O Incêndio.
Erick pareceu entender e talvez no fim, se sairmos vivos uma amizade surge.
Mas ele ficou meio emburrado quando disse que precisávamos pegar o Maximus, ele perguntou se era necessário e disse que sim. E por algum motivo eu sinto que ele deve ficar com a gente.
Sem contar que legalmente somo pais dele. Se sobreviver vou resolver isso, por que não cuido nem de mim.
No fim escutei Erick resmungar que poderíamos barganhar o mesmo. Ainda quero entender esse ranço dele com crianças.
Quando o carro parou enfrente ao bar, algo em mim soou como um alarme.
Talvez fosse pelo choro do Maximus e a música baixa, tudo fechado e escuro. Há essa hora isso já deveria estar se abrindo.
Continuei a dirigir e parei um pouco a frente.
__Erick continua com o carro.
__quê?! Por quê?
__eu tô achando estranho alguma coisa.
__e vai sozinha?! Tá achando que é agente especial?__ele me olha incrédulo.
Abri a boca pra responder, porém algo me fez olhar pra trás.
__FOGO! O BAR ESTÁ EM CHAMAS!
__fica aqui no carro!__avisei sem nem o olhar e sai do carro correndo.
Olhei e realmente o bar estava em chamas, eu ignorei todos a frente como uma plateia e sem fazer nada e sai empurrando eles.
Senti alguém segurar meu braço e notei uma senhora.
__OS BOMBEIROS ESTÃO VINDO!
__MEU FILHO ESTÁ LÁ DENTRO!__puxei o braço e ignorei o espanto dela e entrei pela porta e o fogo vinha do bar, fumaça tomava todo o local e eu mal entrei e já comecei a tossir.
Tentei focar onde o choro era mais alto e arranquei minha jaqueta e levei a boca e nariz.
Corri em direção a onde o choro vinha mais alto, era a área de fumante.
Antes de chegar tropeço em algo e fui ao chão, cai sobre um pouco de vidro e mesmo embaçado notei um corpo e aquilo me deixou em pânico.
Era o velho com um tiro na cabeça, rastejei pra longe em choque.
Me levantei voltando a correr, eu preciso achar ele. Ao chegar na área de fumante notei Lorelai caída no chão, uma poça de sangue ao redor dela e Maximus sentado chorando e sujo de sangue.
O peguei no colo e joguei a jaqueta nele, a bolsa dele estava perto do meu pé e a peguei sendo a única coisa que tem dele.
A fumaça estava mais densa, reuni o máximo de ar e em meio a tosse sai dali em direção a saída, porém nos degraus pra chegar na porta as janelas se quebram pelo calor e me agachei protegendo o Maximus.
Ele chorava bem mais e eu tremia e a visão ardia.
__ARIEL!__escutei a voz do Erick em meio a tosse.
__ERICK!__eu não conseguia abrir os olhos pela fumaça.
Senti uma mão no meu braço e gritei em medo.
__vem logo!__era o Erick, ele jogou algo na gente e corremos pra outro lugar, o fogo estava se alastrando e foi quando ele entrou em um corredor onde a fumaça estava menor.
Ao passarmos por uma porta ele fechou e notei ser o banheiro quando ele tirou o que nos cobria.
__consegue pular a janela?__ele tossia e notei os olhos lacrimejando.
__acho que sim.__meu corpo doía.
__me dá ele e vai!__segurei o Maximus mais forte contra meu corpo e isso só piorou a minha dor.
__confia em mim!__ele segurou o mesmo e subi encima do vaso e notei a janela retangular um pouco quebrada e provavelmente foi por ele.
Passei sentido outra onda de dor já que precisei forçar pra pegar impulso.
Ao cair no chão notei um embrulho numa toalha suja e o choro do Maximus.
O peguei com cuidado e sentei no chão vendo Erick com custo sair e ao retirar o corpo, ele segura meu braço e corre pra mais fundo do beco que estávamos.
Escutei as sirenes e algo em mim me causou pânico, apressei os passos e saímos do beco em outra rua.
Erick me puxou e com a visão embaçada avistei o carro e entrei no banco do passageiro quando Erick abriu a porta e assim que bati a porta o vi entrar no volante e acelerar pra longe dali.
Em meio a tosse desenrolei o Maximus e abracei ele em choque, eu tremia e chorava com os olhos ardendo.
E eu achando que a situação não poderia piorar bem mais. Ariel cismou de pegar o pirralho, até aí tudo bem. Porém na frente do bar ela seguiu um pouco e mandou eu ficar com o carro, ela tava sentindo algo estranho e ia sozinha.
Quando alguém gritou fogo, ela saiu e sem ligar sai atrás dela e o que não esperava foi ver ela berrar; meu filho está lá dentro!
Filho? Que filho essa doida tá falando.
Ariel tá se perdendo em sentimentalismo, ele é órfão e a gente ferrados com a cabeça a prêmio.
Após ela entrar no fogo, voltei pro carro e subi a rua e dei a volta, parei o carro na rua de cima e entrei no beco vendo a fumaça na parte de cima e foi quando achei uma janela e por que a frase que ela me disse não sai da mente.
Começamos isso juntos e sinto que temos que terminar juntos.
Olha eu cometendo uma loucura!
Quando a ajudei a sair, fomos pro carro e pisei no acelerador com força e saimos dali.
Olhei pelo retrovisor e ela abraçava o bebê tremendo e chorando, notei seus antebraços sangrando e o bebê chorava cada vez mais baixo, Ariel tentava o acalmar mesmo não tendo calma nela.
Quando chegamos no hotel mequetrefe que estamos, deixei o carro na garagem e abri a porta pra ela descer.
Adentramos o hotel em silêncio e no caminho disse pra ela ir que ia pegar o carrinho dele.
Quando abri o porta malas vi caixas e mais caixas e provavelmente é da loucura de um casamento que não lembro, ignorei e segui pra dentro do hotel e notei ela no quarto com o bebê deitado e examinando ele.
__ele tá com sangue!__aquilo me causou enjôo.
__não é dele.__ela suspirou aliviada e sentou no chão enfrente a cama.
__tá machucada, vai ver isso.
Ela me ignorou e pegou o carrinho e tentou o abrir, nada, tentou de novo e nada.
Foi aí que notei ela no limite, ela começou a bater o carrinho no chão e xingava em um idioma que nunca vi, acho que era xingamento pelo ódio. Mas ela chorava e ela soltou o carrinho com a mão trêmula e andou de um lado pro outro.
__Erick estavam todos mortos!__ela sentou no chão em lágrimas.
__fogo?
__não! O velho, eu tropecei no corpo dele e tinha um furo na cabeça dele e sangue saia do mesmo. Lorelai caída na área de fumante e repleta de sangue, o sangue dela está no Maximus. Erick aquilo era pra gente!__ela me olhou em lágrimas e me agachei na sua frente.
__eu...
__era sim! Fogo no local onde estávamos mais cedo, onde fizemos farra noite passada, estamos sendo caçados e todos mortos? Acha que isso é uma coincidência? Eu digo que nem aqui e nem na puta que pariu!
É, errada ela não tá! Tudo que está acontecendo tem ligação e isso me deixa com medo, estamos sozinhos e a única fonte de segurança que tinhamos é quem quer nossa cabeça. Não dá nem pra ligar pra embaixada, pro F.B.I ou a polícia local do nosso país. Rastreamento de celular, procurados por algo que não fizemos, a gente tá muito ferrado.
__que inferno! Eu só queria inspiração e espairecer a mente, ganhei dor de cabeça e risco de morte. Eu não tenho sorte em canto algum.__ela parecia por pra fora mais do que o que estamos passando.
__Ariel...
__eu vou tomar um banho.__ela se levantou e foi até a única mala com as nossas coisas e arrastou pro banheiro.
Ao fechar a porta olhei o bebê na cama e o mesmo dormia como se não acabasse de sair de um incêndio criminal.
Me sentei em um sofá decaído e encostei a cabeça no descanso e fechei os olhos sentido cada célula do meu corpo tremer.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top