Bônus Um
Pedro Lewis:
Quando abri meus olhos, senti lágrimas escorrendo pelos meus olhos. Era como ter um sonho muito difícil. Eu tive um sonho tão miserável e doloroso que eu não conseguia nem lutar em um inferno difícil de imaginar, e a loucura estava tomando conta de mim e eu estava desmoronando lentamente.
— Droga. O que é isso de repente? — Ainda sentindo meu estômago entorpecido, esfreguei os cantos dos olhos com a palma da mão e me levantei.
Olhando em volta, notei o interior do quarto. Este era o quarto da casa que aluguei por um tempo aqui na cidade. Sentei na cama, esfreguei meu rosto molhado novamente.
Remoendo as imagens do que aconteceu comigo. Tudo aquilo me causa uma dor enorme, mas me senti ainda pior ao recuperar as memórias.
Mesmo que o quarto estivesse vazio, eu estava envergonhado por ter acabado de chorar por causa de um pesadelo, então eu rapidamente puxei as cobertas e desci.
As enormes janelas da sacada brilhavam em azul ao amanhecer. Precisando de um pouco de ar fresco, puxei as delicadas cortinas de renda e abri a porta. Quando entrei na varanda, quase sem pé, o ar frio atingiu meu torso nu, refrescando o calor do pesadelo.
Respirando fundo algumas vezes, escovando o cabelo ao vento da manhã e olhou para longe. Olhando daqui no segundo andar, pude ver um jardim de rosas não muito longe.
O sol ainda não nasceu, então está azul, mas quando entrei nesta sala pela primeira vez, não consegui ficar de boca fechada com sua esplêndida majestade. Parecia que o cheiro de rosas já estava chegando aqui. Não estava muito interessado em coisas como flores, mas estava um pouco entusiasmado com aquele jardim de rosas.
Será um lugar que poderá me dar uma nova oportunidade.
Olhei para ele mais uma vez e vi um prédio em ruínas ao longe entre as árvores alinhadas.
Voltei para dentro e me sentei na cama e senti as lembranças começando a surgir em minha mente, com os olhos fixos no vazio. Me senti respirando rápido e superficialmente, como se estivesse com falta de ar. Meus ombros estavam tensos e encolhidos, como se estivessem tentando se proteger de algo invisível.
De repente, um som alto ou uma voz alta me fez saltar e tremer. Meus olhos se arregalam e comecei a ofegar, estava em pânico, rapidamente me senti desesperado, como se quisesse fugir, mas meus pés parecem pesados e me arrastei para a parede mais próxima, encostando-se nela.
Começando a murmurar palavras sem sentido, repetindo para Ângelo ficar longe de mim e controlando a vontade de vomitar enquanto meu estômago embrulhava. Minhas mãos tremiam e me agarrava a mim mesmo, como se estivesse tentando me proteger de algo que não está mais lá e com a pele pinicando até que começasse a coçar até ficar vermelha e machucada.
Estava chorando, soluçando e tremendo enquanto as lágrimas correm pelo meu rosto. Me encolhendo em uma bola no chão, agarrando meus joelhos e balançando para frente e para trás.
Ouvi a porta abrir dessa vez com tudo, duas vozes surgindo preocupadas e minha irmã colocando a mão em minha cabeça.
Murmurando palavras de conforto e esfregando lentamente meu cabelo.
— Pedro, eu estou aqui do seu lado, pode chorar o tempo que quiser no colo da sua irmã — Ava sussurrou docemente.
Minha irmã me confortou, segurando minha mão e dando um ombro para chorar. Ela compartilhou algumas palavras de encorajamento e dizendo que era forte e estaria ao meu lado.
Lentamente me senti mais confiante e corajoso depois de ouvir suas palavras.
Me sentei no chão e ela me olhou calmamente, mas a preocupação brilhava em seus olhos.
— Os pesadelos vieram com força dessa vez — Ava falou.
— Eu estou me recuperando, isso vai demorar como você sabe — Falei.
— Pedro, eu sei mais ver como está desesperado com tudo isso, fere meu coração como sua irmã mais velha — Ava falou e apertou minha mão. — Sei que está enraizado dentro de você, já fazem três anos.
— Eu vou superar lentamente — Falei forçando um sorriso.
Rafael entrou no quarto com um copo d'água e pegou meus comprimidos ao lado da cama. Agradecendo e tomei os comprimidos sob o olhar vigilante de ambos.
Pensei no jardim que vi do outro lado e uma sensação de calma atingiu meu peito, era adequado para um luxuoso jardim de rosas.No entanto, não foi construído para que pudesse ser visto claramente. Era comum cobri-lo por estética, mas isso era diferente para mim e a beleza que tinha.
Segundo pelo que minha irmã descobriu, era o gosto incomum do proprietário do terreno da frente, então ele deliberadamente deixou assim para ser um jardim comunitário da vizinhança.
Depois de algum tempo, no quarto em frente à porta, ouviu-se o barulho dos sons dos pássaros. Entrei na sala de estar, deixando para trás o jardim de rosas e meus pensamentos passados com minha irmã querendo me acalmar o máximo possível.
Meu cunhado estava fazendo o mesmo, ele era uma pessoa de alto escalão conhecida por sua enorme riqueza e uma longa tradição comparável de pessoas honrosas e cuidando de quem era importante para suas vidas. Fico feliz que minha irmã encontrou alguém que a ame imensamente do fundo de seu coração.
— Como foi passar um tempo com seus filhos ontem? — Ava disse tomando um gole de café. — São crianças super fofas, ainda mais como viram que você não estava bem e quiseram te consolar.
Pensei nas crianças que tinham apenas três anos de idade, e como ao nascer devem ter sido tão pequenos e frágeis. Me lembrei das suas risadas inocentes, de como eles corriam na sua própria festa de aniversário com os amiguinhos, abraçando as pernas do avô e do Vicente, e dos seus olhares curiosos e maravilhados quando me viram.
— Eu adorei ver eles brincando e querendo melhorar meu humor, puxaram o Vicente na maneira de serem sensíveis com as pessoas e querem ajudar — Falei e suspirei, sentindo uma mistura de saudade por ter perdido tantas coisas desses três anos de suas vidas.
Apertei as mãos em punhos com uma vontade avassaladora de esganar Ângelo até que ele morresse por tudo que fez contra Vicente e a mim, tirando nossa felicidade.
— Ainda ficou surpreso como eles foram super carinhosos com você — Rafael falou. — Se seus pais verem aqueles dois, vão desmaiar pelas fofuras dos netos.
— Na verdade eles já viram — Ava falou e olhamos para sua direção. — A prima do Vicente gravou um vídeo e me enviou no que encaminhei para os meus pais.
— Vicente sabe disso? — perguntei lentamente.
— Sim, Jéssica falou que ele deu permissão para fazer isso — Ava disse. — Ela perguntou antes de me enviar.
Ela me mostrou a tela do aparelho telefone com os gêmeos engatinhando em segundo passou para um vídeo em que davam seus primeiros passos em cada um deles ambos com enormes sorrisos e indo atrás de Vicente que os recebia com braços abertos seguidos de beijos amorosos do pai em seus filhos.
Os três se divertindo junto, olhei a tela até que minha irmã me enviou o vídeo que guardei na galeria do celular.
— Nossos pais devem ter ficado encantados — Falei.
— Eles ainda disseram que vão vir o mais rápido possível para ver os netos — Ava falou. — Estão muito preocupados no caso de você estragar alguma coisa.
— Sério? — Perguntei.
— Vai ser acostumado, nossos pais sempre fazem essas coisas — Ava disse. — Eles estão vendo que está um pouquinho recuperando como era anos atrás e ficam felizes com tudo isso, mas tem medo de tudo desaparecer.
Sabia a preocupação de que alguma coisa pudesse acontecer com tudo isso fosse apenas um sonho, meu peito se apertou com as lembranças dos meus pesadelos.
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No restante do dia fui até o jardim e fiquei querendo ligar para Vicente conversar com ele e as crianças. Mas algo me impedia não sabendo como me aproximar sem invadir o espaço pessoal deles ou tudo que eles conheciam.
Minha irmã havia saído para fazer alguma coisa e Rafael estava conversando com o seu pessoal.
Senti o cheiro das flores e minha mente ficando calma, me senti no banco.
— Por que temos que nos encontrar nesse tipo de lugar? — Ouvi uma voz atrás de mim e tentei ignorar levemente quando Ângelo estava vindo atrás de mim.
Meu coração acelerou e me levantei às pressas com o coração acelerado meu corpo começando a tremer.
— O que está fazendo meu amor? — Ângelo perguntou, se aproximando lentamente.
— Se...afaste — Falei forçando a voz.
— Me tratando assim acaba me magoando — Ângelo disse e quando estendeu a mão para cima de mim.
— Se tocar nele saiba que vou esfregar sua cara nessa calçada — Ouvi a voz da minha irmã, ela passou por mim e me fez ficar atrás dela. — Já não fez estrago o suficiente com o meu irmão!
— Eu só fiz tudo isso por amar ele — Ângelo disse.
— Isso não é amor — Uma voz falou e Vicente surgiu ao lado da minha irmã. — É uma obsessão doentia que você mesmo criou, nessa sua mente distorcida.
Ângelo franziu a testa com desgosto. Parecia que Vicente estava dizendo bobagens para chamar minha atenção.
— O que está fazendo aqui? — Ângelo rosnou.
— Nada que te desrespeite — Vicente falou e apontou para Ângelo. — Mas deveria voltar para o seu bueiro rato de esgoto.
Ângelo avançou para cima de Vicente, dei um passo para frente. Quando vi Ângelo caiu de cara no chão com Vicente torcendo seu braço.
— Eu deveria ter dito isso. Mas pratiquei auto defesa — Vicente falou torcendo o braço de Ângelo um pouquinho mais.
Ângelo se debatia feito um animal, mas pelo visto Vicente era mais forte do que ele.
— Vicente, não vale a pena socar a cara desse idiota — Ava falou e Vicente se afastou.
— Você vai ver — Ângelo disse se levantando, lançando um olhar assassino e Vicente simplesmente deu de ombros.
Ângelo foi embora com o rabo entre as pernas, Vicente olhou para mim.
— Como está se sentindo? — Ele perguntou.
— Obrigado — Falei e abaixei o olhar me sentindo com vergonha por ele me ver em um estado tão frágil.
Me sentir exposto e vulnerável, como se minhas maiores fraquezas estivessem para o mundo ver. Me sentia pequeno e inútil, incapaz de fazer algo para mudar essa situação.
Meus batimentos cardíacos acelerados e as palmas das mãos suando. Com um nó no estômago se formando. Com os pensamentos confusos e difíceis de organizar, tornando difícil para que olhasse para minha irmã e para Vicente.
Perguntando o que ele está fazendo aqui?
Me sentia julgado por eles e temendo que me vejam como incapazes. Me sentia culpado por essa situação, mesmo que não seja minha culpa.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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