Capítulo Vinte e Dois
Vicente Johnson:
Quando tudo estava finalmente pronto, começamos a comer em meio a uma harmonia, com todos conversando. Mas notei os olhares raivosos da minha tia na direção de Luciano. Sabia que isso era algo que ela não poderia guardar para si mesma, suas emoções em relação a Luciano. Olhei para meu pai, que comia calmamente e conversava com Josué, ignorando toda a situação.
Pedro estava ao meu lado, cuidando de ajudar Otávia com a comida dela e me deixando fazer o mesmo com Gabriel, que estava birrento, mais querendo conversar com Pedro do que comer.
Quando todos terminaram as crianças chamaram os tios para brincar e resolvi lavar a louça com Pedro me ajudando.
- O que achou do seu primeiro almoço com os gêmeos? - Perguntei.
- Gostei bastante de brincar com eles e ainda mais com ambos puxando assunto com suas mil e uma ideias - Pedro falou divertido.
- Você vai se acostumar com o tempo, eles são bastante ativos nas brincadeiras com qualquer pessoa, o que me deixa mais surpreso que eles se apegaram bem rápido a você - Falei.
- O que posso fazer que tenho uma beleza encantadora - Pedro falou e me fez rir, então o ouvi pigarreando e finalmente me virei para sua direção. As olheiras ficaram ainda mais evidentes à luz da cozinha, pareciam hematomas gêmeos. Ele estava mesmo parecendo péssimo.
desliguei a torneira olhando para ele com cautela.
- Quer descansar um pouco? - Perguntei. - Consigo ver que passou a noite em claro.
- Estou perfeitamente bem. - Ele disse. - Ava me deu um remédio para dormir.
- Não ajudou - Falei.
- Não muito. - Ele abriu um meio sorriso e pegou um copo enxugando, o polegar esfregando a condensação no vidro. - Toda vez que fechava os olhos tinha pesadelos.
Não consegui segurar a pontada de preocupação ouvindo essas suas palavras. Ou tinha mesmo virado uma pessoa que se preocupava muito com os outros, ou estava pensando em como Pedro era desse jeito quando nos conhecemos, com ele sempre escondendo falar sobre os pacotes, e isso me fazia sentir duas vezes mais preocupado com ele, considerando que a simples ideia de me aproximar e fazê-lo se abrir comigo sobre seus pesadelos.
Pedro relutava em comentar sobre esse fator. Mas, apesar do que ele parecia pensar, sempre amei seu jeito de ser, assim que depois de um tempo ele me contava os pesadelos enquanto eu fazia cafuné em seus cabelos com sua cabeça deitada no meu colo. Tudo isso era algo que eu amava fazer e nunca tinha fingido isso, e vê-lo agir da mesma maneira me faz querer me aproximar ainda mais.
Estou ficando louco?
- Então se quiser conversar comigo sobre isso pode dizer - Falei. - Posso fazer igual fazíamos antes tinha pesadelos.
Pedro inclinou a cabeça, como se não tivesse ouvido direito. Me fez lembrar dos gêmeos quando fazem expressões confusas para mim.
- O quê? - Ele perguntou.
- Sei que estou falando demais, mas estou realmente preocupado com você - Falei, colocando a mão em seu ombro delicadamente e Pedro deu um passo para longe.
- Vicente.... - Ele começou.
- Pedro, pode contar comigo sempre que precisar e além disso posso ver que tem muita coisa na sua mente nesse momento. E, como sou seu amigo, tenho esse direito de me preocupar com você e não... - Minha voz falhou. Inspirei fundo para disfarçar. - E temos que confiar um no outro como amigos. Estou querendo dizer que você apenas tem que confiar em mim seus medos? Não sei... não sei ao certo como tudo isso está parecendo para você, mas saiba que estou aqui.
- Vicente, pare! - A voz dele saiu aguda, o que foi tão perturbador quanto atípico. Me fez levar um susto.
- Parar com o quê? - perguntei.
- Eu não quero que me veja como se fosse indefeso - Ele disse.
Olhei surpreso para sua direção, sem esperar qualquer reação o abracei com força.
- Eu não te vejo como alguém indefeso, apenas um amigo que precisa ser ouvido - sussurrei contra seu peito.
Senti seus braços me rodearem calmamente.
- Eu sei, mas sou eu quem deveria te proteger e nem isso consigo fazer - ele disse.
- Ei, eu posso nos proteger - falei e olhei para seus olhos.
- Não! Droga! - ele se afastou um pouquinho e passou a mão por seus cabelos. - Quer dizer, eu sei que pode proteger qualquer pessoa, mas eu quero te proteger. É o meu dever como pai dos nossos filhos e por amar você de todo meu coração. Eu quero ficar ao seu lado. Quero você e os gêmeos ao meu lado em nossa casa, ter uma vida juntos.
Fiquei boquiaberto. A surpresa ao ouvir suas palavras me deixou sem voz por um instante, mas o raciocínio logo me trouxe de volta.
- Pedro... - comecei.
- Eu sei o que vai dizer, que não podemos mais ser um casal ou nada do tipo e só nos daremos bem pelas crianças - Ele disse. - Vicente, essa é a questão: eu quero você. Chega a ser doloroso estar no mesmo recinto que você e não poder segurar sua mão ou beijar seus lábios.
Eu olhei para Pedro e vi a dor em seus olhos enquanto ele falava sobre o que sentia. Meu coração apertou e eu sabia que precisava ser honesto com ele. Eu também o amava, mas não podia simplesmente ignorar tudo o que aconteceu entre nós.
- Pedro, eu também te amo, mas não podemos fingir que está tudo bem. Há coisas que precisamos resolver e se a pior coisa acontecer e vemos que não queremos essas coisas e acabar causando uma confusão para as crianças - disse a ele.
Pedro concordou e sentamos juntos para conversar. Foi uma conversa difícil e dolorosa, mas precisávamos falar sobre tudo o que havia acontecido e como nos sentíamos. Foi um momento de vulnerabilidade, mas também de cura.
Sabíamos que ainda havia muito trabalho a ser feito, mas estávamos dispostos a fazer o que fosse necessário para ficarmos juntos novamente. E, pela primeira vez em muito tempo, senti a esperança em meu coração de que poderíamos superar tudo juntos.
- Que tal sairmos para ver até onde podemos ir - Ele falou lentamente e um sorriso tímido surgiu em seus lábios, enquanto segurei suas mãos com delicadeza. - Nós dois sabemos que somos feitos um para o outro e vamos fazer dar certo igual era na primeira vez que nos conhecemos.
Antes que respondesse ouvi a voz de Luigi vindo na direção da cozinha, ele entrou falando no telefone a conversa parecia tensa.
- Erick, depois de pensar bastante em tudo nos últimos dias - Luigi disse e seguiu em direção à porta do quintal. - Acho que devemos terminar.
Essa questão não é para mim, tenho mais o que resolver nesse assunto.
Voltei a olhar para as minhas mãos e as de Pedro unidas. Parecia tão certo que ambas estavam entrelaçadas.
- Eu... - voltei a falar, mas dessa vez foi ele quem parou quando notamos Stefano, Mario, meu pai e Luciano surgindo em passos lentos até onde Luigi estava indo. - O que estão fazendo?
Os quatro pararam e me encararam. Luciano e meu pai pareciam os mais envergonhados e nem notaram que estavam com as mãos um do outro entrelaçados com força.
Os gêmeos surgiram rindo divertidos e se jogaram para abraçar a mim e Pedro pela cintura, com enormes sorrisos.
- Papai, eles estão ouvindo a conversa do tio Luigi - Otavia falou e subiu no meu colo junto com o irmão, ambos pareciam que estavam fazendo a coisa certa em relação a isso.
- Querem saber o que vão fazer em relação ao moço Erick? - Gabriel disse e pediu colo para Pedro, que o pegou lentamente.
- Eu que pergunto porque as mãos de vocês estão entrelaçadas - Meu pai disse.
- Pai, eu também pergunto o porquê das suas mãos estarem entrelaçadas com a do senhor Luciano - Falei calmamente.
Meu pai soltou a mão com as bochechas ficando vermelhas.
- Vovô gosta do tio Luciano - Os gêmeos disseram divertidos.
- Estão ficando fofoqueiros - Falei.
Luigi olhou para trás, vendo a família se aproximar, e suspirou, parecendo cansado. Eu pude ver que ele tinha um peso em seu coração que não queria compartilhar conosco.
- O que vocês estão fazendo aqui? - Ele perguntou para os outros e soltei uma risada quando Luciano desviou o olhar.
Stefano deu um passo à frente.
- Viemos ver como você estava ao falar com o Erick - Stefano respondeu.
- Eu estou bem, mas não quero mais lidar com a questão de Erick. Não é minha responsabilidade, e não quero passar correndo atrás dele para sempre estou cansado desse medo de compromisso que ele tem - respondeu Luigi, irritado.
Eu não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas era óbvio que Luigi estava lidando com algo muito pessoal e doloroso.
- Luigi, estamos aqui para apoiá-lo, o que quer que seja - disse meu pai, gentilmente. - Se quiser conversar vamos estar aqui quando for o momento certo.
Luigi suspirou, parecendo mais relaxado.
- Obrigado. A verdade é que Erick e eu estamos passando por um momento difícil. Não sei se vamos conseguir superar isso, ele ainda tem os medos dele em qualquer relacionamento que já teve - Luigi disse - cansei de ter esperança, então terminei com ele.
Nesse momento, os gêmeos se soltaram de nós e correram em direção de Mário e Stefano, que os pegaram com facilidade e os levantou no ar, fazendo-os rirem.
- Não se preocupem, vamos ajudá-lo a lidar com isso - disse Luciano, colocando a mão no ombro do filho. - Nunca gostei muito daquele rapaz de qualquer maneira, mas sei que o filho dele era bastante apegado a você.
Luigi olhou para nós, seus olhos transmitiam uma calma.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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