Cap. 86

Elena P.O.V. 

A casa estava lotada de convidados, tanto parentes quanto conhecidos. A maioria não fazia ideia de quem era e cumprimentava por educação. Alguns declarou me conhecer desde pequena, como se minha mente lembrasse, e se surpreendeu com o tamanho da minha barriga. 

Estava na cozinha, ajudando minha mãe a preparar os petiscos que serviríamos antes do jantar. Minhas cunhadas também estavam no cômodo, nos socorrendo no que pudessem. Meu pai entrou e pegou uma bandeja com salgadinhos, se dirigindo a sala de estar novamente. 

Eu: Só eu acho que tem muita gente neste lugar? - indago. 

Bianca: Não. - nega, sorrindo. - Há parentes nossos também, que quiseram comparecer para conhecer os nossos homens. - declarou. 

Glória: Gostei da ideia quando soube, mas não sabia que seria tantos assim. Estão ocupando o espaço inteiro. - ressaltou. 

Beatriz: Perdão. - disse, enquanto segurava seu filho nos braços. - Também pensamos ser poucos. 

Renato: Céus, esse pessoal está devorando a comida. - exclamou, ao adentrar o ambiente outra vez. - Não vamos dar conta desse jeito. 

Glória: Vamos sim! Não se preocupe. - disse, convicta. 

Ele suspirou e apanhou outra bandeja que havia saído do forno, e levou aos convidados. Estava exausta de permanecer em pé e parecia cada vez mais piorar, minha barriga parecia pesar a cada segundo. Isso me deixava com dor nas costas. 

Beatriz: Você está bem? - questionou à mim. 

Eu: Estou, é só cansaço. - digo, singela. 

Glória: Senta um pouco, filha. - sugeriu. - Bianca termina de me amparar. 

Assenti e caminhei até as cadeiras em volta da mesa, mas parei na metade do caminho, pois senti um incômodo estranho e doloroso. As mulheres me olharam confusas, esperando qualquer reação de que estava tudo certo. Só que no instante seguinte senti minha calcinha molhar. 

Bianca: Ela fez xixi? - perguntou, inocentemente. 

Beatriz: Claro que não, tapada! A bolsa rompeu... O bebê vai nascer. - soou naturalmente. 

Glória: Droga! Vou chamar seu pai para levá-la ao hospital. - exclamou e saiu dali. 

Parecia que estava tudo tranquilo, mas não chegava perto disso. Minha barriga doía. Era uma dor quase insuportável, e com isso Bianca me auxiliou a sentar. Em questão de segundos pude ver meu namorado adentrar a cozinha eufórica e com um semblante preocupado. 

Jhonatan: Amor, como você está? 

Minha vontade era de socá-lo por perguntar algo tão estúpido, mas me contive ao tentar manter o controle da respiração. Meu estado não era um dos melhores, então era nítido que não estava bem. 

Beatriz: Ela vai dar à luz nesse lugar, se você não levá-la ao hospital imediatamente. - interveio, autoritária. 

Renato: Vou ligar o carro. - prontificou-se ao sair daquele lugar. 

O rapaz me ergueu e me levou ao veículo do lado de fora, evitando passar pela aglomeração na sala que perguntaria o que estava ocorrendo. Entramos no banco traseiro e meu pai dirigiu até o hospital, enquanto o garoto tentava mais se acalmar do que me acalmar. 

Saltamos do carro e fomos até a recepção, que estava quase vazia devido a véspera de natal. Uma enfermeira apareceu e olhou meu estado deplorável, arregalando os olhos em seguida. 

Renato: Precisa ajudar minha filha! Ela está grávida e o bebê vai nascer! - implorou, desesperado. 

Enfermeira: Acalme-se, senhor. Vou pegar uma maca para ela e a levaremos a sala de cirurgia. - orientou sutilmente. 

Ela surgiu com mais dois enfermeiros, que me colocaram no lugar confortável, que não importava tanto quanto as contrações ainda sentidos fortemente. Adentramos uma sala de parede e teto branco, que quase me cegou com a luz na cara de um dos aparelhos. 

Escutava eles conversarem sobre os primeiros procedimentos, mas não entendia pois gritava de dor que ninguém parecia ouvir. Meu namorado apareceu ao meu lado e segurou minha mão, dizendo que tudo ficaria bem. 

Enfermeiro: Moça, vamos lá! Preciso que nos ajude, tá bom? Você tem que fazer força, senão o bebê não saí. Será que consegue? 

Afirmo com a cabeça, porque não conseguia dizer nada. Então começo a fazer o que haviam me pedido, forçando para que meu filho (a) saía de dentro de mim. A dor era grande, pior que a outra que sentia minutos atrás. Rugia dentro da sala, ecoando por toda parte. 

Jhonatan: Força, amor! Você consegue! - murmura no meu ouvido e aperto sua mão. 

Uma... Duas... Três... Sete tentativas e a dor não diminuía. 

Enfermeiro: Vamos, com mais força! - exclamou. 

Minhas forças estavam se esgotando e quase não conseguia empurrar o bebê para fora do meu útero. Respiro fundo, enquanto sinto o suor frio escorrer pela minha testa. Aquele vestido já me incomodava e queria tirá-lo a todo custo. 

Uma... Duas... Três... Cinco tentativas e um choro preenche o ambiente. 

Sinto-me aliviada e relaxo sobre a cama, podendo repôr minhas energias. Olho para o lado e vejo um sorriso emocionado se alastrar pelo rosto do rapaz, que solta minha mão e caminha lentamente até o enfermeiro. 

Jhonatan: Céus, é uma menina, amor! - diz, derramando lágrimas de emoção. 

Sorrio fraco, enquanto observo ele segurar nossa filha, tomando todo cuidado do mundo para não machucá-la ou derrubá-la. Caso ele fizesse isso, podia se considerar um homem morto. 

Minhas pálpebras pesam e o sono me domina, tento manter-me acordada mas é quase impossível. Havia algo de errado, sentia isso e as máquinas com fios ligados à mim informavam também. 

O garoto me olhou rapidamente, com as órbitas brilhando e seu semblante feliz sumiu. Seus lábios mexiam na tentativa de me chamar, só que não escutava mais sua voz e me entregava mais ao sono profundo que me abrangia. 

Os enfermeiros tentaram me reanimar, mesmo ainda percebendo os movimentos ao meu redor. Será que esse era um bom momento para pensar que todos estariam bem sem minha presença? Ele cuidaria dela, estava ciente disso e não precisaria tanto da minha presença; uma parte de mim ficaria ali para fazer companhia. 

É, esse é um ótimo plano... E Jhonatan... Ainda vou amá-lo. 

Espero que ame também Aurora. 

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