Seis

**Ana**

Acordo e fico olhando para o teto. Estou esgotada, apenas dois dias nesse quarto e simplesmente desmoronei. Eu não vou aguentar!

As lembranças estão pior que antes e eu não sei o que fazer, não sei como agir

Eu contei coisas a Malu que pensei que jamais contaria agora definitivamente ela deve me odiar, ela sabe que eu menti para ela, ela sabe que foi eu que o larguei, será que ela irá me entender?

Alguém bate na porta me tirando dos meus pensamentos

- Entra – Digo ainda olhando para o teto

- E ai, como você está? – Pergunta o Lucas em pé ao lado da cama

- Com medo – Respondo chegando para o lado, para ele se deitar ao meu lado e assim ele faz – Eu não deveria mesmo ter voltado Lucas.

- Ana você sabe que não poderia passar a vida toda fugindo, você sabe que ele faz parte da sua história e uma hora ele vai voltar.

- Eu não posso encontra-lo, eu...

- Ana – Ele olha no fundo dos meus olhos – Você não pode fazer mais nada, uma hora ela vai encontra-lo, uma hora vocês vão se encontrar, eu já te falei isso e você sabe que vai realmente acontecer

- Eu não estou pronta

- Você vai estar

Olho para ele que está me olhando

- Você é forte, você vai saber lidar com isso.

- Lucas, você viu o meu surto, não é a primeira vez, desde que eu fui para Amsterdã que eu tenho esses surtos e isso acaba comigo.

- Lá você estava sozinha, aqui você tem a sua família, vamos te ajudar.

Volto a olhar para o teto

- Ainda não acredito que ele está casado e tem um filho! - Volto a olhar para ele - Lucas, será que o problema era eu? Será que ele não queria ter um filho, por que era comigo?

- Claro que não Ana, ele te amava, ele apenas não queria ter filho, assim como o seu desejo é ter filhos o dele era não ter

- Então por que merda ele tem?!

- As pessoas mudam Ana, amadurecem

- Por que ele não amadureceu quando estávamos juntos?

Sento na cama e olho para a parede

- Por que você não deu tempo - Ele também se senta - Baby

Ele segura meu queixo e faz eu olha-lo

- Você ainda sente alguma coisa por ele?

- Claro que não Lucas! Estamos separados a mais de onze anos! Como eu poderia ainda sentir algo por ele?

Me levanto da cama e começo a andar pelo quarto, nervosa. Como eu poderia ainda sentir algo pelo Gustavo? Não nos vemos a anos! Eu nem sei como ele está, com certeza ainda deve estar lindo, opa foco Ana!

- Então por que essa reação em relação ao fato dele estar casado e com um filho?

- POR QUE A MINHA FILHA ESTÁ SEM UM PAI POR CULPA DELE! - Grito sentindo meus olhos arderem - A MINHA FILHA ME ODEIA, POR QUE ELE OLHOU NOS MEUS OLHOS E DISSE QUE NÃO QUERIA FILHOS!

- Pode botar para fora - O Lucas se levanta e vem até mim

- Eu, estou sofrendo porque ele não queria realmente um compromisso sério, eu e a minha filha estamos sofrendo porque ele não me amava o suficiente para ter um filho comigo! - Digo abraçada a ele, chorando

- Baby, seja forte

Olho para ele e sorrio

- Senti falta de ouvir você me chamar assim

**Ana**

Acordo suada e assustada. Outro maldito pesadelo! Eu não aguento mais!

Olho para o relógio no criado mudo e vejo que é 05H30, o que significa que eu tenho 1H30 para me arrumar.

Levanto com muito esforço e vou para o banheiro. Tomo um banho mega relaxante e saio do banheiro vestindo meu roupão

Abro minha mala, pego um conjunto de sutiã branco rendado, uma calça jeans branca rasgada nas pernas, uma blusa do Michael Jackson e volto para o banheiro.

Amarro meu cabelo em um coque, calço meus chinelos e desço para tomar café. Entro na cozinha e encontro a Ana, a Jennifer, minha avó e a Marta.

- Bom dia

- Bom dia – Responde elas ao mesmo tempo

- Vai querer o que Malu? – Pergunta a Marta

- Suco de laranja e panquecas, por favor – Respondo me sentando ao lado da Jennifer.

- Dormiu bem querida? - Pergunta minha avó que está com um copo de café na mão. Teria dormido melhor se não tivesse tido outro pesadelo, penso comigo mesma.

- Dormi vó – Minto

A Marta coloca um prato de panquecas e um copo de suco na minha frente, e eu só percebo que estou com fome quando como tudo em menos de cinco minutos.

- Mãe a senhora não conhece nenhuma doméstica não? – Pergunta a Ana que está com uma maça na mão

- Está precisando de uma Annie?

Aqui todo mundo chama a Ana por um nome?

- Estou Marta, você conhece alguém?

- A minha sobrinha, Amanda.

- Quantos anos ela tem?

- Vinte e um

- Ótimo, pode falar com ela para mim hoje?

- Claro

- Obrigada Marta

- De nada Annie – Ela sorri e volta a cortar os legumes

- Malu vai pegar suas coisas, vou te levar para a escola.

Sinto borboletas no estômago e subo correndo para o quarto

Calço meu all star, pego minha blusa xadrez vermelha, meu celular e meu fone, minha mochila e desço.

- Pronto – Digo voltando para a cozinha

- Vamos, mãe encontro a senhora no hospital.

- Filha você tem certeza que quer começar a trabalhar agora? Você não acha que está um pouco cedo demais?

- Mãe a gente já teve essa conversa, meus surtos não iram acontecer no hospital – Minha avó olha receosa para mim, a Ana percebe e logo acrescenta: - A Malu já presenciou muitos surtos não tem porque ficarmos falando em códigos e ela não é mais criança, sabe das coisas.

- Ana eu não acho uma boa ideia, minha querida você deveria ficar mais um pouco em casa.

- Mãe o hospital é seu, se a senhora disser que não quer que eu vá, eu não vou, mas iriei procurar outro para trabalhar – Minha avó suspira em derrota.

- Se você acha que está pronta

- Eu estou pronta!

- Ok, então a gente se vê lá.

- Ok – Ela pega a bolsa encima da cadeira – Tchau Jeh, a gente se vê no hospital.

- Tchau Aninha, tchau Malu.

- Tchau tia

- Tchau minha querida – Minha avó me dá um abraço – Boa aula

- Obrigada vó, tchau Marta.

- Tchau meu amor

A Ana entra no carro e eu entro logo em seguida. A escola é bem perto da casa dos meus avós, em dez minutos a Ana está estacionando o carro enfrente a escola.

- Mais tarde eu venho te buscar – Diz ela enquanto eu desço do carro

- Ok

Fecho a porta e vou até a Fernanda e o Flávio que está com um violão na mão

- Bom dia Malu – Diz a Fernanda quando paro na frente deles

- Bom dia Feh – Olho para o Flávio e sinto meu rosto esquentar – Bom dia Flávio

- Bom dia Malu – Ele sorri

- Para que o violão? – Pergunto enquanto entramos na escola

- No intervalo você vai saber – Responde a Fernanda

- Malu! – A Fabi vem correndo até mim e para na minha frente – Você precisa vê isso!

Ela me pega pela mão e me arrasta corredor adentro. Paramos enfrente a um quadro onde tem escrito em letras pretas “Orgulhos da escola”

- É a sua mãe, não é? – Ela aponta para o quadro

Olho para ele e vejo várias fotos da Ana quando era mais jovem

- Olha meu pai – O Flávio aponta para uma foto em que está a Ana em um vestido de baile, com uma coroa e um buquê de flores acompanhada de um cara com um terno branco que também está com uma coroa. O cara é bem bonito, seus olhos são verdes, ele tem os cabelos pretos, a pele bronzeada, a boca bem desenhada e um sorriso lindo.

- Seu pai foi rei do baile de formatura? – Pergunta a Fernanda erguendo uma sobrancelha

- Foi, mas ele não gosta de falar da época de colégio dele – Ele dá de ombros.

Volto a olhar para o quadro. Há muitas fotos da Ana, da Jennifer e do Lucas. Pelo visto eles eram o maior orgulho da escola, legal!

- Uau! Ela está linda nessa – A Fernanda aponta para uma foto em que a Ana está em um palco tocando piano

- Vamos embora – Digo ignorando todas as fotos

- Seu pai foi rei com a mãe da Malu? – Pergunta a Fabi enquanto nos afastamos do quadro

- Essa parte ai, eu não sabia, estou falando, meu pai não conversa comigo sobre a época de colégio dele.

- Por quê? – Pergunto pegando meu horário de aula na bolsa

- Minha mãe não gosta, ele tinha uma namorada por quem era perdidamente apaixonado e minha mãe odeia que ele fale nela e bom à época de colégio foi baseado nela praticamente.

- E quem é? – Pergunta a Fabi

- Não sei, ele não fala dela, não sei nem seu nome.

- Por que eles não têm mais contato? – Pergunta a Fernanda – Se eram tão apaixonados deveriam ao menos serem amigos, não?

- Ela sumiu

- Como assim? – Pergunto olhando para ele

- Não sei, escutei isso em uma discussão entre ele e minha mãe.

- Bom, a gente se vê mais tarde – Diz a Fernanda quando toca o sinal – Tchau gente.

Ela vai para sua sala

- Tchau gente – A Fabi também vai para a sala

- Vamos – Eu e o Flávio também vamos para a sala, por sorte eu estou na mesma sala que o Flávio

Eu e o Flávio sentamos na fileira da janela eu na carteira da frente e ele atrás de mim. Olho para a mesa e vejo uma pichação muito antiga, mas ainda sim dá para ler o que está escrito: "A & G Amor Eterno ❤".  

A & G? Será que é...

- Bom dia alunos! - Meus pensamentos são interrompidos por uma mulher alta, morena, dos cabelos cacheados que entra na sala.

- Essa é a professora de aritmética, Margo - Sussurra o Flávio no meu ouvido, o que me faz arrepiar.

- Vejo que todos alunos aqui foram os meus do ano anterior – Ela olha para uma folha o que eu presumo que seja a lista de chamada – Exceto por uma que pelo que está dizendo aqui veio de Amsterdã

Ela olha para nós

- Pode se levantar... – Ela volta a olhar para a folha – Maria Luiza?

Levanto e vou até ela

- Pode me chamar de Malu – Digo quando me aproximo dela

- Claro, se importa em falar um pouco de você?

- Eu me chamo Maria Luiza Lancaster, tenho quinze anos, nasci aqui em Seattle, mas fui para Amsterdã com quatro anos e a minha mãe se chama Ana Clara.

- A Ana, foi uma das melhores alunas que eu tive uma maravilhosa aluna e agora uma ótima médica.

- É, uma ótima médica, eu acho que é só.

- Tudo bem, obrigada Malu.

Volto para o meu lugar e durante as três aulas que se sucederam eu conheci meu professor Toddy de francês, minha professora Mildred de sexologia e meu professor de Filosofia Bernard

- Que demora! – Reclama a Fernanda quando a encontramos embaixo de uma árvore na hora do intervalo

- O que vocês vão fazer com esse violão? – Pergunto quando noto o violão no colo dela

- Tocar né – Responde o Flávio pegando o violão da Jennifer

- Já escolhi – Diz o Júnior se sentando ao lado da Jennifer

- Qual? – Pergunta a Fabi se sentando ao meu lado

- Onze:20 Deixo Você Ir – Responde ele com o celular na mão

- Ótimo, eu começo – A Fernanda endireita o corpo e então começa a cantar - Se você me disser que o seu lugar é junto a mim.

- Eu vou até o fim – A Fabi faz a voz de fundo

- Mas se você me disser que tudo acabou aqui

- Eu deixo você ir

- Se você me disser que o seu lugar é junto a mim

- Eu vou até o fim

- Mas se você me disser que tudo acabou aqui

- Eu deixo você ir

- Sabe aquele dia no farol, quando você mentiu pra mim, dizendo que era para sempre – O Júnior começa a cantar – Agora me ligar, falar que não dá mais é difícil de entender e eu fico sem saber.

- O que vai ser de nós – A Fabi volta a fazer a voz de fundo

- Me desculpe se eu não consegui te dar o mundo – A Fernanda volta a cantar

- E o que vai ser de mim

- Sem teu calor aqui

- O que vai ser de nós

- Deixa o mar levar pra longe todo mal que existe

- O que vai ser de mim

Eles param de cantar e olham para mim

- O que foi?

- É a sua vez! – Responde a Fernanda como se fosse à coisa mais óbvia do mundo

- Eu não sei cantar essa musica

- O quê? – Diz os quatro ao mesmo tempo

- Você não conhece “deixo você ir, onze:20”? – Pergunta a Fernanda

- Eu conheço a banda, porque a Ana tem alguns CD's deles, mas só sei cantar pouquíssimas musicas.

- Eu não acredito – Ela me olha incrédula

- Aqui – O Júnior me entrega o celular dele, onde tem a letra da musica.

- Se você me disser que o seu lugar é junto a mim – Começo a cantar com um pouco de dificuldade por não conhecer a música

- Eu vou até o fim – A Fabi volta a fazer a voz de fundo

- Mas se você me disser que tudo acabou aqui - Canto enquanto leio, a música é boa

- Eu deixo você ir

- Se você me disser que o seu lugar é junto a mim

- Eu vou até o fim

- Mas se você me disser que tudo acabou aqui

- Eu deixo você ir

- Sabe aquele dia no farol, quando você mentiu pra mim, dizendo que era para sempre – O Júnior volta a cantar – Agora me ligar, falar que não dá mais é difícil de entender e eu fico sem saber.

Será que o Flávio vai apenas tocar? Eu queria ouvi-lo cantar

- O que vai ser de nós

- Me desculpe se eu não consegui te dar o mundo – A Fernanda volta a cantar

- E o que vai ser de mim

- Sem teu calor aqui

- O que vai ser de nós

- Deixa o mar levar pra longe todo mal que existe

- O que vai ser de mim

- Eu tava pensando outro dia, se é certo lutar, se é certo largar, o que eu sei que é certo é que eu pude transformar um deserto em mar – O Flávio começa a cantar em forma de rap e como ele canta bem! – Eu já larguei um bocado de mina, deixei de fazer vários rolê, mas de tudo que eu abdiquei, fui um gênio e de prêmio e o meu prêmio é você.

Ele canta olhando no fundo dos meus olhos e eu tenho certeza que estou tão vermelha quanto um pimentão

- Eu sei que fui mó vacilão, mas já tá na hora de esquecer, seca a lágrima, vira a página e escuta o que tenho a dizer se tu não vai me dizer que acabou, então vamos ficar até o final, enquanto tu dormia fiz o suficiente pra ter um sonho legal – Ele sorri para mim enquanto canta, o que me faz sorrir também – E ela chora! Deitado na cama fiz canções pra dizer que eu sou teu moleque, doido que dessas canções tu já tem um CD, mulher, te juro, nosso lance tá sério, nunca mais vai ter zorra. Vê se esquece, recomeça, a gente merece. Te amo, porra!

- Se você me disser que o seu lugar é junto a mim – O Júnior e a Fernanda cantam juntos

- Eu vou até o fim – Eu e a Fabi fazemos a voz de fundo

- Mas se você me disser que tudo acabou aqui

- Eu deixo você ir

- Se você me disser que o seu lugar é junto a mim

- Eu vou até o fim

- Mas se você me disser que tudo acabou aqui

- Eu deixo você ir...

- Maria Luiza Lancaster, em que mundo você vive? – Pergunta a Fernanda cruzando os braços

- No mesmo que o seu, não?

- Então como você não conhece Onze:20?

- Eu conheço, só não sei cantar as músicas deles – Ela balança a cabeça em reprovação – Eu quase não conheço cantores brasileiros.

O Júnior tira a cara do celular e me olha incrédulo

- Sério isso?

- É os que eu conheço são os que a Ana ouve e eu nem conheço por nome

- Charlie Brown Junior? – Pergunta a Fabi

- Não

- Pitty? – Pergunta a Fernanda

- Não

- Natiruts? – Pergunta o Júnior

- Não

- Nx Zero? – Pergunta o Flávio

- Também não!

- Ai meu Deus – A Fernanda coloca a mão na boca e me olha incrédula

- Também não é para tanto né

- Claro que é! Quando sairmos da escola você e eu vamos para a minha casa e vamos ouvir todos os meus CDs brasileiros

- Nem dá Feh, a Ana vai vim me buscar.

- Vamos entrar – Diz a Fabi se levantando

O Flávio entrega o violão para a Fernanda, me ajuda a levantar e passa o braço sobre meus ombros.

- Tchau pessoal – Diz a Fabi quando bate o sinal

- Até a saída – Diz o Júnior indo para a sala seguida da Fernanda

Eu e o Flávio vamos para a nossa sala. Durante as duas últimas aulas eu conheci mais dois professores e fiz amizade com quase toda sala, exceto com um grupo de garotas que me olhavam de uma forma nada agradável.

- Vamos? – Chamo o Flávio quando acaba a aula

- Pode ir na frente

- Ok

Saio da escola e encontro a Fernanda encostada na mesma árvore em que estávamos cantando no intervalo

- Feh? – Ela está olhando fixamente para um garoto que está um pouco afastado de nós – FERNANDA!

- Oi?

- Quem é?

- Ted – Responde ela sorrindo

- Quanto tempo?

- O quê? – Ela finalmente olha para mim

- Que você gosta dele?

- Tá maluca Malu? Quem disse que eu gosto dele?!

- Está praticamente estampado na sua testa – Volto a olhar para ele e o vejo olhando para nós – E ele está olhando para nós

- O quê? – Ela me olha assustada. Olho para ele de novo e o vejo vindo na nossa direção

- Agora ele está vindo na nossa direção

- Ai meu Deus – Ela fica branca como papel

- Oi, você é a Maria Luiza né, aluna nova? – Até que ele é bonito, têm os olhos mel, o cabelo castanho médio e usa aparelho azul o que o faz ter um sorriso lindo.

- Só Malu

- Seja bem vinda, eu me chamo Teodoro, mas pode me chamar de Ted.

- Obrigada Ted

Ele olha para a Fernanda

- Feh? – Ela me olha desesperada, respira fundo e então olha para ele.

- Oi Ted!

- Você terminou as questões de aritmética? Não deu tempo para eu terminar

- Terminei, mas ainda não respondi.

- Não tem problema, eu quero apenas as questões mesmo, pode me emprestar?

- Claro – Ela abre a mochila e tira de dentro um caderno com a foto do Mikky Ekko e com uma frase em baixo: Sorria o pior ainda está por vir e entrega a ele

- Obrigado

- De nada – Ele sorri e vai embora

- Eu pensei que você não gostasse dele

- Eu não gosto!

- Sei

- Vai embora com a gente?

- Tenho que esperar a Ana, esqueceu?

- Ah é mesmo, bom eu vou atrás da Fabi e do Júnior que eu vou embora com eles, quando chegar em casa me liga

- Tá bom – Ela me dá um beijo e vai embora

Sento na calçada enfrente a escola e espero a Ana. E espero, espero, espero. Se passa uma hora e nada, passa duas e nada, passa três e nada

- Caramba três horas! – Pego meu celular no bolso e ligo para ela. Ocupado

Tento mais umas sete vezes e a mesma coisa: ocupado

- Malu? – Olho para trás e vejo o Flávio – O que você ainda está fazendo aqui?

- Esperando a Ana e você?

- Aula de musica – Ele se senta ao meu lado – Quanto tempo você está esperando

- Acho que umas três horas

- Caramba! Vamos – Ele se levanta e me oferece a mão

- Para onde?

- Embora, eu te levo para casa, ela não vai vim.

Aceito a mão que ele me oferece

- Não acredito que ela não veio – Pego minha mochila no chão e vamos juntos até a casa da minha avó

- E ai como está indo as coisas?

- Uma merda né, eu e a Ana não nascemos para se dar bem.

- Mas vocês são mãe e filha!

- Para você vê

- Você já tentou conversar com ela sobre o seu pai?

- Inúmeras vezes, mas ela sempre diz a mesma coisa!

- Se ela diz a mesma coisa então é porque é a verdade

- Não, não é, ela meio que contou para mim a verdade.

- Como assim?

- Ontem, ela me contou uma parte da verdade, ele não sabe que eu existo, ela não contou para ele da gravidez.

- Por que não?

- Ela disse que quando eles estavam juntos, ele disse que não queria ter filhos e era simplesmente o maior sonho da vida dela, depois de um tempo ela terminou com ele e descobriu da gravidez.

- Caramba!

- Pois é depois fomos embora de Seattle

- Então Malu, você sabe a verdade agora.

- Eu quero sabe tudo – Paramos enfrente a casa dos meus avós – Eu quero conhece-lo

- Então conversa com ela Malu, pede para ela deixar você procura-lo, seja sincera com ela, conte como você se sente em relação a tudo isso.

- Eu vou tentar, obrigada por me trazer em casa.

- Sempre que precisar – Ele vai embora e eu entro em casa

- Malu, você não deveria estar em casa? – Pergunta a Marta assim que entro na cozinha

- Deveria, mas a Ana se esqueceu de ir me busca e eu não sei o endereço de lá, será que você poderia me levar lá?

- Claro

Ela apaga o fogo, tira o avental e sai de casa comigo.

- Dê um beijo na Ana por mim – Diz a Marta assim que paramos enfrente a uma casa branca de dois andares

- Pode deixar, obrigada Marta.

- Não precisa agradecer Malu – Ela me dá um abraço e vai embora

Subo os degraus e bato na porta. Uma mulher de cabelos curto e castanhos e olhos castanho-escuros, abre a porta. Ela parece mais uma jovem de quinze anos do que uma mulher de vinte e um

- A senhorita deve ser a Maria Luiza, não é mesmo?

- Primeiro não me chame de Maria Luiza, apenas de Malu, segundo, não precisa dessa formalidade toda – Ela abaixa a cabeça.

- Desculpe, é que é meu primeiro dia.

- Tudo bem, cadê a Ana?

- Está no escritório

- E onde fica?

- Desculpe terceira porta a direita – Ela aponta para um corredor

- Obrigada – Deixo minha mochila na escada e entro no corredor que ela aponta

Paro enfrente a terceira porta a direita e vejo a Ana sentada atrás de uma mesa falando ao telefone

- Você se lembra de que tem uma filha e que deveria busca-la na escola HÁ TRÊS HORAS? – Ela olha para mim e manda a pessoa com quem ela está falando esperar

- Me desculpe Malu, eu estava tão ocupada que esqueci.

- Esqueceu? Você se esqueceu da sua própria filha? – Como alguém pode esquecer a própria filha? – VOCÊ SE ESQUECEU DA SUA PRÓPRIA FILHA, POR CAUSA DO SEU TRABALHO IDIOTA?

Saio do escritório sentindo meus olhos arder e subo correndo as escadas, sem saber muito bem para onde ir.

- Malu eu já te pedi desculpa e esse trabalho idiota é o que te sustenta! – Corro para um quarto onde tem o meu nome escrito de preto na porta e me tranco nele – Maria Luiza Lancaster abra já essa porta!

- VAI EMBORA!

- Eu mandei você abrir a porta!

- VAI EMBORA!

A escuto conversando com a Amanda e então a porta se abre

- Malu, me perdoa – Ela se senta ao meu lado – Eu sei que fiz mal, mas eu estava realmente ocupada.

Ela tenta passar a mão no meu cabelo, mas eu me afasto.

- Não me toca – Olho para ela por entre as lágrimas – Você nem ao menos tenta!

- Tenta o que?

- Fazer com que eu deixe de te odiar!

Levanto da cama e saio do quarto a deixando para trás

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