Capítulo Vinte e Nove
Vicente Johnson:
Antes de voltar para casa, passei na agência do meu tio. Encontrei-o lutando com os outros seguranças e me cumprimentaram.
Minha tia estava ali e veio sorrindo em minha direção. Trocamos algumas palavras e ela me contou sobre uma nova encomenda de segurança que tinham recebido. Fiquei curioso e pedi mais detalhes.
- Então soube que viram os meus pais ontem - Falei.
- Sim, eu vi aquela cena deles dois quase se beijando - minha tia disse. - Mas devo dizer que é bom ver que tem alguém com medo de mim, igual ao Luciano.
Isso me deixou surpreso.
- Você estava o provocando por diversão? - falei, incrédulo.
- Claro que sim, Vicente. Eu sei como seu pai é responsável pelo que ele faz da vida e apoio cada decisão dele - minha tia disse. - Vejo, nesses dias, como o Luciano está lutando para conquistar seu pai e fazer reparações pelo passado e ainda quer mostrar como é um homem íntegro e todas essas besteiras. - Ela fez um aceno de descaso. - Não dou a mínima para essas coisas, só digo que se ele machucar seu pai ou você e as crianças, vou destruí-lo.
- Tia Sarah, tem momentos em que me assusto com as coisas que eu faço - falei e ela riu. - Mudando de assunto, preciso que o tio Josué faça uma coisa para mim e para o meu pai. Ele pode ficar de olho em uma mulher que vimos ontem no estacionamento do supermercado. - Mordi o lábio. - Meu pai acha que ela tem algo a ver com o passado dele antes de chegar ao orfanato.
A expressão dela mudou de choque para surpresa.
- Vou fazer o que for possível, meu amigo deve saber a verdade sobre o passado dele - ela disse e entrou no meio do treinamento, puxando meu tio para fora. Ele resmungou que estava atrapalhando o seu trabalho. - Você está sendo requisitado para ajudar o Bill, então pode fazer o treinamento depois.
Olhei para ambos, entrando no escritório: minha tia passando as informações e meu tio pesquisando rapidamente as coisas. Minutos depois, a imagem da câmera de segurança do supermercado estava na tela do computador, mostrando uma mulher incrivelmente rica que comprou poucas coisas no estabelecimento e seguiu seu caminho com os seguranças atrás dela.
- Nossa, vocês sabem o que fazem - falei.
- Sou o melhor no meu trabalho - meu tio disse com um enorme sorriso.
Meu celular vibrou e percebi que era uma mensagem do Rafael e outra do Antônio, ambos com informações sobre a mulher. Minha tia olhou para a tela e soltou uma risada.
- Meu amor, pelo que estou vendo, você é o terceiro - minha tia falou, divertida. - Rafael e Antônio até mandaram a localização onde ela está hospedada.
- Impossível! - meu tio disse, e mostrei para ele as mensagens e a localização. - Esses jovens de hoje... como podemos ter certeza de que estão certos?
- Essa é a questão que o senhor vai resolver - minha tia falou.
- Então, vou deixar o resto com vocês - falei, dando um beijo na bochecha da minha tia e um abraço no meu tio.
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Pela primeira vez, eu quis ver como estavam as coisas no restaurante sem a gente por lá. Meu pai mandou uma mensagem dizendo que estava indo a um encontro com Luciano. Retornei com um emoji.
Quando cheguei, tudo estava igual. Quando andava, cumprimentava as pessoas e, ao passar por uma mesa, vi Luigi conversando com uma mulher. Ela era ruiva e incrivelmente bonita, parecia uma fada.
- Vicente, bom dia - Luigi disse.
- Esse é o tão falado Vicente? - A mulher disse, sorrindo amplamente. - Meus filhos me contaram muito sobre você e o seu pai.
Olhei para Luigi, em choque.
- Vicente, essa é a minha mãe, Eleonora Ricci - Luigi falou. - Mãe, esse é o meu meio-irmão, Vicente.
Eleonora levantou e, quando percebi, me puxou para um abraço de urso. Ela se afastou e pediu para eu me sentar ao seu lado.
- Presumo que só tenha ouvido coisas boas - falei, olhando para Luigi.
- Querido, meus filhos amam você e o seu pai - Eleonora falou, arrumando algo na blusa de Luigi. - Aproveitei que estava na cidade e vim ver meus garotos e também ver se o Luciano não está estragando as coisas com o seu pai, uma visita surpresa. - Ela diminuiu a voz. - Sabe que também estou preocupada com o que os meninos me contaram.
Olhei para ela e depois para Luigi. Estava na cara que ele contou sobre um probleminha que temos em comum.
- Estou resolvendo esse assunto - falei, sorrindo.
- Não acredito, mãe! O que está fazendo aqui? Por que não avisou que estava vindo? - Ouvi a voz de Stefano, que surgiu usando uma fantasia de crocodilo tão brilhante quanto um conto de fadas.
- Meu filho está arrasando com essa roupa - Eleonora falou, divertida.
- Meu trabalho - Stefano falou, fazendo uma pose elegante. - Preciso ir ao depósito pegar alguns brinquedos e depois volto ao trabalho. Mas quando sair, você tem que ir para a minha casa. O Mário vai adorar ver a senhora.
Ele saiu andando, com a cauda se movendo de um lado para o outro.
- Seu irmão realmente gosta de se fantasiar - Eleonora falou e estalou a língua.
- Esse é o Fano, sempre se divertindo com tudo que faz - Luigi disse. Seu celular começou a tocar e notei que o nome de Eric estava no discador, mas Luigi recusou a chamada. - Mãe, o pai vai adorar ver você. Vou ligar para ele.
- Acho melhor não. Ele deve estar ocupado - falei.
- Por quê? Ele não tem nenhuma reunião agendada hoje com nenhum sócio, muito menos para ver a produtividade da empresa - Luigi disse, mas eu segurei sua mão, impedindo-o de fazer a ligação.
- Menino, seu pai está aproveitando o tempo dele - Eleonora falou, acenando com a mão. - Quando for necessário ele poderá me ver, mas também estou preocupada com o que seu pai e irmão me contaram.
Luigi engoliu em seco. Seu telefone tocou novamente e notei o nome de Eric no visor.
- Mãe, eu não quero falar do Eric agora - Luigi disse.
- Só estou dizendo que estou aqui ao seu lado. Pode contar comigo, mesmo que você esteja dizendo que o vê quase todos os dias desta semana e diz que não sente nada - Eleonora falou. - Às vezes, é preciso ser um pouco difícil para não voltar atrás em segundos.
Ao finalizar suas palavras, ela estalou os dedos. Luigi abaixou a cabeça, envergonhado com esse jeito, o que fez Eleonora soltar uma risada.
- Eu quero parar com essa coisa com o Eric - Luigi disse. - Então não vamos discutir minha relação.
Eleonora levantou a mão em sinal de rendição.
- Você que decide o que fazer da sua vida. Só tome cuidado para não me fazer achar que vou ser alguém complementarmente fácil - Eleonora falou, piscando um olho para mim com uma expressão divertida. - Vicente, conte-me como está sendo a sua convivência com os meus garotos e o Luciano. Imagino que ele esteja tentando te agradar por tudo que perdeu.
- Sim, ele está - falei.
- Sabia que seria assim. Conheço meu amigo muito bem - ela disse. - Você e o seu pai estão em boas mãos. Luciano é uma pessoa incrivelmente doce.
Ela sorriu amplamente. Imagino como deve ser estranho ter casado com o seu amigo e depois ter se divorciado. Para mim, seria estranho.
- Eu não gosto do Luciano romanticamente - Eleonora sussurrou, demonstrando que estava lendo a minha expressão. - Consigo ver o que está passando na sua cabeça. Fiz o que fiz ao me casar com ele para ajudar o negócio da minha família. E quando vi que não precisava mais, assinei os papéis do divórcio em segundos e fui viver livre como uma mulher solteira e milionária. - Piscou para um senhor que passou ao lado da mesa.
Luigi fez uma expressão de surpresa.
- Mãe! - Luigi disse.
- O quê? Estou velha, mas não morta - Eleonora falou, divertida. - Mas aquele homem é interessante.
Ela se levantou e foi atrás do homem, deixando-nos completamente chocados.
- Luigi, com certeza sua mãe se dará muito bem com o Donald - falei.
- Eu tenho que concordar - Luigi disse.
Eleonora passou por nós com o homem acompanhando-a, acenou em nossa direção.
- Irei me despedir agora, então vejo vocês mais tarde - Eleonora falou e mandou um beijinho no ar em nossa direção.
- É o Donald irá adorar conhecer sua mãe - falei, enquanto observava os dois saindo do restaurante com o homem puxando assunto com Eleonora.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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