Capítulo Vinte e Quatro
Vicente Johnson:
Meu pai estava me ajudando na cozinha em total silêncio, não dizia uma palavra desde que chegamos em casa.
— Pai, sobre o que aconteceu no supermercado... — comecei, depois de não aguentar mais um minuto de silêncio.
Ele parou de mexer na louça e me olhou com uma expressão séria.
— Desculpe, filho. Não quis te preocupar — disse ele, suspirando. — Aquela senhora que vimos no estacionamento... Não tenho certeza de quem ela era, mas em minha memória ela surgiu como alguém tão familiar.
Fiquei chocado com a revelação. Nunca havia pensado na possibilidade da família do meu pai ainda estar viva, seria uma Possibilidade das suas memórias de antes de chegar no orfanato terem voltado, pois meu pai sempre evitava falar sobre esse assunto.
— Por que você não me contou antes? — perguntei, sentindo uma mistura de curiosidade e emoção.
Ele se aproximou de mim e segurou minhas mãos.
— Eu não quero criar uma ilusão com minhas memórias perdidas, filho. Seja o que aconteceu comigo no passado é algo que deve ter sido traumatizado para me fazer esquecer aquela parte. Mas ver aquela mulher trouxe à tona muitas lembranças difíceis. Achei que seria melhor não envolver você nisso e ainda mais dar uma falsa esperança em meu coração — Meu pai disse lentamente.
Eu o abracei, compreendendo o peso que ele carregava.
— Pai, estamos aqui um para o outro. Não precisa enfrentar isso sozinho. Quero te ajudar a conhecer seu passado e ajudar você a superar essas lembranças dolorosas que existem no seu cérebro. — Falei.
Meu pai sorriu, emocionado com minha resposta.
— Obrigado, meu filho. Você e a sua tia sempre foram uma fonte de apoio e compreensão para mim. — Ele disse. — Acho que eu quero saber tudo sobre o meu passado.
Continuamos abraçados, sabendo que meu pai vai querer ir realmente atrás do seu passado.
— Também vou pedir para o Rafael pesquisar sobre o que você consegue se lembrar — Falei.
— Isso vai ser ótimo — Meu pai disse.
A campainha tocou e eu já sabia muito bem quem seria. Me afastei do meu pai com uma expressão neutra e fui abrir a porta. Do outro lado estava Luciano, com uma monte de caixas e alguns homens ajudando a carregar.
Ele tem feito isso desde segunda-feira, colocando os presentes na sala e os homens voltaram para os caminhões para descarregar mais algumas coisas.
— Luciano, eu já disse que não precisa de tudo isso — falei.
— Eu sei, mas você merece por todos os aniversários e feriados que perdi ao seu lado — ele disse, olhando para mim e pedindo para que eu ao menos aceitasse alguns dos presentes. — A grande maioria é para os gêmeos e o restante é para o seu pai.
Olhei para as caixas, um pouco hesitante.
— Ainda está querendo compensar alguma coisa? — meu pai disse, vindo da cozinha. — Já disse que não precisa de tudo isso.
Ambos começaram a conversar, entrando em seu próprio mundinho, algo que tem acontecido bastante nos últimos dias.
Os entregadores olharam para a cena como se estivessem vendo um filme de romance, enquanto Luciano segurava a mão do meu pai e dava um beijinho na palma. Meu pai ficou com as bochechas vermelhas de vergonha, mas eu sabia que no fundo ele estava feliz com aquele gesto carinhoso.
Enquanto eles se envolviam naquele momento de intimidade, me aproximei das caixas e comecei a observar os presentes. Havia uma variedade de itens, desde brinquedos para os gêmeos até presentes para o meu pai.
Luciano percebeu minha curiosidade e se aproximou.
— Alguma coisa chamou sua atenção? — ele perguntou com um sorriso gentil.
— São muitos presentes, Luciano. Não precisava se incomodar tanto. — Falei.
Ele colocou a mão em meu ombro.
— Quero que saiba que faço isso de coração. Quero retribuir um pouco do amor e da felicidade que vocês têm me proporcionado. Além disso, é uma forma de me desculpar pelos momentos perdidos no passado. — Ele disse.
Senti uma mistura de emoções dentro de mim. Agradeci a gentileza de Luciano e selecionei alguns presentes para os gêmeos e meu pai. Afinal, era um gesto de carinho e reconhecimento, e eu sabia que eles ficariam felizes em receber aquelas lembranças.
Enquanto organizávamos os presentes na sala, percebi o quanto nossa família estava aumentando. Os momentos de conversa entre meu pai e Luciano eram frequentes, e a presença de Luciano trouxe uma nova energia para nossa casa.
Estávamos criando novas memórias e aprendendo a deixar o passado para trás. Era reconfortante ver meu pai sorrir novamente e compartilhar momentos especiais com aqueles que ele amava.
À medida que os dias passavam, percebia que a presença de Luciano não era apenas para recompensar o tempo perdido, mas sim para construir um novo futuro junto a nós. E eu estava disposto a abraçar essa mudança de coração aberto.
Olhei timidamente para Luciano, que ajudava meu pai com uma caixa.
— Pai — chamei, e meu pai olhou para mim. — Estou falando com o meu pai, Luciano pode me ajudar.
Luciano parou por um momento, surpreso com aquelas palavras. Seus olhos se encheram de emoção e um sorriso iluminou seu rosto.
— Claro, meu querido. Estou aqui para ajudar no que for preciso — respondeu com ternura.
Meu pai também ficou emocionado com a situação. Ele colocou a mão no ombro de Luciano e olhou para mim com orgulho.
— Você tem toda a razão, filho. Luciano está ao nosso lado e é parte importante da nossa família agora. Agradeço por reconhecê-lo dessa forma.
Nós três nos abraçamos, formando um vínculo especial que representava a união e o amor que compartilhávamos. Naquele momento, percebi o quão abençoado eu era por ter dois pais amorosos e presentes em minha vida.
Enquanto continuávamos a organizar os presentes na sala, senti uma sensação de plenitude e gratidão. A presença de Luciano trouxe uma nova perspectiva para nossas vidas, uma dose extra de alegria e carinho.
Juntos, estávamos construindo um novo capítulo cheio de amor, compreensão e apoio mútuo. Era um momento de transformação e aprendizado, em que todos estávamos dispostos a abrir nossos corações para as possibilidades de uma família unida.
Com um sorriso no rosto, olhei para Luciano e meu pai. Sabia que, a partir daquele dia, estaríamos sempre juntos, enfrentando os desafios e celebrando as alegrias da vida. E essa era a maior bênção que eu poderia receber.
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Na hora do almoço, esperei Pedro, que foi buscar os gêmeos. Quando os três passaram pela porta, notei que um sorriso não saía do rosto de Pedro.
— O que aconteceu? — perguntei a ele, que me olhou com um sorriso ainda maior.
Os gêmeos me deram beijinhos nas bochechas e foram na direção dos meus pais.
— Eles disseram que super apoiam se você e eu ficamos juntos com par romântico — Pedro disse e soltou uma risadinha.
Olhei para os gêmeos que estavam querendo pegar os novos brinquedos, depois ambos se viraram para mim e sorriram.
— Esses dois às vezes me surpreendem — Falei e senti Pedro se aproximar por trás de mim e me abraçar pela cintura, colocou a cabeça na curva do meu pescoço. — O que pensa que está fazendo?
— Sentindo seu cheiro — Pedro sussurrou.
Me virei para olhar nos olhos dele, mas ele não se afastou, apenas estava ali me abraçando com delicadeza.
— Tenho que ajudar as crianças — falei, sentindo as bochechas esquentarem com seu contato repentino na minha pele.
— Só mais alguns segundos — ele pediu, e passaram alguns segundos até que seu aperto se afrouxasse.
Fui atrás das crianças com o coração acelerado, mas sabia que ele estava vindo atrás de mim.
— Vicente, eu quero te perguntar uma coisa — Pedro disse.
— O vovô está beijando o vovô Luciano! — os gêmeos gritaram, surpresos, interrompendo as palavras de Pedro enquanto corriam em nossa direção.
Peguei ambos no colo, e Pedro mordeu o lábio.
— O que você ia dizer? — perguntei.
— Esqueci... — ele fez uma pausa. — Você quer sair comigo amanhã à noite?
Sorri docemente.
— Eu adoraria — respondi.
Os gêmeos comemoram a minha resposta.
— Papai tem um encontro! — eles disseram juntos, batendo palmas alegremente.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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