Cap. 27
Elena P.O.V.
As horas passaram, Jhonatan continuou em meu apartamento. Como a chuva havia aumentado, não deixei que ele fosse embora. No começo, ele pensou que estava preocupada, mas era só a questão de saber que as pistas estariam molhadas e ele podia sofrer um acidente.
~ de um jeito ou de outro, isso ainda é se preocupar com ele.
- vai dormir, cons.
Jhonatan: Acho melhor ir embora, a chuva já deve ter diminuido. - disse ao levantar-se do sofá.
Eu: Ér... Tudo bem. - sorri em desanimo, talvez me sentisse abalada por ele querer ir embora... Não! Eu odeio o Jhonatan!
Levantei para poder levar ele até a porta. Sentia o olhar dele sobre mim em cada movimento, isso era um pouco estranho. Girei a maçaneta, e antes de puxá-la, encarei o chão, sentindo um desconforto.
Jhonatan: Elena? - me chamou suavemente. - Está tudo bem? - sua mão pousou sobre meu ombro esquerdo.
De repente um arrepio seguido de um frio na barriga, percorreu meu corpo inteiro. Era estranho, mas inevitável sentir essas sensações com o seu toque em mim.
Eu: É... Está sim. - balancei a cabeça e me virei para olhá-lo. - Você tem que ir, certo?
Ao indaguar isso, mordi o lábio inferior, criei esperanças de que ele dissesse que não, já que era uma possibilidade por ele dizer que talvez gostasse de mim.
Jhonatan: Já está tarde...
- mas você pode dormir aqui, não me incomodaria em nada, absolutamente nada.
Jhonatan: Amanhã temos que ir para o colégio...
- podemos faltar, um dia não vai fazer diferença.
Jhonatan: E meu pai provavelmente chega hoje de viagem com a Judete. - coçou a nuca.
- droga! Esqueci que Judete iria chegar hoje, só que mais tarde. Seria estranho caso ela chegasse e visse Jhonatan dormindo aqui. Não quero nem pensar o que ela acharia da situação.
Eu: Bom... Então... Tchau. - sorri fraco e abri a porta para ele.
O mesmo passou por mim e parou, virou-se e me encarou por breves segundos, que parecia mais minutos ou talvez horas.
Jhonatan: Então, tchau né. Nos vemos amanhã na escola. - disse e colocou as mãos no bolso.
Eu: É, nos vemos amanhã.
Jhonatan fez uma meia volta e deu um passo, em seguida olhou para mim novamente, parecia que ia dizer mais alguma coisa.
Jhonatan: Ah... Posso te pedir um favor?
- ele me pedindo um favor? Isso tá estranho. O que será?
Eu: Claro. - assenti.
Jhonatan: Sobre o que houve esse final de semana... Não conte pra ninguém, por favor, tá? Sabe como é, pegaria mal pra mim.
- O QUE?! Ele só pode estar de zoação com a minha cara! Depois de duvidar sobre seus sentimentos por mim, ele vem com isso? Mais que raiva!
Eu: Tá, Jhonatan, sei que sua popularidade é mais importante do que qualquer outra coisa. - cruzei os braços.
Jhonatan: O que? Está com raiva de mim agora? Pensou que era tudo verdade? - sorriu debochado.
- AH! COMO ODEIO ESSE IDIOTA! COMO PUDE SER TÃO BURRA A PONTO DE ACREDITAR, O MÍNIMO QUE FOSSE, QUE ELE ESTARIA GOSTANDO DE MIM, OU QUE EU ESTIVESSE TENDO QUALQUER OUTRO SENTIMENTO POR ELE?! AH, EU SOU UMA TOLA! NÓS NOS ODIAMOS, E ASSIM SEMPRE VAI SER, SEMPRE!
Eu: Me poupe, né. - essa foi minha vez de sorrir debochada. - A gente se odeia, ou seja, eu odeio você, Jhonatan, com toda as minhas forças, e assim sempre, sempre - enfatizei o "sempre". - vai ser. Tudo não passou de um mero esquecimento. Esquecemos que nos odiavamos e talvez podessémos ter outro tipo de sentimento um pelo outro, mas desencana, isso nunca vai acontecer.
Terminei de dizer e fechei a porta na sua cara. Realmente havia sido tola o suficiente para acreditar que ele pudesse mudar. Francamente, uma coisa impossível isso seria, Jhonatan se preocupa demais consigo mesmo para pensar nos outros, coloca sua popularidade acima de qualquer coisa ou pessoa. Jamais ele se tornara outro, jamais!
[...]
Acordei ouvindo um barulho de porta se abrindo, esfreguei meus olhos ainda sonolenta e olhei no visor do relógio, era quase cinco horas da manhã, poderia ser um assalto. Levantei da cama cautelosamente, se fosse um bandido pelo menos ele não me ouviria, ou pelo menos essa era a minha intenção. Peguei um sprey de pimenta que Judete me obrigou a carregar comigo sempre, em qualquer circunstância. Abri a porta devagar e desci as escadas da mesma maneira.
Ao chegar na ala central, no sofá da sala de estar vi alguém debruçada com a cabeça baixa. Me parecia alguém familiar. Acendi a luz e a pessoa logo me olhou. Não sabia quem estava mais assustada, eu por achar que era um ladrão, ou ela por me ver.
Judete: Te acordei? - me olhou com seus belos e lindos olhos esverdeados, que agora tinham um leve tom avermelhado.
Eu: Digamos que sim. Pensei que fosse um assalto ou algo do tipo, esqueci que você chegaria de madrugada. - soltei um suspiro aliviada.
Judete: Pelo menos fez certo em descer cautelosamente e armada com o sprey que lhe dei. - sorriu fraco para mim.
Eu: Obrigada. - sorri de volta e coloquei a lata sobre a mesa de centro. - Então, porque ainda não subiu? - cruzei os braços.
Judete: Ah... É que... Estava descansando um pouco.
Como conhecia Judete há muitos anos, sabia quando minha melhor amiga estava mentindo, e essa era uma das ocasições.
Eu: Te conheço Judete... - arqueei a sombrancelha. - Se estivesse tão cansada mesmo, provavelmente subiria até seu quarto, tomaria um banho relaxante e logo após deitaria e dormiria.
A mesma soltou um riso pelo nariz:
Judete: Quando foi que se tornou tão observadora assim?
Eu: Quando virei agente do FBI. Agora me conta, o que houve? - me aproximei mais dela e me sentei ao seu lado no sofá. - O que ocorreu nessa tal "viagem de negócios"?
Judete abaixou o olhar, fitou o chão por longos segundos, parecia pensar se me contava ou não.
- será que houve algo grave nessa viagem?
Eu: Anda, Judete, está me deixando agoniada. O que foi que houve? Fala logo, muié! - me exaltei.
Ela deu um longo suspiro:
Judete: É que... Como posso lhe dizer uma coisa dessas? Bom.... É que... O Thiago e eu... - a interrompi.
Eu: O que tem vocês dois? Está tudo bem?
Judete: É que a gente... A gente terminou, Elena.
Arregalei os olhos ao ouvir aquilo.
- como isso pode ter acontecido? Eles tem um caso há mais de um ano, Thiago já estava providenciando o divórcio com a Diane, dizia que amava a Judete, assim como sei que ela ama ele. Então... Como? Por que?
Judete me olhou após falar aquilo, viu minha expressão de surpresa, mas confesso que a sua era pior, seus olhos estavam lacrimejando e, ao mesmo tempo, demonstravam tristeza. Sabia que ela estava sendo forte naquele momento, estava tentando não chorar por uma coisa fútil, que na verdade para ela, era a coisa mais importante do mundo.
Eu: Ju... Eu... Eu sinto muito, sei o quanto isso doí, não precisa ser forte agora, não hoje, pode desabafar, somos amigas, lembra? - sorri como modo de tranquiliza-la.
Ela então deu um sorriso forçado, suspirou uma, duas, três vezes tentando manter a calma, mas assim que a primeira lágrima escorreu por sua bochecha, era como se ela voltasse a ser criança e acabara de ralar o joelho brincando, mas na verdade, ela acabara de ter seu coração despedaçado.
•••
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