A delegacia e seus problemas.
Erick parou em frente a delegacia, eu havia visto e não foi nada grave, parecia ter sido de raspão, amarrei um pano qualquer bem forte, a minha jaqueta esconderia, já que o preto dela nem mostra muito sangue e o rasgo, eu digo que é charme. Precisei fechar a jaqueta, já que a blusa branca debaixo estava suja de sangue.
Havia tirado a peruca e estava a própria Ariel, a mesma que caiu em uma armadilha maldita.
__vamos falar com o delegado e contar o que houve.__Erick avisa tentando não tocar no assunto que passamos agora pouco.
Ele tirou as lentes e a peruca, despistamos quem nos seguia e espero que finalmente tenhamos paz.
Adentramos a delegacia e fomos até a recepção, a mesma nos direcionou pra sala dos policiais.
Andamos até uma mesa e um lindo homem ergue a cabeça nos olhando.
__posso ajudar?__ele faz sinal pra sentarmos.
__sim! Olha, a gente precisa de ajuda. Estamos em perigo!__Erick tentava manter a calma, que nem eu tenho.
Meus pés batiam freneticamente no chão e eu estava com a mão encima do braço direito, mas exato, encima do curativo que fiz.
__calma senhor. Me diga com calma, o que está acontecendo. Como se chama?__ele pegou um bloco e uma caneta.
__Erick Kamado.
__prazer senhor Kamado. Eu sou o policial Scott Alguriu, me diga exatamente o que houve?
__eu vim pra Las Vegas pra espairecer, nada mais que isso. Mas ontem cedo assim que cheguei, parei em um bar e pedi um Uísque, só iria me distrair e ir pra um hotel. Mas conheci ela.__ele apontou pra mim e o policial me olhou.
__seu nome senhorita?
__Ariel Foster. Eu já estava aqui em Las Vegas, também só pra espairecer. Bebia Martine no mesmo bar. Estávamos um ao lado do outro no balcão.
__entendo, vocês foram assaltados...
__não! Fomos drogados, a Ariel pediu um Uísque pra mim e ela, sei que ela não faria isso pois também tá ferrada como eu.__nisso o Erick tá certo e mesmo se não tivesse, não tenho motivos pra isso.
__o que houve exatamente?
__só lembramos do Uísque. Hoje acordamos em um quarto de hotel, casados, com uma maldita amnésia e sendo caçados.__agradeço Erick omitir algumas partes.
Eu tenho certeza que se ele falar que roubamos diamantes, que não sei como, que tem um bebê desconhecido, que descobrimos que a mãe tá morta e o pai também, a gente passa de vítimas e vira suspeitos.
Eu tô entrando em surto só em pensar.
Senti uma mão na minha perna que balançava sem controle, notei ser o Erick tentando me passar calma.
__ok, o meu delegado deve estar chegando, isso é algo delicado e precisa ser dito em sigilo.__concordamos.__consegue me dizer de onde são?
__delegado Lorenzo, tenho que falar com o senhor.__ouvi uma voz feminina ao fundo.
Sorri aliviada, o delegado chegou e finalmente tudo se resolve.
__estou sem tempo! Qualquer coisa eu resolvo mais tarde, estou com uma maldita dor de cabeça e tenho um problema pra resolver.__quando virei a cabeça meu sorriso morreu, era ele!
O homem do apartamento, ele usava outro terno, estava com um curativo na cabeça.
__Ariel.__voltei a realidade com o Erick me chamando, virei a cabeça pra ele em choque.
__ele precisa da localização de onde mora. Precisam avisar a polícia de lá, saber se tem alguma ligação.__eu vou virar estrangeira e entrar no primeiro ônibus pra longe daqui!
__o meu delegado chegou!__ele nos olhou.__você parece meio pálida, leve ela até o bebedouro e eu falo com meu delgado.
__não, eu vou com você. Ela fica aqui.__Scott concorda e se levanta com o Erick.
Segurei o pulso do Erick e ele me olhou confuso.
__senhorita Ariel, eu vou chamar o médico de plantão da delegacia...
__não precisa.__pensa logo Ariel.__Erick, só me ajude a ir até o banheiro.
__Ariel, você aguentou muito.__ele puxou o pulso.__eu falo com o delegado, você pode ir sozinha.__vai trouxa! Vai morrer lá dentro.
Meus olhos correram e vi uma lixeira no canto da mesa do Scott, peguei a mesma colocando tudo pra fora.
Isso não é cena, eu tô com medo, tô passando mal!
__policial Belante, leve a senhorita Foster até a enfermeira, senhor Kamado fique com ela, eu logo venho chamar vocês.__escutei Erick bufar e pegar meu braço esquerdo com força e me levantando.
Ele puxou a lixeira e colocou no chão, seu olhar era sério. Olhei a Policial aflita do meu lado direito.
__não vomitou antes e quer fazer isso agora!__ele brandou irritado.
Notei com a visão periférica Scott entrando em uma sala, a plaquinha na mesma diz; delegado Lorenzo.
Eu tô com medo!
__me acompanhe.__a policial andou em direção a saída da sala.
Erick me arrastava como se fosse uma qualquer. Que eu seja, mas ele não faz idéia de como a merda piorou.
__eu preciso de ar!__os dois me olham.__eu acho que tô tendo uma crise de pânico, preciso tomar um ar!
__ar?! Vem que tem oxigênio na enfermaria.__Erick me olhou descrente.
__senhorita calma.__a Policial tá até mais compreensiva que o Erick.
__eu preciso tomar um ar, ar puro e não oxigênio! Avise ao policial Scott que estamos ali fora.
__me deixe levar você pelo menos.
__diga que me lembrei de algo? É urgente Policial.__ela me olhou surpresa e concordou saindo correndo.
__Ariel eu tô cansado de fugir, você tá estragando tudo!__Erick estava irritado, segurei a sua blusa o puxando a passos largos.
Senti um empurrão e bati o braço direito na parede do corredor, me curvei pela dor e quando ergui a cabeça Erick estava com um olhar enfurecido. Ele ajeitou a blusa dele e se virou.
Eu ainda me pergunto por que me preocupo com esse ogro!
__senhores.__meu sangue foi drenado e me virei olhando um policial alto e sério.
__podem me acompanhar?__Erick passou por mim e seguiu o policial e quando não me movi Erick pegou meu braço esquerdo e me puxou pra seguir eles.
Se Erick não mudar imediatamente, eu começo a achar que ele ta fazendo parte dessa palhaçada.
Paramos em uma porta que diz; cozinha.
__já virão falar com vocês, tomem um chá, notei vocês entrando em conflito.__Erick me colocou sentado na cadeira e sentou ao meu lado.
Olhei tudo e nada me ajudava, tinha uma jarra de água no centro da mesa e o policial perto da porta.
Eu posso estar totalmente errada, posso estar sendo louca e lendo livros de série polícias demais. Porém ninguém em sã consciência, sendo perseguido desde que abriu os olhos hoje, tomaria chá do nada.
E eu admito que de duas uma, ou Erick finge bem e tá fazendo o papel de desesperado desde que acordou e faz parte disso tudo, ou é burro o suficiente e não notou algo estranho.
Eu não sei dizer, mas algo não tá certo.
Escutei a porta de correr ser fechada e Erick tomava o chá pleno, só falta ele ri agora e dizer bem assim; tão esperta, descobriu a verdade. Gostei de brincar de fuga com você.
__não está com sedi?__o policial para atrás de mim.
__sou alérgica a chá.__que merda que eu disse?!
__alérgica a chá?__Erick começa a ri.__ninguem é alérgico a chá.__ele tá com a voz embargada.
Me levantei com cautela e me virei pro policial, ele me encarava com divertimento.
__senta!__acatei e peguei a xícara nas mãos.
Erick estava largado na cadeira cantarolando e a xícara caiu no chão se quebrando.
Notei algo entrando na minha visão periférica esquerda, meu peito bateu forte uma última vez e joguei todo líquido pra trás caindo um pouco na minha cabeça, tava quente e escutei um som de algo cair ao mesmo tempo dos xingamentos do policial.
Me levantei apanhando a jarra rapidamente e acertando a cabeça dele que ainda estava com as mãos no rosto, ele caiu no chão.
Sangue no chão, sangue dele! Sangue na minha mão, sangue meu!
Não tenho tempo pra surtar, tremia igual vara de bambu, notei uma arma de choque no chão e peguei e prendi no cós da calça.
Andei até o Erick e ajeitei seus braços pelo meu pescoço e o joguei nas costas, meu joelho dobrou pelo peso em excessão nas costas e meu braço direito queimou como fogo, respirei fundo me levantando.
Escutei um resmungo do policial e abri a porta e olhei o corredor por destino vazio, a última alma virou no raio que parta lá embaixo.
A porta de saída é do outro lado, 10 passos!
Sai com a respiração como de um touro pelo peso nas costas e apressei os passos ao passar pela porta, tentei correr e rezava que minhas pernas suportasse até o carro, eu estava com a visão embaçada pelo choro que segurava, o sol parecia queimar o mundo todo naquele momento, eu suava mais do que em toda minha vida.
Ao chegar no carro meus joelhos falharam e cai no chão com o Erick. Consegui me desvencilhar dele e pegar as chaves no bolso da sua calça, destravei o carro com as mãos trêmulas e outra força foi jogar ele no banco de trás, ele ficou todo torto e pouco me importo, bati a porta e entrei no banco do motorista e liguei o carro saindo as pressas dali.
Escutei o Erick caindo no chão do carro e nem me importei de olhar.
Após uns minutos entrei em um beco e desliguei o carro, deitei a cabeça no volante, minha mão esquerda doía por ter acertado a jarra e provavelmente cortei um pouco, o braço doía e eu só queria fugir pra qualquer lugar.
Erick vai ficar cheio de dor e foda-se, ele procurou. O carrinho estava em cima dele no chão.
Fechei forte os olhos e bati a cabeça algumas vezes no volante.
Como lampejo, me dei conta que Erick vai arcar com o resto das coisas, meu dinheiro vai acabar agora. Tenho que trocar o carro!
Sai do beco em direção a primeira concessionária, eu sla se viram o carro na delegacia, ou a placa.
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