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A diretora me explica detalhadamente como as coisas iam funcionar durante os sete dias de pesquisa, mas não consigo entender quase nada, devido às crianças correndo para cima e para baixo, gritando alto. Um menino e uma menina passam correndo por mim e o aperto no peito sumiu por um instante.
Essa sensação deveria ficar mais forte por ver as crianças correndo e por saber que não terei filhos correndo por esses corredores, mas por algum motivo essas duas crianças me deram um alívio.
- Essa é sua sala, no final do corredor e a sala dos professores, caso queira comer algo.
Apenas assenti e a diretora saiu, arrumei as minhas coisas em cima da mesa de centro. A tutora chegou com a primeira criança, o menino olhou impressionado para o pote repleto de pirulito e os brinquedos de pelúcia, ele se sentou e me olhou com um sorriso de orelha a orelha e isso fez o meu coração bater descompassado.
- Quer segurar o senhor Coelho, enquanto conversamos?
- Sim, por favor - ele abriu o maior sorriso.
Peguei o Coelho de pelúcia e entreguei, o garoto agarrou a pelúcia e me olhou esperando que eu começasse as perguntas.
Se passaram sete dias e a minha pesquisa está fluindo maravilhosamente, agora só faltam duas crianças e elas são gêmeas. Quando elas entram, o aperto no meu peito sumiu e uma paz tomou conta de todos o meu ser.
O menino e a minha cópia, seus cabelos castanhos escuros estão bagunçados, igual aos meus quando volto da minha corrida matinal. Seus olhos azuis cintilantes têm uma mancha verde em forma de meia-lua em ambos os olhos, iguais os meus. A sua pele é bronzeada e os seus lábios têm o arco do cupido bem marcado. Não tem como esse menino se parecer tanto comigo, mas ele é igual a mim em todos os seus traços. A menina parece muito com Aurora, a única diferença são os seus cabelos castanho escuro, olhos azuis cintilantes com a mancha verde em meia-lua em ambos os olhos e a pele bronzeada.
Arrumo a minha postura e empurro o pote com bombom para perto deles, cada um deles pega um e fico admirado quando escolhem o meu sabor preferido. Não sei como reagir a cada coincidência entre nós três.
- Quais são os seus nomes? - Engulo em seco e cada um pega uma pelúcia.
- Elisa.
- Caio.
Quando penso que não tem como eu me surpreender mais, uma bomba dessa cai sobre mim. Elisa e Caio são os nomes dos bebês que eu coloquei no primeiro livro que escrevi, quando ainda acreditava no amor.
- Quantos anos vocês têm?
- Três.
- Os seus pais cuidam bem de você?
- A mãe - a menina começa falando - cuida muito bem da gente, mas algumas vezes ela fica triste e chora enquanto toma banho.
- Nunca conhecemos o nosso papai - dessa vez foi o menino que falou - Mamãe sempre falou que ele gosta muito da gente, mas que deveríamos esperar que um dia íamos conhecer ele.
Passamos uma hora conversando e eu fiquei cada vez mais intrigado com as semelhanças entre mim e eles. A diretora me avisou que a mãe dos gêmeos ia demorar alguns minutos.
- Podem ficar com o resto dos bombons, com a senhora girafa e o senhor porco.
- Obrigada - Elisa me deu um sorriso lindo.
- Mamãe.
Caio saiu correndo e Elisa foi atrás dele, me virei para trás e não acreditei no que os meus olhos estavam vendo. Aurora está abaixada abraçando as duas crianças. Ela se levanta e nossos olhares se encontram.
Meu coração acelerou os seus batimentos, minha respiração ficou pesada, meu pau reagiu rapidamente e minha libido que não dava as caras a quatro anos agora parece transbordar pelo meu corpo.
- Aurora - minha voz sai rouca, entregando todo o meu desejo.
- Piter - suas bochechas estão rosadas e os gêmeos intercalam os olhares entre mim e sua mãe.
Aurora está diferente, o seu corpo ganhou mais curvas, sua pele ficou mais bronzeada, seus peitos ficaram mais fartos, seu cabelo agora fica na altura da cintura e seus olhos verdes estão opacos.
- Tenho que ir.
Aurora segurou as mãos dos pequenos e saiu apressada, corri e parei na sua frente. Não posso perder ela novamente.
- Como vocês vão para casa? - eu sabia que seria difícil conseguir arrancar essa informação de Aurora, mas estou disposto a tentar.
- Vamos de ônibus - Caio falou antes da mãe.
- Caio - Aurora repreendeu o garoto.
- Eu dou uma carona para vocês.
- Não quero incomodar - Aurora está doida para fugir para longe de mim.
- Não vai.
Eu estendi as mãos e os gêmeos seguraram Aurora revirou os olhos e eu dei uma risada baixa, os pequenos ficaram me perguntando de onde eu conheço Aurora e se eu conhecia o pai deles, mas eu não sabia como responder a segunda pergunta.
- Eu vou no banco da frente - Elisa se pronunciou quando chegamos perto da BMW.
- Sua mãe vai na frente hoje, mas depois eu deixo vocês andarem na frente.
Os pequenos entram no banco de trás e eu coloco o cinco em cada um deles, fecho a porta do quarto e olho para Aurora, se os seus filhos não estivessem dentro do carro como certeza ela ia fugir de mim o mais rápido possível.
- Vamos? - abri a porta e ela entrou - Espero que não se sinta estranha.
Ela me dá um sorriso tímido e fecho a porta, entro no carro e entrego o celular para que Aurora possa digitar o endereço, saiu do estacionamento da escola e entrou na avenida principal. Os gêmeos se mantêm ocupados brincando com as suas pelúcias.
- Então - limpei a garganta - você e o Leo terminaram?
- O casamento não estava indo muito bem - sua voz é vaga e sem humor.
- Ele pelo menos visita os filhos? - ela olha pela janela e meu celular começa a tocar e eu atendo.
- Piter, você só pode estar de brincadeira. Além de matar a paloma...
- Estou no viva voz e temos plateia, de três anos - olhei para Aurora que ainda está com a sua concentração do lado de fora do carro - E a mãe deles está aqui também.
- Me desculpe, mas voltando, por que a Jéssica e o Augusto também? - a concentração de Aurora ficou na ligação.
- Eles tinham que partir - entrei no trevo de acordo como a voz do GPS me mandou - Aliás vocês estão demorando para fazer o lançamento de Estrelas Perdidas - Aurora me fitou pelo canto do olho.
- Estamos esperando o designer da capa ficar pronto.
- Me manda os meus dois exemplares.
- Vou fazer isso, agora deixa eu acabar de corrigir esse livro.
- Você vai pagar o meu psicólogo? - Roberta grita do fundo da chamada, antes de Amanda desligar.
- Desculpe pelo modo que ela falou na chamada - olhei pelo retrovisor e os pequenos estão dormindo.
- Eu concordo com ela, você devia parar de matar os seus personagens - meu coração acelerar ao saber que ela já leu os meus livros - Eu fico feliz por fazer você nunca desistir dos seus sonhos.
O resto da viagem foi silenciosa, algumas vezes o olhar de Aurora encontrava com o meu.
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