Quatro

Acordo com a Ana me balançando

- Seus avôs estão nos esperando para o café, a Marta virá buscar a gente.

- Tudo bem - Sento na cama e olho para ela. Ela está vestindo uma calça jeans, um moletom preto e está com o cabelo preso em um coque bagunçado.

Levanto da cama e vou para o banheiro

{...}

- Meu Deus como você cresceu! - Diz a Marta saltando do carro - Eu lembro quando eu peguei você no colo pela primeira vez

Ela me abraça forte e eu a abraço de volta. Eu não lembro muito da Marta, mas lembro dela me dando papinha quando cuidava de mim.

Ela vai cumprimentar a Ana e eu entro no carro

- Marta quem está na casa dos meus pais? - Pergunta a Ana depois de desligar o telefone

- Sua mãe, seu pai, a Jennifer e o Lucas.

- Obrigada

A Ana olha para mim e segura minha mão que está entre nós duas. Tiro minha mão, coloco o fone e fico olhando pela janela, mesmo com o fone escutando ela cantar baixinho, a música que estou escutando "Sorry, Justin Bieber". Eu amo muito essa música

- Malu? - Olho para ela - Chegamos!

- Legal

Desço do carro e fico olhando para a casa, eu não acredito que estou aqui, eu não acredito que depois de onze anos eu estou de volta.

Corro até a entrada e antes que eu pudesse bater na porta uma mulher alta, dos os olhos cor de mel, os cabelos um pouco acima da cintura e castanhos abre a porta.

- Minha sobrinha querida - Ela me abraça forte

Ela deve ser minha "tia" Jennifer

- Oi tia - Digo devolvendo o abraço

- Você se lembra de mim? - Pergunta ela me afastando dela, mas segurando meus ombros. Faço que não com a cabeça - Tudo bem

Ela me abraça de novo

- Jennifer pelo amor de Deus larga a Malu, a menina está ficando sem graça - Um homem alto, moreno, dos cabelos loiros e os olhos verdes aparece na porta.

- Afff com três f's, deixa de ser chato Lucas eu estou com saudade da minha sobrinha.

Então esse é o meu "tio" Lucas. Cara ele é lindo!

- Ela não é só sua sobrinha - Ele me puxa e me abraça mais forte que ela. Gente esse povo é louco - Como a minha sobrinha está linda!

- Obrigada tio - Digo sorrindo meio sem jeito

- Uau ela tem o sorriso do Gu... - A Jennifer dá uma cotovelada nas costelas dele antes dele terminar a frase, provavelmente ele ia dizer que tenho o sorriso do meu pai - Sobrinha linda entra e vai falar com seus avós.

- Tá bom

- Você abraçou a Malu, primeiro, mas eu vou abraçar a Ana, primeiro! - Diz ele para a Jennifer

- Vai sonhando - Eles vão correndo até a Ana

Entro na casa e encontro uma mulher ruiva, dos olhos verdes, tirando uma forma do forno.

- Vó

Ela coloca a forma em cima do fogão e eu corro para abraça-la

- Oh meu amor - Ela me abraça forte e sinto lágrimas caindo no meu cabelo - Eu senti tanto, mais tanto a sua falta.

- Eu também vó - Tento conter as lágrimas, mas inutilmente.

- Você se parece tanto com os dois - Ela limpa minhas lágrimas e beija minha testa - Você vai conseguir

- Consegui o quê? - Pergunto meio sem entender

- Seu avô, está lá na sala, vai falar com ele - Ela sorri para mim.

Saio da cozinha e vou até a sala. Encontro o meu avô assistindo jornal

- Vô? - Ele desvia o olhar da TV e logo sorri quando me vê

Ele é um homem alto, músculos na medida certa, dos cabelos castanhos que estão ficando grisalhos devido a idade e seus olhos são de um azul intenso, como os da Ana

- Pensei que não estaria vivo quando você voltasse - Sorrio e vou até ele

Ele também me abraça forte

- Eu nunca mais vou deixar você e a Ana irem embora - Diz ele acariciando meu rosto

{...}

Estamos todos na sala conversando, quer dizer todos exceto, eu que estou apenas ouvindo sem prestar atenção.

A Jennifer me cutuca com o pé chamando minha atenção e faz sinal para a escada

- Vou dá uma volta pela casa com a Malu - Diz ela se levantando. A Ana segura ela pelo braço e cochicha alguma coisa em seu ouvido - Tá bom Aninha

Ela me puxa pelo braço e me arrasta escada acima

- O que ela disse? - Pergunto parada em frente a uma porta branca onde está escrito "Hooligan" de preto

- Para mim não te trazer ao quarto dela, mas como eu sou teimosa - Ela abre a porta e me dá espaço para entrar.

Entro no quarto e logo sinto o perfume da Ana. O quarto dela é branco e uma das paredes é cheia de pôsteres do Bruno Mars, em outra tem uma estante de livros enorme que toma a parede inteira, na terceira tem mais pôsteres, a cama dela é de casal e fica bem no centro do quarto, vejo perto da porta um notebook em uma mesinha e no chão tem mais ou menos uns cinquenta CD's.

- Porque essas coisas estão aqui? - Pergunto me virando para ela

- Por que tudo que está nesse quarto me traz lembranças, que eu sempre recusei lembrar - Responde a Ana atrás da Jennifer - Você é fogo em Jennifer.

- Você sabe como eu sou né Aninha - Ela dá um beijo na bochecha da Ana e sai do quarto

- Você pode fazer cinco perguntas que envolva esse quarto, mas... - Ela olha no fundo dos meus olhos, e sei que isso é muito difícil para ela - Não pergunte o nome do seu pai, não pergunte quantos anos tínhamos e não pergunte por que, e eu só irei responder "sim" e "não".

- Eu fui gerada aqui? - Pergunto sem conseguir olha-la

- Não

- Vocês já brigaram aqui?

- Sim, muitas vezes.

- Você já chorou por ele aqui?

- Diversas vezes

- Vocês terminaram aqui?

- Não

Finalmente consigo levantar o rosto para fazer a última pergunta

- Ele te deu essa aliança aqui? - Pergunto sentindo meus olhos arderem

- Sim - Responde ela de cabeça baixa

Eu sabia que tinha sido ele!

- Se você não se importar eu gostaria de ficar um pouco sozinha

- Tudo bem

- Malu - Olho para ela - Como você sabia?

- Intuição - Ela dá um sorriso fraco e eu saio do quarto fechando a porta atrás de mim

**Ana**

A Malu sai e fecha a porta. Fecho os olhos e respiro fundo inalando meu próprio perfume que continua no quarto. Ele está exatamente do jeito que eu deixei

Me aproximo da cama e passo a mão sobre o edredom, essa cama, essa simples cama me traz tantas lembranças, lembranças que eu simplesmente queria esquecer, mas não consigo.

Caminho até o closet e entro nele. Passo as mãos sobre as roupas que continuam no armário e que estão sem pó algum, provavelmente a Marta veio limpar aqui todos esses anos.

Abro a minha primeira gaveta e vejo as tulipas e as peônias que o Gustavo me deu, murchas, mexo na gaveta e encontro uma camiseta dele. Levo-a ao meu rosto e sinto seu perfume

- É que eu te vejo em tudo, em cada canto dessa casa, nos cabides, nas gavetas e na cama bagunçada e no Box do banheiro sempre que o vidro embaça, tem seu nome, um coração e uma flecha atravessada - Canto baixinho enquanto as lembranças me destroem - É que eu te vejo em tudo, em cada canto dessa casa, nos cabides, nas gavetas e na cama bagunçada e o seu cheiro está grudado em cada roupa que eu usava você foi e esqueceu, de levar a saudade na mala, mala, mala.

Eu não deveria ter voltado, não deveria estar aqui, não deveria ter feito aquela promessa a minha mãe. Eu sabia que quando eu voltasse às lembranças voltariam junto, melhor dizendo elas nunca foram embora. Eu sabia que elas iam me destruir mais ainda, como estão fazendo agora, mas o que eu estava pensando? Que eu poderia fugir do meu passado para sempre?

**Ana**

- E ai? Como foi lá? - Pergunta a Jennifer quando me sento ao lado dela

- Estranho, ela me deixou fazer algumas perguntas, nada que me ajude a encontra-lo.

- Você quer encontra-lo? - Ela olha para mim

- Pensei que todos soubessem disso - Respondo olhando para frente

- Por que você quer encontra-lo?

- Eu preciso saber a verdade

- E a Ana nunca te contou a verdade?

- Ela quer que eu acredite na história dela, e eu não vou acreditar - Ela suspira e acaricia meu cabelo.

- O que você sente por ela?

- Eu... Não sei, toda essa situação com ela, essa distância entre nós faz com que eu não a veja como mãe, a Ana é como uma estranha para mim, eu acho que odeio a minha mãe.

- Não minha querida - Ela levanta meu rosto e limpa minhas lágrimas - Você está ferida, magoada, eu tenho certeza que você não odeia a sua mãe.

- Eu pensava a mesma coisa tia, mas a cada minuto eu percebo que eu realmente a odeio - Limpo o rosto e saio da sala.

**Ana**

- Como você está? - Olho para trás e vejo o Lucas

- Com medo - Digo quando ele se senta ao meu lado na grama - Eu não deveria ter voltado Lucas

- Ana você sabe que não poderia passar a vida toda fugindo, você sabe que ele faz parte da sua história e uma hora ele vai voltar.

- Eu não posso encontra-lo, eu...

- Ana - Ele olha no fundo dos meus olhos - Você não pode fazer mais nada, uma hora ela vai encontra-lo, uma hora você vai encontra-lo.

- Eu não estou pronta

- Você vai estar

Deito na grama e ele se deita ao meu lado

- Você teve noticias dele? - Pergunto olhando para as estrelas

- Tive, e talvez você não goste delas.

- Por quê? - Olho para ele

- Ele está casado - Sinto todo o ar do meu corpo sumir

- O quê?

- Ele está casado com uma tal de Mayra.

Volto a me sentar e olho para ele que continua deitado

- É sério?

- Bom, eles não estão oficialmente casados, mas ela mora com ele.

- Eu não acredito

- E para piorar toda a situação, eles têm um filho - Coloco a mão na boca tentando absorver está informação.

- Eles o quê?

- Tem um filho da mesma idade da Malu

Fecho os olhos tentando engolir a vontade de chorar, mas aos poucos as lágrimas molham meu rosto.

- Vem cá - Ele me puxa para um abraço

Eu não acredito nisso, eu não acredito que ele está casado e que tem um filho! Não que eu sinta alguma coisa por ele ainda, mas ele foi o meu primeiro amor "verdadeiro" e isso é um choque para mim.

- Eu estou bem - Digo depois de uns vinte minutos chorando

- Desculpe dá a noticia desse jeito, só que quanto mais rápido melhor.

- Não se preocupa Lucas - Tento dá um sorriso, mas inutilmente.

Eu realmente não vou conseguir encontra-lo

**Ana**

- Bom já está tarde e pela cara de vocês está todos mortos de cansaço - Diz minha avó e ela está certa, eu estou tão cansada! - Vamos todos dormi, e Jennifer você e o Lucas vão dormi aqui. Em quartos separados

A Jennifer revira os olhos, mas não diz nada.

Meus avós me dão boa noite e sobe, a Ana olha para mim como se dissesse boa noite e sobe, o Lucas me dá boa noite e sobe e ficamos eu e a Jennifer na sala.

- Você está bem querida? - Pergunta ela se sentando ao meu lado

- Estou tia - Ela sorri e subimos

- Boa noite amor - Ela me abraça e vai para um dos quartos de hóspede

Fico parada olhando a porta do quarto da Ana que está fechada, ela disse que eu poderia dormir no quarto dela e ela no quarto de hóspedes, mas eu recusei, não conseguiria dormir naquele quarto, não com tantas lembranças que ele deve ter.

Entro no quarto ao lado dos meus avós. Entro no banheiro, tomo um banho rápido, escovo os dentes, visto meu pijama e deito.

Fico olhando para o teto tentando digerir tudo que aconteceu hoje e aos poucos vou pegando no sono

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