¹² SUSPEITO, MUITO SUSPEITO E O QUE HÁ NESSE BAÚ?
— Você está traindo Kim Seokjin?
— Foi inevitável, infelizmente.... Eu o amava, mas quando ele começou a se afastar de mim tudo mudou. — Abaixou a cabeça.
— Chloé, você estava bancando ele não é? O anel que Seokjin lhe deu você vendeu, certo? — Vi suas mãos se esfregarem uma na outra, e assentiu balançando a cabeça.
— Me arrependo por ter feito isso.
— Não me admira se arrepender, o homem claramente só estava com você por interesse. — Levantou a cabeça me encarando com os olhos cheios de lágrimas.
— Me envolvi demais a ponto de ficar totalmente cega de amor, e quando percebido já era tarde demais... Eu fazia tudo por ele, comprava roupas caras, cozinhava para ele, ia o encontrar às escondidas como me pedia, para no fim acabar nessa situação.
— Desculpe dizer isso, mas você mereceu! Assim aprende com os erros... Pobre coitado do Kim, primeiro o amigo, agora a namorada, falta mais quem para se tornar uma decepção para ele? — Chloé desviou o olhar para alguém que havia acabado de parar perto de nós.
— Já chega Yoongi, não acha que está sendo um pouco duro com ela? — O olhei de soslaio cruzando os braços.
— Duro? Me poupe Oliver. — Sai de perto deles indo até a janela da sala mordendo a ponta do polegar.
— Sr. Min! — Olhei para o policial parado alguns centímetros de mim.
— Pois não?
— O delegado quer falar contigo. — Suspirei fundo assentindo o acompanhando até a viatura.
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De todos os sermões que já ouvi na vida os de Louis, era os piores.
— Yoongi, onde está a sua prudência? Você podia ter matado o homem. — O grisalho me encarava sério sentado em sua poltrona de couro.
— Vocês estão fazendo tempestade em copo d’água. Tinha plena consciência de que ele não morreria, calculei o que faria.
— Por acaso você está apresentando aqueles mesmos sintomas, igual aquela... — Revirei os olhos.
— Não, não estou tendo crises nervosas novamente!
— Mentiroso! — Olhei rumo a porta vendo Oliver terminando de fechá-la.
— Viu algo detetive Oliver?
— Ele está roendo demasiadamente as unhas, até os dedos não estão escapando. — Cocei a cabeça torcendo meu nariz.
— Não irá dizer nada. — Levantei meu olhar até Louis o encarando com tédio.
— O que quer que eu diga?
— Ora! Negue ou afirme.
— Não tenho nada para negar ou afirmar. Só lembrando que não faço mais parte dessa corporação há um bom tempo. — Levantei-me indo em direção a porta.
— Yoongi, estamos apenas preocupado com você, talvez o caso esteja sendo muito...
— Não fique preocupado comigo meu caro amigo, e sim com Kim Seokjin, ele é a prioridade aqui.
Saí da sala do delegado sem olhar para trás, respirei fundo riscando mentalmente mais um da minha lista.
🔍
Cansado de ficar em casa matutando sobre tudo, preferi agir. Me restava apenas dois suspeitos, a tia e o mordomo, porém qual deles teria a ousadia de cometer um crime tão bem planejado?
A caminhada até a mansão Kim só me rendeu mais confusão. Bati duas vezes contra o bolso do meu paletó onde jazia a abotoadura que Oliver, encontrou em sua missão. Aquilo era uma prova, porém e se o criminoso quisesse apenas nos enganar? E se fosse uma mulher trajando roupas masculinas justamente para pregar uma peça? Tudo se passava em minha mente.
Pressionei a campainha sendo atendido por Amtonie, que estranhamente possuía uma expressão feliz no rosto, o observei de soslaio passando por ele.
— A Sra. Kim se encontra?
— Não, ela saiu há algum tempo, e não sei para onde foi. — Mordi o lábio inferior.
— Tudo bem irei esperar por ela. — Sorrir pequeno para ele que apenas assentiu com a cabeça.
— Fique á vontade detetive. Deseja algo? — Neguei com a cabeça o vendo virar para se retirar.
— Amtonie!
— Pois não? — Ele se virou imediatamente e me encarou.
— Você sabe falar inglês? — Seus olhos se estreitaram e sua testa franziu.
— Sim, aprendi com as aulas particulares que Seokjin tinha. Porquê?
— Por nada, apenas curiosidade. — Me sentei no sofá aguardando.
O mordomo se retirou me deixando sozinho, ou quase sozinho, pude ver Min Yong surgir através da escada trajando um vestido branco com bolinhas pretas e um colar de pérolas enfeitando seu pescoço e os cabelos num rabo de cavalo.
— Veja só quem está aqui!
— Boa tarde para a senhorita também. — Ela se sentou ao meu lado, fazendo com que a estranhasse também.
— Faz um tempinho que não tem vindo a está casa. Por acaso está com vergonha de olhar pra minha irmã? — Franzi o cenho surpreso.
— Não tenho motivos para sentir vergonha minha cara. — Sorri.
— No seu lugar eu teria! Ela está lhe pagando praticamente atoa, você não tem chegado com nenhuma informação que preste... Que tipo de detetive é você? — Por Deus, o que essa mulher tem contra mim?
— Você não gosta de mim não é? — O canto de seus lábios se ergueram sorrindo genuinamente.
— Está tão nítido assim?
— Claro! Aliás eu só percebi porque é recíproco. Eu reconheci seu desprezo somente por sentir o mesmo, veja que coincidência. — Sorri passando a mão pelo paletó, e seu sorriso morreu.
Min Yong, desviou o olhar para uma empregada que passava pedindo para que ela dissesse a Amtonie, que trouxesse chá para nós dois. Após um silêncio desconfortável, Amtonie surgiu com as xícaras de chá. Enquanto depositava as xícaras sobre a mesa, foi impossível não reparar em sua mão que estava enfaixada e provavelmente seu antebraço também, visto que o faixa sumia por dentro da manga de seu uniforme.
— Onde se machucou? — Apontei para a mão vendo Amtonie me encarar sem expressão alguma, e Min Yong levar o olhar para onde apontava.
— Na cozinha.
— Na cozinha?
— Sim, algum problema? — Neguei com a cabeça coçando meu queixo.
— Parece ter sido um ferimento profundo... Se machucou com a faca?
— Preciso voltar, tenho muitas coisas para resolver, com licença.
Amtonie se retirou apresado e aquilo serviu para atiçar ainda mais minha curiosidade sobre este mordomo. Uma hora se passou e nada da senhora Kim, Min Yong se retirava e voltava da sala a todo momento me irritando. A campainha tocou, sem dar importância alguma me levantei indo observar um enorme quadro renascentista acima a lareira quando uma voz familiar chamou minha atenção.
Meus olhos sobressaltaram surpresos ao ver a Sra. Kim, acompanhada de Louise, que estava abraçando Amtonie.
— Sr. Min que prazer vê-lo aqui. — A simpática matriarca da família Kim veio me cumprimentar, e assim que meu nome foi dito pude ver Louise, abrir os olhos enquanto ainda abraçava Amtonie me olhando com espanto.
— Vim ver a senhora, e lhe por informada sobre uma coisinhas.
— Muito bem, vamos até meu escritório.
Antes de virar minhas costas encarei uma última vez Louise, que sorriu evidentemente nervosa. Já no escritório não tardei em perguntar a Sra. Kim, o que estava entalado em minha garganta.
— Quem era aquela com a senhora? — Indaguei como se não a conhecesse.
— Meu Deus! Onde está os meus modos? Não os apresentei, me desculpe por isso detetive Min. Aquela é a afilhada de Amtonie, Louise, ela é uma mulher maravilhosa, tão esforçada e trabalhadora. Por coincidência ela trabalha no bar em que meu precioso filho frequentava. — A senhora abaixou a cabeça dizendo a última frase com pesar.
— Afilhada... Nem me passou pela cabeça que Amtonie tivesse uma afilhada.
— Ele a criou depois que a pobrezinha perdeu os pais. Amtonie era muito próximo aos pais dela, pelo que ele me disse.
— Agora faz sentido. — Disse cruzando os braços.
— Então o que queria me dizer?
Contei tudo sobre Chloé para a senhora que me olhou abismada, a Sra. Kim não acreditava que uma moça tão doce e gentil pudesse ter feito tal coisa com o filho. Após conversar demasiadamente sobre o caso com ela, pedi licença dizendo que precisava ir ao banheiro.
Saí do escritório passando pelo corredor indo até a cozinha, onde encontrei duas empregadas limpando e organizando tudo. As perguntei onde Amtonie estava e ambas disseram que ele havia saído com á afilhada, agradeci caminhando até seu quarto. Seria hoje que descobriria o que ele escondeu de mim aquele dia.
Por sorte a porta não estava trancada, girei a maçaneta conferindo ambos os lados para ver se ninguém estava por perto entrando no cômodo. Fechei a porta analisando o pequeno cômodo, não possuía nada demais, além da cama de solteiro, um criado mudo ao lado com duas gavetas, um pequeno guarda-roupa e um baú ali perto encostando na parede ao lado.
Me aproximei vendo um cadeado trancando a caixa de madeira mediana. Vasculhei as duas gavetas do criado mudo não encontrando nada, olhei as gavetas do guarda-roupa, e por dentro do móvel não encontrando nada. Onde diabos ele havia escondido essa chave? Quase desistindo me sentei na ponta da cama ouvindo algo metálico tilintar, me levantei erguendo o colchão apalpando.
Senti algo próximo ao um zíper de um forro que protegia o colchão, sorrindo retirei um pequeno molho de chaves composto de quatro chaves. Me agachei testando as chaves até que a terceira abriu o baú.
Ergui a tampa do móvel encarando o conteúdo dentro...
— O que faz aqui detetive Min?
Hello detetives! Nosso querido detetive Min, enfim está conseguindo mais informações. Será que ele já encontrou o culpado?
E vocês já chegaram a alguma conclusão? 👀
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