Os disfarces.
Eu tô surtando eu só vim pra Las Vegas pra espairecer, quem sabe achar a solução da minha crise na escrita e com isso fazer um livro que me leve de volta pro topo.
Agora me encontro casada com um desconhecido, um bebê dentro do quarto que não faço idéia de como cheguei, minha cabeça tá a prêmio por que roubei um bocado de diamante de não sei quem, roubamos uma ambulância e pra fechar com chave de ouro, estamos sendo seguidos!
__tá falando sério?__me aproximei do banco do Erick.
__não, resolvi fazer uma piada pra descontrair.__revirei os olhos pelo sarcasmos e ironia dele.__é claro que tô! O mesmo carro tava na frente do hotel e agora tá atrás da gente. Virei a rua pra confirmar e é verdade.
__para e pergunta.
__ah tá, se você não ama a vida, posso fazer nada, mas eu amo a minha. Esqueceu que estão nos seguindo pelo roubo dos diamantes, deve ser isso.
__eu sei, mas fala que não sabemos.
__e o que pode ocorrer é eu tomar um tiro, ele não perguntou se está conosco, ele disse que quer de volta.
__você é muito medroso.
__vai você! Eu paro, você desce e fala com ele, pode ser?
__não. Eu não quero morrer.
__ah, então a bonita quer que eu me ferre? Ariel para de atazanar minha vida. Ele talvez não tenha notado que sabemos, finge demência e vamos.
__plano péssimo, mas vamos pra onde?
__em algum lugar pra comprar um disfarce.__concordei me sentando ao seu lado e tremendo mais do que eu tremi em toda minha vida.
Logo ele parou enfrente a uma loja de tudo e mais um pouco, a atenção da ambulância era muita.
Peguei o bebê conforto e a Erick pegou as malas.
__ele parou no final da rua.__ele abre a lateral e saímos às pressas e entramos na loja.
__compra uma mala diferente. Eu vou ver o que faço.__ele seguiu pra um corredor e fui pra outro.
Achei umas perucas coloridas e com cores tecnicamente normais.
Peguei uma pra mim e um lenço azul turquesa.
__com licença.__parei no balcão e a atendente surge.__tem lentes de contato ou óculos?
__sim, óculos naquela sessão e lentes azuis, cinza e verdes, são aqui comigo.
__me vê um par de lentes azuis.__ela saiu e vi no balcão um lacinho rosa, olhei o bebê e o mesmo me olhava e se falasse juro que seria isso; você nem pensa.
Mas precisamos, quando ela voltou peguei as lentes e o lacinho e o que peguei até agora e pedi pra ela embalar.
Fui em uma sessão de roupas e achei um vestidinho cheio de babado e mais a frente notei os óculos e um boné de baseball.
Após pegar encontrei Erick com uma mala enorme e na cor vermelho.
Fomos pro caixa e ele pagou a mala e paguei algumas coisas que peguei.
__tem algum banheiro?__ela concorda e aponta pra um no final do corredor ao fundo.
__o que vai fazer?__ele me olha e sorri.
__vem comigo.__ele me olhou incrédulo e revirei os olhos.
Seguimos pelo corredor e ao chegar, era médio e terá que servir.
__Troca as malas rápido, põe o máximo que conseguir e as nossas vão ter que ficar aqui.
__sabe o quanto gastei na minha mala?
__vale mais que sua vida? Não dá pra fazer nada com uma sombra atrás da gente e já viram tudo da gente.__coloquei o bebê conforto na pia e sorri pro mesmo como se pedisse desculpa.
Peguei uma troca de roupa na minha mala e escutei Erick resmungar.
Tirei a roupa que o bebê usava e temia quebrar o mesmo, é tão frágil e mole.
Coloquei o vestidinho cheio de babado e a meia que ele usava era branca, cai bem.
Cacei na bolsa dele toalhas ou alguma coisa e achei um cobertor amarelo de coelhinho.
Prendi o mesmo de novo e dei o cobertor pra ele.
Coloquei o macacão bege por baixo do vestido e ao parar na cintura, virei de costas e tirei o vestido e coloquei uma blusa preta de gola alta e fechei as alças do macacão.
Troquei a sapatilha por um tênis branco e Erick trocava de roupa como dava de costas pra mim.
Não nego que vi suas costas cheia de arranhões e não quero nem imaginar o que houve.
Ele vestiu uma calça jeans azul marinho e vestiu uma blusa de botão xadrez preto e branco. Usava no pé um sapatênis preto.
__joga o cabelo pra trás e coloca esse boné.__ele pegou o mesmo e após uma careta, fez o que disse.
Ajeitei meu cabelo e coloquei a peruca preta e fiz do lenço uma faixa e prendi na frente, entre a parte de trás do cabelo e a franja grande.
Abri a caixinha de lentes e bufando me debrucei na frente do espelho e a ajeitei a lente. Errei uma, duas e na terceira consegui. Pisquei algumas vezes pra aliviar.
__você tá de sacanagem?!__olhei ele confusa.__vai transformar o pirralho em pirralha?
__só pra sair daqui. Se tiver ideia melhor avisa.__ele bufou e estiquei o óculos pro mesmo.
__tava precisando por conta do sol.__ele pegou e colocou no rosto.
Empurrei a mala pra um canto e coloquei o laço no bebê e tirei a chupeta do mesmo e por sorte ele não brigou. Tirei ele do bebê conforto e olhei o Erick.
__não!
__sim!
__eu não vou pegar esse remelento.__ele cruzou os braços.
__te viram entrando na loja empurrando uma mala. É mais difícil mudar o visual de homem, e qualquer burro que olhar de perto, vê que é a mesma pessoa. É só até pegar um táxi.
__coloca ele no treco aí.
__o treco se chama bebê conforto, e assim como as malas, vai ficar aqui!__ele deu de ombros.__ok, vamos lá pra fora e deixamos quem seja vir atrás da gente.
__e a ambulância?
__vai ficar, Erick não dá pra passar despercebido com uma ambulância como veículo.
__e...dane-se! Me dê logo ele.__ele não teve mais argumentos, ergueu os braços e ajeitei ele sentado no antebraço esquerdo e a mão direita do Erick amparava as costas.
Maximus deitou a cabeça no ombro do Erick e o mesmo parecia odiar cada ato do bebê.
Peguei a fralda e joguei sobre a bolsa do bebê no meu lado e abri a porta, Erick saiu e tirei a mala.
Ajeitei as coisas que iriam ficar no canto e sai fechando a porta.
Segurei a mala e Erick andava ao meu lado bufando. Tinha um grupo de gente saindo e nos misturamos no embalo.
Quando passei pela porta alguém esbarra em mim e ao mesmo tempo me segura.
Olhei seu rosto e notei ser um homem de 37 anos e com terno e gravata.
Sabe a sensação de alerta? Senti isso e não foi pouca.
Ele me olhava sem expressão e escutei umas vozes femininas falando algo como; que fofinha, oh que pai dedicado ou é a bebê mais linda que já vi.
__desculpa.__diminui minha voz tentando deixá-la suave.
__tubo bem, eu que peço desculpas senhora.
Me virei e vi Erick cheio de mulheres em volta dele e o babaca só sorrisos. Revirei os olhos e vi o homem procurando algo lá dentro e logo seguindo em direção ao corredor.
__podemos pegar uma carona com vocês no ônibus?__olhei uma das mulheres e ela sorri pro Erick e diz sim.
Um homem com roupas esportivas me ajuda a colocar a mala dentro do ônibus e puxei Erick pra dentro do ônibus.
Me sentei no banco ao fundo e Erick ao meu lado ainda de papo com algumas mulheres.
O ônibus começou a andar e notei o homem de terno sair da loja e olhar ao redor.
Será que era ele o dono do carro que nos seguia?
__Ari...
__fala.__ele me olhou confuso e dei de ombros.
__elas disseram que não precisamos pagar, acharam uma atração no__ele olhou o bebê e me olhou.__entendeu?
__tanto faz. Para na próxima parada longe daqui.__me ajeitei e olhei a janela tentando lembrar de alguma coisa e nada vinha.
Meu estômago tá revirando e tô sentindo uma cólica no pé da barriga.
Meia hora depois.
O ônibus parou em uma parada de ônibus e descemos com as lamúrias das mulheres ali.
Desci com a mala e Erick veio logo atrás.
Quando o ônibus saiu ele se vira pra mim sério e me entrega o Maximus.
__o que foi? O encanto dele acabou?__o encarei e ele deu de ombros.
__disseram sobre um hotel barato aqui perto, vamos pra lá e deixaremos a mala.__ele segura a mala e o segui cobrindo o rosto do Maximus com o cobertor que estava na bolsa.
Após algumas perguntas e explicações das pessoas chegamos no hotel que digo ser bem suspeito e possivelmente é cenário de filme de crimes.
__que nojo.__Erick resmunga adentrando o hotel.
Após pegar um quarto, fomos pro mesmo e o local era decadente demais. Me aproximei da cama e deitei o Maximus na mesma e dei a chupeta dele.
__o que sabemos até agora?
__quando peguei a ambulância, o manobrista disse que eu falei que tinha chegado do plantão pra curtir o meu noivado.__ele revirou os olhos.__disse que dá ambulância saiu eu, você, o pirralho e uma mulher loira.
__a mãe dele?
__possivelmente, mas eu disse que era nosso filho, olha que merda né?__fiz careta e ele deu de ombros.__ele disse que a mulher saiu uma hora antes da gente, dizendo que tinha que trabalhar.
__qual a possibilidade da ambulância ser dela e ela ser paramédica?__arrisquei e ele negou.__bom, isso não ajuda muito, nossa melhor opção é ir ao hospital e quem sabe descobrir o que fui fazer lá.
__boa. Vamos logo.__ele anda até a porta.
__eu só faço algo depois de comer. Preciso de café pra minha mente funcionar.
__isso não é hora.
__saco vazio não para em pé. Eu não faço mais nada sem o meu café!__cruzei os braços e ele revirou os olhos.
__eu vou no hospital sozinho.
__quem deu entrada fui eu, mesmo casados não pode conseguir nada.__sorri vitoriosa, ele me encarou e dei de ombros.
__vamos tomar o seu maldito café.__sorri.__mais alguma coisa?
__sim, troca de roupa e coloca a peruca que comprei, farei o mesmo e vou trocar a roupa do Maximus.
__pra quê?
__se fizer essa pergunta de novo, eu vou responder da forma mais baixa possível.__ele bufou e bateu a porta e gritou; se troca logo!
Tanto ser humano no mundo e me vejo presa numa confusão com um galinha em potencial, babaca e ogro.
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