Sete
Sento no alto da escada e ela se senta ao meu lado
- Você não me odeia – Olho para ela
- Por quê?
- Por que, o quê?
- Por que você o abandonou?
- Malu é complicado, eu não gosto de falar dele – Ela desvia o olhar do meu
- Por que você mentiu para mim?
- Eu não sei, quando você me perguntou pela primeira vez dele, eu fiquei desesperada, eu não sabia o que fazer então eu menti, eu sempre pensei que quando você me perguntasse eu contaria a verdade, mas eu percebi que nunca irei consegui te contar.
- Me deixa ir atrás dele
- O quê? Por quê?
- Porque ele é o meu pai! Eu quero conhece-lo, todo mundo o conhece e eu não, eu quero saber como ele é, quero saber seu nome, eu quero ter um pai.
- Não!
- O quê? – Ela volta a olha para mim
- Você não vai atrás do seu pai!
- Por que não?
- Porque eu não quero que você vá!
- Você não pode fazer isso comigo! – Meus olhos voltam a arder e as lágrimas descem involuntariamente
- Claro que posso, eu sou sua mãe!
- Eu quero conhece-lo!
- Não!
- Por favor – As lágrimas descem descontroladamente
- Você está proibida de falar nisto outra vez
Ela levanta, desce as escadas e vai em direção ao escritório.
Mas para no meio do caminho
- Malu – Ela se vira e olha para mim – Sorria o pior ainda está por vir
Ela continua andando. Levanto, desço as escadas e saio de
casa. Ando de cabeça baixa e então percebo que não sei andar pelo bairro
Paro de andar e olho ao meu redor. Vejo um parquinho e
vou até ele, sento em um balanço vermelho enferrujado
Fecho os olhos e as lágrimas voltam a rolar. Eu queria
apenas conhece-lo, queria vê-lo, queria saber quem é o meu pai, por que ela priva isso de mim?
- Malu? – Olho para trás e vejo o Flávio parado atrás de mim com um skate na mão – O que aconteceu?
- Briguei com a Ana – Ele se senta no balanço ao meu lado
- Eu pensei que tinha dito para você tentar conversar com ela
- E disse, mas não deu, brigamos outra vez
- E deixa-me vê se adivinho o motivo, seu pai?
- Ela não quer me deixar ir atrás dele, não quer que eu o conheça!
- Malu, por que você não esquece essa história?
- Flávio, eu não posso, ele é o meu pai! Eu preciso conhecê-lo, eu preciso dele.
- Você tem a sua mãe, ela não é o suficiente?
- Não – Abaixo a cabeça e meus olhos enchem de lágrimas –
Você não entende Flávio, você tem um pai, uma mãe presente, você tem uma família.
Volto a olhar para ele, que está olhando para frente.
- Me desculpe
- Pelo que?
- Por ter dito tudo isso, você não deve desistir, se você quer
encontra-lo então vá procurar.
- Como? – Me levanto e começo a andar na sua frente – Eu não
sei o que fazer! Não tenho ninguém para me ajudar
- E você vai ficar de braços cruzados? Malu você tem que ir atrás de informações! Sua mãe não tem dois melhores amigos?
- Sim, o Lucas e a Jennifer.
- Ótimo! Um deles dois pode te contar tudo o que você precisa
saber
Abro a boca para rebater o que ele disse, mas me contenho. Ele tem razão, a Jennifer pode me contar tudo.
- Flávio você é um gênio! – Pulo em seus braços e ele me abraça forte
Me afasto aos poucos, mas ele continua segurando minha
cintura, me impedindo de me afastar mais.
- Eu sou louco por você – Sinto meu rosto corar e todo o ar fugir do meu corpo – Eu sou louco por você desde que nos conhecemos
Tento evitar, mas sinto um enorme sorriso surge nos meus lábios.
Ele aproxima seu rosto do meu. Sinto meu coração bater
aceleradamente. Me preparo para o tão esperado beijo, mas então meu celular toca estragando todo o clima
- Droga! – Ele me solta e eu pego o celular no bolso. Olho para
ele e vejo quem é: Ana
Ela atrapalha minha vida até quando não está perto
- Não vai atender? – Pergunta ele quando coloco o celular dentro do bolso
- Não
Esperei tanto por aquele beijo e a Ana estraga assim
- Preciso ir embora – Diz ele me trazendo de volta a realidade
- Por quê?
- Tenho umas coisas para fazer em casa e você precisa encontrar seu pai
- Verdade! – Ele dá um sorriso envergonhado
- Bom, tchau – Ele se aproxima do meu rosto, ficamos cara a cara, nossas bocas estão tão próximas, até posso sentir seu hálito de chiclete de menta.
Espero ele me beijar, mas então ele me dá um beijo na bochecha
- Tchau Malu
- Tchau Flávio
Ele sobe no skate e vai embora
Continuo parada, com a mão onde ele beijou.
Sou despertada do meu estado de transe com meu celular
tocando outra vez
Pego ele no meu bolso e olho quem é: Tia Jehny
- Oi tia
- Malu, onde você está?
- A Ana já te ligou né?
- Sim, sua mãe me ligou preocupada, vocês brigaram?
- Sim
- Por quê?
- Te conto quando chegar à sua casa
- Você sabe onde eu moro?
- Não
- Anota o endereço
- Como vou chegar ai?
- Onde você está?
- Sei lá, em um parquinho velho.
- Próximo dai onde você está, tem um ponto de taxi, dê o
endereço e ele te traz aqui.
- Tá bom, pode falar.
Anoto o endereço e desligo
Caminho um pouco e encontro um ponto de táxi
{...}
- Querida você está bem? -Ela me examina e me abraça forte
- Estou tia, cadê a comitiva?
- Ninguém sabe que eu consegui falar com você, a gente vai conversa e depois eu vou ligar para sua mãe
- Ótimo, eu precisava mesmo falar com você
- Tudo bem fala
- Tia eu estou decidida a encontrar o meu pai, e preciso da sua ajuda para isso
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