¹ A VIÚVA NEGRA E O NOVO CASO
Colmar, Alsácia 1953
A gelada madrugada era banhada apenas pela luz da lua, enquanto esperava uma pessoa encostando numa árvore. Um carro de aluguel parou ganhando minha atenção, saí de onde estava observando o carro preto parado e ninguém sair de lá, de repente o carro seguiu seu rumo deixando-me com uma sensação estranha. Era para a pessoa que espero ter saído de dentro dele.
Senti uma mão sobre meu ombro esquerdo, e uma respiração próxima a meu ouvido.
— Desculpe a demora querido. — A voz sensual com um leve tom de frieza, fez meu corpo arrepiar, só restava saber se aquilo era bom ou não. — Tive que ser discreta, meus filhos ainda não devem saber que estou me encontrando com você detetive Min.
Seus lábios — que podia jurar estar pintandos com um batom vermelho carmesim —, se aproximou mais tocando suavemente minha orelha, enquanto sua voz me hipnotizava.
Havia me apaixonado pela viúva de um importante produtor de vinhos de toda a Alsácia, durante a investigação sobre a estranha morte de seu marido. Foi inevitável não me sentir atraído pela mulher de lábios fartos vermelhos, que possuía atrativos que enfeitiça qualquer homem.
Nosso romance já durava três semanas, durante essas semanas sentia que havia deveras encontrado a mulher ideal para mim, que me faria feliz, nunca havia me apaixonado de maneira tão avassaladora.
— Estava ansioso pela sua chegada. — Tentei virar-me, mas sua mão apertou meu ombro não permitindo.
— Nosso encontro será breve querido. Você sabe demais, se tornou um perigo. — Franzi o cenho não entendo o que quis dizer.
— Do que está falando?
— Subestimei você, pensei que poderia lhe domar, mas estava errada... Desculpe-me querido, mas essa é a única solução. — Senti algo ser injetado em meu pescoço, e sua mão se soltou de meu ombro se afastando.
— O que está fazendo Marie? — Indaguei retirando a seringa de meu pescoço jogando no chão.
— Yoongi você seria perfeito pra mim se não fosse tão astuto, e curioso. Se não tivesse se envolvido com o caso do meu falecido marido isso não estaria acontecendo. — Seu olhar estava completamente diferente, era um olhar assassino. Sua voz fria e feição de desdém me assustava.
— Marie... Você, não pode ser... — As peças do quebra cabeça havia se juntado, ela havia matado o marido, por isso tentou me convencer a esquecer o caso, ou passá-lo para outro detetive.
— Sim fui eu! Já que morrerás não tem porque esconder mais. — Um sorriso perverso surgiu em seus malditos lábios vermelhos. — Aquele maldito não me satisfazia como prometeu quando nos casamos, só pensava na vinícola, enquanto eu não podia ter meus desejos realizados.
— O matou apenas por causa disso? — Questionei sentindo meu corpo perder as forças.
— Sim, faria tudo novamente, não me arrependo nem um pouco em vê-lo me pedir ajuda, enquanto sufocava com a mesmo remédio que injetei em você. — Jogou os cabelos loiros para trás sorrindo perverso.
— Está maluca... Você cometeu um crime e deve pagar por ele.
— E quem me fará pagar por eles? Você? Faça-me o favor Yoongi, nesse instante você deve estar sentindo o corpo fraco, mas não sei como ainda está de pé.
— Não se livrará, pagará por tudo que fez pode apostar. — Cambaleei para trás e meu corpo foi ao chão, minhas vistas começaram a embaçadar e meus olhos pesaram; minha respiração falhava e desesperadamente buscava por ar.
— Ora, ora veja só, seu corpo enfim não está aguentando a alta dose de calmante que lhe foi injetado. — Agachou-se perto de mim assistindo meu desespero.
— Mal... Maldita...
— Não se esforce querido ou ficará ainda mais difícil respirar. — Sorriu mostrando os dentes brancos, se levantou ajeitando o casaco que cobria o vestido de saia rodada volumosa xadrez. Suas mãos estava coberta pelas luvas pretas, e o seu inseparável laço vermelho amarrado no pescoço.
— Marie seu destino... Será a cadeia... Passará um longo tempo lá. — Disse sentindo o efeito do calmante agir mais rapidamente e a falta de ar aumentar.
— Pobre Yoongi tenho pena de você, e dessa sua ingenuidade. Morra logo querido. — Acenou para mim, e naquele instante meus olhos se fecharam.
Acordei com a respiração ofegante suando frio, aquele sonho vinha me perturbando a um mês; aquela maldita mulher ainda me atormentava, não teria uma noite de paz?
Me levantei seguindo descalço para o banheiro vendo como meu semblante estava péssimo, minha barba estava por crescer, olheiras em volta dos olhos, e meu cabelo um pouco crescido.
Respirei fundo ligando a torneira da pia lavando o rosto pegando o aparelho de barbear afim de fazer a barba, contudo ao começar ouvi alguém bater na porta.
— Que diabos, quem está vindo me atormentar agora? — Joguei o aparelho de barbear dentro pia irritado indo atender.
Ao abrir a porta encontrei Oliver meu antigo parceiro com os braços cruzados encarando-me.
— O que foi? Nunca me viu? — Caminhei de volta para dentro o deixando lá.
— Você já foi mais receptivo Yoongi.
— É mesmo? — Entrei dentro do banheiro novamente, passando a espuma de barbear no rosto.
— Yoongi, vim pedir que volte atrás na decisão absurda de deixar a delegacia, para trabalhar como detetive particular. — Era a terceira vez que Oliver vinha a minha casa, tentando me convencer a voltar atrás na minha decisão desde que recebi alta do hospital.
— Já lhe respondi que não voltarei atrás, quero seguir como detetive particular.
— Estás realmente satisfeito resolvendo casos idiotas como traições, pequenos furtos e ficar seguindo filhos de homens importantes? Você possuí capacidade para resolver algo melhor, sabes disso. — Encarei Oliver pelo espelho.
— Acho que esqueceu de como falhei da última vez; quase perdi minha vida graças aquela maldita mulher. Não sirvo mais para trabalhar com vocês. — Disse convicto.
— Está bem, desisto de tentar convencê-lo, mas ajude seu antigo parceiro de trabalho nesse novo caso que está nos fazendo arrancar os cabelos. — O ignorei.
— Um sequestro aconteceu anteontem. — Parei de me barbear prestando atenção.
— Prossiga. — Disse encarando o aparelho de barbear em minha mão.
— Kim Seokjin foi sequestrado ao que tudo indica.
— Kim Seokjin? Por acaso seria o filho de uns dos grandes donos de indústrias têxteis de toda França? — Indaguei virando-me.
— O próprio, sua mãe esteve ontem na delegacia relatando o sumiço do filho. Segundo a Sra. Kim o filho sumiu há dois dias, depois de sair sem dizer para onde.
— Estranho... E por coincidência se não me engano, ele acabou de herdar a fortuna do pai, creio que vi algo sobre na televisão. — Coçei o lado da bochecha onde já havia feito a barba.
— Exato! Ele acabou de herdar tudo, e é coincidência demais ele ser sequestrado justo agora. — Pisquei algumas vezes até olhar novamente para Oliver.
— Mas é dever seu e da polícia investigar, e resolver este caso. — Tornei a virar-me, voltando a fazer a barba.
— Yoongi nos ajude, volte a trabalhar conosco.
— Você veio a mando de alguém certo? Do delegado?
— Como pode me conhecer tão bem, ao ponto de saber o que vim fazer em sua casa?! — Sorri.
— Trabalhar ao seu lado por sete anos, e pouco para você? Acho que lhe conheço melhor que sua própria esposa. — Oliver deu batidinhas em meu ombro, enquanto limpava meu rosto.
— Claro que não meu caro amigo. — Sorriu. — Já que você fez a barba, por que não passamos na barbearia para cortamos o cabelo, e de lá vamos a delegacia uh? — Olhei para ele pelo cantos dos olhos concordando.
🔍
— Yoongi finalmente você acordou meu amigo. — Olhei para Oliver assim que observei o lugar a minha volta.
— Onde estou?
— Você está no hospital, você se lembra o por quê? — Desviei meu olhar para a janela aberta, vendo as persianas claras se moverem com o vento.
— Vagamente.... Espere! Onde ela está? Vocês a pegaram? — Tentei me levantar, porém meu corpo doeu fazendo com que voltasse a deitar.
— Acalme se. Ela foi pega tentando fugir ontem, tudo vai dar certo parceiro. — Bateu de leve em meu ombro indo chamar a enfermeira.
— Espere! — Oliver parou se virando para mim. — Há quanto tempo estava desacordado?
— Dois dias, Marie quase lhe matou, sorte que você possuí vidas iguais as de gatos. —Sorriu abrindo a porta passando por ela.
— Yoongi, Yoongi...
— Hã? Você disse algo?
— No que estava pensando? Do nada você parou, se não tivesse olhado para trás, teria entrado sozinho na delegacia.
— Em nada. Vamos entrar logo, Louis detesta esperar.
Passamos pela recepção onde alguns antigos colegas de trabalho me olhavam torto, segui atrás de Oliver sem me importar. Oliver bateu na porta recebendo autorização para adentrar a sala.
— Finalmente deu as caras por aqui novamente Yoongi.
— Quase neguei o convite de vir vê-lo. — Sorri para o delegado que me olhava fixadamente.
— Não ficaria surpreso se negasse, sente-se. — Oliver e eu sentamos nas cadeiras de frente para Louis, vulgo o delegado.
— O que quer conversar comigo senhor?
— Já que está sendo direto, serei também. Pelo visto você não voltará a ser um membro dessa corporação; então que tal unirmos forças? — O senhor de meia idade com os cabelos partidos de lado indagou, encostando as costas no encosto da poltrona de couro preta.
— O senhor se refere ao caso Kim?
— Exatamente! Você pode trabalhar como detetive particular, mas poderemos unir forças para encontrar o paradeiro do jovem.
— Sinto muito, mas esse caso não veio parar em minhas mãos. — Olhei para o delegado que franziu o cenho.
— Como assim não foi parar em suas mãos? — Questionou Oliver. — Disse ontem a Sra. Kim que havia um excelente detetive particular, que poderia ajudá-la também a encontrar o filho, então lhe recomendei a ela.
— Ninguém me procurou ontem. E como não fui procurado pela Sra. Kim não posso ajudá-los, sinto muito. — Me levantei já de saída.
— Se caso a Sra Kim lhe procurar, entre em contato conosco Yoongi. Ter seu apoio nessa investigação será se suma importância. — Escutei o que Louis disse de costas para ele, e apenas afirmei com a cabeça me retirando.
Caminhei tranquilamente até minha casa, encontrando uma senhora e um homem todo de preto ao seu lado parados em frente a minha porta. Abri o pequeno portão de grade subindo os dois degraus ganhando a atenção dos dois quando limpei a garganta.
— Com licença, em que posso ajudá-los?
— O senhor por acaso é o detetive Min Yoongi? — Analisei a senhora a minha frente vendo sua aparência fina e elegante de olhos puxados, mostrando sua descendência asiática assim como a minha — deveria ser a tal Sra. Kim.
— Sim, sou eu mesmo.
— Será que podemos conversar por um instante? É sobre algo muito delicado e de extrema urgência.
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— Então a senhora está a procura de seu filho e quer contratar meus serviços? — Observei a senhora que colocou a xícara de café sobre a mesa, afirmando.
— Um dos policiais recomendou seus serviços, disse que é um excelente detetive e que poderia me ajudar muito. — A Sra. Kim pegou minhas mãos segurando firme, com os olhos chorosos. — Por favor detetive Min, aceite trabalhar para mim, ajude-me a encontrar meu precioso filho.
Suspirei olhando para a senhora que continha os olhos um pouco fundos, e inchados provavelmente de tanto chorar; era praticamente impossível negar este caso, tanto pelo pagamento quanto pela importância, mas não me refiro ser importante por causa da posição social da família Kim, e sim pelo a importância de uma mãe em achar seu filho e tê-lo ao seu lado novamente.
— Está bem, eu aceito o caso! Pode contar comigo Sra. Kim, farei de tudo para encontrar seu filho e trazê-lo são e salvo.
Então o que acharam? Tiveram uma boa impressão? É minha primeira vez escrevendo algo sobre, e confesso que estou insegura, mas espero que dê tudo certo. 🔍( ◜‿◝ )♡
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