Alta? 💜Capítulo 11

Minha última semana na mansão da Bighit passou voando. Minha recuperação estava indo bem e chorei bem menos pela perda do meu avô, especialmente depois de participar de uma oração por vídeo com minha família. Minha mãe me ligava todos os dias, e minha avó me disse muitas coisas que aqueceram meu coração. Aos poucos, comecei a me sentir mais em paz. Bo-mi me visitou várias vezes, e nos divertimos juntos — ela já bem mais calma.

Depois daquela semana, viajamos de carro para uma casa de campo a três horas de Seul. A equipe foi como apoio, mas sem câmeras por perto, então sabíamos que era um momento de descanso para todos. A viagem foi longa, mas o carro estava mais animado do que qualquer outro em que já estive. Como éramos oito, fomos divididos em dois veículos. Fui no carro com Namjoon, Jin e Jimin, e, para minha felicidade, não houve um minuto de silêncio.

Ao chegarmos, exploramos a casa, que pertencia à empresa. A única regra era nunca sair sem avisar, para evitar preocupações. Fui acomodada em um quarto no térreo e, logo depois, alguns dos meninos foram ao mercado com a produção para abastecer a cozinha.

Ficaríamos ali por um mês e, sem dúvidas, poderíamos aproveitar melhor a estadia, já que havia menos funcionários e menos obrigações de trabalho para eles. Mesmo sendo uma casa mais simples que o dormitório, ainda assim era grande o suficiente para que eu pudesse me perder pelos corredores. Havia um jardim espaçoso, uma piscina mediana, um lago onde Jin adorava pescar e muita área livre. Agora, completávamos duas semanas ali, e eu já tinha acumulado milhares de memórias — tanto na minha mente quanto no meu celular.

Se ser feliz era um aprendizado, eu estava aprendendo com as melhores pessoas. Eles me ensinavam coisas novas todos os dias e, acima de tudo, me faziam sentir parte da família.

Durante todo o tempo em que estive confinada, não pude fazer algumas coisas que qualquer pessoa normal faria, como passear na rua. Mas, para minha surpresa, me diverti mais do que jamais poderia imaginar. Conheci sete pessoas talentosas, simples, divertidas e, acima de tudo, acolhedoras.

Namjoon me ajudou muito com suas palavras reconfortantes nos momentos mais difíceis. Ele me mostrou seus livros favoritos, ensinou curiosidades sobre plantas e até tentou me fazer perder o medo de sapos — sem sucesso. Descobri alguém extremamente centrado e bem-humorado, apesar do fardo de ser líder. Ele é um dos seres humanos mais maduros com quem já conversei e me ensinou a nunca desistir, mesmo quando as coisas parecem pesadas. Além disso, compartilhamos o desgosto por chocomenta e o talento involuntário para quebrar coisas ao nosso redor.

Jin, por outro lado, me mostrou que a idade não define nada — ele sempre parecia ser mais temperamental do que os mais novos. Me ensinou receitas com peixes, carnes e truques da culinária coreana. Também me mostrou como ser fera em jogos como ping-pong, embora eu desconfie que tenha me deixado ganhar várias vezes, apesar de negar. Compartilhou comigo seus objetos especiais, como seu microfone rosa, e deixou claro que ama essa cor, independentemente do que os outros pensem. Ele também me ensinou cuidados com a pele, recomendou produtos bons e acessíveis e, mais do que isso, me fez enxergar a importância de me amar como sou.

Suga me mostrou que não é nada fechado, como muitos pensam. Conheci um garoto engraçado, dançarino e, surpreendentemente, o bêbado mais carinhoso do grupo. Vi sua genialidade ao trabalhar em músicas, mesmo sem poder enxergar tudo o que ele fazia, ele compõe com uma rapidez impressionante. Vi seu sorriso surgir sem motivo aparente e ganhei dele uma lista de músicas coreanas que eu precisava ouvir. Testemunhei seus momentos de estresse e também os de pura alegria, quando se tornava tão espontâneo quanto uma criança. Ele sempre compartilhava sua história, contava sobre as dificuldades que enfrentou e sobre como nunca conseguiu desistir dos seus sonhos — graças ao apoio dos membros e do irmão mais velho, ainda bem.

Jimin, com sua energia sempre nas alturas, me fez rir como nunca antes. Tenho plena certeza de que jamais conhecerei alguém como ele. Descobri um artista profissional e positivo, que coloca toda a sua alma na dança e encanta a todos com seu talento, mas que também entende que falhar faz parte do caminho e que sempre há uma nova chance para tentar outra vez. Ele me mostrou seus looks favoritos, seus anéis preferidos e até me presenteou com um que usou em um show no Brasil. Tivemos uma competição de tamanhos de mão e, por pouco, a minha ganhou — sendo ainda menor que a dele, o que o deixou feliz.

J-Hope, para mim, foi exatamente como todos sempre diziam: o Sol. Perto dele, não existiam tristeza ou silêncio. Ele fazia danças sensacionais até na cozinha e sempre reforçava a importância de se manter positivo, independentemente da situação. Conheci sua irmã, uma mulher elegante que me ensinou muito sobre a moda coreana, mesmo que eu não fizesse parte do padrão corporal deles. Ele insistiu para que eu o chamasse de Hobi, prometeu me ensinar alguns passos de dança quando eu estivesse melhor e até convidou Bo-mi para participar também. 

Jungkook havia perdido seu posto de mais novo por varias semanas e estava adorando aquilo, ele dizia se sentia bem mais adulto apesar de já ser. Percebia cada vez mais sua maturidade ao falar de como foi difícil conciliar a escola com a musica e de como sentiu medo dos julgamentos quando realizou o sonho de ter uma tatuagem. Com o mais novo tatuado, aprendi coisas novas como jogos, danças, a importância do cabelo dormir seco e comemos juntos doces estranhos. Jungkook aos poucos me ensinou truques da pesca que havia aprendido com o Jin, me contou como foi difícil sair de casa tão novo para tentar algo e que nos primeiros anos sentia muita falta da sua mãe em seus aniversários, mas que hoje em dia, quando está com sua família sente falta dos membros como sentia da sua mãe.

E, por fim, Kim Taehyung. Falar sobre ele era como falar do meu próprio coração. A cada dia, eu gostava mais dele, a ponto de sentir que meu peito poderia explodir, mesmo sabendo que isso era errado. Nos aproximamos ainda mais, sem rotular nossa relação. Ninguém desconfiava, e isso me fazia sentir culpada — eu gostava de todos os membros e sabia que eles confiavam em mim.

Fomos algo que saiu do controle rapidamente. Nos gostávamos em segredo e aproveitávamos as noites silenciosas para olhar as estrelas, comer, jogar Uno, ver vídeos... Até o ajudei a criar rimas para sua próxima composição. Conheci seu quarto, seu estúdio, seus amigos e, acima de tudo, seu interior. Aos poucos, ele me deixou entrar em sua vida, e, sem perceber, eu nunca conseguia dizer não. Pude conhecer uma das pessoas mais doces, ingênuas e sinceras que já passaram por mim. Pude conhecer aquele que eu sempre quis encontrar, mas nunca imaginei que existisse de verdade.

Compartilhamos histórias lindas e algumas tristes também. Vi seu álbum de fotos, fiz com que provasse um café gelado feito por mim e me sentia segura em seu abraço. Ele passou a me completar da maneira mais bonita que um ser humano pode completar outro. E eu sabia que era recíproco — bastava olhar em seus olhos.

Foram nessas semanas no campo que conheci ainda mais as faces das pessoas mais famosas da Coreia, onde sorri como nunca e esqueci minhas preocupações.

Naquela noite de sexta, Jin preparou o jantar, e Taehyung lavou os pratos com Suga, que recusou minha ajuda. A equipe nos auxiliava a organizar a casa, mas J-Hope fazia questão de arrumar tudo o que pudesse. 

Sentados na sala, assistíamos a um filme coreano, descansando após um dia de pescaria, caminhada e montagem de um quebra-cabeça enorme.

— Sinto muito por ter trancado vocês aqui bem nas férias. — sussurrei assim que o filme terminou. — Devem estar com saudade de suas famílias... Me sinto mal por isso.

Soltei um suspiro e senti todos me olharem.

— Não se preocupe com isso, estamos nos divertindo. Teremos outras férias. Tudo aconteceu de forma repentina, e ninguém tem culpa, a não ser a chuva. — Jungkook respondeu, e todos concordaram.

Sorri para ele, que me retribuiu com um sorriso enorme. Às vezes, ele realmente parecia um coelhinho.

— Você é quem deve estar cansada, de tanto falar com a empresa sobre aquela tarde e aguentar nosso barulho. — Namjoon sussurrou. — Sei que somos elétricos às vezes.

Sim, eu estava constantemente em contato com a empresa, e sempre tinha alguém vindo falar comigo.

— Não me canso de vocês. — Brinquei. — Aliás, não querem mais ninguém no grupo? Sei cantar no chuveiro...

J-Hope caiu na risada, dizendo que seria hilário ter uma menina no grupo.

— Isso significaria que você teria que morar aqui? — Taehyung perguntou, e eu assenti.

— Exatamente. — Sorri, e ele sorriu de volta.

A conversa se tornou frenética. Todos falavam ao mesmo tempo, riam ao mesmo tempo e faziam suposições absurdas. O silêncio só chegou quando um staff pediu licença ao entrar na sala.

— Senhorita, com licença. Como de costume, trouxemos sua correspondência do apartamento. Cheguei esta tarde, mas você estava pescando. — Ele se aproximou do sofá onde estávamos os oito.

— Muito obrigada por trazer. Estou dando trabalho, não é? — Sorri.

Ele negou com simpatia.

Arregalei os olhos e ajeitei meu moletom. O staff me entregou um monte de papéis e um pequeno buquê de tulipas amarelas, me deixando boquiaberta.

Todos bateram palmas e soltaram um longo "hmmmmm". Peguei tudo, sem jeito, e admirei as flores. Bruno teria feito isso mesmo depois da minha mensagem encerrando qualquer coisa entre nós?

— Aquele rapaz é persistente, nossa. — Suga gargalhou. — Tulipas... isso é bem específico, uau.

— Específico como? — perguntei, intrigada.

Suga sorriu, mas não respondeu de imediato.

Sem entender, peguei um envelope que veio dentro do buquê. Na frente, estava escrito "Abra" em inglês.

— O que diz aí? — Jimin perguntou, curioso. — Não me admira que alguém goste de você. — Corei instantaneamente. — Gosta dessa pessoa ou é unilateral? — ele continuou, sem dar tempo para respirar.

Namjoon suspirou e, como sempre, mandou Jimin parar com o interrogatório.

— Não me deixe com vergonha, Jiminnie... — sorri, fazendo-o me encarar com diversão. — Já gostei de um rapaz anos atrás, mas hoje não mais.

Todos assentiram, entendendo minha resposta. Foi então que Jin apontou o celular para mim, fazendo com que eu lesse a tela.

— Eu já sabia, mas procurei o significado para ver. — Ele pausou e, em seguida, leu em voz alta: — As tulipas significam uma confissão amorosa verdadeira, pura e sem vaidade. —Um silêncio se instalou por alguns segundos. — Essa pessoa quis dizer que gosta mesmo de você... talvez até ame.

Olhei novamente para as flores em minhas mãos, sentindo um misto de sentimentos que nem eu conseguia decifrar.

— Amar? Esse é um sentimento bem forte... — murmurei, pensativa. — Amar... — Soltei uma risada breve, mas logo fiquei séria novamente.

Balancei a cabeça, negando. Bruno não me ama.

Estiquei minhas pernas curtas sobre a mesa de centro, sentindo o frio entrar pela janela aberta. Minhas meias do Tata eram quentes o suficiente para me manter confortável. Respirei fundo antes de abrir o envelope dourado. Dentro, havia uma pequena chave presa a uma corrente, colada com uma fita transparente, meu coração disparou.

A carta, escrita em português, não era do Bruno.Era do Kim Taehyung, bem ali, sentado à minha frente.

"Senhorita Laura, isso é por todo esse tempo que tem me feito muito bem. Os dias com você são divertidos, felizes, puros e seu sorriso aquece meu coração, acredite. Não quero me despedir, pois só de pensar meu coração dói, mas quero expressar meus sentimentos mesmo sem poder fazer isso em publico. É tudo tão complicado que sinto um aperto no peito, não achava que seria possível gostar de alguém como gosto de você e por isso a chave do meu coração é sua. O que você fez por mim?"

Sorri e levei a mão ao peito. Foi a única coisa que consegui fazer com meu coração acelerado.

Taehyung havia se esforçado para escrever em português, fingindo ser Bruno. Não tive coragem de encará-lo, mas sentia sua curiosidade, assim como a dos outros. Antes que pudessem perguntar mais, Suga os mandou parar.

— Hugh, uma carta de amor! — Jungkook bateu palmas, animado.

— O que diz aí? — Jimin tentou espiar, mas afastei o papel. — São lindas palavras? — ele insistiu. Apenas consenti, e ele gargalhou.

— Está vermelha? — Jin provocou, rindo.

— Acho que essa pessoa realmente gosta de você. Flor é algo bem romântico... — Taehyung sorriu, e eu suspirei. — Sortuda.

— Você gostou dessa vez? — Suga me olhou com atenção. — Acho que agora esse menino atingiu seu coração.

— Minha mãe sempre chora quando mando rosas para ela. — Namjoon comentou.

Por um instante, me perguntei se ele não tinha uma namorada escondida. Eles falavam todos os mesmo tempo, mais animados do que eu que ainda processava tudo.

— Quer que a gente mande devolver, igual aos chocolates? — J-Hope perguntou.

Assim como os outros, ele sabia que eu não gostava das coisas que Bruno me mandava. Afinal, todos conheciam minha história com ele.

— NÃO! — abracei o buquê, deixando todos boquiabertos. — Vocês sabem que prefiro me livrar sozinha, ele não desiste nunca. — Sorri, vendo Taehyung prender o riso. — Vou deitar pessoal... Já passa das onze, e precisamos acordar cedo para brincar com... algo.

Me levantei, e todos me desejaram boa noite com simpatia.

— Bom descanso. — Namjoon acenou, e retribuí.

— Durma bem, Laura. Já iremos também. Se sua amiga ligar, avise que mandamos lembranças. — Suga disse.

Pisquei para ele, o rapper sempre demonstrava lembrar da Bo-mi minha amiga. Ele ficou sem jeito e negou, arrancando risadas dos outros.

— Não demorem, durmam bem e, qualquer coisa, gritem por socorro. — Falei, me afastando enquanto arrastava as meias no chão, andando lentamente. — A tia ama vocês, pequenos brotos de feijão.

Fiz um coração com os dedos e ouvi muitas risadas.

— Sabe que é a mais nova dessa sala, não é? — Jimin gritou. — Como pode ser a tia?

— Sim, eu sou... E você nunca me deixa esquecer. — Respondi, já entrando no quarto com o buquê em mãos.

Meu coração estava em festa, batendo forte. Coloquei as flores sobre a cama e abracei o cartão. Ele era delicado, romântico e carinhoso, Taehyung fazia de tudo para ter certeza de que nunca o esqueceria, e isso saiu da sua própria boca. O que ele não sabia, era que com flores ou não, isso de fato aconteceria. —Encarei minha pasta, onde o contrato estava guardado.

💜

– Não é arriscado bater na minha porta depois da meia-noite? Vai pagar minha multa de milhões de dólares? E os meninos já foram dormir mesmo? – Perguntei, sentada ao lado de Kim Taehyung, com nossas mãos entrelaçadas, enquanto encarava seu cachorrinho preto. – Você é tão lindo, Yeontan. – Falei, fazendo carinho no cachorro, que se deitou calmamente entre nós.

Pouco antes de o sono me pegar, ouvi suaves batidas na porta. Quando a abri, um lindo sorriso surgiu. Ele pediu para entrar com Yeontan nos braços, me trouxe suco de pêra e alguns biscoitos, e se sentou ao meu lado na cama, cobrindo-nos com a coberta.

Ele apresentou Yeontan, explicando que o cachorro não poderia latir para mim, pois eu era uma pessoa muito legal. Vi fotos deles juntos e de quando o cachorro chegou ainda bem pequeno. Senti o amor que Taehyung nutria por aquele bichinho peludo e, sim, eu também gostei dele.

– Sim, pago sua multa, não é Yeontan? – Ele disse, fazendo-me estapear sua cabeça de brincadeira.– Todos já estão na cama, não se preocupe... – Ele continuou, com um olhar suave. – Não quero perder tempo, só quero ficar ao seu lado, junto ao Yeontan. Gostou das flores? E tenho uma pergunta para fazer... 

Ele falava muito em questão de segundos, e eu adorava aquilo...

– Eu gostei das flores e amei finalmente conhecer o Yeontan. E foi a primeira vez que ganhei flores de alguém. – Sorri, mostrando o buquê em um copo improvisado. – Que pergunta? – Perguntei, aumentando o volume da televisão para que ninguém pudesse nos ouvir.

Kim Taehyung permaneceu em silêncio, acariciando seu cachorro com uma mão enquanto a outra permanecia entrelaçada na minha por baixo do cobertor. Sentia o movimento suave do seu polegar acariciando o meu.

– Quer ir para o chão, Yeontan? – Ele perguntou, colocando o cachorro inquieto no chão, antes de continuar. – Semanas atrás, quando conhecemos sua amiga, ela disse que você era boa demais para estar sozinha, que o primo dela gostava de você. – Ele fez uma pausa, e eu o encarei, surpresa com o rumo da conversa. – Você irá mesmo a um encontro com ele quando for embora? Eu sei que ela tem razão e que logo encontrará outra pessoa. É justo.

Então, aquela era mesmo a preocupação do menino ao meu lado? Como explicar a ele que, mesmo que eu quisesse, não o esqueceria?

Ainda sem falar nada, escorreguei meu corpo lentamente para deitar-me e o puxei para baixo. Passei meu braço ao redor do seu pescoço e encostei sua cabeça em meu ombro, sentindo o cheiro doce e leve de seus cabelos, que estavam tão macios e cheios. Ele manteve os braços estáticos, como se hesitasse, talvez por receio de uma aproximação maior, e eu respeitei o espaço dele.

– Aos olhos alheios, cometi o erro de me apaixonar por um dos maiores idols do mundo, onde o rosto está por toda parte e a voz por todas as rádios. Sei que a empresa não os quer namorando, até porque as fãs provavelmente reprovariam isso, e a empresa poderia sair perdendo... – Falei, sem olhar para ele, apenas sentindo sua presença ao meu lado. Ele escutava, mas não me encarava. – Aos meus olhos, me apaixonei sem intenção alguma pela última pessoa que esperava, uma pessoa simples, talentosa e que tem uma voz grossa e sexy.

Ele sorriu, e eu também sorri, sem conter.

– Sim, eu me apaixonei por um idol que passa o tempo todo viajando o mundo... Mas fiquei feliz em ter me apaixonado pela pessoa mais divertida, carinhosa, risonha e especial. – O sorriso dele ficou mais tímido, e ele tapou os olhos com as mãos, como se pedisse para eu parar de falar. – Não quero encontros com pessoas por aí.

Sua risada ecoou no quarto, junto com a minha. Eu toquei os seus cabelos, fazendo-o suspirar profundamente.

– Queria te pedir para não ir a encontros, nem se apaixonar por outra pessoa, mas sei que não posso... – Ele falou, com a voz suave, e senti sua mão apertar a minha, num gesto de vulnerabilidade. – Eu sempre senti medo de me apaixonar por uma pessoa que me visse apenas como o idol, mas você foi a pessoa que me viu por trás de tudo, que demorou a sorrir, que me enxergou de verdade. Gosto de você e do seu sorriso, mesmo quando está brava. Gosto das suas curvas, e de como gosta de si mesma. Gosto de gostar de você. – Ele sussurrou, a última palavra escapando com um tom de saudade, de algo profundo e imenso. 

Suspirei e ficamos em um silêncio pesado, eu não queria chorar ou lamentar, não com ele ao meu lado.

– Se ficar falando essas coisas e sendo tão romântico, posso acabar gostando ainda mais de você, sabia? – Perguntei, com um sorriso leve, tentando amenizar a tensão no ar.  Não vai mesmo esquecer de mim? Isso me preocupa. –Não quero que você fique triste por aí. – Sussurrei. – Estou brincando.

Ele me encarou por um longo momento, seus olhos refletindo carinho, mas também algo mais profundo, uma sensação de despedida que estava prestes a chegar.

– Não é brincadeira, a verdade é que não vou esquecer de você, e lembrar de você não vai me causar tristeza, mas confesso que vou ficar para baixo quando a saudade bater. Minha mãe sempre diz que o tempo não importa quando começamos a gostar de alguém. Se for para gostar, vamos gostar, e como eu vou esquecer de você, se te entreguei a chave do meu coração? – Ele sussurrou, seus olhos fixos nos meus.

Suas palavras bonitas sempre me deixavam sem palavras, eu não sabia falar coisas melosas e já ele, era o mestre disso. Eu estava usando a corrente com a chave do seu cadeado da noite da torre e ele gostava de ver.

– O que é nosso sempre encontrará o caminho de volta até nós, não importa quanto tempo passe. – Falei, tocando seu rosto suavemente. Ele assentiu e me abraçou com ternura. – Sua mãe sabe que gosta de mim? Não sou coreana, tenho outra educação, não sou o sonho das mães coreanas.

Falei com sinceridade, e ele soltou uma gargalhada, me deixando sem entender.

– Você acha que todas as mães coreanas são como aquelas de dramas? Tudo bem, algumas até podem ser, mas a minha não. – Ele apertou minha mão carinhosamente. – Minha mãe só quer me ver feliz, e ela será eternamente grata a você por ter me salvado.

Senti-me mais aliviada com suas palavras, e logo desligamos a televisão para ver vídeos no celular. Sua perna sobre a minha me deixava confortável, e o cheiro doce de baunilha em seus cabelos me envolvia. De vez em quando, ele me surpreendia com um abraço inesperado. Ficamos ali por horas, rindo dos memes que o army do Brasil fazia, e ele riu até que o sono o pegou.

Após um dia agitado com seis pessoas cheias de energia, o menino ao meu lado adormeceu lentamente, contando histórias engraçadas sobre sua infância. Yeontan deitou tranquilamente sobre o tapete, e eu apaguei as luzes, deixando apenas o abajur aceso. Ele dormia serenamente na cama ao meu lado, abraçado a um travesseiro, e eu o cobri com o lençol, deitando ao seu lado enquanto observava seu rosto em silêncio.

– Se fosse apenas sua beleza natural ou sua bela voz, talvez fosse mais fácil te esquecer com o passar do tempo. – Falei baixinho, afastando uma mecha de cabelo que cobria seus olhos. Suspirei. – Juro que não tinha a intenção de me apaixonar, mas... isso não deveria ser um pecado.

Com cuidado, retirei o travesseiro dos seus braços e me aproximei do seu corpo. Fechei os olhos e senti o sono me envolver. Estava cansada, mas feliz, ao seu lado.

💜

O dia amanheceu, e acordei assustada, saltando da cama. O menino que havia dormido ao meu lado não estava mais lá, e meu medo era que alguém tivesse nos visto ou, talvez, o tivesse visto saindo daqui. Apertei os olhos e estapeei minha testa, tentando afastar os pensamentos.

Fiz minha higiene matinal e tomei os remédios, como sempre, acompanhada de uma mensagem de Oh Sun, lembrando-me de tomá-los. Alguns minutos depois do banho, ela bateu à porta para ver como eu estava e trazer roupas limpas. Ela tinha se tornado mais do que uma ajudante; conversávamos muito, e ela queria manter o contato mesmo após minha saída da casa.

Fui informada de que o médico me aguardava para mais uma consulta, então, sem demora, me dirigi à sala de exames, onde já estava habituada a ir.

Depois da consulta, saí e avistei a sala, que parecia ter sido invadida por um furacão. A bagunça estava generalizada, com louça empilhada na pia. Não passava das oito da manhã, e todos pareciam ainda estar dormindo. O silêncio dominava o ambiente, então abri as janelas, deixando que o sol beijasse meu rosto. Coloquei meus fones de ouvido e comecei a arrumar as coisas do sofá.

Malas, casacos, toucas, cartas de Uno, fones sem fio que não fazia ideia de quem eram, livros e restos de comida. Com "The Rose" tocando em meus fones, me sentia tranquila, organizando o espaço. A música era animada e revigorante; uma excelente banda coreana. Foi então que uma mão tocou meu ombro, me assustando.

— Bom dia, Laura, não faça isso. — J-Hope puxou a roupa da minha mão e eu pausei a música. — Jamais arrumará nossa bagunça, que injusto. — Ele me fez rir e saiu apressado, juntando as coisas.

Eu o segui, continuando a arrumar também. Ele sempre pegava as coisas da minha mão, me fazendo rir. Às vezes, ele era um meme ambulante e me animava só de estar no mesmo ambiente.

—Gosto de ajudar, todos estão dormindo? — Coloquei meu celular na mesa e ele começou a dançar. — Queria dançar assim, você faz a dança parecer simples. — Eu sorri enquanto ele remexia os braços com graça.

Animação era seu nome. Ainda de pijama e pantufas, parecia ter acordado super animado.

— Dançar tem suas dificuldades. O Suga e o Jin estão pescando, o Namjoon está lendo lá em cima... — Ele parou para pensar. — Eu tô acordado, o Jimin dormindo, o Jungkook dormindo e o Taehyung também.

Consenti, e ele arrumou o sofá rapidamente. Coloquei a música que estava ouvindo na televisão, e ele comentou que também ouvia aquela banda. Comecei a lavar a louça ao som de uma das minhas bandas favoritas e, claro, cantava muito mal, fazendo J-Hope rir da minha cara.

— Bom dia, Laura, acordou animada. — Jungkook entrou na sala bocejando, com a cara inchada, e imitou um baterista. — Essa música é boa.

— Bom dia, estou animada, meu corpo quase não dói mais. — Falei, fazendo os meninos baterem palmas. — Aqueles fones são de quem? — Apontei, e J-Hope os pegou.

— Acho que são do Jin. — Ele falou e entregou os fones para o Jungkook guardar.

Assim que terminei de arrumar a cozinha, Jimin acordou, e os três começaram a preparar o café da manhã típico coreano. Aos poucos, os outros chegaram da pescaria, trazendo muitos peixes. O Namjoon cansou de ler e deitou no sofá. A equipe entrou para trazer roupas e comidas, e quando todos acordaram, tomamos o café da manhã.

— Pescamos o almoço. — Suga disse, sorrindo. — Laura gosta mesmo dessa banda ou do vocalista?

Suga sorriu ao perceber que, em vez de comer, eu estava encarando a televisão. Olhei de volta, e Kim Taehyung sorriu para mim, entrando na brincadeira.

— Ela parece ter uma queda por cantores. — Kim Taehyung falou, me fazendo arregalar os olhos.

Cala a boca, engraçadinho

— Eu também acho, fale a verdade. — Namjoon brincou e eu consenti. — Não ficaremos enciumados.

— Olha o vocalista, Sammy. — Apontei para a televisão. — Ele é lindo e canta tão bem, olhem o sorriso dele, me mata do coração... — Sorri, amarrando meus cachos. — O baterista loiro me deixa bem maluca, ele é meu tipo.

— Uau. — J-Hope gargalhou. — As pessoas fazem isso com a gente?

Consenti e sorri.

— Nem imaginam o que muitas pessoas gostariam de fazer com os seus corpos quando levantam milímetros das camisas. — Sorri e eles ficaram boquiabertos. Apontei para Namjoon. — Você, no Brasil, é chamado de "geladeira de duas portas" por ser grande e musculoso... — Ele gargalhou e eu sorri.

— Como eu sou chamado? — Suga perguntou curioso.

— Eu ouço muito chamarem você de "gatinho", "moranguinho", "mafioso das fanfics"... — Falei, e ele sorriu animado.

Eles riam das minhas explicações e afirmaram amar o Brasil, incluindo Kim Taehyung. Suga brincava, perguntando se eu queria que ele me apresentasse ao Sammy, e, claro, eu afirmei com empolgação.

Tomei a sopa gelada com vontade, e Jin me encarava esperando minha aprovação. Ele adorava cozinhar, e eu sabia que ficava feliz sempre que eu dizia que tudo estava divino — o que, de fato, sempre estava.

Quando terminamos a refeição, a tarde se resumiu a relaxar. Saí para o jardim com picolés e me sentei para vê-los correndo um atrás do outro enquanto tomava banho de sol, como o médico tinha receitado. Nossos dias eram assim, em um local simples, repetindo várias atividades. Comíamos muito e os dias ali passavam rápido, mais rápido do que gostaríamos.

— Laura, pode nos ajudar? A contagem de pontos deu errado. — Kim Taehyung me chamou com um dengo, acenando e fazendo um biquinho.

— Ele está enrolando. — Jimin falou, apontando para Kim Taehyung, e eu me levantei lentamente. — Eu ganhei, hyung.

— Eu não estou enrolando, todo mundo viu! — Kim Taehyung gritou. — O ponto é meu, a bolinha passou por você! — Gargalhei, enquanto Jimin começava a espernear.

Suga observava tudo de longe, sorrindo com as expressões engraçadas de todo mundo, mas sem expressar sua opinião, ele estava sempre escrevendo algo que não nos mostrava. Namjoon, por sua vez, lia um livro perto do lago, enquanto os outros aguardavam para brincar.

— Ponto para nenhum dos dois, zero a zero, e vocês ganham picolé para serem felizes. — Falei, gesticulando, e Jimin se revoltou. — Jin e Jungkook, são vocês agora.

— Lauraaaaa! — Jimin rolou no chão, e eu acenei, chamando-o.

— Vamos, levanta. — Chamei, e ele fingiu chorar, nos fazendo rir todos juntos.

Os meninos correram para jogar, enquanto os outros se sentaram ao meu lado. Apesar de parecerem um pouco chateados, os jogos nunca eram uma competição séria, a não ser nos episódios do Run.

— A Laura está em uma recreação? Pena que não pode jogar também. Onde está o J-Hope? — Jungkook perguntou, fazendo algum tipo de dança estranha.

— O J-Hope está montando um avião de brinquedo já faz um tempo, e eu estou bem aqui na sombra. — Respondi, dando tchau. — Mas, mais tarde, vou fazer algo doce para quem ganhar.

— EU GANHAREI! — Jungkook gritou, balançando as mãos, e acabou perdendo um ponto por não perceber a bolinha passar por ele. — Não valeu! Zero a zero.

O jogo nos fazia rir muito, e, por mais que o tempo parecesse passar rápido, ele também parecia desacelerar quando estávamos todos juntos. Aos poucos, todos iam chegando, trazendo comida e espalhando alegria por onde passavam. Eu sabia que cada um deles tinha seus momentos difíceis e estressantes, mas, felizmente, esses momentos não duravam muito. Depois daquele jogo, com toda certeza iriam se distrair com um avião de controle remoto ou simplesmente jogar futebol.

💜

O tempo havia fechado na semana seguinte, e, em um belo dia, a chuva chegou — assim como o fundador. Até onde sabíamos, ele não iria aparecer, mas algo nos dizia que ele tinha algo sério para nos contar. Sentados no sofá, eu roía todas as unhas, imaginando se algo sobre mim e Kim Taehyung havia vazado para a mídia. Estávamos completamente perdidos caso fosse esse o caso. Porém, ao observar a tranquilidade da equipe, a hipótese foi descartada, e logo surgiram outras suposições.

Alguns minutos se passaram, e, quando todos já estavam na sala junto aos funcionários, o fundador e o meu médico entraram, sorridentes. Meu coração gelou ao vê-los; havia algo dentro de mim que não queria estar completamente bem. Seria egoísmo da minha parte? Todos estavam sérios, sem piadinhas ou brincadeiras, como se todos sentissem o mesmo.

Na consulta da semana passada, nada havia sido dito, mas, com tantos papéis nas mãos, ele parecia ter algo importante para compartilhar naquele momento. Eu não estava pronta para nos despedir, ou melhor, eu não estava pronta ainda.

— Boa tarde, como estão nessas semanas? Laura, meninos... — O fundador se sentou à nossa frente com simpatia.

O fundador se sentou ao lado do médico, parecendo feliz.

— Estamos bem — Namjoon disse.

— E eu, tenho mais uma consulta? — Perguntei, ajustando minhas pantufas.

O médico sorriu e negou, começando a procurar entre os papéis e exames.

— Finalmente, tenho boas notícias para todos vocês, especialmente para você, Laura — O médico falou, e eu toquei meu coração, sentindo o peso da expectativa. — Sua recuperação foi um sucesso, parabéns. Após as últimas consultas, conseguimos ver que seu órgão está se recuperando muito bem internamente, suas taxas estão boas e a cicatriz está completamente cicatrizada.

Ele me encarou, e eu esbocei um sorriso fraco, sentindo uma mistura de alívio e algo inexplicável.

— Isso quer dizer que... — Kim Taehyung sussurrou, e o médico consentiu.

— Estou de alta? — Perguntei, apertando os dedos com ansiedade.

Todos se entreolharam, sem sorrisos e eu tentei sorri, mas sabia que aquele sorriso estava longe de ser verdadeiro. Era mesmo uma boa notícia? E por que não me sentia feliz com isso?

💜

O adeus chegou?

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