Prólogo
O dia estava lindo, o raivo de sol invadia a janela, os cantos dos pássaros e as árvores derrubando suas flores quando o vento soprava, deixando as ruas perfumadas e ainda mais aconchegantes de andar. Em um canto dessa linda cidade do amor, na igreja que acontecia os maiores e mais lindos casamentos estava começando a ficar cheia. Vários convidados começaram a entrar, crianças corriam para lá e para cá, o noivo recebendo todos, junto ao seu pai, além do padre dizer que estava bem nervoso e não queria errar em nada, que faria esse casamento ser o mais sagrado e o mais lindo de todos os tempos.
Quando todos chegaram, sentaram em seus devidos lugares, paparazzi, fãs, familiares e convidados de honra, o noivo foi para o seu lugar também, em cima do altar, ansioso e nervoso, com medo de dar algo de errado, conversava com o padre e o mesmo dava risada e tentava o consolar.
Mas o pensamento do noivo não estava muito longe, estava se direcionando ao cômodo que a noiva estava se preparando, com a ajuda dos pais do noivo, deixando assim o pobre jovem sofrendo de ansiedade em cima do altar. O casal olhava e dava retoques finais, a deixando ainda mais e mais bela, queria que hoje fosse um dia especial, mais especial que o próprio casamento dos dois.
A noiva por sua vez, estava mais ansiosa que seu noivo, já que ficou trancada naquele cômodo a manhã inteira e não teve nem a oportunidade de ver os convidados chegarem, o medo que ela sentia, o frio em sua barriga, a pergunta de que todos chegaram e pior se seu noivo ira gostar dela do jeito que ela está. Afinal ela não o viu direito durante os dias finais do casamento, nem para dormirem juntos os seus futuros sogros deixaram o casal apaixonado fazerem. Diziam que isso daria azar para o casamento e ninguém quer azar nesse grande dia.
Rezando para não ter interferências ou muito menos alguém entrando com armas de fogo, o velho casal se certificaram que ninguém que não seja convidado iria entrar nesse casamento. Fazendo assim, aquela família de loucos ficarem bem longe deles, mesmo que essa família comande a cidade por serem eleitos. Os noivos concordaram com essa decisão, sabiam o que a filha dessa família seria capaz, provavelmente podia fazer coisa pior que a própria mãe, já que recebia o incentivo da mesma.
Mas deixando isso de lado, hoje é um dia para celebrar um momento feliz e único, onde ira unir duas vidas, se tornando uma só, onde laços serão criados e os destinos unidos. O momento mais aguardado em todas as vidas que existem na terra, o sonhado e cobiçado casamento dos sonhos.
Lylia (Lyli):
— Minha querida, você está linda! — Me olho no espelho tentando não ficar nervosa e ver em mim o elogio que acabei de receber. — Diz para ela querido, ela está parecendo uma princesa com esse vestido branco!
— Você tem razão meu querido, ela está realmente linda, sempre soube que eles iriam acabar assim desde o dia que a gente os conheceu.
Olho para o casal que estava na minha frente, mesmo que eram dois homens, eu achava lindo a conexão dos dois, meu sonho era ter um relacionamento assim, mas eu estou nervosa, e se meu noivo não gostar? Sei que ele me fala que eu sou a mais bela de todas, mas ainda assim, não consigo ter auto confiança para aceitar isso.
— Vocês tem certeza? E se ele não gostar? E se me achar feia? — falei sentada de frente a eles — tenho medo de não ser o suficiente para ele.
— Minha querida, relaxe, a loja que alugamos esse vestido é a mesma que alugamos nossos ternos de casamento! As duas que trabalham nela, são as melhores! Confie na gente. — Meu sogro Mike, pegou nos meus ombros e olhou para mim pelo espelho a nossa frente. — Sei que você está nervosa, mas lembre que o Leonardo moveu o céu e as montanhas em busca de você, ele te ama mais que tudo e você sabe disso — ele sorri e me dá um abraço apertado.
Quase choro, me seguro para isso não acontecer, sei de todas as coisas que eu passei para estar aqui, também sei das lutas que enfrentei para ter atenção e amor da minha família adotiva, os únicos que me deram esse amor, de me fazer sentir em família foram os meus sogros, devo tudo a eles, e claro, ao Leo, o amor da minha vida que sempre cumpriu o que prometeu, mesmo que levasse anos para se concretizar.
Mas hoje estou aqui, vestida de noiva, pronta para fazer a minha entrada dos sonhos em uma igreja e olhar para frente e ver o amor da minha vida me esperando junto ao padre. Estou pronta para dar mais um passo em minha vida, fazer uma família que eu nunca tive a oportunidade de ter.
Quando eu ia dizer que estava pronta, meu outro sogro, o Thayllor, apareceu com meu buquê, foi vindo em minha direção sorrindo e estende a sua mão livre.
— Pronta? Os convidados e o seu noivo não podem ficar esperando por mais tempo. — Pego em sua mão que me ajuda a ficar de pé. — Serei eu quem irá leva-la até ele, já que não tem ninguém — ele olha para seu esposo e sorri — fico aliviado que me escolheu para te acompanhar, se fosse Mike, as chances de ele tropeçar e cair te levando junto eram grandes.
Dou uma risadinha e Mike deu umas batidinhas em seu ombro, me alegro por fazer parte dessa família agora, mesmo que eu ainda fique triste por não ter conseguido o amor da minha ex mãe adotiva, acho que foi melhor assim. Foi a melhor decisão que eu tomei saindo de vez daquela família que nem me amar amava.
Mike saiu na frente, para avisar sobre a minha entrada, peguei o buquê da mão de Thay e entrelacei meu braço no dele, ele ri quando vê meu nervosismo, antes de entrar ele põe a sua outra mão calmamente em cima da minha e fala "Vai ficar tudo bem, relaxe. "
E assim eu entrei, com a cabeça erguida e vendo todos a minha volta em pé, sem tirar os olhos do altar, vejo meu noivo, meu amado noivo, Leo olhando para mim, com o sorriso lindo que ele tem e os olhos brilhando. Quando vejo isso, sorrio também, foi quando minha ficha caiu, isso realmente é real, eu irei me casar!
Leonardo (Leo):
Quando ouço meu pai dizer que a noiva iria entrar e veio para o meu lado, meu peito começou a apertar, meu nervosismo a aumentar, faz dias que eu queria vê-la no vestido que meus pais escolheram. Não queria chorar também, estava me contendo fazem dias, não consigo acreditar que finalmente eu irei casar com ela, o amor da minha vida, meu primeiro e único amor.
A música começa a tocar, a porta a se abrir, e de lá sai a noiva mais bela de todas, acompanhada pelo adulto mais cobiçado de todos os tempos. Dou uma risadinha quando penso isso sobre meu pai, mas não deixa de ser verdade.
Quando meus olhos encontram os dela, o mundo para, tudo fica em câmera lenta, a única que se movimenta para mim é ela, com seu lindo sorriso no rosto, bela como sempre, fico hipnotizado com essa cena, realmente irei me casar, realmente irei poder criar uma família, tudo isso com a mulher que mais amo nesse mundo.
Vou em sua direção, meu pai olha para mim e diz as mesmas palavras que minha avó disse a ele, dou um sorriso, finalmente meu sonho está se tornando realidade. Pego em sua mão e a conduzo para o altar. Nos agachamos de frente ao padre, olhamos um para o rosto do outro e percebemos o quanto estávamos felizes.
Quando eu ouço a voz do padre começando a cerimônia, um filme passa na minha cabeça, desde quando a gente se conheceu até onde estamos agora, no nosso casamento. Aperto a mão dela com gentileza, fecho os olhos "Nunca poderia imaginar que isso tudo iria começar a 23 anos atrás. "
Há 23 anos atrás, memória de Leonardo:
Mais um casal veio nos visitar, qual é a graça de querer adotar uma criança se eles podem fazer uma? Odeio que sintam compaixão por mim, por isso sempre que um vem se interessando por mim eu jogo algo neles ou faço arte, não quero ser adotado.
Acordo de mau humor, pois a velha Cecília brigou comigo até tarde ontem, dizendo que eu não podia jogar bolinha de lama na cara dos adultos que vinham nos visitar. Mas o que eu poderia fazer? Eles me enchiam a paciência com perguntas idiotas. Vou para o refeitório do orfanato e me sento em uma mesa vazia, por todos terem medo que eu faça algo contra eles, nenhuma criança sentou ao meu lado, por mim é melhor assim, não quero nenhuma tirando a minha paz.
Antes da velha bruxa servir a gente, ela chama a atenção de todos para ela, eu reviro meus olhos e olho para o outro lado, era só mais uma criança deixada na porta do orfanato de novo. Ela vai falando e falando até que escuto algo do meu interesse: "Podem se servir agora. "
Fico um pouco animado, afinal toda aquela faladeira me deu fome. Me ajeito na cadeira, com as mãos vou indo na direção do meu prato e meu copo, que elas sempre deixavam na mesa que eu sento todas as manhãs. Os pego e quando vou me levantar sinto alguém puxando minha blusa, olho irritado e vejo dois olhinhos redondinhos e brilhantes me encarando, tento não achar fofo e não deixar a minha casca grossa cair.
— O que você quer comigo? Vai em busca da velha bruxa para te ajudar a pegar a comida, não sou babá de ninguém não.
Quando falo isso as bochechas redondinhas ficaram vermelhas e dos olhos começou a descer lágrimas, mas mesmo chorando e tremendo de medo, a pequena criatura que me atormentava falou:
— Não quero pedir ajuda a dona Cecília, quero pedir ajuda a você, por favor me ajuda a me acomodar nesse orfanato — ela me segura agora com as duas mãos — eu não tenho ninguém e estou com medo.
A voz dela era tão doce e trêmula, era muita fofura, mas me sentia muito culpado por ter feito ela chorar, seguro uma de suas mãos, pego outro prato e a entrego um copo.
— Vem eu irei te ajudar — falo sem jeito — só tenta parar de chorar, tá bom?
Quando falo isso um sorriso fofo e meigo aparece em seu rosto, ela aperta um pouco minha mão e faz que sim com a cabeça. Admirado eu fico todo vermelho e olho para o lado, pego os dois pratos e vou indo com ela na direção da mesa cheia de comida.
Ajudo ela a pegar as coisas que queria e a colocar leite com chocolate em seu copo. Voltando para a mesa, a ajudo a se sentar, enquanto eu comia, cuidava dela para ela não ficar toda suja ou derrubar o leite com chocolate em sua roupa ou nela mesmo. A mesma da um sorriso e olha para mim balançando suas perninhas elevadas em baixo da mesa.
— Me chamo Lylia, mas pode me chamar de Lyli — Ela faz uma carinha de dúvida mais fofa que eu ja vi. — Qual é o seu nome?
— Me chamo Leonardo, mas pode me chamar de Leo — falo não deixando transparecer meu nervosismo, pelo menos isso eu consigo esconder, já que estava mais vermelho que ela.
Lyli dá um sorriso após saber meu nome e bem alegre ela fala:
— Leo, eu espero que sempre ficamos juntos! Não quero me separar de você.
Após ouvir isso, meus olhos se arregalam, mas logo voltam ao normal, retribuo o sorriso a ela.
— Sim, nunca iremos nos separar, eu prometo.
Após dizer isso e ver que ela estava mais feliz ainda, já que começou a cantarolar enquanto comia, eu prometi a mim mesmo que nunca iria deixar se apagar esse lindo sorriso do seu rosto e que sempre irei cuidar dela, serei sempre o seu guarda-costas e ninguém irá tirar ela de mim, muito menos fazê-la chorar novamente.
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