Capítulo Onze

Vicente Johnson:

Na parte da tarde, meu pai havia chegado no condomínio vindo de táxi. Me deu um abraço forte que me levantou do chão.

- Como é bom ver meu lindo filho - ele disse alegremente, finalmente me colocando no chão.

- Por que não ligou para que te buscasse no aeroporto? - falei e notei os gêmeos vindo na direção do avô com enormes sorrisos.

Meu pai se agachou quando os gêmeos se jogaram para frente, rindo de ver o avô à frente deles em completa alegria, isso porque sempre estamos fazendo videochamada com meu pai, mas acaba não sendo a mesma coisa de vê-lo presencialmente.

- Vovô Bill - Gabriel e Otávia disseram juntos, abraçando meu pai pelo pescoço, que se levantou com eles nos braços. - Saudades!

- Também estava, meus amores - meu pai falou, beijando a bochecha dos gêmeos com um estalado, fazendo com que ambos caíssem na gargalhada. - Deveriam vir me visitar mais vezes, ainda mais agora que o pai de vocês está de férias do serviço.

- Eles estudam e minhas férias não batem com as da escolinha - falei. - Em todos os feriados prolongados estamos indo te visitar.

- Mas eles não podem ficar longe do avô - meu pai falou com as crianças, balançando a cabeça afirmativa. - Digo, como vou mimá-los.

Olhei para as malas dele e por último para os brinquedos que havia trazido.

- Você consegue dar um jeito nessa situação - falei, pegando as malas do chão. - Vou levar para o quarto de hóspedes, antes que eles vejam as suas malas além dos presentes.

- Não me culpe por ser fantástico - meu pai disse, e os gêmeos riram. - Agora é hora dos presentes!

As crianças gritaram de felicidade com essas palavras. Quando reparei, ambos estavam sentados no tapete em frente ao meu pai, com uma pilha de presentes embrulhados ao seu redor. Seus olhos estavam cheios de antecipação e empolgação.

- É finalmente o dia de abrir os presentes! - meu pai disse, e os gêmeos pularam de alegria no lugar. - Assim até parecem que gostam mais dos presentes que trago do que da minha companhia.

- Presente! - os gêmeos disseram e, dessa vez, soltei uma risada, sorrindo com expectativa para a cena, vendo os gêmeos com os olhos brilhando de animação. Pegaram o primeiro presente e rasgaram o papel de presente com entusiasmo e um pouco da ajuda do meu pai.

Soltaram gritos animados ao verem os novos brinquedos.

- Olhem só! É um carrinho de controle remoto, dois ursinhos e, daí, um pônei - falei e olhei para as crianças que começaram a se divertir, colocaram os brinquedos no chão e começaram a brincar com eles. O carrinho saiu correndo pela sala, enquanto os outros presentes ainda estavam esperando para serem abertos ou usados. No final, eles ganharam dois patinhos que andavam sozinhos e tocavam músicas, algo que terei que esconder por um tempo.

- Brigado, vovô - Otávia disse, abraçando meu pai, e dando, um beijo.

- Vovô, obrigado! - Gabriel disse e fez o mesmo gesto, delicadamente.

- De nada, meus amores! Espero que vocês se divirtam muito com todos os seus presentes! - Meu pai falou com um sorriso e se virou para minha direção. - Como sempre, sou o melhor em dar presentes do que seus tios.

- Vocês são muito competitivos com os presentes. - Falei, soltando um suspiro, ao mesmo tempo que a campainha tocou. - O importante é que as crianças gostem dos brinquedos e se divirtam com eles.

Meu pai fez uma careta e os gêmeos imitaram seu gesto. Soltei uma risada indo até a porta. Abri, tomando um susto com um enorme homem fantasiado de jacaré, igual aqueles das animações da Disney ou qualquer uma que seja derivada de um desenho animado.

- Imagino que tenha havido uma festa de aniversário no restaurante. - Falei, e a cabeça do jacaré se mexeu em afirmação.

- Vicente, pode me ajudar? - Reconheci a voz de Stefano. - O zíper da fantasia quebrou, o Mario ainda está no serviço e vai voltar tarde do trabalho, e meu irmão está indo buscar o nosso pai, que veio aproveitar para fazer uma reunião íntima com alguns conhecidos. Não consegui nem pegar as chaves de casa no meu bolso. Por sorte, consegui pagar o táxi.

- Tem sorte que conheço muitos métodos de arrumar zíper de roupas emperradas. - Falei, estalando os dedos. - Pode entrar e me esperar na sala com o meu pai e as crianças.

Ele passou por mim, murmurando um agradecimento. Assim que entrou na sala, os gêmeos gritaram de alegria quando Stefano surgiu. Ambos estavam correndo com tudo na direção de Stefano, com os olhos brilhantes. Sem mais nem menos, prenderam-se nas pernas de Stefano, que soltou uma risada, enquanto as crianças tentavam subir em cima dele.

Meu pai gargalhou, se levantando do lugar, e estendeu a mão para Stefano.

- Stefano, esse é o meu pai. Pai, esse é o meu vizinho Stefano, como também um dos funcionários do restaurante. - Falei. - Que está vestindo uma fantasia com zíper emperrado.

- É bom conhecer você... Digo, pelo menos um pouco. - Meu pai disse e olhou para a fantasia. - Acho que perdi na disputa pelos meus netos.

- Sinto muito, senhor - Stefano falou e pegou Gabriel nos braços enquanto se sentava no sofá. Otávia foi a segunda e gargalhou quando puxou a cabeça do jacaré que estava bem presa.

Fui ao quarto e voltei com as minhas ferramentas para arrumar o zíper da fantasia. Meu pai pegou os gêmeos nos braços e se afastou para que me deixasse trabalhar.

Devo agradecer por ter aprendido como desemperrar zíper do jeito certo, algo que meu pai disse que sempre seria muito útil, além de aprender a costurar.

Cinco minutos depois, a cabeça de Stefano surgiu, e o mesmo tinha um sorriso agradecido para mim. E se ajoelhou no chão, complementarmente agradecido.

- Muito obrigado, estava quase sufocando com essa coisa - ele disse aliviado, e notei que as crianças pegaram a cabeça, querendo brincar.

- Grr - Otávia falou e soltou uma risada na minha direção.

Gabriel levantou e tirou a cabeça da mão da irmã, colocou sobre a sua cabeça, que ficou muito grande, fazendo com que caísse sentado. Ele soltou uma risada que foi acompanhada pela irmã.

- Acho que eles gostaram dessa cabeça - Stefano falou, pegando a cabeça de volta. - Acredito que vou ter que levar para arrumar.

- Posso arrumar para você. Meu pai quis que eu aprendesse a costurar para arrumar roupas caso fosse necessário - falei, e meu pai concordou.

- Tem que saber fazer de tudo um pouco e não depender de ninguém - meu pai disse, e revirei os olhos. - Então, vocês vão trabalhar juntos?

- Sim, resolvi trabalhar para não depender muito da situação financeira da minha família. Bem, enquanto ainda estou decidindo qual faculdade fazer - Stefano falou. - Meu esposo concorda comigo nesse quesito.

- Nunca vou entender essa geração que se casa cedo - meu pai resmungou, pegando os gêmeos no colo. - Tem que aproveitar as coisas enquanto são jovens. Ainda bem que escapei de fazer essa situação, diferente de certas pessoas que conheço.

Ele me olhou atentamente, fazendo com que mordesse o lábio, sabendo que vou ter que contar sobre o Pedro em algum momento.

- Pai, preciso conversar com você. É de muita urgência - falei, e meu pai olhou para mim atentamente.

- Está bem. Deve ser muito urgente só por causa dessa sua expressão - meu pai falou e colocou os gêmeos no cercadinho, colocando alguns brinquedos para eles, que ficaram alegres e já entraram no seu próprio mundinho.

- Acho que vou indo para casa - Stefano falou. - Vou arrumar a casa para quando meu pai vir depois da reunião dele. Certa que ele vai passar por aqui - colocou a cabeça no sofá. - Vicente, muito obrigado por arrumar para mim. Vou ficar te devendo.

Ele saiu assoviando, e fiquei encarando meu pai. Lentamente, o puxei para a cozinha, e sentamos nas cadeiras da cozinha, um de frente para o outro.

- Pai, o que vou contar está relacionado ao que aconteceu há três anos atrás. - Falei, e as sobrancelhas dele se elevaram. Peguei os papéis e mostrei para ele, que começou a vasculhar o conteúdo delicadamente. - Vou apenas dizer a você diretamente. Naquele dia, Pedro bebeu um vinho ao qual Ângelo acrescentou um pouco de uma droga afrodisíaca e, de boa vontade, montou aquela cena que eu vi. - A expressão do meu pai estava variando de branco e verde. - Ângelo foi muito bom planejando tudo de antemão. Ele estava contando que chegasse naquele momento, de que visse a cena, e por causa da droga, Pedro ficaria um pouco complicado para se locomover ou reagir. Então, ele disse o que iria me atingir depois de ver aquilo tudo.

- Ele... - Meu pai falou, e suas mãos estavam tremendo de pavor, os olhos demonstrando pavor. - Por que fazer tudo isso?

- Descobriram que Ângelo tinha, ou ainda tem, inveja de mim e por ciúmes de ter alguém que fazia tudo por mim, igual o Pedro fazia. - Falei. - Bem, ele também acha revoltante que alguém do meu estilo se misture com alguém da classe do Pedro, por quem ele tem uma paixão maluca. Descobriram que alguns acidentes que aconteceram comigo foram esquematizados por Ângelo. Tentaram denunciá-lo, mas a família dele comprou o juiz e o júri para que aquele cretino não fosse preso.

Meu pai colocou os papéis em cima da mesa, e reparei que seus olhos estavam muito vermelhos. Ele me amava muito e sofreu, assim como eu, com o que aconteceu há três anos atrás. Ao ver como havia sofrido tanto, ele quase desmoronou e detestou Pedro ainda mais com o passar do tempo. Agora que ele viu essas provas, seu coração deve estar pesado, assim como o meu. Ângelo devastou muitas vidas, e isso me deixa muito mais irritado com aquele cretino.

- Vicente... - Meu pai abriu e fechou a boca inúmeras vezes, até que suspirou, colocando as mãos na cabeça. - Todas as vezes que ele foi até o restaurante querendo que eu dissesse para onde você havia ido, fui grosso e ríspido com o mesmo. Pelo menos deveria ter tido tempo para escutar ao menos uma vez.

- Pai, eu juro que não tem com o que se culpar nesse momento. Estava magoado por ter visto como eu havia sido ferido! Ângelo fez a cena e criou o mal-entendido.

- Não diga isso. Claramente, deveria ter dado a possibilidade da dúvida para o mesmo. - Meu pai disse com a voz chorosa. - Mas só quis bancar o pai protetor. Dava para ver como Pedro estava devastado.

- Não tem que ficar com culpa nesse momento. Só precisa se desculpar com Pedro quando o vir novamente - falei. - Isso vai acontecer quando ele vier na festa de aniversário dos gêmeos.

- Você já foi conversar com ele sobre tudo isso e ainda contou sobre os gêmeos - meu pai disse e me olhou como se estivesse vendo alguém muito sensato. - Quando meu filho se tornou tão evoluído emocionalmente? Mas vou seguir os seus passos e conversar com ele sobre isso e pedir perdão por não querer ouvir ele. Mas terá que contar o básico para sua tia Sarah. Se ela o vir, vai acabar com a raça dele, possivelmente acabando com a festa dos gêmeos.

Sorri para meu pai.

- Isso, o tio Josué e a Jéssica disseram que resolveram - falei, estalando a língua. - Só não me contaram como pensam em fazer nada disso. Agora, vamos aproveitar para ver se tenho todos os ingredientes dos pratos.

- Vou tentar o meu melhor para te ajudar com tudo - meu pai disse com um enorme sorriso.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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