Capítulo Quarenta e Três
Vicente Johnson:
Donald estava na cozinha ajudando Pedro a preparar o almoço, e a dupla parecia se divertir muito com a tarefa, trocando brincadeiras e risadas. Eles se davam bem, e Pedro estava animado em ver que Donald estava sendo uma pessoa gentil com ele. O restante do pessoal estava brincando com os gêmeos e imaginando que faziam todas as brincadeiras que eles queriam fazer.
— Isso é algo que nunca vão ver novamente, Donald sendo gentil com alguém que o estava ajudando na cozinha — Milena disse, chocada.
— Verdade, lembro quando ele quase me xingou por ter ajudado a cortar uma salada — falei.
Donald olhou em nossa direção com cautela.
— Sabem que estou ouvindo tudo o que estão dizendo — Donald falou. — Não sou tão crítico quando alguém me ajuda.
— Na verdade, você é desse jeito quando está cozinhando por conta própria, acaba entrando no seu próprio modo chef perfeccionista, onde tudo tem que ser perfeito — Milena disse, pensativa. — A última vez que você ficou desse jeito gentil foi quando estava namorando aquele fotógrafo.
Ela me olhou com os olhos brilhantes e ficamos esperando a resposta de Donald em relação a essa hipótese. Donald só ficou tão dócil quando namorou um incrível fotógrafo que fazia de tudo para ver o sorriso do meu amigo e só terminaram quando o fotógrafo se mudou de cidade. Esperamos sua resposta, mas ele apenas voltou a se concentrar na comida.
— Você está namorando e não contou para a gente — Milena disse.
— Eu contei isso para uma pessoa — Donald disse. — Contei para a Eleonora, sabia que se contasse para vocês, iriam querer conhecer ele ou agiriam como se fosse uma grande coisa.
— Não ficaríamos tão chocados em te ver namorando — falei.
— Iríamos ficar surpresos depois do seu último namoro, onde você disse que não valia muito a pena e que iria tirar uma pausa por um tempo de relações amorosas — Milena falou, estalando a língua. — Disse que só iria sair pegando qualquer homem que aparecesse na sua frente e demonstrasse algum tipo de interesse, sem se importar com o que sentia.
Tive que concordar, ele havia dito isso em bom som para a gente e ainda disse que relações amorosas são um desperdício de tempo e devemos apenas ter encontros casuais. Depois disso, ele estava parecendo uma cadela no cio, o que até assustou todo mundo.
— Ainda estava certo com aquele pensamento, tem que pegar e usar e dar adeus — Donald disse e soltou uma risada da expressão de choque de Pedro. — Sério, você está chocado com isso? Achava que o Vicente já tinha te contado tudo sobre o meu jeitinho único de agir. Já fiz cada coisa com cada homem que iria assustar meio mundo de pessoas.
— Ele contou bastante sobre os amigos dele, mas não chegou a mencionar como você agia tão seriamente — Pedro disse e me olhou pedindo ajuda.
— Donald, evitei dizer isso porque o Pedro estava sempre acompanhado dos gêmeos — falei e olhei para Pedro, que ainda estava com uma cara de espanto. — Mas agora acho que deveria ter preparado o terreno.
— Nem me lembra que você já saiu com um monte de sócios dos meus pais — Milena disse e soltou uma risada. — Sabia que quando eles me veem perguntam de você e se ainda está solteiro, até as novas namoradas e namorados perguntam de você.
— Como assim? — Pedro disse ainda mais em choque.
— Alguns homens, depois de se relacionar com Donald e ele ter terminado tudo de uma vez, ainda o procuram para encontrar novas companhias e já formaram diversos casais — Expliquei. — Na maioria dos eventos que ele diz ir, é um casamento de um antigo amante e a nova paixão que ele juntou.
— Não reclame, fomos a várias festas por causa desse meu jeito — Donald disse e soltou uma risada. — Mas ainda fico surpreso em como consigo combinar cada um em perfeita sintonia, posso dizer que sou um ótimo cupido.
— Claro, se o cupido já tiver levado as pessoas para a cama — Milena falou e isso fez com que todos rissem.
— Com certeza, mas eu tenho muito mais estilo que o cupido — Donald disse.
Depois do almoço, todos se reuniram na sala para uma sessão de jogos de tabuleiro. As crianças estavam empolgadas e sentaram-se em volta da mesa, prontas para começar. Pedro e eu nos sentamos juntos, prontos para participar também.
A tarde passou rapidamente, com risos, gritos de alegria e um clima de camaradagem entre todos. À medida que o sol começava a se pôr, Ava, Rafael e o casal Lewis se despediram, com enormes abraços nos gêmeos. Ainda estava surpreso com o esforço do meu sogro para arrancar risadas deles, e nada parecia dar certo.
Enquanto iam embora, Ava bateu delicadamente no ombro do pai, e Pedro segurava a risada. Olhei para ele, que parou de segurar e começou a rir escandalosamente, fazendo os gêmeos rirem também.
Pude perceber como as crianças estavam exaustas, mas felizes, e agradecemos a visita deles.
Donald balançou a cabeça.
— Tenho até pena dele por não tirar uma risada dos netos — Donald disse e soltou uma risadinha. — Mas as piadas do seu pai eram de mau gosto para crianças.
— Eu sei disso, mas esse é o humor dele — Pedro disse. — Nem de mim ou da minha irmã ele arrancava risadas, minha mãe disse para fingirmos para que não pudéssemos magoar ele.
— Isso explica porque ele ficou tentando um monte de vezes as mesmas piadas — Jonas disse em choque.
— Sua mãe e vocês ajudaram ou atrapalharam com o pensamento de como as crianças gostam de piadas — Milena falou.
Após a saída dos convidados, decidimos que era hora de arrumar a casa e dar banhos nas crianças. Enquanto íamos para o banheiro, o restante do pessoal aguardava os jogos de tabuleiro na sala.
Enquanto dávamos banho, ríamos dos momentos engraçados do dia e comentávamos sobre como todos se divertiram muito. Ficamos felizes em ver os gêmeos tão alegres e animados durante toda a tarde.
Quando terminamos e fomos colocar o pijama de cada um, nos sentamos em duas camas com os gêmeos estavam com os olhos sonolentos, mas ainda animados com o dia cheio de brincadeiras.
— Vocês se divertiram muito hoje, não é? — perguntei, sorrindo para eles.
— Sim! Foi o melhor dia de todos! — exclamou Otávia.
— E você, Gabriel? O que achou do dia? — perguntou Pedro.
— Foi demais! Adorei brincar com todos, especialmente com o vovô Lewis! — respondeu ele, com um brilho nos olhos. — Ele faz expressões engraçadas.
Levamos os dois para o quarto, onde logo se acomodaram em suas camas.
Pedro e eu nos sentamos ao lado deles, acariciando seus cabelos enquanto eles adormeciam. Ficamos um momento ali, observando os pequenos rostos tranquilos e sentindo uma gratidão imensa por termos essa família tão especial.
Assim que os gêmeos estavam profundamente adormecidos, saímos do quarto com cuidado para não acordá-los. Sentamos juntos no sofá, sorrindo um para o outro.
— Foi um dia maravilhoso, não foi? — disse Pedro, me abraçando.
— Sim, foi perfeito. Fico feliz que nossos filhos tenham tido a oportunidade de passar um tempo tão especial com seus avós e tios — respondi. — Eles devem ter adorado ainda mais seu pai com a expressão dele.
— Essa foi a diversão do meu dia — Pedro disse e me deu um beijinho na têmpora. — Eu amo você e as crianças.
Aquele momento era um lembrete de como a vida estava cheia de momentos preciosos, e que cada dia era uma oportunidade para criar memórias inesquecíveis ao lado daqueles que amávamos.
Estávamos apenas eu, Pedro, Milena, Jonas e o Donald. O clima era acolhedor e relaxado. Sentamo-nos na sala, e Pedro sugeriu assistir a um filme juntos.
Enquanto escolhíamos o filme, Milena se aconchegou no colo de Jonas, e eles trocaram um olhar apaixonado. Pedro e eu nos abraçamos, e eu me senti imensamente grato por ter aquelas pessoas incríveis ao meu redor.
Assim que o filme começou, todos ficaram quietos e mergulharam na trama. Era um momento simples, mas cheio de significado para nós. Nossas vidas haviam se entrelaçado de forma inesperada, e agora éramos uma família, unidos pelo amor e pela amizade.
Conforme o filme chegava ao fim, senti uma sensação de plenitude e felicidade. Pedro beijou suavemente minha testa, transmitindo todo o carinho e afeto que sentia por mim. Jonas apertou Milena em seus braços, e ela sorriu radiante.
A noite continuou com conversas animadas e brincadeiras entre nós e querendo descobrir mais sobre o novo namorado do Donald.
— Vocês não têm que se preocupar com isso, nem o meu pai se preocupa — Donald disse e dessa vez eu e Milena pulamos em cima dele.
— Como você joga uma bomba dessas de que está falando com o seu pai, depois de dizer que não iria — Milena disse e deu uma chave de braço em Donald, mudou de posição segurando o outro pelo braço e o travando nas costas como se estivesse amarrando sua caça.
Jonas e Pedro olharam surpresos.
— O que? Não vão dizer que não sabiam que a Milena sabe lutar — Falei.
Donald bateu no chão completamente derrotado.
— Ele e a família dele são bastante divertidos até mesmo meu irmão mais novo — Donald disse. — Só estamos interagindo com eles me ligando.
Novamente Milena torceu o braço dele.
— Não pensou em dizer algo desse tipo para a gente, somos seus amigos — Milene disse.
— Acho que agora exagerou — Falei e ela o soltou. — Mas agradeço por fazerem silêncio para não acordar os gêmeos.
— Assim que se briga com classe — Milena disse e piscou um olho divertida.
— Pode me soltar — Donald disse e Milena fez com calma. — mas isso é algo que não deveria dar muita importância para essas coisas, depois eu iria dizer.
Apontei para ele com calma e apenas fiz Milena se controlar para não acabar com Donald.
À medida que a hora se aproximava, todos estávamos realmente cansados. Quando o pessoal se despediu para ir embora, nos abraçamos calorosamente.
Enquanto Pedro e eu nos preparávamos para dormir, deitei minha cabeça em seu peito, ouvindo seu coração bater calma e tranquilamente. Senti uma profunda sensação de pertencimento e segurança, sabendo que estávamos juntos, enfrentando a vida de mãos dadas.
Naquela noite, adormeci com um sorriso no rosto, grato pelo presente maravilhoso que a vida havia me dado. E com a certeza de que, não importa o que acontecesse, estaríamos sempre unidos, criando memórias inesquecíveis juntos.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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