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Severus não teve notícias dela por três dias.

Ele suspeitava que Hermione o estava evitando, mas era difícil ter certeza já que aparentemente ela estava evitando todo mundo. A bruxa compareceu às aulas normalmente, mas se ausentou de todas as refeições no Salão Principal. No dia seguinte ao desmaio dela, ele foi incapaz de se impedir de perguntar sobre o bem estar da jovem.

- A senhorita Granger está numa situação delicada no momento, e ela prefere fazer suas refeições sozinha.

Severus não sabia o que significava a "situação delicada" de Hermione, mas achou melhor não perguntar. Não deveria ser nada contagioso ou grave, já que ela continuou suas aulas normalmente, mas ele sabia que alguma coisa estava acontecendo. Ele sentia.

Seus instintos de espião estavam gritando, implorando para que ele agisse. Fazendo um acordo consigo mesmo, ele decidiu que esperaria mais um dia para sair numa missão em busca de informações, já que tudo o que tinha de Hermione eram pequenos vislumbres de seus cachos pelos corredores no início e final do horário letivo. Ele poderia invadir a enfermaria durante a madrugada e encontrar o prontuário médico dela. Esse plano não o agradava pois era uma invasão de privacidade extrema, mas se fosse necessário ele certamente não teria escrúpulos em fazer isso como último recurso.

No terceiro dia da ausência de Hermione ou de notícias, ele decidiu que faria isso.

Severus passou a tarde fermentando. Ele tinha o período após o almoço livre, e fez uso dele para repor os estoques de poções da enfermaria, produzindo lotes das poções que Poppy havia pedido atravéz de uma lista. Eskelece, Sono sem Sonhos, poções para dor e um surpreendente número de poções para enjoos e suplementos vitamínicos fortificantes. Ele franziu as sobrancelhas para a lista mas não teceu comentários.

As horas cozinhando foram meditativas e relaxantes. Severus meio que entrava em transe nesses momentos de produção, sua mente a vários quilômetros enquanto suas mãos hábeis faziam o trabalho sem que ele sequer prestasse muita atenção na tarefa diante de si. Obviamente, seus pensamentos foram puxados para a senhorita Granger. Ele sabia que estava acontecendo algo, havia praticamente uma vibração diferente no ar. Ele pegou Poppy e Minerva sussurrando mais de uma vez nas refeições, e Severus era bom demais em seu trabalho como espião para não perceber quem era o assunto da conversa conspiratória da diretora e a medibruxa.

Já passava do toque de recolher quando ele terminou de limpar seu laboratório da maneira trouxa usual, pois ele era meticuloso em usar magia perto de seus ingredientes mágicos e caldeirões caros. Severus tomou um longo banho no chuveiro, a água tão quente que deixou sua pele geralmente pálida numa tonalidade rosada, mas ele não se importava, pois, um banho bem quente era sua segunda maneira preferida de encerrar um longo dia de trabalho.  A primeira, claro, era terminar a noite enterrado até as bolas numa bruxa disposta, mas a única que ele tinha interesse atualmente estava se mostrando um desafio e tanto.

Severus Snape nunca recuava diante de um bom desafio.

Ele saiu do banho decidido. Já passava da meia noite e ele invadiria a enfermaria em busca do prontuário da professora Granger. Ele vestiu uma cueca e calças limpas, e estava tirando uma camisa do cabide quando ouviu uma batida suave na porta. Vinha da entrada de seus aposentos particulares, então Severus se apressou a atender imaginando ser algum aluno da sonserina em apuros precisando de seus cuidados. Ele realmente, realmente, não estava preparado para a visão que o recebeu quando abriu a porta.

Uma Hermione Granger muito nervosa estava parada ali, parecendo o retrato do puro desespero. Os olhos castanhos estavam arregalados, marejados, enquanto o pobre lábio inferior dela estava prestes a sangrar, tamanha força dos dentes dela sobre ele. Severus engoliu em seco, observando a cena, pensando que não estava certo. Ele queria ser o único a morder aqueles lábios macios.

- Hum... - ela desviou o olhar dele para seu peito nu, corou adoravelmente e voltou a encará-lo nos olhos - Boa noite.

- O que aconteceu? - finalmente ele encontrou a própria voz.

- Eu... hum. Você. - ela respirou fundo e foi fisicamente doloroso para ele ver o quanto ela estava nervosa - Será que podemos conversar?

- Claro.

Severus engoliu em seco, pressentindo que seria uma conversa difícil. Ele deu um passo para dentro e deixou a porta aberta para que a jovem entrasse, o que ela fez imediatamente, marchando para dentro com os olhos presos ao chão. Ele fechou a porta e a trancou, lançando feitiços de privacidade também só para garantir.

- Posso lhe oferecer alguma coisa? - ela acenou afirmativamente, parecendo ansiosa para aceitar qualquer oportunidade de atrasar o que veio dizer - Tenho vinho, licor de canela e firewisky.

- Eu aceito um copo de água. Por favor.

Devido ao estado de nervos dela, ele supunha que algo mais forte seria melhor para ajudá-la a se acalmar. Ela parecia uma mulher que precisava desesperadamente relaxar. Se ela quisesse Severus poderia... Ele conteve seus pensamentos e conjurou um copo e água com feitiços não verbais, fazendo-os flutuar até a mulher que estava agora admirando sua estante abarrotada de livros.

Hermione Granger e livros...

Quando ela era uma pirralha irritante, Severus achou que sua sede de conhecimento acabaria quando ela conseguisse se integrar ao mundo bruxo. Muitas crianças curiosas passaram por Hogwarts, mas a adolescência costumava fazer desaparecer a busca por aprendizado. Mas não ela. Antes, seus modos arrogantes de sabe tudo o enfureciam. Hoje, o fascinavam.

A jovem pegou o copo que flutuava ao seu lado após quase um minuto inteiro, pois estava distraída demais lendo as lombadas dos livros de sua coleção.

- Oh, obrigada. - ela pegou o copo e tomou um gole.

Seveus notou que ela estava tremendo. Com um impulso de sua magia ele aumentou o fogo suave da lareira para aquecer seus aposentos.

- Gostaria de se sentar? - ele perguntou, sentindo-se incerto sobre o como proceder.

Ele deveria abordar sobre Jean Smith agora? Perguntar sobre sua saúde? Apenas esperar que se acalmasse para finalmente dizer porque estava nos aposentos particulares dele após a meia noite? Era tarde demais para uma inocente visita social, então havia um propósito importante por trás disso, ele tinha certeza.

- Não, obrigada. Eu prefiro ficar em pé.

Sua voz foi suave, quase um sussurro. Hermione permaneceu em pé diante de sua estante, de costas para ele. Severus olhou para baixo e, tardiamente, percebeu que estava sem camisa.

Merda, ele pensou... Será que devo me vestir? Ela já viu tudo mesmo... Mas provavelmente ela não sabe que eu sei quem ela é, então devo me vestir. Provavelmente. Sim.

Depois de debater alguns segundos, ele murmurou um pedido de desculpas e correu para o quarto onde vestiu uma camiseta trouxa do Black Sabbath. Quando retornou para a sala, Hermione havia pego um livro grosso e o estava folheando, quando levantou o rosto e o encarou.

- Me perdoe. - ela fechou o livro e o guardou, corando furiosamente - Eu geralmente não sou tão intrometida, mas é que me interesso muito por objetos amaldiçoados.

- Suponho que seja o efeito colateral de passar alguns anos caçando e destruindo horcruxes. - ele comentou com um sorriso suave.

- Suponho que sim. - ela devolveu o sorriso, parecendo relaxar minimamente.

Severus se aproximou, devagar, como um predador cercando a presa.

- Está pronta para conversar agora?

- Não. - ela franziu as sobrancelhas e respirou fundo, endireitando a postura - Sim. Eu... preciso te contar uma coisa.

Era agora, ele percebeu. Finalmente. Incapaz de se conter, Severus sorriu e se apressou a tentar acalmar sua bruxinha apavorada.

- Eu sei.

- Não, você não entende. Eu...

- Eu verdadeiramente sei, senhorita Granger. - ele respirou fundo, contendo a excitação - Ou devo dizer senhorita Smith?

Severus manteve a atenção nela com o foco de uma águia, ansioso pelas suas reações. Hermione estava tão nervosa que ele mal notou alguma diferença além do leve arregalar de olhos e da cor rosada se espalhando por seu rosto e pescoço. Eles se encararam por alguns momentos, até que o oxigênio da sala começou a parecer rarefeito. Certamente ambos estavam se lembrando da noite que compartilharam meses atrás.

- Quando... quando você descobriu? - ela perguntou numa voz baixa, como se temendo quebrar o feitiço em que eles estavam, olhos negros e castanhos ainda conectados.

Ele deu mais alguns passos deliberadamente lentos. Hermione permaneceu parada, mas os olhos dela piscaram para baixo, observando sua aproximação com atenção.

- Eu desconfiei desde aquela noite, para ser sincero. Mas tive certeza poucas semanas atrás quando finalmente descobri o seu nome do meio.  - ele parou bem em frente a ela, seus corpos quase se tocando.

Hermione teve que levantar o rosto para conseguir olhá-lo nos olhos.

- Oh. É claro. - ela franziu as sobrancelhas - Minha lista de erros só aumenta.

Por um momento ele pensou ter imaginado as palavras murmuradas, mas o olhar atormentado no rosto dela indicava que ele havia ouvido perfeitamente. Aquilo foi um balde de água fria nele. Ele levantou e reforçou os escudos de oclumência, sua autopreservação reagindo rapidamente, o reflexo de muitos anos de humilhação.

- Vejo que você se arrepende. - sua voz soou fria e distante - Não se preocupe, senhorita Granger, eu costumo ser discreto sobre a identidade das bruxas que eu fodo. Você não é a primeira e nem será a última a me pedir segredo.

A jovem deu um passo para trás, a expressão atordoada. Severus sentiu uma pontada de arrependimento, mas ignorou, pois se recusava a fazer papel de tolo diante de Hermione Granger ou de qualquer outra mulher. Ele já havia sido ridículo tempo demais em sua vida.

- Você está sendo um cretino. Pedir sua discrição absolutamente não é o motivo pelo qual eu vim até aqui.

- E qual é, então? Veio aqui para se divertir mais um pouco e depois fingir que nada aconteceu?

Ele não sabia exatamente porque estava tão furioso com ela. De todas as bruxas, ele esperava que pelo menos Hermione o tratasse com respeito e consideração mas ele via que não era o caso, aparentemente. Ele se perguntava se algum dia seria digno.

- Acredito que foi um erro vir aqui. Eu jamais pensei que o senhor seria capaz de um comportamento tão grosseiro!

- Assim como eu jamais pensei que a senhorita seria capaz de ter um segredinho tão obscuro quanto uma noite de luxúria com seu antigo professor sob o disfarce de outra identidade. O que fui para você? Uma aposta? Talvez algum fetiche de ser fodida por um Comensal da Mo...

Antes que ele terminasse de falar, um violento tapa no rosto o calou. Severus acolheu a dor na bochecha e a usou como combustível para aterrar seus sentimentos e se acalmar. Hermione respirava rápido e pesado, lágrimas escorrendo pelos olhos enquanto faíscas azuis e roxas estalavam entre seus cabelos.

- Eu não admito que você, e nem ninguém, fale assim comigo. Se você não é capaz de uma conversa madura, Severus, então acabamos por aqui. Adeus.

Não é possível que eu estraguei tudo com palavras impensadas. De novo, ele pensou amargamente. Hermione ia saindo praticamente correndo, mas ele foi mais rápido. Num movimento ágil ele se colocou entre ela e a porta, abraçando-a com força.

- Me desculpe, por favor, me desculpe. - ela tentou lutar, mas ele a levantou nos braços, enfiando o rosto entre os cachos macios e inspirando seu perfume floral divino - Não sei o que deu em mim, eu só... Eu não sou esse cara, Hermione, eu juro. Vamos conversar, por favor.

O corpo magro dela parou de lutar.

- Me coloque no chão, Severus - relutantemente ele fez o que ela pediu, mas permaneceu perto, as mãos firmemente apoiadas na cintura dela - Por que você começou a dizer essas coisas horríveis?

Ela estava magoada, ele podia ver a sombra nos olhos castanhos dela, algumas lágrimas ainda caindo. Mas ela lhe deu uma chance de se explicar. Já era mais do que ele havia recebido anteriormente.

- Você disse que sua lista de erros sobre aquela noite só crescia e...

- Oh! - ela soou envergonhada - Eu disse isso, não foi? Droga... me desculpe, Severus. O que eu disse não tinha nada a ver com você, pessoalmente. Afinal, eu sabia o tempo todo quem você era.

Sua escolha de palavras lhe chamou a atenção, e isso somado ao corpo dela praticamente colado ao seu, ativou instintos selvagens dentro dele. Instintos que ele não iria conter, pois passou tempo demais desejando se enterrar nessa bruxa novamente.

- De fato, você sabia, senhorita Granger. Eu me pergunto... por quê?

Ela franziu as sobrancelhas, pensativa.

- Você quer um motivo para eu ter transado com você? É isso? - ele afirmou com um aceno - Bem, que tal esse: porque eu quis.

Isso era tudo o que Severus queria ouvir.

Um rosnado escapou de sua garganta enquanto ele avançava em Hermione, capturando seus lábios deliciosos num beijo avassalador. Ela suspirou em surpresa, mas logo duas mãos pequenas se enfiaram entre os fios lisos de seus cabelos escuros, puxando-o para mais perto, e ele se sentiu praticamente flutuar quando a língua dela acariciou a sua. A bruxa lhe correspondeu com paixão e entrega, Severus aceitou e devolveu na mesma intensidade. Quando deram por si, ele a estava depositando na beirada de sua cama, as mãos grandes dele subindo a coxa sob a saia do vestido.

- Eu sonhei com você nesses dois meses, bruxa... - ele ronronou no ouvido dela, mordiscando.

- Você sonhou com Jean Smith. - ela arfou, arqueando o pescoço para lhe dar passagem, que Severus aceitou em prontidão distribuindo beijos, lambidas e mordidas.

- Nas primeiras noites, apenas. Depois a bruxa que invadia meus sonhos tinha seu rosto, senhorita Granger. - ele alcançou os seios dela, puxando um para fora - Hermione...

Ele chupou o mamilo entumescido com vontade, faminto, deliciando-se com o sabor dela e os suaves gemidos que eram música para ele.

- Severus... nós precisamos conversar.

O bruxo alcançou a calcinha dela e a puxou para o lado, enfiando um dedo profundamente, encontrando-a já pingando para ele. Tão boa, uma garota tão boa...

- Depois. Eu preciso foder você agora.

- Oh... porra... - Hermione gemeu, ofegante, e ele sabia que ela já estava perto de gozar.

O polegar dele circulava o clitóris enquanto dois dedos entravam e saiam dela, rápido e profundo, fazendo sons obscenos e maravilhosos.

- Nós realmente, realmente.... oohh, nós precisamos... eu preciso... Severus!

- Eu sei o que você precisa. - num feitiço sem varinha ele desapareceu as roupas deles. Severus não estava totalmente são, e também não estava com paciência para preliminares longas - E eu vou te dar, baby.

Num impulso de seus quadris ele estava dentro dela e foi sublime e inigualável. Hermione gemeu totalmente entregue, os olhos fechados em puro êxtase. Severus a observou enquanto se movia, rápido e forte num ritmo constante, e a imagem dessa bruxa no auge do prazer era algo que ele se lembraria até o último dia de sua vida. Ele a acariciou mais um pouco e em segundos ela quebrou, rebolando os quadris, gritando seu nome, puxando os lençóis e arqueando a coluna tudo ao mesmo tempo. Sua boceta apertada pulsava, ordenhando seu pau tão deliciosamente que ele logo a seguiu com um orgasmo violento, estremecendo sobre ela e vagamente ciente de dizer alguma coisa sobre a névoa de sua libertação.

- perfeita. Você, Hermione... Tão deliciosa, porra...

Ele continuou mais um pouco dentro dela com estocadas mais lentas agora, ainda não completamente satisfeito, querendo mais... Severus observou o ponto onde seus corpos se uniam, admirando o brilho do prazer molhado deles espalhado por seus membros e lençóis, os sons úmidos e depravados agora sendo ouvidos nitidamente pois ambos estavam silenciados, submergindo do frenesi de luxúria que se abateu sobre eles. Uma mão tocou sua bochecha delicadamente, levantando seu rosto, e Severus encarou a bruxa debaixo dele. Ele viu tantas coisas naquele olhar, mas mesmo com sua experiência não soube identificar exatamente o que estava reconhecendo ali. Ele viu uma mistura de incerteza, medo, paixão e uma pontada de tristeza. Severus ainda não estava pronto para perder o calor dela em benefício da conversa que sabia que eles deveriam ter, portanto ele se abaixou e a beijou apaixonadamente.

Hermione correspondeu no mesmo instante, mas o sabor desse beijo foi diferente de todos os outros que compartilharam anteriormente. Eles não estavam ensansecidos de tesão, assim como ninguém estava sob disfarce naquele momento. Severus Snape sentiu-se em casa beijando Hermione Granger. Eles trocaram carícias calmas e suaves, explorando e conhecendo. Foi como magia... Ele começou a amolecer, então se retirou de dentro dela caindo para o lado e a puxando para um abraço. Hermione se deitou sobre seu ombro, aconchegando-se nele, deslizando um dedo preguiçosamente entre os poucos pelos escuros de seu peito.

- Deuses, Granger... Eu queria fazer isso há muito tempo. - ele suspirou, um sorrisinho curvando seus lábios.

A bruxa deu uma risadinha.

- Da mesma forma, Snape.

Então eles ficaram ali, relaxando por um momento enquanto seus batimentos cardíacos voltaram ao ritmo normal. Até que um pensamento invadiu sua mente com força total.

- Merda... Accio varinha.

Severus se sentou e convocou sua varinha para lançar um feitiço de emergência, um que ele já deveria ter lançado antes de começarem, na verdade.

- O que você está fazendo, Severus? - a bruxa perguntou, cautelosa, sentando-se ao lado dele, ambos incrivelmente confortáveis com o fato de estarem nus.

- Lançando um feitiço contraceptivo em você.

Hermione levantou a mão direita e segurou a mão dele com a varinha, mantendo-a baixada e imóvel.

- Isso não é mais necessário, Severus.

Ele franziu as sobrancelhas, subitamente desconfiado do tom de voz tenso dela.

- O que exatamente você quer dizer com 'isso não é mais necessário'?

- Eu disse que precisávamos conversar, não disse?

Severus sentiu uma letargia assombrosa dominando seu corpo. Ela não estava querendo dizer que... Não, claro que não. Apenas... Não.

- Hermione... Eu estou entendendo algo errado? Você obviamente não está me dizendo que...

Ele não conseguiu terminar. Severus começou a suar frio.

- Que eu estou grávida? - ela soou um pouco histérica, e ele realmente não podia culpá-la pois ele compartilhava o sentimento - Sim. Eu estou dizendo isso.

*****

Um silêncio denso caiu sobre eles e Hermione podia ouvir as batidas do próprio coração bombardeando seus tímpanos. Lembrando-se de seu próprio choque ao receber a notícia, ela ficou calada e deu a Severus algum tempo para processar a grande novidade. Ela mordeu o lábio e desviou o olhar dele, agora curiosa sobre seu quarto pessoal. Era bem organizado e limpo, uma grande cama com dossel de seda preta e lençóis igualmente escuros agora bagunçados, uma escrivaninha com cadeira confortável e mais uma estante abarrotada de livros. As mãos de Hermione coçaram para deslizar pelas lombadas, mas ela se conteve.

Alguns longos minutos se passaram e ela olhou novamente para Severus, que permanecia exatamente na mesma posição, estóico. Hermione realmente admirou a habilidade do homem em ficar completamente parado e compreendeu de onde vinha o boato de que ele poderia ser um vampiro. Decidindo que já havia lhe dado tempo suficiente, ela convocou a própria varinha num sussurro e se preparou para lançar o feitiço em sua barriga, na esperança de que isso despertasse o homem paralisado ao seu lado.

Felizmente funcionou. Severus tocou sua mão, abaixando-a, e apontou a própria varinha para o ventre dela.

- Hommenum revelio! - ele sussurrou em voz rouca.

A luz prateada irrompeu para dentro de sua barriga e logo retornou num dourado brilhante, como ela sabia que faria. Era uma cor linda. O olhar de Severus ficou ainda mais sombrio e ele apertou os lábios, permanecendo quieto e distante. Hermione começou a ficar insuportavelmente nervosa e deslanchou a falar na tentativa de aliviar a tensão.

- Bem... Acredito que você não seja contra um aborto? - ele apenas levou os olhos impossivelmente escuros até ela, frios - Ou talvez você apenas não queira se envolver com a... Hum.. situação. Obviamente você não queria isso. Eu também não, na verdade... Mas nós dois fizemos isso, então... - ela colocou uma mão sobre o ventre ainda iluminado - Ok. Eu só achei que seria certo você saber. Está tudo bem, eu posso resolver isso sozinha, é claro, e além do mais...

- Por favor, pare de falar - ela se calou imediatamente - Em questão de cinco minutos você me diz que está grávida, deduz que eu desejaria abortar a criança ou mesmo abandonar vocês dois e me ausentar de minhas responsabilidades. Apenas pare de me ofender supondo o pior de mim e me dê a cortesia de algum tempo para assimilar.

Hermione franziu as sobrancelhas, envergonhada e chateada consigo mesma, pois foi exatamente isso o que ela fez. Quem era ela para recusar a Severus algum tempo para processar a notícia sendo que ela mesma precisou de três malditos dias para absorver sua nova realidade e conseguir criar coragem de conversar com ele?

- Me desculpe, Severus. Você está certo, claro, me desculpe. - o olhar dele suavizou minimamente e ela se levantou, convocando suas roupas.

- Onde você vai?

- Embora.

- Não, não, senhorita Granger. Você não vai jogar essa bomba em mim e fugir por mais três dias novamente.

- Mas você disse...

- Eu sei o que eu disse. Eu só preciso de um momento. Por que a senhorita não toma um banho enquanto isso? Você pode encher a banheira e relaxar um pouco.

Essa palavra mágica a fisgou como um peixe.

- Você tem uma banheira? - ele afirmou - Por que eu não tenho uma banheira?

Essas mudanças de humor já estavam acabando com ela.

- Eu sou apenas o vice diretor, não poderia responder a sua pergunta - deu de ombros - É assim que o castelo foi projetado: o chefe da Sonserina tem uma banheira enquanto os professores do alojamento, não.

Hermione murmurou um "cobras arrogantes e traiçoeiras" bem baixinho. Pelo brilho divertido dos olhos de Severus, ele a ouviu perfeitamente.

- Eu poderia aproveitar um banho na banheira, sim. Você... Se juntará a mim?

Ela tentou não corar furiosamente, mas falhou.

- Em um momento.

*****

Severus observou enquanto Hermione se retirava para o banheiro, extremamente animada em usufruir do conforto de um banho de banheira. Particularmente ele não fazia uso tanto quanto poderia, preferindo a praticidade do banho no chuveiro, mas ele apreciou muito a empolgação dela. E o que viria depois, obviamente.

Ele suspirou fundo e foi para a sala de estar, ainda completamente nu com o pau a meio mastro, mas não se importou o suficiente para se vestir, afinal ele se juntaria a ela em breve. Severus serviu-se de uma dose de firewisky e bebeu um gole pequeno, pensativo.

Que porra ele fez?

Como um homem com sua experiência e sabedoria havia se esquecido do maldito feitiço contraceptivo? Quando Hermione lhe deu a notícia, ele mergulhou em suas lembranças daquela noite revivendo repetidamente cada minuto dela. E repetidamente sua falha se anunciou: ele não lançou o feitiço. Em momento algum. E nem ela.

Em retrospecto, era correto supor que ambos estavam imersos demais no momento de paixão que compartilharam. Talvez algum pensamento inconsciente lhe disse que a bruxa poderia fazer uso de alguma poção anticoncepcional regular, já que em momento algum mostrou preocupação em se proteger, portanto ele apenas deixou para lá. Idiota!

Mas dois eram necessários para fazer um bebê, então Severus certamente deveria ter usado seu cérebro relativamente grande e lançado o maldito feitiço de qualquer forma, porra.

Um bebê. Hermione Jean Granger estava carregando seu bebê. Agora mesmo, enquanto enchia a banheira em seus aposentos privativos sua semente se desenvolvia dentro dela, o fruto inesperado da melhor noite da vida dele. Severus tomou mais um gole da bebida, as mãos trêmulas.

Ele nunca havia considerado um desejo de ser pai, pois nunca havia encontrado uma mulher que considerasse adequada para dividir a tarefa com ele. Mas agora... Severus tomou mais um gole. Ele poderia fazer isso com ela. Oh, céus... Ele poderia até imaginar como seria chegar em casa e encontrar uma garotinha de cabelos cacheados e pretos como ébano, pele bronzeada e olhos escuros o chamando de papai.

Severus serviu-se de mais uma dose. Ele teve um péssimo pai. Um homem vil, horrível e cruel. Mas ele não seria assim para sua garotinha. Ela teria um papai para amar e se orgulhar e...

Oh, maldito Salazar. Ele já estava apaixonado pela ideia de ser pai. De ser o pai da filha de Hermione. Era uma menina, ele já tinha certeza.

Severus temia a conversa iminente com a jovem bruxa. Ele sabia que ela tinha uma vida pela frente e que era uma mulher de ambições. Ele havia destruído a vida dela? Hermione o estava odiando? Não parecia até gora, mas ela poderia odiá-lo depois que a criança nascesse e as limitações começassem a atrapalhar sua carreira. Mas Severus seria um pai, mais que isso ele seria um papai, e estaria presente carregando o fardo da criação do bebê junto com ela.

Isso é, se Hermione decidisse ter o bebê.

Com um frio na barriga, ele se lembrou que ela mencionou aborto. Era direito e escolha dela. Mas se pudesse opinar, ele queria ter o bebê. Sua menininha.

Ele virou o copo e rumou ao banheiro, incapaz de esperar mais para saber a decisão dela. Severus já havia sofrido muito em sua vida, ele não tinha mais coração para amar alguém e perdê-lo e preferiria não se apegar ainda mais a ideia de ser pai se Hermione já tivesse se decidido por interromper a gravidez. Ele não a impediria se fosse o caso, mas aquilo o destruiria sem dúvidas.

Severus abriu a porta silenciosamente e entrou no banheiro que cheirava a jasmim. Hermione havia prendido seus cachos num coque alto, seu pescoço fino e elegante a mostra enquanto estava de costas, passando o sabonete pelo corpo. Silenciosamente ela se afastou da borda da banheira, abrindo espaço para ele. Igualmente quieto, Severus entrou na água morna e se sentou, puxando a bruxa para se encostar em seu peito e foi tão íntimo e delicioso que ele queria viver nesse momento para sempre. Mas eles não poderiam.

- Você já se decidiu, Hermione? - ela acenou afirmativamente - Você vai ter o meu bebê?

Alguns segundos se passaram. Inconscientemente ele a apertou contra si, buscando apoio enquanto temia sua resposta. Hermione se aconchegou nele, inspirando profundamente e relaxando contra seu corpo.

- Sim, Severus. Eu quero ter nosso bebê.

Ele não disse nada, apenas a puxou ainda mais para perto e depositou uma mão sobre o ventre plano, acariciando, e depositou um beijo no topo da cabeça entre os cachos impossivelmente selvagens dela. Silenciosamente ele agradeceu a todos os deuses que conhecia. Eles passaram alguns minutos assim, imersos em suas próprias mentes. Mas Severus tinha algo a dizer que estava preso em sua garganta, ele não poderia seguir em frente sem enfrentar sua culpa.

- Me perdoe. Eu deveria ter lançado um feitiço contraceptivo, eu...

Hermione se afastou dele, virando-se de frente e montando em seu colo. Ela passou as mãos pelo pescoço e começou a acariciar os cabelos em sua nuca. Severus começou a endurecer novamente, incapaz de não corresponder a qualquer minima atenção daquela bruxa.

- Não. Nós dois somos culpados, Severus. Eu tomava a poção regular. Mas eu... - ela suspirou envergonhada - Eu estava de mudança para retornar a Londres. Entre os preparativos e a burocracia do fim dos meus estudos trouxas, mágicos, minha pesquisa e tudo... Eu comprei a maldita poção no boticário e esqueci de tomar. Ainda está na minha bolsa.

- Isso não isenta minha responsabilidade, Hermione.

- Eu sei. Nós dois erramos.

Severus pensou nisso por um momento.

- Eu não sinto que tenha sido um erro. - ele acariciou a bochecha dela e deslizou a ponta dos dedos pelo queixo e pescoço e foi descendo - Não agora.

Hermione fechou os olhos e levantou os seios para ele, os mamilos duros exigindo atenção, que ele prontamente ofereceu apertando-os.

- Severus...

- Em breve, querida. Tão ansiosa, minha bruxa... - ele sorriu predatório, e ela gemeu fechando os olhos - Apenas quero esclarecer mais uma coisa, para ter certeza de que estamos na mesma página.

- O quê? - ela abriu os olhos para encará-lo, e ele viu o brilho castanho de suas iris nublados em luxúria.

- Nós não precisamos nomear ainda, se você não quiser. Mas eu gostaria de ter certeza de que estamos nessa... Juntos.

Hermione o analisou contemplativa por um momento. Então ela sorriu como uma ninfa da floresta, como se soubesse de segredos inacreditáveis dos quais ele não fazia ideia. Ela se aproximou e o beijou lentamente, com carinho e algo mais que ele não identificou pois nunca tinha provado. Mas tinha um sabor delicioso que lhe acelerou seu coração maltratado.

- Seu bruxo bobo. Estamos pelados na banheira, prestes ao segundo orgasmo da noite. Isso responde a sua pergunta?

- Na verdade, não. O que eu quero dizer... Eu não estou falando sobre sexo, Hermione. É só isso que você quer de mim?

- Não, Severus. Eu quero isso, claro, mas também quero mais tardes como a que passamos juntos em Hogsmead. Droga, eu quero ler toda sua coleção de livros enquanto passo as tardes esparramada na frente da sua lareira. Quero discutir teorias acadêmicas com você e todas as malditas coisas que não consigo pensar agora.

Severus apenas a observou, admirado com o que ela estava propondo. Ele pôde imaginar com impressionante nitidez todas as situações que Hermione disse e foi então que teve certeza de que estava apaixonado por ela e que dividir sua vida com aquela bruxa seria a completa e absoluta realização de um sonho que ele nunca mais se permitiu sonhar depois que perder Lily para Potter.

- Então nós estamos juntos? - ele perguntou num sussurro, temendo estragar o momento, temendo acabar com o feitiço que estava sobre ambos.

- Sim. Estamos juntos.

*****

Notas:

Em breve sai o último capítulo!
O que estão achando do nosso casal?

Confesso que achei o shipp estranho no início mas depois fiquei v.i.c.i.a.d.a em Sevmione!

Nosso morcegão querido merecia sobreviver e ser feliz vcs não acham?

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