajeito a camiseta e abro a porta.

– O que foi? – pergunto.

– Tem uma mulher na sala querendo falar com você. Rafael, se for o que estou pensando, vamos ter um grande problema. – Alice parece assustada, tentando falar rapidamente.

– Do que se trata?

– É melhor você mesmo ver.

Ela me acompanha, enquanto ando pelo corredor largo até chegar na sala do novo apartamento onde estamos morando no momento.

Uma mulher familiar está sentada no sofá de costas para mim, respirando fundo e com os pensamentos receosos disparados. Assim que tento escutar seus pensamento e sentir seus sentimentos, ela coloca a mão na cabeça e sou expulso para fora, na mesma proporção de uma arma sendo disparada.

Dou um passo para trás e bato em Alice nas minhas costas, se assustando com a minha reação ela me encara. Nos olhamos e a mulher se levanta do sofá, escutando quando Alice segura nos meus ombros para evitar que caísse em cima dela.

Mas que merda foi essa? Pergunto para mim mesmo.

Me ajeito e a mulher se vira, na hora a reconheço. Ainda não sei seu nome, não consigo lembrar se é Maria, Mariana ou Ana, mas lembro das adolescentes gritando na sala.

Meu olhar desce do seu rosto assustado para seus seios fartos, até chegar no seu quadril e barriga saliente.

– Oi! – ela diz primeiro.

– Oi!

Ficamos em silêncio, esperando ver quem fala primeiro.

– Acho melhor vocês dois se sentarem. – Alice aponta para o sofá novamente.

Sento do seu lado e lembro do seu nome (Ana). Consigo lembrar da gente se conhecendo no corredor da balada onde Marcos havia me levado naquela noite.

– Seu nome é Ana? Não é mesmo? – pergunto querendo saber se meus pensamentos estão corretos.

– É sim. Estava com medo que você não se lembrasse de mim. – fico calado e ela continua. – Rafael, pensei muito se deveria te contar e não pense que estou dizendo isso porque quero algo seu ou algo do tipo...

– Tudo bem, sobre o que você quer conversar?

– Estou esperando um filho seu.


FIM!

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