Capítulo Vinte e Seis

Vicente Johnson:

O clima foi quebrado pela comoção do meu celular. Tirei-o do bolso e vi que era o número do Antônio. Me afastei de Pedro, que me olhou curioso.

— Quem é? — ele perguntou.

— É o irmão da Milena. Pedi para ele pesquisar sobre os crimes do Ângelo — falei. — Que sejam boas notícias. — Atendi. — Alô, Antônio, quais são as novidades?

— Vicente, esse tal Ângelo é realmente louco. Não gostaria que se envolvesse. Sua família é muito famosa no exterior e tinha um status muito elevado na indústria do entretenimento no exterior — Antônio falou. — O pai dele assumiu após a avó dele adoecer misteriosamente. Consegue ver que o pai tem alguns problemas com apostas e ter várias amantes, e a mãe do Ângelo parece não ligar para isso, contanto que ele mantenha sua boa vida.

— Só isso que você conseguiu? — perguntei.

— Tem mais coisas. Parece que ele tem um tio mais novo que desapareceu misteriosamente quando era criança — Antônio disse. — Pelo que investiguei, o senhor Jackson tem alguma ligação com isso, junto de outra pessoa. Ângelo ainda está ligado ao mundo do crime, e com aquelas informações que me enviou e as que consegui, podemos pegar seus cúmplices em poucos dias. Embora Ângelo tenha acabado de retornar aos holofotes graças à família, ele também tem um status elevado em outras partes. Ele também tem sua própria empresa em seu nome, mas ele mesmo nunca fez nada para cuidar das coisas e deixou como uma empresa fantasma.

— Antônio, você é um homem maravilhoso, mas antes de pegar Ângelo, quero fazê—lo sofrer — falei.

No passado, eu jamais teria pensado em me livrar de alguém tão abertamente. Quero que ele pague pelo que fez com Pedro, pelo que fez comigo. Aquele cretino deverá pagar em dobro.

— Tudo para destruir os corruptos — Antônio falou. — O que quer que eu faça com isso?

— Quero fazer o Ângelo sentir o desespero. Quero vê—lo pensar que está no topo do mundo e, no final, ver seu mundo desabar — falei. — Tente também encontrar o tio desaparecido dele. Se derrubar os pais dele e essa empresa, pode ser a melhor maneira de se vingar lentamente.

— Se você está dizendo para agir assim, então vou fazer isso — Antônio falou. — Tome cuidado com o que vai fazer. Esse cara é bastante fora da curva.

Ele desligou. Olhei para a tela calmamente antes de me virar para Pedro.

— Está planejando fazer o quê? — Pedro perguntou.

— Logo eu te conto, mas antes preciso que faça uma ligação para os seus pais e vou ter que pedir ajuda do Luciano — Falei. — Ângelo está quieto nesses últimos dias, mas pode ser que ele vai atacar se souber de uma novidade quentinha.

— E o que seria? Por favor, nada de falso noivado — Pedro falou.

— Não é nada disso, quero fazer Angelo sofrer um pouquinho — falei. — Antônio pode ajudar com as contas bancárias dele e com os cúmplices, mas não é o suficiente por tudo que ele fez.

— Vai me contar o que é? — Ele perguntou.

— Eu vou deixar para depois. Por enquanto, tem que se concentrar em se recuperar com as suas crises — falei. — E também... acho que está na hora dos gêmeos saberem sobre a sua paternidade.

Pedro pulou de susto e caiu do banco. Olhei confuso para a direção dele, que estava com uma expressão envergonhada ao me olhar.

— Está querendo mesmo contar para eles? — ele perguntou, desconfiado, mas tinha um certo brilho em seus olhos, mostrando que isso era algo que ele queria muito.

Imagino que estava apenas esperando que eu falasse ou desse permissão para contar às crianças.

— Uma hora ou outra teríamos que contar, Pedro. Eles já te amam como o tio Pedro e vão te amar ainda mais como pai — falei calmamente, ajudando—o a levantar e sentar ao meu lado novamente.

Ele me olhou e depois para as crianças que estavam rindo com os amiguinhos, soltou um suspiro e peguei em sua mão dando um aperto firme.

— Eu quero isso — Pedro disse, sorri para sua direção. — Quando podemos planejar contar?

Sorri amplamente.

— Crianças, podem vir aqui um segundo — pedi. Ambos viraram para minha direção e vieram correndo.

— O que foi, papai? — Otávia perguntou.

— Não fizemos nada — Gabriel falou.

— Por que está achando que vou brigar com vocês? — perguntei, e ele deu de ombros.

— Só pensei — Gabriel disse. — Igual ao que o tio Donald diz que agi.

Sério, acho que esse garoto está ficando muito perto do Donald, que está até fazendo as coisas sem pensar.

— Esqueci, vemos isso depois em relação a se comportar como seu tio — falei, balançando a cabeça. — O que vocês iriam achar se eu contasse um grande segredo?

— Qual segredo, papai? Prometo não contar a ninguém — Otávia falou e cruzou os dedinhos na frente dos lábios.

— Também prometo — Gabriel disse, imitando a irmã.

— É um segredo meu e do tio Pedro — falei. Ambos olharam para mim. — O tio Pedro também é o seu pai.

Ambos olharam de mim para Pedro e então se aproximaram devagar em direção ao Pedro, olhando fixamente em seus olhos.

Ambos franziram a testa e, com sua vozinha doce e inocente:

— Tio Pedro — Otávia falou, pausou brevemente, olhando para o tio com os olhos brilhando de expectativa.

— Você é mesmo nosso outro papai? — Gabriel perguntou.

Pedro ficou surpreso com a reação deles, mas manteve a calma. Ele pegou as mãozinhas das crianças com alegria.

— Sim, queridos, eu sou pai de vocês também — Pedro falou, sorrindo.

— Você não vai mais embora? — Otávia perguntou.

— Vai ficar com a gente para sempre — Gabriel disse.

Houve um momento de silêncio, e os olhos de Pedro se encheram de emoção. Ele se abaixou ainda mais e abraçou os gêmeos com todo o carinho e amor do mundo. As lágrimas escorreram de seus olhos.

— Não tem com o que se preocupar. Eu vou estar sempre ao lado de vocês — Pedro falou.

Naquele momento mágico e tocante, ambos se abraçaram fortemente, enquanto observava a cena com lágrimas de alegria nos olhos. Ambos tinham descoberto um segredo que traria uma mudança significativa em sua vida, mas a conexão especial que eles sentiam com seu tio—pai só se tornaria ainda mais forte. Uma nova jornada começava para eles, repleta de amor, apoio e aventuras compartilhadas.

— Por que você só veio agora? — Gabriel perguntou.

— Sim, deixou que o papai fizesse tudo sozinho para cuidar da gente — Otávia disse.

— Eu... — Pedro começou, me lançou um olhar querendo saber se poderia continuar. — Uma pessoa maldosa fez algo terrível contra mim e seu pai, separando a gente.

Os gêmeos se viraram para mim.

— Sério, papai? — Otávia perguntou.

— Sim, quem fez isso é uma pessoa muito maldosa — falei e baguncei os cabelos deles. — Mas o tio Josué, a tia Ava e o tio Rafael estão ajudando para que essa pessoa não volte a machucar ninguém ou nos separe novamente.

— Você vai proteger a gente? — Gabriel perguntou.

— Eu vou fazer o que for preciso para proteger vocês três — Pedro falou e deu um beijinho na testa de cada um.

Os gêmeos não responderam, mas apenas abraçaram Pedro, que retribuiu com força e delicadeza. Ele estava chorando só de fazer essas coisas. Me aproximei e fui surpreendido quando Pedro me puxou para um abraço. Enquanto estávamos envolvidos nesse momento emocionante, senti o calor do abraço familiar e as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Era um instante de profunda conexão, onde o amor e a proteção preenchiam nossos corações. Juntos, formávamos uma nova família unida e determinada a enfrentar qualquer obstáculo que viesse em nosso caminho.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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