Capítulo Oito

Arthur Kaymin:

Segui os empregados em silêncio, observando suas expressões tensas enquanto caminhávamos pelos corredores de pedra fria do castelo. Era evidente que minha presença os deixava desconfortáveis, mas, para ser honesto, isso não me incomodava tanto quanto deveria. Se alguém estava se sentindo um incômodo ali, certamente não era eu. 

O eco de nossos passos reverberava pelo longo corredor, e o silêncio pesado entre nós tornava a atmosfera ainda mais opressiva. Eu já havia percebido que estavam relutantes em falar, o que só aumentava minha curiosidade. 

— A propósito — quebrei o silêncio, cruzando os braços enquanto os observava pelo canto do olho — por que exatamente o lorde Thales me convocou dessa forma? Tudo isso apenas para discutir como devo me comportar diante da rainha dos demônios e dos lordes? — Minha voz soou mais afiada do que pretendia, mas não me importei. 

Os dois empregados trocaram olhares nervosos, e o mais novo desviou o olhar rapidamente, como se quisesse desaparecer naquele momento. 

— Pode me dizer — insisti, arqueando uma sobrancelha. — Não precisam fazer parecer algo tão sinistro. 

O empregado mais velho pigarreou, parecendo ponderar se deveria ou não abrir a boca. 

— Sua Majestade, a Rainha, fará uma visita ao lorde para a reunião mensal — ele começou, hesitante —, mas desta vez, ela avisou com antecedência, algo que o lorde não esperava. 

Assim que as palavras saíram, o outro empregado o cutucou com o cotovelo, em uma tentativa frustrada de silenciá-lo. 

— Apenas vá ver o lorde — apressou-se a dizer o mais novo, desviando o olhar. — Só podemos lhe dizer que deve se preparar para ver Sua Majestade. 

Meu olhar se fixou neles por um momento, analisando suas reações. Algo não estava certo. Se Thales não esperava esse aviso prévio, significava que a visita poderia trazer algo além do habitual — e se os empregados estavam tão tensos, era porque sabiam mais do que estavam dispostos a admitir. 

— Tudo bem — suspirei, balançando a cabeça. — Depois de descobrir o que o lorde deseja, eu me prepararei. — Fiz uma pausa e sorri de canto, provocador. — Mas não posso dizer que vocês foram muito informativos. 

Eles soltaram um suspiro quase em uníssono, como se tivessem acabado de se livrar de um peso enorme. 

— Sim, vamos logo — murmurou o mais velho, finalmente retomando o caminho. 

Eu os segui sem pressa, sentindo a crescente inquietação dentro de mim. Saber que tinha um cronograma cheio não significava que eu estivesse feliz com isso — especialmente depois de tanto tempo entediado. Mas algo me dizia que esse encontro não seria apenas mais uma formalidade. E eu odiava quando pressentimentos como esse se mostravam verdadeiros. 

Os gestos tensos dos empregados à minha frente deixavam claro o que eu já suspeitava: o lorde estava desesperado para que eu não cometesse nenhum erro. E não era para menos. 

Era raro — quase inédito — um monarca visitar a casa de um servo sem aviso prévio, por mais leal e confiável que esse servo fosse. Ainda mais se isso significava romper um cronograma já estabelecido. Para alguém como a Rainha dos Demônios, cujos compromissos eram meticulosamente planejados, essa súbita mudança de planos só podia significar uma coisa: algo de extrema urgência havia acontecido. 

O que exatamente justificaria essa visita inesperada? Eu não tinha como saber o que estava prestes a acontecer. Não com certeza. Mas se isso fosse algo que se repetia na história original... 

Caminhei em silêncio atrás dos empregados, minha mente girando em busca de pistas. O que eu sabia sobre essa época, baseado no enredo original? 

Se a Rainha veio agora, sem qualquer aviso prévio... 

Minha mente se iluminou de repente, como se uma peça do quebra-cabeça finalmente se encaixasse. 

...Ah. Só podia ser o problema da cerimônia de melhoria da Expedição Kalaai. 

Era isso. 

A Expedição Kalaai havia sido um dos pilares para a estabilização do mundo, expulsando aqueles que tentaram mergulhar as raças em guerra e caos. Sem eles, a paz que existia agora não teria sido possível. Eles impediram a destruição total do equilíbrio, mantiveram as fronteiras seguras, e garantiram que a ordem prevalecesse. 

Mas o problema era outro. 

Os líderes dessa expedição viviam em pé de guerra. Seus desentendimentos eram constantes, ameaçando a estabilidade que tanto lutaram para conquistar. E agora, com a cerimônia de melhoria se aproximando, essa tensão só podia estar chegando ao seu limite. 

A questão era: até onde isso se desenrolaria? E o quanto eu teria que intervir para evitar o pior? 

Suspirei, observando os empregados à minha frente, que ainda caminhavam com o peso da tensão em seus ombros. 

Algo me dizia que essa visita da Rainha estava longe de ser uma simples reunião formal. 

E eu odiava quando pressentimentos como esse se provavam certos. 

Eu conhecia bem a dinâmica entre os lordes e os senhores líderes. Não passava de um jogo descarado, um teatro onde cada um fingia respeitar o outro enquanto, na verdade, ansiavam por sua queda. 

Por mais que desprezassem os líderes das outras raças, precisavam engolir o orgulho e aceitar o frágil equilíbrio imposto entre eles. Mas esse equilíbrio não era uma dádiva – era um fardo. Um compromisso forçado, sustentado por alianças frágeis e ressentimentos velados. 

E meu "pai" odiava esses líderes com todas as forças. 

Eu já o ouvira praguejar sobre eles inúmeras vezes. Sua repulsa não era apenas pelo que representavam, mas pela simples existência de um sistema que os impedia de se destruírem mutuamente. Ele desprezava a política, os acordos, as negociações intermináveis que mantinham essa falsa harmonia de pé. 

E então havia ele que era estúpido rei, aquele que se gabava de sua postura impecável, de sua suposta devoção ao dever de vassalo do equilíbrio entre as raças. Ele se agarrava a essa ideia com unhas e dentes, pregando sobre responsabilidade e ordem como se fosse um mártir. 

Mas a verdade? 

Era que sua coragem ia apenas até onde sua segurança não fosse ameaçada. Se realmente tivesse a audácia que dizia ter, já teria eliminado aqueles que o provocavam descaradamente. Mas ele hesitava, sempre preso às regras do jogo, às teias da política, à ilusão de que poderia manter tudo sob controle sem sujar as mãos. 

E suponho que, no fim das contas, ele não queria conceder a alguém indigno a honra de uma cerimônia triunfal. 

Ele não queria que sua vitória fosse manchada ao ter que reconhecer um inimigo como igual em uma despedida gloriosa. 

Eu entendia essa lógica. 

Mas também sabia que, nesse mundo, hesitação era apenas outro nome para fraqueza. 

E fraqueza... sempre cobrava um preço alto.

******************** 

Algum tempo depois, parei diante da imponente porta do escritório do lorde Thales. Respirei fundo antes de bater contra a madeira maciça, sentindo a expectativa crescer dentro de mim. Assim que ouvi sua voz abafada do outro lado, empurrei a porta e entrei. 

O escritório era magnífico. 

As prateleiras de madeira escura estavam repletas de livros, cada um organizado meticulosamente, como se contivessem segredos que apenas ele pudesse decifrar. Um canto aconchegante revelava uma poltrona de leitura estrategicamente posicionada sob a luz suave de um candelabro. Mas o que realmente capturou minha atenção foi o homem sentado ao centro da sala, atrás de uma mesa impecavelmente organizada. 

Lorde Thales. 

Ele usava óculos de leitura, os traços afiados e a expressão séria tornando-o ainda mais irresistível. Mesmo vestido casualmente, com roupas que caíam perfeitamente sobre seu corpo, exalava uma aura de sofisticação e poder. O tecido moldava-se a ele com perfeição, destacando a silhueta forte e a postura impecável. 

Mal percebi que havia parado para apreciá-lo um pouco mais do que deveria. 

— Finalmente chegou — ele disse, levantando o olhar para mim, seus olhos analisando-me com atenção. 

Foi inevitável. O pensamento escapou antes que eu pudesse me conter. 

— Que gostoso... — murmurei, sem pensar. 

O silêncio que se seguiu foi absoluto. 

Os olhos dele piscaram algumas vezes, como se não tivesse certeza se ouvira corretamente. Suas orelhas ficaram visivelmente vermelhas, e sua postura rígida entregava seu desconcerto. 

— O que você disse? — ele perguntou, a voz ligeiramente travada, como se tivesse engasgado com as próprias palavras. 

Segurei um sorriso. Ah, isso era divertido. 

— Que, com essas roupas, o senhor está lindo — respondi, sem pressa, saboreando cada sílaba. 

O rubor tomou conta de seu rosto num instante, e eu soltei uma risadinha discreta. Seus olhos fugiram para o lado, claramente tentando se recompor. 

Foi então que algo no canto da sala chamou minha atenção. 

Sobre um tapete colorido, espalhados de maneira quase caótica, estavam brinquedos infantis — pequenos carrinhos de madeira, um ursinho de pelúcia bem cuidado, além de duas caixas cheias de brinquedos vibrantes e variados. 

A imagem era inesperada. Contrastava com a seriedade e a grandiosidade do escritório, quebrando a rigidez do ambiente. 

— Um pai realmente amoroso... — murmurei, mais para mim mesmo. 

A voz de Thales logo me trouxe de volta. 

— Poderia, por favor, se concentrar em mim e apenas ouvir? — disse ele, finalmente recuperando a compostura. 

Seu tom carregava um resquício de irritação, mas a vermelhidão ainda visível em seu rosto me dizia que eu o tinha desestabilizado mais do que ele gostaria de admitir. 

Sorri de canto. 

— Sou todos ouvidos — respondi, recostando-me levemente enquanto o observava. 

Lorde Thales estalou os dedos, e uma cadeira surgiu diante de mim como se obedecesse a um comando invisível. Sem hesitar, sentei-me com calma, cruzando as pernas e esperando que ele começasse a falar. 

— A Rainha Quilly virá me visitar — ele anunciou, a voz carregada de seriedade. — E não seguirá o cronograma. Quero que fique longe da sala de reuniões. Não quero que ela e os outros vejam você. 

Minha sobrancelha se arqueou no mesmo instante. 

— Oh? — inclinei-me ligeiramente para frente, um sorriso malicioso brincando nos cantos dos lábios. — Não deveria, ao menos, dizer que não quer que descubram que há um humano no seu castelo? 

Seus olhos estreitaram, mas sua resposta veio afiada e sem hesitação. 

— Claro que não. Não é sobre isso. — Ele cruzou os braços sobre a mesa, sua postura imponente. — O que eu não quero é que você cause confusão. 

Uma risada escapou de mim antes que eu pudesse contê-la. 

— Confusão? Eu? — balancei a cabeça, fingindo indignação. — Que acusação injusta. 

Thales suspirou, passando a mão pelo rosto como se já estivesse cansado só de antecipar a dor de cabeça que eu poderia causar. 

— Você tem palavras afiadas e uma desconfiança natural em tudo — disse ele, o tom exasperado. — E a última coisa que preciso é de você atiçando ainda mais o clima tenso entre os lordes. 

Ah, então era isso. 

Ele sabia tão bem quanto eu que uma única troca de palavras errada poderia virar uma faísca num barril de pólvora. Mas, sinceramente... isso só tornava tudo mais tentador. 

Cruzei os braços, fingindo refletir. 

— Então devo me esconder feito um segredo sujo? Isso parece tão injusto... 

Os olhos dele brilharam por um breve momento, como se já se arrependesse profundamente de estar tendo essa conversa comigo. 

E eu? Eu estava me divertindo. 

— Você vai ficar com o Silas — declarou o lorde, como se estivesse selando um destino inevitável. — Sei que ele vai conseguir manter você ocupado e... em silêncio. 

Por um breve segundo, o silêncio preencheu o escritório. Então, como se tivesse sido atingido por um raio, Thales arregalou os olhos, percebendo tarde demais o erro que acabara de cometer. 

— Espere... Não! Não diga que vou usar meu filho para te distrair! 

Sua voz subiu de tom tão rápido que a janela atrás dele emitiu um estalo sinistro. Uma rachadura fina se espalhou pelo vidro como uma teia de aranha, refletindo perfeitamente a turbulência de sua alma. 

Eu o encarei por um momento antes de um sorriso malicioso se formar nos meus lábios. 

— Oh... então quer dizer que agora estou sob os cuidados do pequeno príncipe? — inclinei-me ligeiramente para frente, saboreando a oportunidade de provocá-lo ainda mais. — Isso soa como uma rendição, meu caro lorde. 

O rubor em seu rosto era quase imperceptível, mas eu o vi. 

— Apenas... fique quieto e aceite — resmungou, passando a mão pelo rosto, claramente se perguntando como tudo havia fugido do controle tão rápido. 

Eu me recostei na cadeira, cruzando os braços. 

Ah, isso ia ser divertido. 

— Eu vou ficar, não precisa se preocupar com isso — garanti, oferecendo-lhe um sorriso tranquilo. 

Os ombros de Thales ainda estavam tensos, mas continuei antes que ele pudesse questionar minhas intenções. 

— Eu me importo de verdade com o Silas — acrescentei, minha voz carregando uma sinceridade rara. — Nunca faria nada para machucá-lo. 

Por um momento, ele apenas me encarou. 

Seus olhos me analisaram em silêncio, como se procurassem qualquer vestígio de falsidade ou hesitação em minhas palavras. Mas eu estava sendo genuíno, e talvez fosse isso que o deixou sem reação. 

Então, sem aviso, ele se aproximou. 

Encostou-se a mim por alguns segundos, um gesto breve, mas carregado de um peso que eu não conseguia interpretar completamente. O calor de sua presença era palpável, um contraste gritante com a frieza habitual de sua postura rígida. 

Foi o bastante para fazer meu coração dar um leve tropeço. 

Mas, antes que eu pudesse dizer algo, Thales se afastou, recompondo-se com a mesma rapidez de antes. 

— Certo... — ele murmurou, desviando o olhar. — Então é melhor que cumpra o que disse. 

Eu sorri de canto. 

— Sempre. 

Ele não respondeu, mas a tensão que carregava parecia ter diminuído um pouco. 

E, por algum motivo, isso me agradou mais do que eu estava disposto a admitir. 

Thales ainda parecia um pouco hesitante, como se quisesse dizer algo, mas as palavras não encontrassem um caminho fácil para sair. Seu olhar desviava para a mesa, para os livros ao redor, para qualquer coisa que não fosse diretamente para mim.

Eu, por outro lado, não tinha pressa alguma.

— O que foi? — perguntei, inclinando-me levemente na cadeira, a voz levemente provocativa. — Está surpreso com minha responsabilidade inata?

Ele bufou, cruzando os braços.

— Eu apenas... — hesitou, os dedos tamborilando levemente na mesa. — Você diz as coisas de um jeito que me irrita.

Um sorriso lento se formou em meus lábios.

— Ah? Isso é um elogio?

Ele me lançou um olhar de advertência, mas a leve coloração em suas orelhas denunciava que eu estava conseguindo exatamente o que queria.

— Não se iluda — resmungou. — Você é apenas... insuportável.

— Insuportável? — soltei uma risada baixa, apreciando o jeito que sua postura rígida se desfazia, pouco a pouco. — E ainda assim, me deixa ficar.

Ele não respondeu imediatamente.

O silêncio se alongou, e por um instante, apenas o crepitar suave das velas preencheu o espaço entre nós.

Então, finalmente, Thales suspirou, seus olhos encontrando os meus por tempo suficiente para que um arrepio me percorresse a espinha.

— Talvez... eu apenas não tenha escolha — murmurou, sua voz soando mais baixa, quase rouca.

O ar ficou mais pesado, carregado por algo que ia além da simples troca de palavras afiadas.

Meu peito subiu e desceu lentamente enquanto eu o observava, absorvendo cada detalhe — os fios desalinhados de seu cabelo, a forma como os óculos escorregavam levemente pela ponte do nariz, a maneira como seus dedos apertavam a borda da mesa, como se se forçasse a manter o controle.

Eu poderia tê-lo provocado ainda mais. Poderia ter feito algum comentário sagaz para quebrar a tensão.

Mas, por alguma razão, apenas fiquei ali, absorvendo o momento.

— Bom... — finalmente falei, a voz mais suave do que o normal. — Então acho que estou preso a você, lorde Thales.

Ele não respondeu imediatamente.

Mas, quando desviou o olhar, um leve sorriso — quase imperceptível — surgiu em seus lábios.

E foi a primeira vez que percebi que talvez, apenas talvez, Thales não me achasse tão insuportável assim.

O escritório parecia menor agora, como se as paredes tivessem se aproximado sutilmente ao redor de nós. 

Thales ainda segurava a borda da mesa, os dedos apertados contra a madeira polida, enquanto eu continuava a observá-lo com uma paciência quase predatória. Havia algo nele — naquela postura rígida, no olhar que oscilava entre exasperação e hesitação — que me fazia querer testá-lo ainda mais. 

Eu adorava vê-lo vacilar. 

— Então... — deixei minha voz deslizar suavemente pelo espaço entre nós. — O que pretende fazer comigo agora? 

Ele respirou fundo, fechando os olhos por um breve momento antes de se levantar da cadeira. Seu movimento foi calculado, mas carregava um quê de frustração, como se estivesse tentando se livrar do peso invisível da minha presença. 

— Pretendo que fique longe de problemas — respondeu, a voz voltando a sua firmeza habitual, embora eu pudesse notar um resquício de algo mais ali. 

Eu sorri, inclinando-me contra o encosto da cadeira. 

— Ah, Thales... — murmurei, brincando com seu nome em meus lábios. — Você ainda não percebeu? Eu sou o problema. 

Ele parou, os ombros rígidos por um segundo antes de se virar para mim. 

Seus olhos se fixaram nos meus com intensidade, a luz das velas refletindo em suas íris escuras, tornando sua expressão quase indecifrável. Por um instante, achei que ele diria algo — um aviso, uma ameaça, qualquer coisa que quebrasse o fio de tensão que nos envolvia. 

Mas ele apenas suspirou e, num gesto inesperado, aproximou-se. 

Seu corpo pairou perto demais do meu, e eu senti o calor de sua presença, a fragrância sutil de pergaminho e especiarias que parecia sempre cercá-lo. Meu sorriso vacilou por uma fração de segundo, e ele percebeu. 

— Se é isso que acredita, Arthur — murmurou, sua voz baixa, carregada de algo que eu não conseguia definir completamente. — Então espero que esteja preparado para lidar com as consequências. 

Minha respiração ficou presa na garganta, e antes que pudesse responder, ele se afastou, quebrando a conexão entre nós. 

— Agora saia — disse, voltando-se para seus papéis, a expressão voltando à sua compostura habitual. 

Pisquei algumas vezes antes de soltar um riso curto, divertido e ligeiramente frustrado. 

— Isso foi uma ameaça, lorde Thales? 

Ele não respondeu. 

Apenas ajeitou os óculos e continuou fingindo que não me via ali. 

Eu me levantei da cadeira lentamente, caminhando em direção à porta sem pressa. 

Mas antes de sair, olhei para trás, permitindo-me um último vislumbre dele. 

— Vamos ver quem lida melhor com as consequências, então — sussurrei, apenas alto o suficiente para que ele ouvisse. 

Não esperei uma resposta. 

Apenas fechei a porta atrás de mim, deixando o gosto daquela troca de palavras pairar no ar como um desafio silencioso. 

E, pela primeira vez em muito tempo, eu sabia que estava genuinamente ansioso para ver o que viria a seguir.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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