Cap. 91

Autora P.O.V.

Em um dia que estava chovendo em San Diego, Elena estava observando a cidade da janela, pensando como estaria a vida de todos que amava; se eles ainda sentiam sua falta. Mal sabia ela que, depois de estar meses em outra cidade, seu amado estava pedindo em namoro outra garota. Ele não tinha culpa de estar persistindo em seguir em frente.

A porta do apartamento é aberta, assustando a menina, que se sobressalta e encara aqueles olhos escuros e as gotas d'água que caíam do seu corpo até tocar o carpete. Ela franze a testa e o examina, percebendo que está ensaguentado em várias partes do corpo e cambaleia, como se estivesse completamente bêbado. E ele estava.

Elena: Dylan...? - chama-o, vendo o mesmo sentar-se no sofá. - O que houve? - questiona, preocupada.

Ele era seu sequestrador, que estragou sua vida e a tirou de outras pessoas, mas conforme o tempo que conviveu ao seu lado, aprendeu a auxilia-lo no que pudesse. Era como uma troca de favores, ele cuidava dela, já que não tinha outra opção e ela fazia o mesmo, já que não tinha planos de morrer tão cedo com um bebê dentro do útero.

Elena: Você está cheirando a cachaça. - chia enojada, fazendo careta pelo odor.

Dylan: Você é uma pessoa boa, sabia? - balbuciou, com o olhar triste. - Não merece tudo isso que está passando. - lamenta-se.

Elena: Ahn... Você precisa de um banho. Venha. - sua mão o segura e carrega até o banheiro. - Tem que me ajudar agora, tá' bom? Precisa esforçar-se e tirar toda essa roupa e, entrar embaixo do chuveiro, entendeu?

Dylan: Acho que não... - murmura.

Elena: Vou explicar de novo... - soa calma e paciente.

Dylan: Acho que não quero mais mantê-la aprisionada aqui, Elena... - conclui a frase, deixando a garota pasma.

Elena: Do que você está falando? - junta as sobrancelhas.

Dylan: Quero que saía daqui, que seja feliz, que volte a ter sua vida boa de novo, antes de todo o desastre acontecer. Sacou?! Você precisa ir embora. - exclama, decidido.

Elena: Não pode estar falando sério. - nega com a cabeça, incrédula. - Por que me deixaria partir, com livre e espontânea vontade? - indaga, prestes a chorar de desespero.

Dylan: Porque é o certo, querida. Você tem que sair daqui e criar seu filho junto da sua família. - decreta. - Vem comigo.

Ele a puxa até o quarto, aonde havia uma grande mala trancada com dois cadeados. O mesmo a abre e os olhos esverdeados da menina se deslumbram ao avistar tantas notas de dinheiro, junto com passaportes falsificados e roupas. Ela troca olhares com ele, se perguntando que loucura estaria fazendo e se não era somente efeito do álcool.

Dylan: Tome, leve dinheiro, roupas, compre passagens e volte para Califórnia. - estende em suas mãos.

Elena: Eu não posso... - choraminga.

Ela queria retornar, mas havia perdido as esperanças que isso fosse acontecer que aprendeu a viver na rotina que tinha adquerido, mesmo não sendo uma das melhores. Agora seu medo era ser rejeitada ao voltar, pois tinha medo que tudo tivesse mudado em tão pouco tempo e que não fosse mais nada que antes e pior; que não tivesse reversão.

Batidas são ouvidas da porta do apartamento, bruscas e desferidas com ferocidade, fazendo ambos se assustarem. Algo estava errado e eles pressentiam isso. Dylan juntou tudo dentro de uma mochila e entregou para Elena, levando-a até a varanda do quarto, onde havia uma escada de emergência.

Dylan: Você tem que ir, não quero que nada de ruim aconteça contigo e sua criança. - declarou.

Elena: Mas, o que está haven... - sua voz é interrompida por um barulho estrondoso, que ecoa da parte principal do cômodo.

Dylan: Anda, vai! - alerta e adentra o quarto novamente.

Ela ainda permaneceu observando o que estava acontecendo, percebendo que dois homens altos, de ombros largos, usando sobretudo e com armamento de fogo estavam invadindo o lugar que usavam como moradia. Eles queriam machucar Dylan. O anseio de ajudá-lo preencheu o peito da garota, que correu até a recepção e ligou para a polícia.

Em seguida, buscou por um táxi e foi em direção ao aeroporto, vendo de longe a silhueta dos caras sendo levados para a viatura, mas nenhum sinal do rapaz que tinha a salvado. Durante o voo de volta ela chorou tanto, como há semanas pensou que não choraria mais, sentindo alívio e segurança de novo.

Assim que chegou na cidade, seguiu rapidamente para o primeiro endereço que lembrou-se, encontrando seu amado com outra pessoa, que parecia não ter gostado de vê-la. Mas ela conhecia aquela menina. Todos estavam pasmos com sua aparição, pois acreditaram na história mal contada de Dylan que ela estava morta, só que ali estava ela: viva.

Sabemos o que aconteceu depois: Formatura, discórdias, tentativa de morte, reconciliação, nascimento da Aurora, depressão pós parto, alerta de perigo de alguém desconhecido e tentativa de fuga.

Jhonatan: Vamos, Elena! Me diga, o que está fazendo? - indaga novamente, aproximando-se da garota, que terminava de fechar a mala.

Elena: Nós precisamos sair daqui, o mais rápido possível, entendeu? Não posso te dar muitas explicações agora, mas você precisa confiar em mim. - diz, cautelosa.

Jhonatan: Você está me deixando preocupado. O que houve quando saiu com a Aurora? - arquea a sobrancelha.

Elena: Um homem veio falar comigo, dizendo que querem me manter distante de você e que vão fazer de tudo para conseguir tal coisa. - explica, rapidamente. - Me escuta, temos que nos manter seguros, senão ele ou algum subordinado virá atrás de nós.

Jhonatan: Ele quem, Elena? - franze a testa.

Elena: Como ainda não percebeu quem está por trás de tudo isso? Você é tapado ou o que? - esbraveja, impaciente.

Jhonatan: Do que você está falando?

Elena: Da droga do seu pai! - exalta-se. - Ele mandou me sequestrar, seu idiota! Ele queria nos matar antes e, queria fazer a mesma coisa quando sumi, mas o Dylan não deixou...

Jhonatan: Dylan? Aquele cretino que contratei para procurar pistas sobre você e forjou sua morte? - perguntou, ríspido.

Elena: Sim, ele mesmo! Foi ele que me deixou sair do cativeiro que estávamos em San Diego, pois dois homens mandados pelo Thiago queriam matá-lo, por não conseguir cumprir a ordem de me matar por ter um filho seu. - justifica.

Jhonatan: E agora ele quer vir atrás da gente?

Elena: Não o Dylan, outras pessoas. Não sei o que aconteceu com ele, se está vivo ou morto, mas mandou um parceiro para me avisar que estamos correndo perigo. - exclama, eufórica.

Jhonatan: Ok... Então, o que faremos?

O celular de Jhonatan começa a tocar no bolso da calça, mas como estava segurando Aurora no colo, Elena apanha o aparelho para atender. Era um número privado e isso a fez ficar com certo receio. Deslizou o dedo pela tela e iniciou a ligação, com quem quer que seja.

|Ligação on|

- Alô? - diz, ouvindo apenas uma respiração descompassada.

- Ele está vindo... Ele está... Corram! - informa uma voz, conhecida, mas que não soube de quem era.

- Quem é você? - interroga.

- Dylan... Corre! - grita a voz feminina. - Vocês também tem que se salvar, rápido!

- Gabriella, não! - um disparo de arma ecoa e a ligação termina.

|Ligação off|

Jhonatan: Elena... Quem era? - pergunta, vendo a expressão estagnada da namorada.

Elena: E-Era... A Gabriella... - declara, trêmula.

Jhonatan: Ela está viva? - pergunta, descrente.

Elena: Estava... - engole em seco. - Temos que ir, agora. - decreta e apanha os pertences, saindo as pressas da residência.

•••

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