CAPÍTULO XXXII - PÁRIS E LÚCIA

Encontro Heitor e Aloysius e conto o que aconteceu com Lucas.

- Vamos lá! – fala Aloysius rapidamente.

Eles correm comigo em direção ao quarto onde deixei meu amigo. A caminho encontramos Aline, irmã de Élio.

- Minha mãe foi buscar um médico, como ele está? – ela pergunta ao nos acompanhar.

- Acho que ele desmaiou, deixei na sala e vim buscar ajuda – falo correndo para acompanhar os outros.

No corredor, próximo ao quarto, encontramos Élio, Roberta, Joseph e Mônica, que se assusta ao me ver.

- Páris, o que está fazendo aqui? – ela pergunta gaguejando.

- Lucas passou mal e coloquei ele num quarto, e vocês? O que fazem aqui? – pergunto curioso.

- Mônica disse que tinha uma coisa muito importante para nos mostrar – grita Roberta atrás de Élio. – Estamos esperando queridinha – Roberta coloca as mãos na cintura em tom de desafio.

- Não temos tempo para isso – diz Aloysius se encaminhando para o quarto onde Lucas está.

Acompanhamos Aloysius e ainda ouço Mônica falar:

- Acho que eu me enganei. Vamos voltar para a festa, Élio!? – ela puxa seu braço.

- Agora não. Vou ver como está meu amigo – ele responde se livrando dela e nos acompanhando.

Aloysius abre a porta e eu procuro o interruptor. Tenho certeza que deixei a luz acesa quando saí, mas diante das circunstâncias posso estar enganado. Quando acendo a luz, não consigo acreditar nos meus olhos.

Noah só de cueca, deitado na cama e abraçado com o Lucas ainda enrolado no lençol.

- Que porra está acontecendo aqui? – grita Aline.

Noah se assusta e levanta rápido da cama, fica olhando para mim e para Lucas como que querendo entender o que está acontecendo, tenta sair, mas Aloysius o segura pelo braço. Corro para a cama e puxo o lençol constatando que Lucas ainda está desmaiado. Nessa hora, Dona Isabel chega com o médico.

- O que está acontecendo aqui? A festa é lá embaixo. Vamos! Não quero ninguém aqui - Aline tira os outros do quarto e ouço Aloysius dizer:

- Vamos lá garoto. Você tem muito o que explicar.

Quando está sendo assistido pelo médico Lucas acorda vomitando novamente. Olha pra gente com uma cara de assustado e envergonhado.

- O garoto está bem, ele ingeriu alguma substância, mas o vômito a expulsou do organismo. Agora ele está fraco precisa se alimentar e ingerir muito líquido – Disse o médico para Dona Isabel.

Eles saem do quarto juntos. Aline me fala que vai providenciar algo para Lucas se alimentar. Ajudo-o a vestir a fantasia.

- Acho melhor ligar para meu pai vir me pegar – ele fala.

- Tudo bem, mas ela foi pegar comida pra você – eu falo.

- Acho que posso esperar mais um pouco – nós rimos e esperamos Aline.

O resto da festa foi bem normal. Chegamos a tempo de cantar os parabéns para Élio e de vê-lo cantando para os convidados. Ele finaliza com nossa música. Enquanto canta ele me olha e eu não consigo parar de encará-lo. Até que Senhor Hyun chega e nos leva para casa.

Entro sem fazer barulho, para não chamar atenção, quando chego no quarto encontro minha mãe mexendo nas coisas de Heitor.

- Algum problema mãe? – eu pergunto.

- Nenhum meu anjo. Só estava organizando as coisas do seu irmão – ela responde guardando uma peça de roupa. – amanhã ele vai fazer a prova. E eu estou apreensiva. Como foi a festa?

- Tudo bem – respondo omitindo os detalhes.

- Que bom. Vou deixar você descansar. Até amanhã.

- Até amanhã – respondo e vou dormir.

Existem duas maneiras de entrar na universidade nesse país. A primeira é recebendo uma carta-convite. Para isso você tem que ser excepcional em alguma área. A segunda é se submeter a um exame de provas e tirar notas altas.

Heitor vai fazer esse exame.

- Tudo bem, maninho? – pergunto acordando e vendo-o organizar a mochila.

- Sim – ele responde apreensivo.

Coloca uma alça da mochila nas costas e suspira forte.

- Vamos lá, né!? – fala parado olhando para mim.

- Vai dar tudo certo, mano – falo depois de correr e lhe dá um abraço.

- Vai sim, até por que não estou criando expectativas. Vou fazer apenas por insistência da mãe – ele me senta na cama e se ajoelha na minha frente. – Daqui a dois anos será você, maninho. E eu quero que você chegue nessa hora preparado. Promete pra mim?

- Prometo!

Ele me abraça novamente e saímos para a sala onde minha mãe o espera. Ela o abraça forte. De onde estou vejo seus olhos cheios de lágrimas. Eles nada falam. Aquele abraço traduz todos os sentimentos. Heitor sai e, antes de passar pela porta, vira-se e olha mais uma vez, como se procurasse em nós força para continuar.

Minha mãe senta no sofá e eu vou para o quarto. Deito na cama e penso em Heitor, torcendo para dar tudo certo para meu irmão. Penso que esse é um momento importante para a família e devemos estar unidos. Então resolvo voltar para a sala e conversar com minha mãe.

Ela está ao celular e não me vê chegar então, sem querer, ouço trechos da conversa.

- Também estou com saudades. Amanhã a gente se vê. Não, você não pode vir aqui, ainda é cedo. Ainda tenho que conversar com o Páris.

Quando ouço meu nome institivamente paro, e deixo-a continuar:

- Eu espero que ele entenda, mas depois de tudo o que ele passou, acho que não é o momento certo.

- O momento certo para quê? – pergunto assustando-a.

Ela desliga o celular tão rápido que nem chega a se despedir.

- Páris, meu filho! – ela dá uma pausa, talvez procurando uma desculpa – Eu sinto muito... – ela começa – eu não queria que fosse desse jeito. Vem cá!

Ela senta e faz um gesto para que eu sente com ela:

- Meu filho, não tem outra maneira de falar isso – ela para e olha minha reação - eu estou namorando um homem que conheci no trabalho.

- Porra, mãe! De novo? Você ainda lembra o que o último fez? – levanto de um impulso.

- Dessa vez é diferente. Ele é um bom homem.

- Vilmar também era. Até começar a me espancar – falo e vou correndo para meu quarto.

Deito e começo a pensar: Por que ela precisa de outro homem? Estamos tão felizes só nós quatro. Por que trazer alguém que vai estragar tudo? Com esses pensamentos, adormeço.

Heitor chega no fim do dia, com uma cara de cansado. Pergunto como foi e ele responde:

- Fiz o possível.

Depois do banho, confirmo se ele vai sair com a turma e aproveito para falar sobre o namorado da mãe.

- Ela te contou é? – ele me olha com compaixão.

- Sim. Depois que eu a flagrei conversando com ele pelo celular – respondo.

- Entendo seu medo, mas mamãe é uma mulher, tem suas necessidades. Ela não pode evitar todos os homens por que encontrou com um idiota.

- Dois idiotas – corrijo ele. – O primeiro foi o meu pai.

- Tá. Dois idiotas, mas um dia ela vai encontrar alguém que a ame, que seja bom para ela. Ela merece.

- Mas tem que ser agora? E se não for esse? – pergunto.

- Ela só saberá tentando. E dessa vez ela tem ajuda para escolher.

- Quem? – pergunto curioso.

- Nós dois, podemos ajudá-la com essa decisão, já não somos crianças. Se ele não prestar colocamos ele pra correr daqui.

Baixo a cabeça e penso no que ele disse. Não consigo segurar um sorriso.

-Não se preocupe – ele continua. – enquanto eu estiver aqui ninguém mais faránenhum mal a você. Agora vamos nos divertir com nossos amigos. – ele falabagunçando meu cabelo.


Combinamos de nos encontrar no shopping. Será a primeira vez que reunimos todos, após o aniversário do Élio. Quando chegamos, Roberta e Joseph já estão lá.

- E aí, gostosão! – Joseph nos cumprimenta.

Espero uma reação de Heitor até que percebo todos olhando pra mim.

- Eu? Que história é essa? – pergunto sem entender nada.

- Noah confessou que foi ele que colocou remédio na bebida que Lucas tomou – explica Roberta.

Lucas e Élio se aproximam e sentam com a gente. Roberta continua:

- Ele disse que a bebida era para você, mas o Lucas bebeu por acidente.

- Safado! – retruca Lucas surpreso.

- Ele acreditava que se Élio visse o Páris na cama com ele, eles se afastariam definitivamente e o Noah podia ficar com Páris sem problemas. – conclui Roberta.

- Somente na cabeça doentia dele – falo zangado.

Guilherme chega, veio com os amigos com quem ele anda ultimamente.

- Boa noite, migos. – ele fala sorridente. – deixa eu apresentar meu namorado Tarcísio. Tarcísio, esses são meus amigos – fala ele nos apontando.

- Oi – fala Tarcísio acenando.

Tarcísio era alto, magro, olhos e cabelos castanhos, aparentando uns 19 anos. Por trás dele estavam dois garotos igualmente magros.

- Sentem-se – fala Roberta apontando as cadeiras.

- Não precisa – Tarcísio segura Guilherme pelo braço. – A gente já vai, estávamos só de passagem.

- Você não vai ficar? – pergunta Roberta se dirigindo à Guilherme.

- Não. Ele não vai. Temos um compromisso agora, sinto muito. – fala Tarcísio antes de Guilherme.

E então eles saem, Guilherme ainda olha pra gente com uma cara de desculpas e segue com seus novos amigos.

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