Capítulo Dezessete

Vicente Johnson:

Na parte da tarde, nada aconteceu direito, além de ficar brincando com as crianças pedindo para ser o cavaleiro delas ou o cavalo das suas brincadeiras, com meu pai rindo da situação escandalosamente. Pedi para tirar uma foto da situação e meu coração acelerou quando eles pediram para enviar um vídeo das suas brincadeiras para a tia Ava, tio Rafael e o tio Pedro.

Meu pai ficou surpreso, mas começou a gravar as brincadeiras por um bom tempo, até quando eles narraram alguma história infantil ou mostraram os brinquedos que tinham. Quando enviei os vídeos para Ava, ela respondeu com várias mensagens, dizendo como os gêmeos eram fofos e da reação de Pedro, que estava fazendo uma expressão amorosa e até murmurando como eram todos fofos e lindos.

De resto, fiquei conversando com o Pedro dicas de paternidade. Posso dizer que ele tinha muitas dúvidas sobre esse requisito.

- Papai, vamos poder comer os doces e dormir um pouquinho mais tarde hoje? - Gabriel perguntou.

- Papai, nos comportamos - Otávia falou. - Nos comportamos direitinho.

Fiz uma expressão pensativa, enquanto percebi que ambos me observavam com uma enorme expectativa de qual seriam as minhas próximas palavras.

- Podem comer um pouco de doce e dormir uma hora mais tarde - Falei, e ambos comemoraram pulando no lugar.

Me abraçaram com força e beijaram meu rosto de cada lado.

- Obrigado, papai - Falaram.

- De nada, mas me prometam que vão obedecer seu avô e comer toda a comida que ele fizer - Falei, e ambos assentiram olhando para o meu pai com sorrisos conspiratórios.

Sabia o que eles iriam comer. Meu pai, com certeza, vai fazer a comida favorita de ambos, para que aproveitem ainda mais a noite que terão com o avô. Conhecia essa informação do que eles fazem muito bem, afinal, no dia seguinte, os gêmeos me contam tudinho.

Meu pai olhou para mim e deu uma piscadela, fazendo com que eu desse uma risada.

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Quando deu seis horas, fui tomar banho e meu pai estava rindo, divertido com os gêmeos, assistindo a um programa de desenho completamente concentrados.

No chuveiro, fiquei pensando em tudo que poderia acontecer nesse evento. Só sei que seria algo que poderia mudar algo.

As gotas d'água caíam pelo meu corpo e tentavam me acalmar, mas não adiantava, minha mente continuava tensa por causa do que essa sensação poderia significar.

Comecei a passar o sabonete pelo meu corpo, tentando abandonar essa sensação e os pensamentos que ela trazia junto.

Meu banho durou uns vinte minutos e ao sair do box do chuveiro, abri a porta do banheiro do meu quarto e fui em direção ao guarda-roupa. Retirei minha linda roupa nova que fiz questão de comprar só para ir a esse evento.

Vesti a roupa lentamente e, o que posso dizer, ainda prefiro as minhas roupas normais. Essas parecem chamar muita atenção e me fazem ver que não sou feito para usar muita roupa social.

- Só por uma noite, vou ter que usar - falei. - Consigo aguentar tudo isso.

Peguei o celular, a carteira e fui atrás do meu pai e dos gêmeos.

Os três estavam na cozinha começando a preparar os ingredientes dos pratos. Meu pai estava concentrado cortando tomates e em pé no banquinho que deixou perto da pia. Os gêmeos estendiam alguns ingredientes que meu pai pegou, agradecidos.

- Vão fazer comida para um batalhão - brinquei e assim que me viram, bateram palmas animadas.

- Vicente, você está fantástico com essa roupa social - meu pai disse. - Vai abater inúmeros corações.

- Papai, como você está lindo - Otávia falou com os olhos brilhantes.

- Meu pai é o mais bonito de todos - Gabriel disse.

- Obrigado, amores - falei. - Mas vão fazer comida para um batalhão?

- Claro que vamos - meu pai disse e apontou um dedo para mim. - Seus filhos querem dois pratos.

- Sim, papai - Otávia falou. - Vai ser muito bom os pratos do vovô, vou guardar um pouquinho para você.

- Isso mesmo, a comida do vovô é a melhor do mundo todinho - Gabriel disse, feliz da vida.

Meu pai olhou superior ao ouvir isso. Ele fez gesto de pouquinho com os dedos e só encarei ele, mesmo sabendo ser mentira ele não consegue dizer não para os preciosos netos.

- Eu sei que a comida do vovô é a melhor do mundo - falei e olhei para as horas do celular. - Agora papai está indo para a festa da família da tia Milena. Mais tarde, estou de volta.

Me aproximei e beijei a testa dos gêmeos.

- Pode ir, papai - Gabriel falou.

- Vamos estar esperando que volte com um monte de surpresas - Otávia disse e deu um beijinho na minha bochecha.

- Pode deixar - falei.

Me aproximei do meu pai e beijei a bochecha dele. Ele me puxou para um abraço e sussurrou no meu ouvido.

- Se divirta muito hoje à noite - ele disse calmamente. - E se solte um pouco, você merece se divertir depois de tudo.

- Vou tentar! - falei só para que ele ouvisse. - Não posso prometer nada.

Me afastei dele, me virando logo em seguida, saindo da cozinha sem dizer uma última palavra.

Milena e Donald vão me encontrar no lugar do evento da família dela, que fica a quarenta minutos da minha casa.

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O lugar da festa era em um enorme espaço de um prédio que pertencia à família Browns e a um de seus sócios e tinha até algumas telas compartilhando a localização do evento.

Lembro muito bem que uma vez Milena me contou que a família Browns não era apenas feita de pessoas orgulhosas, era verdadeiramente feita de pessoas que cumpriam seus deveres e obrigações no mundo. Mesmo agora, quando não tinham funções diretas, tomavam a iniciativa de ajudar os demais e davam oportunidades ao maior número possível de pessoas que precisavam de alguém para apoiar e ajudar a desenvolver.

Essa foi a razão pela qual essa festa estava acontecendo hoje.

A família Browns convidou jovens promissores que não tinham grande apoio no mundo dos negócios. A chamada 'festa' estava cheia de empresários que queriam se dedicar ao nobre hobby de nutrir recursos humanos e jovens que esperavam ter sucesso de alguma forma contando com esse hobby.

Ao mesmo tempo, havia também, de certa forma, pais muito assustadores que, com olhos aguçados, escolhiam jovens para apoiar seu negócio como seu próximo empreendedor.

Milena estava usando um lindo vestido vermelho estrelado com alguns detalhes que a faziam parecer da realeza é um colar de safira, que destacava seus detalhes, e Donald usando um terno cinza.

- Milena, que colar lindo - falei surpreso.

- Meu pai Daniel quis me dar. Pertenceu à minha avó - ela disse.

- É fantástico com esse estilo - Donald falou soltando uma risada. Então fechou a expressão. - O que eles fazem aqui?

Olhei para ver a família Almeida entrando no recinto e Milena revirou os olhos.

- Meu pai Guilherme quis convidá-los, tiveram uma reunião de negócios alguns dias atrás - Milena falou. - Quando contei sobre o que aconteceu, meus pais surtaram. Meu irmão Lorenzo e Antônio ficaram revoltados, mas meu pai Daniel deu a volta por cima para cuidar das coisas.

- Seus pais têm um plano - falei e soltei uma risada.

- Meus pais foram sensatos, meus irmãos quiseram atacar a família do Felipe - Milena falou e soltou um suspiro.

Olhei na direção oposta, Antônio estava conversando com o irmão e cunhado animadamente sobre algo que fez os mais velhos sorrirem amplamente.

No meio do salão de banquetes, todos os homens de negócios trocavam gentilezas, tentando conquistar contatos em tal ocasião.

A família de Felipe andou até o casal Browns, que sorriam ignorando-os abertamente.

- A festa vai começar, vou atrás de comida. Vocês precisam disso, assim como eu - Donald falou e puxou a gente na direção da mesa de comida, jurou que ouviu o estômago dele roncar. - Estou sem comer só para ver como será esse banquete. Vamos esquecer os demônios do passado.

- Por que ficou sem comer? Está esperando demais pelo banquete desse evento - Milena disse com calma.

- É uma escolha de opção, seus pais sempre estão arrasando no que pedir nos eventos - Donald falou.

Na mesa tinha a maior variação de comida que tive que concordar em como as coisas estavam divinas. Devo pedir um pouco da receita.

Enquanto montava o prato, uma voz familiar soou.

- Então os três patetas vieram para esse evento - Era a noiva do Felipe.

- Eu não fazia ideia que pobres tinham permissão para estarem em um lugar desses. Mas como bastardos como vocês merecem estar em tal ocasião? - A irmã do Felipe zombou e disse sarcasticamente. - Provavelmente é tarde demais para a família Browns se livrar de vocês agora.

Milena ignorou as duas patetas e continuou a conversar.

Donald e eu zombamos.

- Nicole é muito melhor do que aquela vadia! Ela só quer subir até o topo e se tornar uma fênix, mas uma galinha continuará sendo uma galinha! Nicole, você é a parceira do meu irmão esta noite. - A irmã do Felipe disse e olhei para ela com calma. - Ele nunca irá se importar com uma pessoa como você.

As duas estavam triunfantes. Consigo ver que ela já havia pensado na cena revigorante com antecedência.
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Gostaram?

Até a próxima 😘

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