Capítulo 8 - Você não é o meu cavaleiro de armadura reluzente

A foto tinha sido tirada por alguém que estava infiltrada no vestiário feminino. Eu estava sentada de perna aberta enquanto ajeitava o cadarço do meu tênis. Uma parte de minha calcinha aparecia, e as pessoas apontavam para mim e riam. Tive vontade de jogar o telefone na cara do primeiro engraçadinho que aparecesse, mas meus pais não me dariam outro então precisei controlar os meus instintos.

— Lola, você está bem? — Dan trazia no rosto um olhar preocupado. Claro que ele também tinha recebido a mensagem. Isabel estava ao seu lado, parecendo um cachorrinho obediente.

— Sai da minha frente. — Empurrei Dan para o lado e esbarrei no ombro de Isabel quando passei, furiosa, para o bar onde alguns jovens ainda faziam baderna. Enchi dois copos de tequila e os bebi praticamente de uma vez só, sob os gritinhos das pessoas ao meu redor. Dan me observava do outro lado da festa como se estivesse preocupado comigo. Ele que enfiasse a preocupação dele no rabo!

Estaquei no meio do caminho ao ver Wanessa aos beijos com uma garota num canto afastado. A garota e ela se agarravam uma a outra com fervor, enquanto Jonathan observava a cena como se deliciasse.

Meu celular vibrou novamente, e eu tive medo de olhar para ele e ver que tinham tirado alguma foto minha pelada. Para a minha sorte, era a Bubblegum Bitch, indo ao meu favor mais uma vez.

"Kaitlin tem muitas seguidoras que querem uma vaga no time das líderes de torcida. Quem tirou a sua foto é obcecada pela Kait, e guarda outras fotos mais comprometedoras que a sua em seu celular. Ela está de bota marrom e um vestido verde e feio. Boa sorte!"

Bubblegum Bitch

Bebi mais uma dose de tequila, e senti a minha cabeça bambear. Sacudi a cabeça para espantar aquela sensação e caminhei de forma decidida pela festa. Aquela desgraçada ia me pagar!

Não demorei muito para encontrar o meu alvo. A tal garota estava escorada em um canto da festa, mexendo no celular. Seu vestido era de um verde musgo e feio, e era tão largo que não valorizava seu corpo. As botas marrons também não combinaram, e seu cabelo já tinha visto dias melhores. A Kaitlin nunca a colocaria no time das líderes de torcida, não importa quantas fotos essa garota tire. E, levando em conta o que estou prestes a fazer, ela não conseguirá nada da Kaitlin e nem de ninguém.

Parei em sua frente e abri um sorriso lento e indolente. Ela levantou a cabeça e ficou pálida quando me viu.

— Nós precisamos conversar. — Eu disse, puxando-a pelo braço comigo até o banheiro. Tranquei a porta atrás de mim e a empurrei. Ela se desequilibrou e caiu no chão.

Peguei o celular que estava em sua mão e coloquei seu dedo polegar em cima para ativar o desbloqueio por digital. A garota choramingou.

— Por favor, não faça nada comigo!

Abri um sorriso predatório para a garota.

— Ah, nada é a última coisa que eu farei com você.

Vasculhei a galeria de fotos de seu telefone e me espantei com a quantidade de fotos comprometedoras que aquela garota tirava. Eram fotos minhas, de Wanessa e outras integrantes do time, ou até outras garotas do colégio que não eram populares, mas que eram bonitas. Fotos aleatórias de cada uma comendo, se trocando, dançando ou até mesmo tomando banho.

Ao olhar para o rosto da menina amedrontada no chão, eu lembrei que a conhecia. Ela fazia parte dos fotógrafos oficiais do colégio, mas por algum motivo que não me lembro bem, ela foi expulsa do serviço. Agora, ela tirava fotos como uma stalker das garotas.

Nancy o nome dela.

Achei uma foto de Kaitlin pior do que a minha. Ela estava com as pernas arreganhadas dentro do banheiro feminino, enquanto tirava uma selfie de si mesma. Seminua. Como a garota conseguiu tirar aquela foto eu não sei, só sei que ela era perfeita para a minha vingança.

Enviei a foto para todos os remetentes, não sem antes enviar todas aquelas fotos para mim. Se ela não as apagasse, eu faria questão de denuncia-la para a diretora Duchanes.

— Que coisa feia ficar tirando foto das garotas sem que elas saibam, Nancy. — debochei da garota, aproveitando-me de seu desespero. Ela me encarava com os olhos arregalados.

— O que você fez?

— Eu só retribuí o que a Kaitlin me fez, mais nada. — Dei de ombros, ainda segurando o celular da garota. Minha expressão estava calma e contida, mas eu sabia que o inferno reinava lá fora com as pessoas recebendo a mensagem com a foto de Kaitlin.

— Mas...

— Espero que você apague todas as fotos, do contrário, eu tenho um dossiê em meu celular que irá parar nas mãos da nossa querida Duchanes.

— Por favor, não...

Me abaixei para ficar na altura do seu rosto. Lágrimas estavam espalhadas pelo rosto da garota, e ela tremia.

— Ah, a Kaitlin não te deixaria entrar no time das líderes de torcida nem que você nascesse de novo. — Eu disse, me levantando com um sorriso de gelar a espinha de Nancy. Joguei o celular dela na privada e dei a descarga, enquanto a garota gritava.

— Ops, eu fiz de novo. Sinto muito. Na verdade, eu não sinto nada. Nos vemos na escola. — Abri um sorriso sarcástico e dei um tchauzinho, fingindo que me lamentava.

Caminhei para fora do banheiro me sentindo triunfante. Kaitlin já se descabelava enquanto as pessoas encaravam seus celulares com risos no rosto. A loira me encarou como se soubesse que eu tinha feito aquilo. Dei uma piscadela e um sorriso vitorioso para a vaca, e me servi de mais uma bebida.

Me joguei na pista de dança com todo o álcool que já habitava o meu sangue. Toda a hora eu enchia meu copo de mais vodka, tequila ou cerveja. Eu não pretendia parar tão cedo, só queria aproveitar a minha vitória e esquecer o Dan e a Isabel.

Eu dançava sozinha no meio das pessoas, sem me importar com o que pensavam. A maioria já estava tão ou mais bêbada do que eu, então não fazia sentido me preocupar com nada agora.

Após vários e vários shots de tequila, eu me senti zonza e cambaleei para fora da pista de dança. Minha visão ficou turva, e eu me apoiei de forma precária na bancada do bar que já se encontrava vazio e num estado deplorável.

Eu senti que tudo sumia, inclusive o chão, mas antes que eu sequer caísse, mãos envolveram a minha cintura.

— Noite difícil, Lolita? — Isso já estava virando perseguição. Encontrar Jason Fitzpatrick duas vezes no mesmo dia era demais para mim. Ele sorriu de um jeito bonito, e eu fiquei encarando seu rosto que nem uma boba.

— Ano difícil. — respondi simplesmente, enquanto me ajeitava no banco. Jason se sentou ao meu lado.

— O ano mal começou e já está difícil assim para a princesinha do Elite High School? — Jason levantou uma das sobrancelhas para mim, e eu me surpreendi com o seu sarcasmo repentino.

— Você não sabe nada sobre mim.

— Sei que os seus problemas são só os que você mesma cria.

Essa doeu. Minha visão turvou de novo, e eu não soube como consegui responder sem vomitar meu fígado para fora.

— Nossa, onde foi parar o Jason simpático que sempre me cumprimenta, mesmo que eu faça questão de fingir que não existe?

— Não sei, vai ver ele cansou de ser esnobado. — Ele deu de ombros, encarando um ponto fixo em sua frente.

— Cadê os seus amigos? Não quiseram vir para a festinha?

Jason tem dois melhores amigos. Uma garota loira e rabugenta chamada Natasha Brenson e um garoto nerd que eu sempre colo em Álgebra II. Acho que o nome dele é Franklyn Delavigne. Agora não me pergunte porque eu sei o nome deles.

Jason é popular na escola, mas não de um jeito bom. Ele tem fama de briguento, e alguns dizem que ele faz parte de uma gangue. Seus amigos levam a má fama, apesar de Natasha realmente ser briguenta. Soube que ela já tirou sangue de uma garota que falou mal da mãe dela. Não a julgo, eu teria feito o mesmo.

— Eles já foram embora. Uns idiotas expulsaram eles. — Jason disse, a contragosto.

— E você não foi dar apoio moral aos seus amigos?

— Eu ia, mas uma garota estava prestes a desmaiar então decidi ficar. — disse Jason, me fazendo rir. — Os caras dessa festa não são muito confiáveis.

Encarei Jason, e não sei se foi o efeito da bebida, mas eu o achei lindo. Ele era perigoso, o tipo de cara que as pessoas curtem se apaixonar só por causa da rebeldia, mas eu não era assim. E definitivamente não estava apaixonada.

— Obrigada por isso.

Eu sorri de um jeito sincero para Jason, e ele retribuiu de um jeito meio surpreso. Acho que essa foi a primeira vez que eu dei um sorriso que não fosse sarcástico.

— Se afasta dela! — rosnou Dan, parado a poucos metros de distância de nós. Ele olhava para Jason de um jeito que me deixou assustada.

Jason se levantou do banco e se aproximou tanto de Dan que parecia até que eles iam se beijar. Me enfiei no meio dos dois, tropeçando nas próprias pernas por causa do álcool.

— Está tudo bem, Dan. — eu disse, mesmo que eu soubesse que não preciso dar satisfações nenhuma a ele — Nós só estávamos conversando.

— Achei que não gostasse do Jason. — Dan respondeu sem deixar de encarar Jason por um segundo sequer. Este último pareceu decepcionado e se afastou, caminhando em direção à saída.

— Eu vou nessa.

— Você acha que é meu dono por acaso? — indaguei, tocando seu peito com o dedo indicador. Dan foi dando passos para a frente enquanto eu recuava, desajeitada.

— Vou te levar para casa. Você extrapolou na bebida! Você e a Wanessa. Jonathan está vindo com ela. A festa acabou para vocês.

— Não sei porque está tão preocupado! — esbravejei, sentindo que iria explodir de raiva a qualquer momento — Eu não te entendo como a Isabel entende!

Dan me encarou de modo perplexo.

— Você ouviu a nossa conversa?

Se eu estivesse sóbria, teria me batido por ter cometido aquela gafe. Porém, eu estava embriagada, irritada e decepcionada, então simplesmente não liguei para nada disso.

— Eu estava no quarto da Kaitlin, e vocês entraram! Você simplesmente ignorou a minha existência durante a festa, e agora quer dar uma de cavaleiro de armadura reluzente? Pois eu tenho uma triste notícia para você, Dan. VOCÊ NÃO É MEU CAVALEIRO DE ARMADURA RELUZENTE, ENTENDEU? E DEFINITIVAMENTE NÃO PRECISO DE UM!

Quando eu percebi, Dan tinha me encurralado em uma parede no canto da casa. Nós estávamos tão próximos um do outro e tão descontrolados pela raiva, que só percebemos a nossa proximidade quando a única coisa que nos separava era uma fina camada de ar. Aquele momento de sobriedade me apareceu, e Dan fez a última coisa que eu achei que faria.

Ele me beijou.


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