Inevitável 💜 Capítulo 9
Ao avistar a Torre de Namsan, meus olhos brilharam, refletindo o quanto estava maravilhada com aquela paisagem iluminada no meio da madrugada. Depois de sairmos do restaurante carregados com lanches e bebidas, comemos tudo dentro do carro parado em uma rua escura, embalados pelo som de bandas antigas. Meu coração ainda não havia se acalmado. E, por mais errado que aquilo pudesse parecer, eu simplesmente não conseguia enxergar dessa forma.
Conversamos sobre família, irmãos, dores e sonhos. A cada palavra trocada, ficava ainda mais claro para mim: ele era apenas um menino normal, com seus próprios medos e desejos.
Foi ali, entre um gole de refrigerante e o brilho das luzes refletido nos vidros do carro, que finalmente percebi — eu gostava dele, gostava de verdade. Como pude permitir que, em apenas um mês, cada célula do meu corpo se moldasse às suas gargalhadas? Como pude me deixar levar por algo que era, sem dúvida, impossível? A raiva borbulhava dentro de mim, não por gostar dele, mas por saber que teria que deixar tudo isso para trás quando voltasse para casa.
— A torre é linda, não é? Nunca mais vim aqui depois do debut... — ele comentou, observando a paisagem. — Pareço eu mesmo, assim?
Ele riu baixo, apontando para as roupas largas, os óculos escuros e a máscara que escondiam seu rosto. Apesar da madrugada avançada, ainda havia alguns casais caminhando pela praça e algumas pessoas solitárias bebendo nos bancos e nós andávamos lado a lado, em meio as pessoas.
— Já vim aqui em uma das minhas viagens de férias. Esse lugar é lindo... e olha os cadeados lá — apontei para as grades cobertas por promessas de amor eterno. — São milhares.
Antes que ele pudesse responder, estiquei a mão e ajeitei uma mecha do seu cabelo para dentro do boné.
— Ninguém vai te reconhecer, fica relaxado! — murmurei, sorrindo.
Mesmo com metade de seu rosto coberto, vi o brilho nos olhos dele e soube que ele também estava sorrindo.
Caminhávamos por um caminho quase vazio e iluminado, onde algumas senhoras ainda vendiam cadeados coloridos. Ele apontava para as paisagens com o celular, empolgado, e tirávamos fotos de tudo—das luzes, dos cadeados no alto, um do outro, sozinhos e em poses completamente estranhas. Mesmo andando devagar, meu corpo já não doía tanto, e a felicidade pulsava em mim de um jeito que fazia tempo que não sentia.
— LAURA! — Ele gritou do outro lado da praça, depois de correr para longe. — Tira uma foto minha com a torre!
Ele ergueu os braços e formou um coração no ar. Ri antes de capturar o momento com meu celular, depois com o dele.
Chamei-o com a mão e, enquanto ele voltava, aproveitei para gravá-lo correndo na minha direção o mais rápido que podia. Ele ria alto, e eu ri junto quando ele começou a fingir que corria em câmera lenta.
— A foto ficou ótima! — Ele ofegou, parando à minha frente. — Agora é minha vez! — apontei para um banco. — Quero uma foto sentada ali, tipo modelo... mas segurando a cicatriz na barriga.
Bati palmas animada e caminhei de costas, deixando o vento bagunçar meu cabelo. O frio fez o banco parecer ainda mais gelado quando me sentei, mas isso não importava. Fiz poses engraçadas, tirei a máscara e, por fim, sorri para a torre iluminada. Nunca fui do tipo que se achava bonita o suficiente para grandes produções ou poses elaboradas, mas, naquela noite, eu estava feliz. E tinha certeza de que qualquer foto ficaria boa.
— Sorria para o vídeo. — Ele riu, ainda segurando o celular apontado para mim.
Boquiaberta, me levantei no mesmo instante.
— Não acredito que está filmando! Volta aqui! — Comecei a andar até ele, enquanto ele fugia, rindo como uma criança. — Eu quero fotos!
O alcancei e o vídeo foi encerrado, ele estava sorrindo alto e parecia feliz da vida, caminhamos de volta para o banco e sentamos juntos.
— Eu tirei fotos também, calma! — Ele riu, levantando o celular. — Agora vamos tirar uma nossa. Como eu vou provar que estive com você?
Fiz uma careta, e ele insistiu:
— Faz um coração com os dedos?
Encarei nossos rostos refletidos na tela e, sem pensar muito, fiz o gesto. Eu nunca pedia fotos nossas, achava que poderia soar estranho ou deixá-lo desconfortável. Assim como os outros membros, era sempre ele quem tomava a iniciativa.
Logo estamos no alto da torre, no local havia pequenas lojas vendendo souvenirs, roupas temáticas, restaurantes e claro, as famosas grades cobertas de cadeados coloridos. Alguns traziam nomes de casais, outros mensagens românticas ou desejos escritos. A tradição dizia que, ao trancar um cadeado ali e jogar a chave em uma das caixas de correio espalhadas pelo lugar, o amor ficaria selado para sempre.
— Quer colocar um? — Ele perguntou, olhando para as grades.
Arregalei os olhos.
— Isso não é só para casais?
Ele bufou, como se minha pergunta fosse absurda.
— Me dá um desconto Tae, não sou daqui! Achei que fosse... sei lá, regra. — Ri sem graça, e ele bagunçou meu cabelo de leve antes de segurar minha manga e me puxar até uma senhora que vendia os cadeados.
Havia uma infinidade de modelos. Sem saber qual escolher, fiquei parada, indecisa. Ele, por outro lado, não hesitou: comprou dois cadeados roxos e pegou uma caneta permanente preta.
A vendedora sorriu ao receber o dinheiro.
— Felicidades, que o amor dure por muitas vidas...
Senti meu rosto esquentar na hora.
— N-não! Somos só amigos. — Gaguejei, balançando as mãos, mas a senhora apenas sorriu, sem parecer convencida.
Kim Taehyung sorriu, e a cumprimentou me puxando de volta para o final das grades. O local estava vazio, quem colocava apenas descia para ir embora. Eu o seguia, ele procurava um lugar vazio para colocar os cadeados, e após muito procurar, achou. Ele me entregou um cadeado e escreveu a letra T no seu, apenas isso.
— Pensei que fosse escrever o seu V... — Sorri, pegando a caneta de suas mãos.
Ele me lançou um olhar rápido antes de voltar a encarar a cidade.
— Mesmo que T e V sejam a mesma pessoa, quando estou com você, sou apenas o T. E isso me deixa livre.
Seul se estendia à nossa frente, iluminada como um oceano de luzes e naquele momento meu coração acelerou. Engoli em seco e escrevi um "L" no meu cadeado, acrescentando uma carinha feliz ao lado.
— Me dá o seu. — O cutuquei de leve, e ele me encarou, curioso. — Quero fazer uma coisa. — Sussurrei, e sem questionar, ele me entregou.
Segurando seu cadeado, desenhei um par de asas ao lado da letra "T". Sorri ao terminar, satisfeita com meu pequeno gesto. Quando devolvi para ele, seus olhos se estreitaram levemente, cheios de curiosidade.
— Hoje, você se sente livre ao meu lado. — Mostrei o desenho das asas. — E eu me sinto feliz ao seu.
Virei o rosto para a cidade, sentindo um calor tomar conta de mim. A vergonha quase me fez me arrepender das palavras... até que ouvi sua risada.
Encontramos um espaço quase sem cadeados e, sem hesitar, ele colocou o seu. Logo ao lado, prendi o meu. Tiramos fotos como se precisássemos capturar cada detalhe, como se temêssemos que o tempo levasse embora a lembrança desses dias livres.
Guardei a chave do meu cadeado no bolso, e ele fez o mesmo com a dele. Nos debruçamos sobre as grades, observando as estrelas se misturarem às luzes de Seul. O vento frio fazia meus olhos arderem, e então senti seus dedos tocarem os meus.
Ele segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos devagar e virei o rosto para ele. Sua mão macia era como a paz em meio à guerra.
— Será impossível esquecer você... — Ele sussurrou, ainda encarando as luzes da cidade.
Sorri, levando aqui na na brincadeira, claro que era brincadeira.
— Eu também não esquecerei você. — Sorri, tentando aliviar o peso daquela frase. — Acho que sou mesmo uma ARMY agora, a maior de todas! — Empurrei seu ombro de leve. — Quando fizerem show aqui, estarei em todos.
Ele riu, mas o brilho nos seus olhos dizia algo que nenhuma piada poderia apagar.
O encarei, e ele já estava me olhando. Sem máscara, sem óculos, sem barreiras. Pela primeira vez, pude ver todas as suas expressões sem nada para escondê-las. Levantei sua máscara rápido, mas ele segurou meu punho com delicadeza, tirando-a novamente.
— Gosto de você. — Sua voz saiu firme, mas havia algo vulnerável em seu olhar. — Mesmo sem poder, mesmo com aquele contrato... Eu gosto de você desde a primeira vez que te vi. Mesmo sendo alguém que nunca gostou de ninguém. Mesmo sendo repentino... Acho que... — Ele engoliu em seco, hesitante.
Meu coração disparou e soltei meu braço devagar da sua mão.
Gostar? Ele gosta de mim? Eu sabia que ele não estava brincando. E sabia que ele estava certo sobre ser repentino... sobre o contrato.
Respirei fundo, sentindo o peso de tudo.
— Não, você não gosta. — Minha voz saiu mais baixa do que eu queria. — Eu te salvei, e isso é só gratidão, não deixe seu coração confundir as coisas. — Ele continuou me encarando, mas virei o rosto para a cidade, sentindo meu corpo inteiro tremer. — Eu sou uma pessoa comum, igual todas as milhares de meninas no mundo. — Forcei um sorriso, mesmo que doesse. — E você é você, um dos homens mais famosos do mundo, pode escolher qualquer pessoa do mundo para gostar...
O silêncio pesou entre nós, apenas o vento frio e as luzes de Seul testemunhando o que ficou sem resposta.
Meus olhos se encheram de lágrimas, e não consegui encará-lo. Senti sua mão tocar meu rosto, enxugando uma lágrima antes que ela caísse por completo. Então, sem que pudesse reagir, ele me puxou para um abraço apertado.
Seu corpo quente contrastava com o vento frio, e seu cheiro de lavanda me envolvia. Minhas mãos hesitaram antes de retribuir, mas, conforme minhas lágrimas caíam, meu corpo cedeu. E, enfim, o abracei também.
— Não posso mais escolher ninguém. — Sua voz saiu baixa, quase um sussurro. — Porque meu coração já escolheu. Sempre quis que algum sorriso me fizesse sorrir também... e sempre sonhei em ser gostado por quem sou quando ninguém me vê.
Suas palavras aqueceram meu coração, ao mesmo tempo que o fizeram doer. Fechei os olhos, sentindo a realidade pesar sobre mim.
— Não se iluda... e não posso me iludir também. — Minha voz tremeu. — Nunca poderemos fazer nada com o que sentimos, precisaremos guardar isso no coração para o resto da vida. —Me afastei um pouco, mas não o suficiente para romper o abraço. — Isso não é uma brincadeira, é sua vida... sua carreira. Eu não posso atrapalhar e prejudicar o grupo todo. — Respirei fundo antes de concluir — Eu assinei aquele contrato porque nunca imaginei que... que poderia gostar de você, me desculpa.
Ele me soltou repentinamente e naquele instante, senti o frio tomar conta de mim por completo. Seus olhos castanhos mergulharam nos meus, e, por um instante, consegui respirar.
— Você também... — Ele piscou, atordoado. — Laura... — ele murmurou, sem conseguir completar a frase.
Então, de repente, me puxou para outro abraço e logo sorri em meio às lágrimas.
— Eu também gosto de você, quando ninguém está vendo...— minha voz saiu trêmula, mas continuei. — Mas também gosto quando você está sorrindo e pulando no palco, gosto de todas as suas versões. —Respirei fundo, para continuar. — Mesmo que ninguém acredite, que seja estranho e que eu seja julgada. Mesmo que eu seja só uma garota que ainda não viveu nada...
Falei rápido, e Taehyung afastou nossos corpos de vez, logo suas mãos tocaram minhas bochechas e ele retirou minha mascara. Nossos olhos estavam marejados e sentia minhas pernas bambas, sua respiração estava perto demais.
E foi naquele instante que soube que nada mais seria o mesmo.
— Mesmo que sejamos impossíveis, nunca vou me esquecer de você. Nunca vou duvidar do que sente e nunca permitirei que me julguem. Gostei de você por quem você é, pelo seu sorriso, por me tratar como alguém comum.
Nossos rostos se aproximavam, centímetro por centímetro. Minhas mãos seguraram seu moletom, como se fosse a única coisa me mantendo no chão. Meu coração martelava contra o peito, minha respiração estava descompassada. Um turbilhão de emoções me inundava — medo, tristeza, alegria — um combo caótico e avassalador.
Então, nossos lábios se encontraram.
Nossos lábios se tocaram devagar, como se testassem o que já era óbvio. Minha respiração se misturou à dele, quente contra o frio da madrugada. Senti seus dedos deslizando até minha nuca, segurando-me com um cuidado que fez meu coração disparar.
O beijo era calmo, mas carregado de tudo o que a gente não podia dizer. Meu peito apertou quando ele me puxou um pouco mais para perto, e eu correspondi sem pensar, deixando minhas mãos subirem até sua nuca e naquela hora meu corpo ascendeu como uma lareira. O mundo lá fora sumiu, e por um momento, nada mais importava—só nós dois e aquela sensação de que o tempo tinha parado.
Nos beijamos por minutos sob as estrelas, um beijo maravilhoso, calmo e profundo. Como se o tempo tivesse parado ali, naquela madrugada. E talvez tivéssemos mesmo algo com a noite, com as estrelas.
— Desculpa, me deixei levar pelas emoções. — Ele se afastou, sorrindo sem jeito. — Não quis me aproveitar do momento. —Ele desviou o olhar para a paisagem, claramente desconcertado, e eu sorri.
Toquei seu rosto com delicadeza, fazendo-o virar para mim. Seus olhos arregalaram-se, surpresos, e antes que ele pudesse dizer algo, fechei-os suavemente com as mãos. Em seguida, coloquei seus óculos de sol e ajeitei sua máscara, fazendo o mesmo com a minha.
Naquele momento, me senti leve. Me senti feliz.
— Você é lindo, e agora posso falar explicitamente que é um gostoso, mas precisamos tampar tudo. — O encarei, e ele assentiu, já mais calmo. — Não peça desculpas por nada. Se as pessoas não nos olhassem como se estivéssemos pecando, eu te beijaria até nossas bocas caírem.
Ele sorriu, com graça.
— Eu sei que sou tudo isso e você é a garota mais bonita do mundo e tenho vergonha de dizer outras coisas que acho de você agora, mas são ótimos elogios! — Pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos. — Está nervosa? Sua mão está gelada... Nunca beijou antes?
Andávamos rumo à saída, conversando entre sorrisos e olhares cúmplices.
— É você, Jin? — Gargalhei com seu ego inflado, e ele negou, rindo. — Não estou nervosa. Claro que já beijei. E você?
Eu estava nervosa, sim. Já tinha beijado antes, mas nunca alguém que fizesse meu coração tremer daquele jeito. Ele sorriu, claramente sem acreditar na minha explicação.
— Claro que já beijei... Uma vez, na época da escola.— Soltamos uma risada juntos — Faz tempo, o preço da fama...
Consenti, fazia mesmo sentido, mas significava que os boatos dele com algumas mulheres eram mesmo mentira, que ótimo.
— Somos pessoas que se gostam às escondidas. Tipo uma paixão de verão? — Ele perguntou.
— Sim, somos assim. — Apertei sua mão e sorri, sentindo um certo orgulho do que tínhamos. — No meu país, chamamos de paixão de carnaval. Dizem que nunca esquecemos...
Entrelaçamos as mãos de novo, caminhando lado a lado, tentando dar um nome ao que sentíamos. Mas, no fundo, eu já sabia: não importava quanto tempo passasse, eu nunca o esqueceria.
💜
Temos um casal aqui e eu estou amando isso!
Se gostou, aperta na estrelinha aí embaixo💜
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