Capítulo XXX
Arlinda tinha íris preto meio azulados, meio cinzentos, fulgentes. Eram como as de um gato da sorte japonês. Não dava para ver suas pupilas. Seu nariz era bem longo e triangular, como o de um desenho animado, e seus lábios, ínfimos e naturalmente crispados, mantinham-se em uma linha digna. Possuía uma crina curta e lambida, descendo até ultrapassar sua mandíbula na parte frontal e ficando batida em sua nunca. Cobria parte de sua face.
Ela era como uma velhinha com frio, bem encolhidinha, olhando para baixo e brincado com os dedos calosos. Dedos calosos eram sempre um bom sinal, eram sinônimo de esforço. Era bastante insegura, dava para ver. De vez em quando, seus olhos vagavam freneticamente de um lado para outro, como se quisesse atravessar uma rua movimentada. Nunca fitava Isabella nos olhos. Gaguejava demais e engolia as palavras tal qual uma criança. Isso não abalou Sua Alteza.
- O que tem achado da festa, senhorita Lucien?
- É... é.... hã... b-bem.. – Demorou algumas cacofonias de hã's e bem's para que ela pudesse elaborar uma sentença sucinta. – N-normal, acho.
- O que é normal, acho? – inquiriu, querendo extrair mais do que uma resposta política dela.
- N-não faz meu estilo... – Outra resposta política, mas pelo menos com essa dava para saber que não era de seu agrado.
- E qual é o seu estilo?
Arlinda franziu os lábios, era incrível como sua boca desaparecia quando fazia isso. – A-algo mais calmo, s-suponho.
- Por exemplo?
Aquelas perguntas já começavam a irritar Lucien. Exatamente o que Isabella queria, quando perdesse a compostura, a garota mostraria suas verdadeiras cores.
- U-um encontro informal com a-amigos próximos.
- Como funciona esse tipo de festa?
Ela explodiu. – C-com todo respeito, V-vossa Alteza, não entendo o que vosmecê quer com uma p-pária como eu, nem suas intenções ao me fazer esse tipo de p-pergunta. N-não tenho nada a l-lhe oferecer.
- Nem sempre dá para entender a intenção das pessoas – foi dizendo Isabella languidamente. – O que você veio fazer aqui, senhorita Lucien?
Se Arlinda fosse inteligente, e Sua Alteza acreditava que era, entenderia a mensagem escondida em suas palavras. Se queria extrair alguma coisa da jovem de olhos azuis, precisava mostrar suas cartas antes. A herbalista assentiu em compreensão e seu estresse se esvaiu.
- V-você deve saber sobre a s-situação do meu pai, certo? – Isabella fez que sim. – Tem s-sido muito difícil p-para todos nós, mas ainda n-não queremos desistir quando sabemos que se sucedermos em nossas p-pesquisas, elas v-vão se tornar benéficas para t-todo império, talvez.... talvez para t-todo o mundo. Eu, sinceramente, n-não sou fã de festas, no entanto eu t-tento comparecer a elas de tempos em tempos. T-tenho a esperança de que t-talvez eu consiga um i-investimento se conseguir convencer a-as pessoas certas de que esse projeto é b-benigno.
- Não pensou em tentar me convencer a investir no projeto? – sondou abelhudamente.
- C-claro que pensei, m-mas não posso simplesmente sugerir a ideia sem que você m-mostre interesse antes. Vosmecê é a futura Imperatriz, se eu lhe chateasse com e-essa conversa, o tiro poderia s-sair pela culatra e v-você poderia se juntar a facção antipesquisa. Não sei se minha família aguentaria p-prosseguir com esse projeto com a f-familia imperial contra n-nós.
- Isso foi sábio da sua parte. Entretanto, só um pouquinho. Perder sua calma comigo poderia ter feito eu me virar contra você também, sabe?
Arlinda empalideceu um pouco, mas ela já era pálida para começar. – E-eu s-sinto m-muito p-por a-aquilo, n-não s-sei o q-que d-deu n-na m-minha c-cabeça.
Isabella sorriu, era suposto ser um sorriso de conforto. Não teve o efeito desejado, Lucien que já parecia uma folha de papel, começou a tremer e seus lábios tornaram-se roxos de tão apertados que estavam. Sua Alteza pigarreou e mudou de assunto:
- Eu lhe enviarei uma carta te convocando ao palácio – avisou erguendo-se com galhardia. – O que eu quero de você não pode ser discutido em um salão de festas.
Era impossível dizer o que Arlinda pensava daquela proclamação, no entanto pelo seu semblante dava para perceber que não era nada de bom.
Após aquela conversa, Isabella se despediu da Marquesa e voltou para ala sul, imediatamente adentrando seu escritório e escrevendo uma carta que entregou a Hector. Estava realmente precisando de uma dama de companhia para lhe ajudar com esse tipo de serviço. O primeiro-ministro era quem vinha lhe prestando socorro nas últimas semanas. Ele não parecia se incomodar muito já que começou a ter uma quantidade bem menor de trabalho desde que Sua Alteza assumira seu posto. Sempre que a jovem lhe pedia alguma coisa, ia ao seu escritório as pressas com um sorriso de canto a canto. Entretanto, tal situação não poderia se estender para sempre e Isabella precisava de bem mais do que um garoto de recados.
Alguns dias depois do envio da carta, Arlinda estava sentada no sofá azul real no escritório de Sua Alteza. Nem tocou na comida que lhe foi oferecida.
- É chá de Jiania – disse apontando para o líquido rosa e translúcido que fumegava em sua xícara. – Você deveria provar. Eu particularmente adoro.
- V-vossa A-alteza, você não me convidou para t-tomar chá, c-convidou? – replicou apertando seus joelhos com força. – Eu p-preferiria que você acabasse logo com isso.
Isabella colocou sua xícara no pires. O tilintar da fricção da porcelana era lindo e surdo. – Você está certa, eu vou direto ao assunto. Senhorita Lucien, eu gostaria que você fosse minha dama de companhia.
- Pois não? – inquiriu arregalando os olhos.
A jovem repetiu. – Gostaria que você fosse minha dama de companhia.
Arlinda piscou. – Por quê?
- Porque você é talentosa. Não é perfeita, mas tem habilidades médicas excepcionais e é exatamente o que eu preciso.
- Não s-seria mais favorável ter u-uma nobre curandeira ao seu lado do que eu?
Então Isabella lhe contou seu plano, de como queria aumentar a reputação da casa Lucien, investir em seu projeto e solidificar seu suporte. – Se meu plano der certo, vou ter uma aliada várias vezes mais preciosa que uma nobre curandeira – acrescentou ao final da explicação.
Arlinda segurou seu queixo e pouso o dedo indicador sobre os lábios, dando leves batinhas, pensativa. – Não vejo mal algum em sua p-proposta. Só o fato de eu me t-tornar uma dama de companhia pode ajudar muito no p-projeto do meu pai, mas pode ser que seu p-plano não dê certo.
- Mesmo que não dê certo, ainda vale a pena tentar. Eu não vou perder nada com isso. Você também não. Além do mais, eu tenho outros planos caso esse falhe.
- Que o-outros planos?
- Por enquanto é segredo. O mais importante é se você irá aceitar minha proposta ou não.
- Eu a-adoraria ter esse c-cargo. Quando posso c-começar?
Sua Alteza sorriu. – Hoje.
E foi assim que Arlinda se tornou sua primeira dama de companhia. A única coisa que precisou fazer foi assinar uns papéis para oficializar o contrato e dar um dos quartos da ala oeste para a herbalista. Agora, além de Abel e Caim, Arlinda também a seguia para todos os cantos da ala sul.
Logo Isabella pôs seu plano em prática, fazendo algumas mudanças no processo para tornar a história mais crível. O boato que fez suas empregadas de confiança espalharam pela capital era o de que a senhorita Lucien foi prestar uma visita a Sua Alteza no palácio Imperial. No início do encontro tudo correu muito bem, no entanto no meio da conversa entre as duas, a noiva do Imperador Vermelho acabou passando muito mal. Os serventes correram para chamar um curandeiro, mas a senhorita Lucien sabia que não daria tempo. Sua Alteza precisava dos primeiros socorros imediatamente. Contrariando todas as expectativas, a jovem herbalista aplicou seu conhecimento médico na noiva do Imperador, salvando-a por um fio da morte. Sua Alteza ficou tão comovida que nomeou Senhorita Lucien como sua primeira dama de companhia.
Essa estória se espalhou rapidamente por entre a população comum, que passou a ter perspectivas positivas em relação à esse novo tipo de medicina acessível, e logo se tornou tópico de fofoca entre os nobres. O assunto estava presente em todas as festas, bailes e almoços. Algumas pessoas criaram um pouco de coragem e perguntaram a Isabella se aquele rumor era verdadeiro ou não, mas ela nunca confirmou, tampouco negou. Seu comportamento ambíguo fez com muitos tivessem dúvidas da veracidade da história – e bem, a história de fato era uma mentira -, conquanto, ela logo pôs a segunda parte do plana em prática, investindo dinheiro no projeto do Barão Lucien, cujo todos acreditavam estar fadado ao fracasso. Tal ação fez com que a dúvida fosse apagada da mente de muitas pessoas. A facção antipesquisa não foi dissolvida, no entanto ninguém se atreveu sabotar o projeto de maneira tão aberta quanto antes, não quando a opinião da população estava em jogo e Sua Alteza os apoiava. O plano foi um sucesso, entretanto seria necessário tempo para saber se o projeto fracassaria ou sucederia.
***
Faltavam três semanas para o fim da estação. A neve começou a derreter e o mundo voltou a ter sua cor de terra habitual, com suas árvores nuas e desprovidas de crina. Isabella mal podia esperar para que os brotos começassem a achar seu caminha permeio a terra dura e úmida, presenteando o mundo com sua beleza natural e comovente. Gostava muito do inverno, contudo tinha saudades da primavera.
Foi mais ou menos nessa época que a jovem recebeu duas notícias abruptas; que na última semana de inverno haveria o encontro anual entre reinos e que na primeira semana de primavera ocorreria um evento de caça entre os nobres.
- O que é esse encontro anual entre reinos? – perguntou à Arlinda, que comentava sobre o evento de maneira casual.
- S-sério que você não sabe o que é, Vossa Alteza? É senso comum. – inquiriu inclinando a cabeça. Isabella fez que sim. – É exatamente como o nome diz. Uma vez p-por ano, todos os representantes de cada reino se e-encontram para d-discutir sobre diversos assuntos. G-geralmente envolve os p-problemas dos países presentes, mas também é uma oportunidade para c-criar contatos. Dura em torno de uma semana.
- Acha que serei convidada esse ano?
- Se você tivesse sido convidada já e-estaria sabendo. – E acrescentou após uma pausa – como você ainda não está casada com o Imperador, então, tecnicamente, você ainda não faz parte da família imperial de Licrya e não pode ser considerada uma representante.
- Então eu serei separada de Sua Majestade por uma semana... – balbuciou melancolicamente.
- O que disse?
- ... Esquece.
Isabella recebeu a segunda notícia de Creta durante suas sessões de treinamento/tortura.
- Que tal começarmos a treinar um pouco com arco e flecha? – sugeriu animadamente depois de derrubar Isabella pela oitava vez aquele dia.
- Já me formei em ser saco de pancadas? – Era para ser uma piada, contudo seu tom saiu levemente agressivo.
A segunda general de divisão ficou sem saber o que dizer, dando lugar sua personalidade avoada. – Não é isso... é que... você acabou de começar e...
- Eu só estava brincando – tranquilizou-a sentindo-se como um adulto fazendo bullying com uma criança.
- É que a caçada de primavera está chegando e...
- Caçada de primavera?
- É uma caçada que acontece para homenagear o início da primeira, então saímos para caçar, como nossos antepassadas, e fazemos uma fogueira no intento de consumir aquilo que fomos capazes de pegar.
Isabella franziu o nariz. – Sou obrigada a participar? – A ideia lhe dava repulsa mesmo que a caça fosse somente para o consumo.
- Não, mas como é um dos rituais licryanos mais antigos, se você não estiver presente, muitos pensarão que que você está fazendo pouco da cultura por ser estrangeira. Vai ser ainda pior pois Sua Alteza será a futura imperatriz – explicou apoiando seu peso no pé direito. – Falo por experiência própria.
A jovem enterrou o rosto nas mãos. – Então você quer que eu aprenda arco e flecha para caçar?
- É, basicamente isso.
- Ugh! Certo.
Infelizmente, Isabella era uma negação em arco e flecha tanto quanto era em lutas. A primeira vez que tentou usar tal arma já foi uma premonição de como seria todas as suas outras tentativas; ela posicionou a flecha e puxou a corda como fora instruída. Por um segundo sentiu-se como Merida em Valente, ela conseguia ver tudo e o alvo se estendia a sua frente só esperando ser atingido. Então ela soltou a corda, a flecha voou como um galho seco, balançando irregularmente, e pousou dois metros a sua frente sem sequer fincar sua ponta no chão. Sua Alteza murchou. Definitivamente não era a cena que estava esperando em sua mente. Aquela coisa teria sido dez vezes mais eficaz se tivesse sido usada como um punhal.
Creta aplaudiu. – Foi ótimo para sua primeira tentativa.
Isabella quis enfiar a sua cabeça em um forno e ligar o gás, no entanto tinha certeza de que falharia nisso também.
Conforme o tempo passava, a jovem conseguiu fazer com que a seta voasse por uns cinco metros, que era onde o alvo estava localizado, mas nunca conseguia acertá-lo. Sua professora já começava a roer as unhas em frustração, esse definitivamente não era o progresso que ela estava esperando para sua aluna.
Um dia, Creta apareceu dizendo que estavam colocando o arco e flecha em pausa e lhe estendeu um revólver branco encrustado com pedras azuis (Isabella nem sabia que existia revolveres nesse mundo), uma bola vermelha que cabia na palma da mão e um colar que tinha um cristal mágico roxo como pingente.
- O que são essas coisas?
- São objetos mágicos que o Arquimago vem desenvolvendo – esclareceu encolhendo um pouquinho os ombros, quase envergonhada. – Depois que eu conversei com o Imperador Vermelho sobre o seu progresso, decidimos que talvez seja melhor mudar um pouco nossa tática...
Creta explicou para que cada objeto servia; o revolver só tinha seis balas, mas todas elas eram encantadas e causariam um dano quatro vezes maior do que uma bala comum, sendo capazes de subjugar um monstro de nível médio. O pingente do colar serviria como uma barreira de uso único, para funcionar precisaria ser quebrado. E a bola vermelha era uma bomba de fumaça, uma distração no caso de alguma emergência.
Isabella enfiou o colar em si mesma, guardou a bolinha e começou a treinar com o revolver – utilizando balas normais, por motivos óbvios. – Ficou muito surpresa ao descobrir que apesar de ser uma negação em arco e flecha, era muito boa com uma arma de fogo. Sempre atingia o alvo e começou a se acostumar com o recuo. Era quase como se o revolver fizesse parte do seu corpo. Tinha certeza de que se lhe fosse dado o devido tempo, viraria uma atiradora de elite.
Certa vez, ela até mesmo conseguiu acertar o pontinho preto no meio do alvo.
- Ter dado essa arma para você foi a melhor decisão que já tomei! – exclamou Creta eufórica, tocando o ponto onde a bala acertou para ter certeza de que não estava sonhando.
Isabella concordou com a cabeça, admirada com suas próprias habilidades.
Infelizmente, apesar das coisas finalmente começarem a correr bem em seu treinamento, o dia em que Alexandre passaria uma semana fora de casa se aproximava rapidamente, e ambos não pareciam encontrar um momento sequer para passarem juntos. Seus horários nunca batiam, sempre se desencontravam pelos corredores e parecia que as coisas não ficariam melhores em um futuro próximo.
- Não se preocupe, eu vou dar um jeito – sussurrava o Imperador durante as noites em que Isabella o esperava acordada, mal conseguindo manter seus olhos abertos
Ela respondia alguma coisa completamente indiscernível e caia no sono.
Alexandre provavelmente deu um jeito, pois um dia antes de sua vigem, ambos conseguiram um tempinho a sós enfim.
Estavam no sofá vinho do quarto do Imperador. Isabella lia um livro em voz alta enquanto apoiava sua cabeça no esterno de seu noivo. Sentir seus batimentos contra a nuca era sempre reconfortante. Ele tinha as pálpebras cerradas e pendia sua cabeça no encosto do sofá, não dava para saber se estava ouvindo ou apenas dormindo. Sentiam como se finalmente fossem capazes de respirar depois de longas semanas.
- Por que não fazemos algo diferente? – sugeriu a jovem, fechando o livro.
- Certo – replicou abrindo os olhos e desabotoando sua blusa. Não estava dormindo afinal.
- Não esse tipo de diferente!
- Então o quê?
Ela sorriu. – Um encontro.
Ele arqueou uma de suas sobrancelhas. – No lago? – A jovem fez que não. – No jardim?
- Na capital.
- E se formos reconhecidos?
- Podemos ir disfarçados. Não é você que sempre quis ser uma pessoa comum?
- Não necessariamente uma pessoa comum...
Isabella rolou os olhos. – Certo, um pescador.
- Tudo bem, mas como você sugere que eu esconda isso? – inquiriu apontando para suas íris vermelhas.
Ela estalou a língua. Verdade. Já tinha se esquecido disso.
- Talvez... se você usasse uma venda? – Era uma proposta bastante estúpida.
- Claro, e você pode me guiar para todos os cantos enquanto descreve as coisas para mim – Era sarcasmo. Isabella nem sabia que Alexandre era capaz de usar uma coisa dessas.
A jovem fez beicinho, parece que teria de desistir desse projeto por enquanto. Ela abriu o livro na página onde havia parado e voltou a ler em voz alta. Aquele era um dos poucos livros de romance que o Imperador acabara por concordar que não era tão péssimo assim.
- Pode ser que eu tenha uma solução para isso – foi balbuciando como se lhe custasse muito dizer tal sentença.
Isabella se virou. – Sério?
- É.
- Como?
- Lembra daqueles monstros que se disfarçaram e entraram em Licrya há um tempo atrás? – Ela assentiu. – Pois bem, eles não estavam simplesmente disfarçados, tinham uma aparência perfeitamente humana quando os descobrimos. Não tínhamos ideia de que eles poderiam fazer isso até aquele dia. Depois que eles morreram, estudamos seus corpos e descobrimos que ganharam aquela aparência devido a uma poção. O efeito é temporário em vista que, depois de uma semana e meia, eles voltaram a ter suas formas originais. Começamos a estudar as substâncias que encontramos em seus corpos e a tentar reproduzir a poção nós mesmos. Até agora só conseguimos uma imitação barata que muda apenas alguns detalhes de nossas aparências por algumas horas – cor dos olhos, formato do nariz, tom do cabelo, etc. – Mas vai ser suficiente para o nosso propósito, imagino.
Isabella ouviu silenciosamente, interessada e ao mesmo tempo preocupada. Se monstros podiam se disfarçar de humanos, quantos deles não estariam entre a multidão sem serem percebidos. Alexandre não conseguiu ver essa preocupação, pois já havia levantado de seus assento e ido falar com Abel e Caim que estavam de guarda na porta.
- Abel, me traga a poção de transformação na torre. Caim, chame a Arlinda – ordenou.
Alguns passos soaram. Caim se retirou, mas Abel permaneceu ali.
- O que pretende, Vossa Majestade? – indagou o guarda remanescente.
- Dar um passeio.
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